Sócrates acaba de queimar, com a pompa que é seu timbre e que o Centro Cultural de Belém permite, uma das várias inaugurações a que a futura fábrica de baterias para automóveis eléctricos terá direito até que produza a primeira bateria. Até lá, e não será pouco tempo, ainda teremos, no mínimo dos mínimos, a inauguração da “primeira pedra” e a inauguração propriamente dita.
Não se faça confusão! Eu acho que a aposta portuguesa nas energias renováveis e mais limpas, como a eólica, a foto voltaica, etc., que inclui o futuro apoio à comercialização de carros eléctricos, é uma coisa boa. Acho que a instalação em Aveiro de uma fábrica da Renault-Nissan, onde se produzirão as tais baterias, é uma coisa boa. Acho que criar uma unidade fabril, que segundo o projecto, resultará em mais de duzentos novos postos de trabalho, num concelho martirizado pelo desemprego, é uma coisa boa.
Daí ter gostado de ver a satisfação genuína do Presidente da Câmara de Aveiro, por participar num projecto inovador e por ver instalar-se no seu concelho uma estrutura que pode dar mais solidez à fábrica da Renault já ali implantada e que, juntamente com outros projectos, poderá começar a inverter o sentido da ladeira dos números do emprego.
Já o Presidente da Câmara de Sines, Manuel Coelho (na imagem) fez-me pena, na sua não menos genuína decepção. Não sei se a ida para Sines desta fábrica da Renault-Nissan fazia parte do pacote de “convicções e ideais” com que o convenceram a abandonar de forma feia um projecto de gestão autárquica da CDU, com muitos anos e trabalho feito, para ir criar um dos costumeiros “movimentos de independentes” trânsfugas que tanto se vêem por aí. Não sei que promessas lhe fizeram e que agora saíram furadas... mas tive uma certa pena do homem.






