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quarta-feira, 3 de abril de 2013

Não, à lei (mais uma!) contra o poder local democrático!


O “Movimento Revolução Branca” continua a sua saga de busca de protagonismo, insistindo na perseguição pública aos candidatos a autarquias que tenham uma interpretação da lei de limitação de mandatos (sim, a lei permite interpretações antagónicas!) diferente da sua. Apenas alguns reparos:
1. Do ponto de vista da sua interpretação da lei, estes “brancos” até podem, num ou outro ponto, parecer razoáveis.
2. O facto de, a partir do seu ponto de vista, até poderem estar a dizer uma ou duas coisas acertadas, vale tanto quanto o “ponto de vista” do relógio parado que, ainda assim, dá as horas certas duas vezes por dia.
3. Enquanto um parecer de um tribunal for passível de recurso (e isso também faz parte das leis que os tais senhores “brancos” tanto veneram) um cidadão mantém o direito a continuar a tentar fazer valer o seu ponto de vista. Com isso, não está a desobedecer a gaita nenhuma, já que se trata de um assunto por encerrar.
4. Como já disse, a porcaria da lei nem deveria existir, logo, acho que o que se deveria fazer era lutar pela sua revogação e criar as condições para, democraticamente, exercer um melhor controlo sobre a qualidade e honestidade do desempenho dos detentores de lugares nas autarquias locais, ou no Parlamento, ou no Governo, ou na Presidência da República.
5. Por último... e muito importante para explicar a minha aversão a este “movimento”, o facto de qualquer coisa que se chame “revolução branca”... deixar no ar o cheiro insuportável a "ku klux klan" e a fascismo!!!

quinta-feira, 21 de março de 2013

Limitação de mandatos nas autarquias – Começou o “circo”?!...



Esta lei de limitação de mandatos nas autarquias nunca deveria ter visto a luz do dia! Claro que esta é apenas uma opinião... embora saiba que não estou sozinho.
O que deveria existir, sim, era a vontade política de fazer um rigoroso “controlo da qualidade” dos mandatos dos autarcas, em termos de promessas cumpridas, ou cumpríveis dentro da legalidade, em termos de honestidade e trabalho feito.
O que deveria existir, sim, era a possibilidade e vontade de promover uma muito maior participação democrática das populações nos destinos das suas autarquias, criando, ao mesmo tempo, meios expeditos de apear todos aqueles que, tendo concorrido e ganho as eleições com um programa político, se desviassem desse programa por razões não justificáveis.
Nesses casos, os “independentes” deveriam poder ver os seus mandatos retirados pelo voto popular dos cidadãos e movimentos que os elegeram e sim, sem dúvida alguma, os partidos políticos que retirassem a confiança política a um seu presidente de câmara, por considerarem terem sido traídos os princípios do partido, assim como o programa eleitoral sufragado,deveriam ter a possibilidade “reaver” o lugar, entregando-o a outro membro da vereação, ou, no limite, recorrendo a novas eleições.
Não, não acho que os lugares de pessoas eleitas em listas de partidos políticos, passadas as eleições, devam passar a “pertencer” a essas pessoas e não ao partido que deu a cara pelo programa e arrostou com todas as tarefas que levaram até à eleição, como hoje acontece. Nem em autarquias, nem no Parlamento.
Não, não acho que um partido – qualquer partido – deva estar condenado a arrostar com a vergonha pública de ter que responder politicamente por aquilo em que, por vezes, se tornam aqueles que um dia apoiou. Seja a pura traição política, seja o oportunismo, populismo e clientelismo, seja a encapotada corrupção, seja o que for.
Assim, assistimos ao espectáculo desmoralizador de ver um deputado ou presidente de Câmara que, perdendo o apoio, quando não mesmo sendo expulso do seu partido, mesmo assim fica agarrado ao lugar como sua propriedade particular.
Assim, vamos continuar a assistir a cenas como esta, em que a democracia e os direitos políticos de um cidadão ficam reféns de um “da” ou de um “de”... ou da disposição momentânea de um qualquer juiz e da sua pessoal interpretação de uma lei que, já que existe (e, repito, não deveria existir!)... deveria, pelo menos, ser clara. Uma lei que trata com pretensa igualdade aquilo que não é igual. Um político que serve, não pode ser tratado como o outro que se serve!
Com este caso de Seara (cidadão que só conheço de vista), temo que tenha sido dado o tiro de partida para a fase “circence” das autárquicas 2013!
Sei que esta minha espécie de “proposta de revisão da lei eleitoral” vai ao arrepio de um famoso manifesto que anda para aí e que defende, grosso modo e em vários pontos, o contrário(*) do que eu aqui, por alto, defendi quanto ao papel e importância dos partidos na vida política do país... mas paciência!
Confesso que antevejo um tempo assaz estranho, a avançar todo aquele projecto defendido pelo tal manifesto. Um tempo em que, apesar da propaganda a favor das liberdades individuais e da democratização, os caciques serão como cogumelos, os “tinos de rans multiplicar-se-ão por cem, os candidatos tiririca aparecerão a cada esquina... e debaixo de cada pedra nascerá um manuel coelho” pronto a ocupar o lugar que deveria ser ocupado por um verdadeiro deputado.

