quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Pilhas



Sócrates acaba de queimar, com a pompa que é seu timbre e que o Centro Cultural de Belém permite, uma das várias inaugurações a que a futura fábrica de baterias para automóveis eléctricos terá direito até que produza a primeira bateria. Até lá, e não será pouco tempo, ainda teremos, no mínimo dos mínimos, a inauguração da “primeira pedra” e a inauguração propriamente dita.

Não se faça confusão! Eu acho que a aposta portuguesa nas energias renováveis e mais limpas, como a eólica, a foto voltaica, etc., que inclui o futuro apoio à comercialização de carros eléctricos, é uma coisa boa. Acho que a instalação em Aveiro de uma fábrica da Renault-Nissan, onde se produzirão as tais baterias, é uma coisa boa. Acho que criar uma unidade fabril, que segundo o projecto, resultará em mais de duzentos novos postos de trabalho, num concelho martirizado pelo desemprego, é uma coisa boa.

Daí ter gostado de ver a satisfação genuína do Presidente da Câmara de Aveiro, por participar num projecto inovador e por ver instalar-se no seu concelho uma estrutura que pode dar mais solidez à fábrica da Renault já ali implantada e que, juntamente com outros projectos, poderá começar a inverter o sentido da ladeira dos números do emprego.

Já o Presidente da Câmara de Sines, Manuel Coelho (na imagem) fez-me pena, na sua não menos genuína decepção. Não sei se a ida para Sines desta fábrica da Renault-Nissan fazia parte do pacote de “convicções e ideais” com que o convenceram a abandonar de forma feia um projecto de gestão autárquica da CDU, com muitos anos e trabalho feito, para ir criar um dos costumeiros “movimentos de independentes” trânsfugas que tanto se vêem por aí. Não sei que promessas lhe fizeram e que agora saíram furadas... mas tive uma certa pena do homem.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Manuel Alegre - Rica prenda!





Sabem os deuses e sabem os responsáveis pela propaganda do PS, que o partido, o “seu governo” e José Sócrates mais que todos, precisam como de pão para a boca, de muito ruído mediático e cortinas de fumo, para afastar as atenções dos portugueses do essencial.

Estas respostas que Manuel Alegre “não consegue encontrar dentro de si”, este “nem abrir nem fechar portas”, esta súbita vontade de jantar aqui e ali, sempre seguida de muito “tabu”, muito “a mim ninguém me cala”, muito “não sou refém de ninguém”, muito faz de conta que “tem um pé dentro e outro fora do PS”... ou “deslarguem-me", senão candidato-me!, serão tudo coisas que acontecem por acaso, ou serão antes uma preciosa prenda de Natal do poeta ao seu atrapalhado partido?

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Tudo a seu tempo...



Hoje partilho convosco uma bela fotografia destas simpáticas e certamente aplicadas alunas da Gunston Hall Preparatory School, tirada no ano lectivo de 1904/1905.

Esta histórica escola dos EUA ficou famosa por apenas ter aulas no período da tarde. Não por qualquer razão pedagógica, ou falta de professores, mas porque era humanamente impossível ter estes extraordinários penteados prontos antes do meio dia. Digo eu, claro…

É urgente parar com isto!



O país está a ficar exausto de aberturas de telejornal e primeiras páginas de jornais atascadas em crimes, julgamentos que “não andam” e corrupção em doses gigantescas; escandalizado pelos espectáculos degradantes, dados pelos mais altos agentes da justiça e do Estado; enojado por figuras públicas que deveriam ser exemplos de cidadania; confundido com fortuitas escutas ao Primeiro Ministro, cujo maior interesse seria o de sabermos se é afinal nos telefonemas privados que ele consegue não mentir...

O país sufoca sob o cenário de lixeira a céu aberto e o cheiro nauseabundo que nos são servidos pela comunicação social, diariamente e aos gritos.

Se um pouco de humidade, sal e tempo, conseguem fazer o que a imagem mostra a uma gigantesca corrente de aço, imagine-se o que este clima de suspeição generalizada, funda e antiga, pode fazer a um país! Ainda por cima um pequeno país sem recursos capazes de, só por si, o tirarem da depressão e onde muitos milhares de cidadãos estão sempre prontos a abraçar e dar as boas vindas a um qualquer “salvador da pátria que mande a sério e ponha tudo isto na ordem”.

