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terça-feira, 29 de março de 2011

Cavaco Silva – Rais parta tal pátria...


É com o coração sangrando e a alma em farrapos que imagino o excruciante sofrimento de Aníbal Cavaco Silva ao convocar o Conselho de Estado, sabendo que não vai ver entre as caras dos seus Conselheiros a expressão serena e segura do seu amigo, delfim e protegido, Manuel Dias Loureiro, cujos “conselhos” seriam, mais uma vez, fundamentais, para traçar um caminho de transparência para as contas públicas, de honestidade na governança, de lisura nos processos, de uma solução para o enorme buraco financeiro em que o país está atascado.
Não duvidando dos bons conselhos que todos os Conselheiros providenciarão... e já que falei da nódoa que temos a fazer de Presidente, ou “A coisa”, como muito bem escreveu aqui o meu amigo Viriato Teles, quero acabar com uma nota de boa disposição, trazendo aqui para a sala principal um comentário/estória que me foi deixado quando, há dias, aqui falei do miserável discurso presidencial elogiando a guerra colonial, estória passada exatamente na guerra colonial e que dedico ao inestimável contributo de Cavaco e de muitos dos seus Conselheiros, para a solução dos nossos reais problemas.
Quando entrámos pela primeira vez na caserna, construída em pleno mato, vimos escrita na parede a frase: “Soldado. Cada coice da tua arma é um agradecimento da tua Pátria!”. Entretanto, alguém já tinha escrito por baixo:
“Rais parta tal pátria... que agradece aos coices!”

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O império dos sentados


Alguns dos nossos generais, aos primeiros sintomas de uma nova guerra, aparecem imediatamente, inquietos para participar bravamente... comentando! São os célebres “generais sentados”, sempre desejosos de exibir conhecimentos tácticos e os seus «brinquedos caros e inúteis», como certeiramente (e independentemente das suas reais motivações) os classificou um ex-embaixador dos EUA em Portugal... mas isso é outra estória.
Os nossos “generais sentados” fazem coro com alguns politólogos e especialistas em conflitos. Estão sempre prontos a fornecer graciosamente os seus “cenários de guerra”. Têm-nos para todos os gostos. Estão constantemente a fabricá-los... ora com chávenas a fazer de blindados, colheres de sobremesa a fazer de mísseis e restos de croissant a fazer de soldadinhos, ora com os muito mais “reais” modelinhos de chumbo... dependendo de os criarem na mesa do pequeno almoço, ou no quartinho dos brinquedos. Os “generais sentados” são eles próprios um brinquedo caro e inútil!
Generais e politólogos especialistas já defendem abertamente uma intervenção militar internacional na Líbia. Humanitária, evidentemente... não vá algum telespectador não entender as suas nobres motivações.
Tendo na memória o sentido da esmagadora maioria das posições políticas destes “heróis” da guerra sentada feita em estúdios de televisão, não duvido, nem por um momento, das suas intenções “humanitárias”.
Toda a gente sabe que o petróleo é um “ser humano” muitíssimo delicado, que dificilmente suporta agressões. Então se estas agressões forem acompanhadas do extremo “nervosismo dos mercados”... é preciso e urgente intervir, rapidamente e em força!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Cuecas blindadas – Já vão tarde demais!



Leio a notícia de que o exército britânico vai distribuir pelos seus militares em cenário de guerra, nomeadamente no Afeganistão, vários milhares cuecas blindadas capazes, segundo garantem, de proteger as suas partes pudibundas das agressões e adversidades várias a que podem estar sujeitas, como estilhaços, etc., etc. 

É uma grande e simpática ideia... mas já vão tarde! Toda esta enorme despesa e lufa-lufa de despe-que-despe, veste-que-veste, tira-que-tira, coça-que-coça, veste outra vez... seria perfeitamente evitável. 

Dada a extraordinária semelhança destas cuecas blindadas, pelo menos no princípio e nos resultados, com os velhos, famosos e medievais “cintos de castidade”, teriam feito muito melhor em oferecer um par equipado com bons cadeados, aos pais de Osama Bin Laden e Saddam Hussein (no tempo em que eram todos tão amigos e aliados), aos avós de George W. Bush, aos pais de Aznar, aos pais de Tony Blair, aos pais de Durão Barroso... e talvez a guerra no Iraque e a que se seguiu no Afeganistão nem sequer tivessem acontecido. 

 Eu sei, eu sei... isto é muito optimista da minha parte e, sem dúvida, deixei de fora muitos possíveis destinatários dos milagrosos pares de “cuecas blindadas”... mas isso fica a cargo da vossa imaginação...