domingo, 10 de março de 2013

Simone - Nas escolas, nas ruas, campos, construções...


“Vem vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer”

É uma velha canção que vem já dos anos sessenta do século XX. O autor, Geraldo Vandré, fez um hino à liberdade. À liberdade conquistada, participada, activa, generosa, consciente. Fê-lo, corajosamente, numa altura em que na sua grande terra brasileira se vivia uma sangrenta ditadura militar fascista. Fê-lo, afrontando directamente a ditadura, ao concorrer com a canção a um festival de música popular... e ficando em segundo lugar, com milhares de pessoas a gritar na plateia o seu protesto por esta não ter ganho.
Sei que não estamos a viver uma situação igual... mas tenho-me lembrado muito desta canção!
A Simone (independentemente do que fez da sua carreira posteriormente) cantou-a muitas vezes... quando isso não era “seguro”. Quando isso dava problemas sérios. Entre várias outras coisas... admiro-a por isso!

Bom domingo!
“Pra não dizer que não falei das flores” – Simone
(Geraldo Vandré)




quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O senhor da Ponte – Lapso... ou relapso?




Esperava-se qualquer tipo de reacção aos dois embaraços sofridos pelo desavergonhado Relvas, envolvendo a Grândola. Tudo... menos o que, afinal, aconteceu: o coro de uns poucos dos seus companheiros de partido... e, misteriosamente, de figuras gradas do PS que, hipocritamente, vieram agitar a bandeirita ridícula (por aplicada a este caso) da “liberdade de expressão”.
Esta estória, em que trabalhadores da RTP se insurgem contra a ameaça de despedimento que paira sobre a cabeça do jornalista Nuno Santos, jornalista que, independentemente dos contornos da estória que serve de desculpa para o processo disciplinar de que está a ser vítima, não caiu, decididamente, nas boas graças da Administração, nem de Relvas... pode explicar muitas coisas, nomeadamente duas:
1. Explica que Relvas, que tutela a RTP, tem um sentido muito apurado sobre liberdade de expressão. Que o digam, para além de Nuno Santos, aqueles que já tiveram a infelicidade de contrariar o genial e douto ministro. No “Público”, na “Antena 1”... ...
2. Que o “não-sei-quantos” da Ponte, o tal que percebia bué de cervejolas e, na altura em que Relvas movia céus e terra para vender a RTP a um grupo de media angolano, já fazia parte da bagagem do ministro nas suas viagens a Angola e que, logo de seguida, quando o golpe da venda se preparava, foi promovido a especialista de “comunicação social e serviço público de televisão”, sendo estrategicamente colocado na cadeira de administrador da RTP... para além de mentiroso (já que havia garantido que não avançaria com a intenção de despedimento), talvez tenha fortes razões para continuar com o nome de Salazar tão prontamente debaixo da língua quando se refere à famosa ponte sobre o rio Tejo, quase quarenta anos depois desta ter deixado de ostentar o nome do bandalho de Santa Comba Dão, para passar a chamar-se Ponte 25 de Abril.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Liberdade de expressão... e Relvas


