«Jamais pertenceria a um Governo de José Sócrates… porque, se o fosse, já teria apresentado a minha demissão.»
«O PS tornou-se neoliberal.»
«Fazer do capital financeiro o dono e árbitro do desenvolvimento económico é uma capitulação face ao neoliberalismo que não é digna de um partido socialista.»
«O PS hipotecou o seu papel na sociedade portuguesa e deixou-nos sem perspectivas de um futuro melhor. Assumiu o papel que antes pertencia aos centristas do PSD, ocupou o seu espaço e tornou o país mais pobre, política e economicamente.»
Tudo isto são frases da militante e ex-governante do PS enquanto secretária de Estado da Educação no governo de Guterres, Ana Benavente. Na entrevista que deu à Revista Lusófona de Educação, adianta ainda aquilo a que chama “sete pecados mortais” deste PS:
1. Adoptou "políticas neoliberais e, portanto, abandonou a matriz ideológica socialista";
2. "Autoritarismo interno e ausência de debate, empobrecendo o papel do PS no país";
3. "Imposição de medidas governativas como inevitáveis e sem alternativa, o que traduz dependências nacionais e internacionais não assumidas nem clarificadas para o presente e o futuro";
4. "Marketing político banal e constante, de par com uma superficialidade nas bandeiras de modernização da sociedade portuguesa";
5. "Falta de ética democrática e republicana na vida pública e na governação";
6. "Sacrifício de políticas sociais construídas pelo próprio PS em fases anteriores";
7. "Falta de credibilidade, quer por incompetência quer por hipocrisia, dando o dito por não dito em demasiadas situações de pesadas consequências".
Se até aqui foram seguindo os desabafos de Ana Benavente, certamente compreenderão que eu esteja de acordo com quase tudo o que ela disse... e digo quase, porque lá pelo meio encaixou uma declaração dirigida especialmente a José Sócrates, em que diz:
«Tornou-se autocrata, distribuindo lugares e privilégios, ultrapassando até o "centralismo democrático" de Lenine.»
Aqui Ana Benavente “esticou-se” visivelmente, pois só se deve comparar aquilo que é comparável. O apontado autoritarismo de Sócrates, seja grande, médio, ou pequeno... é autoritarismo; o centralismo democrático... é centralismo democrático; e pelo menos da última vez que fui ver, não tinha que ver com autoritarismo. Mas isso seria toda uma outra conversa...
Claro que o abrutalhado Capoulas Santos, o responsável pela campanha de reeleição de Sócrates à frente do PS, já veio a público e com a “fina elegância” que todos lhe reconhecem, exercitar os seus insultos recorrentes, insinuando que tudo não passa de “despeito” de Ana Benavente... por não ter sido convidada para ministra.
Claro que o omnipresente Francisco Assis veio logo, igualmente, “desvalorizar” a entrevista da companheira de partido, embora de forma mais sibilina.
Independentemente de ficar espantado com a velocidade a que se “desvalorizam” os militantes do PS que criticam Sócrates, o que eu gostaria mesmo de saber é quantos dias (ou horas) resistirá ele à frente do partido, assim que não tiver poder nem “jobs” para dar.