A História diz-nos que é exactamente para estender a passadeira a esses “salvadores da pátria” que servem estes longos e exaltados climas de paranóia carregada de chavões como “a corrupção, os desentendimentos dos políticos, a criminalidade e a insegurança, os imigrantes que tiram os empregos aos nacionais”...

É neste cenário abjecto, criado e ampliado até ao delírio que singra o fascismo.

É urgente virar a luz para o “outro” Portugal que não é nem quer ser assim... para a outra vida que é possível!

domingo, 6 de dezembro de 2009

Víctor Jara – Ao fim de 36 anos



Ao fim de 36 anos confirmou-se o que já se sabia. Víctor Jara foi torturado, esmagaram-lhe as mãos, vararam-no com dezenas de balas.

Ao fim de 36 anos voltamos a lembrar o Estádio Chile cheio de trabalhadores, intelectuais, estudantes, militantes de partidos de esquerda e democratas em geral, que aos milhares ali foram encerrados, para dia após dia serem torturados e assassinados, enquanto se instalava definitivamente a ditadura militar de Augusto Pinochet, idealizada, cozinhada e levada a cabo a partir dos gabinetes da CIA e da Casa Branca.

Ao fim de 36 anos o seu país tentou sarar essa ferida, dando-lhe um funeral de Estado, acompanhado por milhares de chilenos. Não o que merecia, pois o que Víctor Jara merecia era continuar vivo, ou, a ter já morrido, que tivesse sido de morte natural, rodeado pela ternura da sua família e amigos e não vítima de assassinos.

Ao fim de 36 anos proclamou-se o que já se sabia. Víctor Jara era um homem íntegro e bom!

Manifesto

(Victor Jara)


Yo no canto por cantar

ni por tener buena voz

canto porque la guitarra

tiene sentido y razon,

tiene corazon de tierra

y alas de palomita,

es como el agua bendita

santigua glorias y penas,

aqui se encajo mi canto

como dijera Violeta

guitarra trabajadora

con olor a primavera.


Que no es guitarra de ricos

ni cosa que se parezca

mi canto es de los andamios

para alcanzar las estrellas,

que el canto tiene sentido

cuando palpita en las venas

del que morira cantando

las verdades verdaderas,

no las lisonjas fugaces

ni las famas extranjeras

sino el canto de una alondra

hasta el fondo de la tierra.


Ahi donde llega todo

y donde todo comienza

canto que ha sido valiente

siempre sera cancion nueva.

"Manifesto" - Víctor Jara

(Víctor Jara)

sábado, 5 de dezembro de 2009

Mundial 2010






Agora que sabemos quem eles são e onde estão, será que ainda dá tempo de “naturalizar” mais uns tantos... e tentar reverter este grande azar?

Ah... e era muitíssimo bem feito, para o treinador brasileiro não vir com aquela graçola do Brasil A contra Brasil B... mas lá que teve graça, isso teve!

Pronto, pronto... isto de continuar com as "naturalizações" foi apenas uma ideia!...

José Carlos Ary dos Santos





Esta noite que passou foi de homenagem ao José Carlos Ary dos Santos. No Coliseu dos Recreios de Lisboa. Fica bem ao PCP o gesto oficial de fazer mais uma homenagem pública ao poeta que melhor cantou Abril e que nesses cantos melhor passou a mensagem dos comunistas e outros democratas amantes da liberdade. Fica bem a homenagem ao poeta, ao amigo e ao militante.

Não me foi possível estar presente nesta festa. De qualquer modo, pertenço ao grupo daqueles que foram pessoalmente tocados pelo seu génio, como já uma vez contei aqui.

Junto-me ao rescaldo da festa com este registo de há muitos anos (1968), de um poema seu, talvez um pouco menos “famoso”, dito pelo próprio, num célebre serão com o poeta brasileiro Vinícius de Morais, David Mourão Ferreira, Amália...

“Retrato do Poeta” – Ary dos Santos
(José Carlos Ary dos Santos)