São palavras do director de informação da TVI, José Alberto Carvalho, num longo e confuso arrazoado em que mete os pés pelas mãos, tentando justificar-se e agradar a todos, depois de, involuntariamente ou não, ter iniciado a cruzada da “liberdade de expressão”. Apenas num aparte... não me lembro de ter ouvido José Alberto Carvalho insurgir-se contra o que aconteceu à liberdade de expressão de colegas seus que se “atravassaram” no caminho de Miguel Relvas.
Na verdade, já não pode justificar grande coisa! A verdade é que as declarações que fez antes, introduziram o tema da “liberdade de expressão”, tema que foi imediatamente cavalgado pelo PSD e os (poucos) defensores de Miguel Relvas… com destaque para o assombroso “socialista” Francisco Assis... que aproveita, na passada, para insultar os jovens manifestantes, chamando-lhes «rapaziada ululante, com a minúscula desculpa de uma certa inconsciência».
José Alberto Carvalho deveria saber que, ainda que se venda ao patrão (se acaso o faz), um profissional das notícias deveria ser capaz de continuar, pelo menos, a fingir ser um verdadeiro jornalista. Infelizmente, parece não saber!
Daí que não me espante por aí além esta sua frase com que abri o post, que pretende dar a ideia de qua ainda há muitos portugueses dispostos a considerar essa indesculpável fraude com pernas que dá pelo nome de Miguel Relvas, um “injustiçado”... seja lá a propósito do que for!
O que me espanta, isso sim, é que um director de informação, tal como o próprio Relvas e o governo a que pertence, não tenham ainda assimilado uma realidade por demais evidente:
Miguel relvas já não é, há muito, um ministro contestado! É um ministro profundamente desprezado! Que envergonha o país! Que causa asco! Como causa asco qualquer bicho morto e já a apodrecer, que o gato dos vizinhos arraste para o nosso tapete.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Generais Angolanos – Arriscar um julgamento... será inteligente?


Fomo-nos habituando à ideia, infelizmente, diga-se!, de altos dirigentes angolanos, generais e família do Presidente... são sinónimo de gigantescos negócios que nenhum vencimento, ou mesmo lucro legítimo explica. Fomo-nos habituando ao corrupio não só de todos esses, mas igualmente das esposas, que se organizam em aviões fretados para vir a Lisboa fazer compras, ou coisas ainda mais importantes, como ir ao cabeleireiro. Fomo-nos habituando a que os multimilionários apartamentos de vários milhões de euros, do novo Estoril-Sol e similares... sejam dos tais angolanos.
Isto, sendo uma constatação, não implica nenhuma generalização (nem poderia implicar!) sobre questões de honestidade e carácter da classe dirigente angolana.
Daí que seja perfeitamente normal que alguns generais possam estar, legitimamente, a defender o seu bom nome, nesta estória em que sete deles resolveram processar o autor angolano e a editora portuguesa, de um livro, “Diamantes de sangue: tortura e corrupção em Angola”, de Rafael Marques, onde se fala de prováveis crimes cometidos por alguns deles (alguém os terá cometido, que diabo!).
Não conheço de todo o autor do livro, não o li... mas espero que tudo venha a ficar em pratos limpos (ia dizer “preto no branco”... mas tive receio das reacções), tendo até uma razoável expectativa sobre se as investigações e apresentação de provas a que um julgamento certamente obrigará, fará recuar a História até à portuguesíssima família Soares... e ao seu alegado gosto por diamantes angolanos (quem sabe?!).
Com quem não posso deixar de estar solidário, é com Bárbara Bulhosa, a responsável da editora “Tinta-da-China”, agora arguida e com termo de residência, porque o facto de alguns generais angolanos não terem noção do que seja um Poder Judicial (quase) independente, como é o nosso, não lhes dá o direito de virem tentar intimidar quem resolva, no futuro, escrever, investigar, ou dizer o que quer que seja que não lhes agrade.
Seja como for, o meu lado anárquico gostou de ver que o omnipresente José Miguel Júdice é o representante dos generais... sobretudo porque ao imaginar o grande advogado brandindo espadas pela honestidade dos seus clientes, não pude deixar de me lembrar da famosa anedota em que o Bocage também defendia uma grande dama da sociedade, jurando a todos os presentes no salão:
- O traque que aquela senhora deu... não foi ela, fui eu!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Um novo Natal


