Uma prolongada e sobretudo, exagerada exposição à religião, durante toda a infância e parte da juventude, resultou no facto de eu ser ateu. Mesmo que não tivesse sofrido a tal exposição, lógica, tratando-se do filho de um "pastor" protestante, ou que esta não tivesse provocado este resultado, nem mesmo assim seria católico, já que o lógico seria ter seguido o caminho que me estava “destinado” dentro da Igreja, nesse tempo uma congregação muito “à séria”.
Como se isso não bastasse, demasiada talha dourada agonia-me um bocado e o fausto e exibicionismo da Igreja Católica, talvez ainda por influência da educação protestante, enerva-me assaz.
Quando finalmente até tinha encontrado um objecto “papal” de que gosto bastante, na forma desta lindíssima caixa para biscoitos que aqui podem ver, vai o senhor Ratzinger e faz mais uma das suas. Eu sei... reconheço que não vou com a cara do homem, mas há que admitir que ele não ajuda muito.
Pode imaginar-se o asco que uma decisão destas (vinda de um papa alemão) deve provocar aos sobreviventes do Holocausto que ainda estão vivos, aos seus familiares e aos descendentes das vítimas, assim como à comunidade judaica residente na Alemanha.
Pode imaginar-se o embaraço, vergonha mesmo, dos católicos alemães (num país em que o negacionismo ainda é crime), como aliás, de milhões de outros católicos, protestantes, fieis de qualquer outra religião... ou sem nenhuma.
Confrontado com algumas das proezas deste papa, por vezes dou por mim a pensar que o cérebro “brilhante e excepcionalmente culto” deste senhor Ratzinger é um produto muitíssimo sobreavaliado. Ele será mesmo tão inteligente, como dizem, ou estúpido como uma porta, como parece? Ou então, é o quê?