Algures, em milhares de casas deste país, sem distinção de estatuto social, cor, ou religião, já nasceram as meninas e meninos, as mulheres e homens que transportam no coração o amor e a determinação, nos braços a força e nos olhos a luz que farão acontecer um novo “natal”... mais solidário, menos frio, menos sombrio, mais livre.
Cada um chamar-lhe-á o que quiser. Muitos de nós iremos chamar-lhe “Abril”... de novo!
Que interessa o dia ou o mês? Quando acontecer, não haverá cansaço que consiga impedir a festa, ensombrar os sorrisos, apartar os abraços ou calar os cânticos!

sábado, 6 de outubro de 2012

5 de Outubro - O feriado que entrou em coma


Quando por volta das 3 da madrugada, já do dia 5 de Outubro, ouvi uma destas novas “jornalistas modernas” anunciar que dentro de algumas horas teria lugar a cerimónia comemorativa da «implementação» (sic) da República... confesso que temi o pior. A realidade veio, infelizmente, dar-me toda a razão.
A coisa foi um verdadeiro massacre:
- Uma cerimónia fortemente sitiada, borrada de medo dos cidadãos da República ali festejada.
- A bandeira içada de pernas para o ar... o que segundo os códigos militares, parece querer dizer que o território foi tomado pelo inimigo... o que não podia ser mais simbólico!
- Passos Coelho estrategicamente ausente, para participar numa reunião da “Liga dos Amigos da Pesca ao Achigã”... ou lá o que é... mas, ainda assim, presente, embora na forma de um “cabeçudo de romaria”.
- Ecos do desespero que muitos cidadãos – cada vez mais! – vão tendo como pano de fundo nas suas vidas.
- Saídas cobardolas pela porta do cavalo... mas nem assim evitando as justas vaias dos cidadãos que, embora pagando a cerimónia e os vencimentos de quase todos os presentes, foram mantidos à distância.
- Oportunidade para alguns cromos ficarem na fotografia, fazendo o que podem... como este, presente e pateta, ou este outro, ausente e esperto.
- Uma cantora lírica (parabéns pela atitude!), cujo maior “lirismo” foi acreditar que naquelas condições seria possível cantar uma canção de Lopes Graça, sem se fazer trucidar, juntamente com a canção.

Pobre República!

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Governo Relvas/Passos/Portas – Aprendizes... mas a aprender rapidamente


Por entre o caudal de “informação” diária com que somos anestesiados, para não repararmos nas notícias que interessam... algumas dessas conseguem romper a barreira e chamar-me a atenção, ainda que, por certo, haja outras mais interessantes ou mais graves.
Foi o caso de duas, ambas lidas no “i” virtual, uma tendo honras de capa e a outra lá mais para o miolo.
1. De futuro, se um automobilista mandado parar numa operação “stop” de rotina for assinalado como tendo alguma dívida fiscal, arrisca-se a ter imediatamente o carro apreendido.
É o Fisco a mostrar “músculo”, arrogância e total prepotência. Presumo que, em caso de dívida mais avultada, o automobilista poderá mesmo ver os membros da família que o acompanharem, serem sequestrados pelos “fiscais” como penhor da dívida. Se o devedor se mostrar mais recalcitrante, poderá mesmo começar a receber pelo correio dedos e orelhas da mulher e dos filhos, como forma de “incentivo” ao pagamento.
2. Em mais uma página do verdadeiro livro de escroqueria “escrito” por Relvas, neste caso a página dedicada à sua “alegada” pressão e ameaça sobre uma jornalista do jornal Público, qual foi o primeiro resultado prático?
Exactamente! Enquanto uns e outros discutem a hipotética queda de Relvas, quem caiu primeiro foi... a jornalista. Ou seja... a "mexilhoa". 
Mais um incómodo que é afastado do caminho. Mais um escolho removido. Mais uma espessa pincelada nas cores sombrias desta relação entre a liberdade, a transparência de processos e este governo de fanáticos que estão a cada dia que passa a mostrar que, se isso lhes for permitido, não se ficarão apenas pelo fascismo económico que, na prática, já vigora sem grande disfarce.
São (ainda) aprendizes de fascistas... mas a aprender rapidamente!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Pai e mãe é quem cria, educa e dá amor!


Nunca tive a ambição, ou sequer interesse, em exercer as funções de deputado.
Ontem, no entanto, tive pena de não ter podido estar no Parlamento, para votar com o Partido Ecologista os Verdes (e com o BE).
Porque me sentiria de bem comigo próprio... e porque acredito que se todos os avanços civilizacionais tivessem que esperar até estarem “amplamente discutidos e sedimentados na sociedade”, dificilmente se avançaria um passo que fosse.
Que venha então rapidamente essa discussão!

domingo, 4 de dezembro de 2011

Pete Seeger por Peter, Paul and Mary – Se eu tivesse um martelo...



Se eu tivesse um martelo...
Se eu tivesse um sino...
Se eu tivesse uma canção...
O martelo da justiça
O sino da liberdade
A canção do amor
entre os meus irmãos e irmãs
de toda a Terra

A nossa banda sonora para este Domingo é uma pérola escrita pelo grande Pete Seeger e por Lee Hays. É um hino de uma época em que muitas consciências se abriram para a vergonha da guerra, do racismo, da exploração... ainda que poucas se tenham mantido fieis a essa abertura e tomada de consciência.

A canção foi estreada em público, em 1949, cantada pelo próprio Pete Segeer e por Lee Hays, num jantar de apoio a vários dirigentes do Partido Comunista dos Estados Unidos que enfrentavam, em tribunal, acusações de tentativa de derrube do governo dos EUA (por lá, um eufemismo para acusação de traição).

Pete Seeger, fazendo de conta que já esqueceu o brutal boicote de que era vítima naquele tempo de chumbo que se vivia nos EUA nos anos 50, princípio dos anos 60, diz, no princípio do vídeo, que durante algum tempo, depois de escrever esta canção, esteve convencido de que ela não seria lá grande coisa... até que os “Peter, Paul and Mary a gravaram e ela “levantou voo”. E como levantou! A ajuda da popularidade do grupo entre as novas gerações foi preciosa e este If I had a hammer aqueceu muitos e muitos milhares de gargantas, um pouco por todo o mundo... e também a minha. Foram gravadas mãos-cheias de versões, em vários idiomas. Uma, até, por Victor Jara, com o nome de “El martillo”, versão que se pode ouvir AQUI.

Bom Domingo!

If I had a hammer” – Peter, Paul and Mary
(Pete Seeger/Lee Hays)



quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Mário Alberto (1925-2011)




Concedeu-me o privilégio de, ainda um jovem principiante na profissão das cantigas, ter participado com ele e com a Maria do Céu Guerra na fundação do (agora já) histórico grupo de teatro “A Barraca”, nos idos de 1976, muito pouco tempo depois de me ter conhecido no “Teatro Adoque”.
Era um manancial de tudo: de inconformismo, de resistência tenaz contra a mediocridade e a estupidez, de criatividade imparável, de humor cortante, de ternura, de fantásticas estórias de vida.
Era simultaneamente criador, divulgador e convicto praticante de uma espécie de “anarco-comunismo”, por vezes explosivo, por vezes mesmo em cima do risco do verosímil... mas sempre, sempre desafiador e estimulante.
Vi-o pela última vez no seu habitat natural, algures entre os Restauradores e o Parque Mayer. Eu, já quase com a idade que ele tinha quando o conheci, ele já não muito bem de saúde. Como estava certo de eu continuar a ser terreno fértil para as suas estórias, humor e disparos em todas as direções, recuperou ali mesmo o nosso tanto tempo perdido, pôs aquele sorriso tremendo que usava para “produzir” as suas “maldades”... e durante uma bela meia hora aquela esplanada da Avenida foi uma festa para mim.
Obrigado, Mário Alberto!

domingo, 26 de junho de 2011

We shall overcome – يجب علينا التغلب عليها


Os artistas que chegam a ser muito conhecidos, ricos e famosos, não valem mais um cêntimo, por isso, do que os milhões de outros criadores de cultura, espalhados por todo o mundo... a não ser para os seus gestores de conta bancária e radialistas vendidos aos interesses editoriais, etc. e tal... que alista é longa.
Felizmente, alguns desses artistas, independentemente da fortuna que lhes chega por via da fama mundial, são mesmo muito bons. É o caso de Roger Waters, em tempos a alma dos Pink Floyd, uma das maiores bandas de sempre.
Quando alguém, sem precisar de mais promoção ou mais dinheiro, se empenha numa causa, esse “desprendimento” material ajuda a credibilizar o gesto. Um gesto com o mesmo valor que os gestos de qualquer um de nós... mas com esse extra de visibilidade que é sempre bem vindo.
Segundo as suas próprias palavras, Roger Waters foi interpelado pela realidade tremenda do povo palestiniano. Seguiu, interessado, uma iniciativa de muitas centenas de ativistas de várias nacionalidades que se deslocaram a Gaza para uma manifestação de solidariedade com aquele povo prisioneiro na sua terra. Escandalizou-se com a proibição de os manifestantes se aproximarem da Faixa de Gaza, imposta pelo regime egípcio, lacaio dos EUA. Por fim, sentiu-se insultado na sua inteligência pelo facto de a totalidade dos média norte americanos não terem publicado uma linha que fosse sobre este acontecimento... para além do constante encobrimento, ou distorção, daquilo que se passa naquele lugar.
Decidiu, por isso, gravar e colocar à disposição na internet e por todos os meios, a sua versão da canção “We shall overcome”, uma velha canção de luta que nos chega já decantada por muitos anos de memórias e versões interpretadas por dezenas de artistas. Dedicou-a à luta do povo palestiniano.
Na verdade, continuarei a preferir esta interpretação emocionante de Joan Baez, ou a versão (e tudo o resto) de Pete Seeger... mas gosto sempre de ver um colega de profissão “subir ao palco” e colocar a sua voz ao serviço de qualquer coisa que vai muito para lá do entretenimento e do simples negócio.
Bom domingo!
We shall overcome” – Roger Waters
(Letra: C. Tindley, vários e Pete Seeger/Música: “gospel” tradicional)



segunda-feira, 25 de abril de 2011

Dia 25 de Abril



("Liberdade" - Maria Helena Vieira da Silva)




sábado, 12 de fevereiro de 2011

O Egipto... e os intrusos na festa


«Em nome de Deus, o misericordioso, cidadãos, durante as difíceis circunstâncias que o Egipto atravessa, o Presidente Hosni Mubarak decidiu deixar o cargo de Presidente e encarregou o Conselho Supremo das Forças Armadas de administrar o país»
  
Era este o anúncio mais esperado por milhões de cidadãos egípcios.
Grande, grande é a vitória do povo egípcio, que a cada hora que passa se vai afirmando... assim a luta se mantenha firme, assim se mantenha esclarecida a determinação daqueles a movem e lideram.
Uma vitória tão grande, que consegue ofuscar – mas não esconder – a gigantesca hipocrisia daquelas e daqueles governantes propagandistas de “direitos humanos e democracia”, que agora cantam hinos à vitória e ao amanhecer da liberdade para o povo do Egipto, quando ainda há poucos dias tinham o crápula Hosni Mubarak como fiel aliado, como garante da defesa dos seus interesses estratégicos na região, como dileto amigo, alguns mesmo, instalando-se a seu convite em estâncias balneares de luxo egípcias, deslocando-se em aviões privados oferecidos pelo ditador.
Estão todos a empurrar-se para ocupar os lugares de “primeiros amigos” da democracia egípcia. Obama e Clinton à frente… seguidos da seita do costume. Estão a perfilar-se para minimizar os estragos; para tentar travar o passo aos avanços da luta de todo um povo. 
É o travo amargo e asqueroso da falta de vergonha... que, no entanto, não será capaz de estragar o sabor da festa!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Base de dados da PSP – Informação é poder


Se a prezada leitora, ou leitor, por uma questão de simples bisbilhotice, para fazer um doutoramento em “boa vizinhança”, ou mesmo para fazer mal a alguém, quiser informar-se sobre os seus semelhantes, saber das suas inclinações político-ideológicas, clube de futebol, filiação sindical, confissão religiosa, etc., ... com sorte, até as preferências sexuais e hábitos mais íntimos... não desanime por já não existir a PIDE, nem por não poder consultar os seus arquivos.
Dirija-se à PSP e à sua base de dados. Na melhor das hipóteses, está lá tudo o que quer saber. A base de dados é ilegal... mas desde quando é que isso “impressiona” a nossa polícia?
Não... não foi para isto que se fez o 25 de Abril!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Egipto, Mubarak e Obama – A farsa está montada!


Mesmo sendo evidente e normal o facto de não ter entendido e interpretado corretamente tudo aquilo que fui vendo ao longo de quase seis décadas, a verdade é que já vi muitas coisas... por isso estava a contar as horas até que estas últimas notícias chegassem do Egipto. Finalmente, "animados" pelo discurso do ditador, afirmando ficar até Setembro e por entre negociatas com os seus "patrões", os EUA, os esperados “apoiantes” de Mubarak apareceram em cena.
Pouco lhes importa que praticamente toda a gente veja que não passam de lacaios do ditador, polícias à paisana, provocadores, criminosos soltos e pagos para o efeito... a sua missão está cumprida. Conseguiram "transformar", pelo menos para os olhos crédulos de muitos, as gigantescas e pacíficas manifestações contra o ditador em “simples” confrontos violentos entre “apoiantes” e “oposicionistas”. Com a dose certa de feridos, mortos e sangue, que fazem salivar as televisões internacionais... e na tentativa evidente de provocar uma intervenção militar que seja favorável ao regime.
Conseguiram igualmente que o cínico Obama pudesse ver finalmente justificado o seu pedido de contenção a ambas as partes... e o fim da violência, tornando assim oficial a “verdade” que estava difícil de arrancar aos manifestantes que exigem o fim da ditadura: a de que também eles são violentos.
Como já escrevi noutro local, este é um tremendo teste à capacidade de organização, mobilização e, sobretudo, à serenidade de todos aqueles que estão empenhados num futuro de liberdade para o Egipto e numa vida melhor para o seu povo.

«Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem.»
(Bertold Brecht)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Marcados a ferro


Enquanto milhões de portugueses decidiram ficar em casa e muitos outros andaram a “reinar” com o seu direito de voto, votando num “bobo”, como Manuel Coelho, ou num demagogo vazio e populista, como Fernando Nobre, ao mesmo tempo que ignoravam a mensagem do único candidato que falou dos seus problemas, dos problemas reais do país, propondo soluções de ruptura com esta política de declínio... o pascácio Aníbal fez-se reeleger à primeira volta por uma “maioria” de cerca de um quarto dos eleitores inscritos.
Enquanto isso, como dizia, os mesmos de sempre, aqueles que estes mesmo eleitores vão elegendo alternada e cegamente, para legislar, governar e governarem-se, estavam a preparar e cozinhar entre eles mais esta. Ora aí têm!!!

Vá... fiquem em casa! Abstenham-se!
Votem! Votem neles!

É difícil combater a escravatura quando das correntes e dos chicotes apenas se veem as feridas... e tantos, tantos dos escravos desistiram de lutar pela liberdade.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Há muito mais futuro que passado


(25 de Abril - fotografia de Nuno Ferreira Santos)

De eleições, destas eleições, falaremos mais logo, amanhã, depois... mas agora,
O sonho é ainda uma criança!
Sigamos a criança... sigamos o sonho!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Quando os bandidos são da polícia... 2


Volto ao escabroso tema deste post, aqui publicado há uns dias, porque a questão de que nele se falava está longe de estar arrumada. Pelo que leio no “5 Dias” (via “O Castendo”), quando se esperava que o inquérito interno da polícia, sobre as reais motivações que levaram vários agentes da esquadra lisboeta das Olaias a violentar vários jovens da JCP, sob o pretexto de que eles tinham pintado umas letras num muro, avançasse com rapidez, nada disso acontece. O inquérito está estagnado! Recorde-se que esses agentes acharam adequado obrigar a despir integralmente os jovens, ou antes, apenas as raparigas (menores de idade), para as revistar. Recorde-se ainda que esses jovens se limitaram a exercer o direito de, livremente, pintar um mural com propaganda política.

Ao mesmo tempo que o inquérito interno à atuação dos polícias se arrasta, impelidos pelo espírito de corporação, alimentado certamente pela antiga e abjecta “filosofia de caserna”, os abusadores insistem no abuso. Ressabiados pela queixa dos jovens e do enxovalho público que a queixa provocou, resolveram vingar-se, não só continuando a perseguir as vítimas, como estendendo a perseguição e devassa às suas famílias, nomeadamente no caso em que a mãe de uma das menores tem a sua vida privada investigada no sentido de se saber se tem “condições para educar e criar a filha”... tal a gravidade do “crime” por esta cometido com a pintura da parede. 

Pode dizer-se que o chefe da polícia local é um fascista; pode argumentar-se que uma boa parte dos seus agentes não passa de um bando de bestas acéfalas; pode-se imaginar que naquela esquadra e para aqueles agentes, ter duas menores nuas à sua frente, por pura diversão, é apenas um tique de “macho dominador”; o que não se pode é assistir ao silêncio cúmplice de toda a corporação policial! Penso particularmente nos milhares de polícias que, não poucas vezes, têm sido apoiados nas suas reivindicações e protestos, exatamente pelo partido a que pertencem os jovens violentados pelos seus colegas. 

Sendo assim, mesmo consciente da quase inutilidade destas posições e atitudes individuais, daqui para a frente, ou até que se conheça uma clara condenação e demarcação desta ação nojenta por parte da “outra polícia”... que era suposto existir, ninguém mais contará comigo para um acto ou sequer uma palavra de solidariedade para com a polícia e seus agentes, seja lá o que for que lhes aconteça. 

Acordem!