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domingo, 17 de novembro de 2013

A propósito de uma réstia de luz...


Aberta uma nesga da porta... um pequeno beijo de Sol iluminou, dentro do grande espaço escuro, a criança e o seu tractor de brinquedo. Fico a pensar:
Quantas janelas e portas será preciso voltar a abrir, para que o Sol beije todo o país e todas as crianças?
Quanto tempo esperaremos até ver o Sol aquecer milhares de braços de trabalho de jovens com os seus tractores (a sério) nos campos? Com os seus barcos de pesca (a sério) no mar? Com as suas ferramentas (a sério) nas fábricas? Com escolas a sério, saúde a sério, cultura a sério, liberdade a sério... com a sua vida a sério - e feliz - reconquistada?
Quanto tempo levará a reconstruir tudo o que esta quadrilha vem destruindo há tantos anos?

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

BES – Sabor a sangue...


Há já uns dias que sigo com algum divertimento, confesso, a novela da guerra intestina (pelo menos se considerarmos o cheiro fétido que exala) no BES, o banco que, exceptuando um curto intervalo depois de Abril de 1974, participa activamente nas decisões governativas de Portugal, desde os tempos em que pelo menos um dos seus donos andava de casa e pucarinho com Hitler e Salazar... fazendo de conta que estava também com os aliados.
Prova dessa continuidade é o facto de o actual Espírito Santo de serviço entrar nas reuniões do Conselho de Ministros com o à-vontade de quem vai reunir com acionistas, ou simples gerentes de dependência do próprio banco.
As notícias que vão chegando são uma espécie de documentário da National Geographic ao vivo... e confirmam uma característica verdadeiramente “encantadora” dos tubarões:
Nasceram e vivem para chacinar milhões de peixes miúdos... mas quando o cheiro e o sabor a sangue invadem a água à sua volta... perdem a compostura e abocanham-se uns aos outros!

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Portugal/Angola – Vida difícil...


Por mais insólito que pareça, continuam a existir em Portugal governantes, empresários e donos de jornais e televisões, convencidos de que os “pretos de Angola” ainda vivem em cubatas, não têm acesso a internet, nem jornais, nem televisão... nem têm representantes em Lisboa, nem telefones... e, sobretudo, que são dirigidos por governantes a quem ainda basta, como se usava há alguns séculos, oferecer umas bugigangas mais ou menos brilhantes, para que se curvem e digam “sim, patrão!, sim, patrão!”.
Só isso pode explicar a imbecilidade dos membros do governo português que, perante a visível irritação do senhor todo poderoso de Angola e a gravidade da situação, optam por “desvalorizar” a crispação entre os dois países. Só isso pode explicar a imbecilidade - bastante insolente, diga-se! - deste notícia de um grande semanário que exibe este título desrespeitoso:
Amaciar!!! Não é um belo conceito? Lembra imediatamente passar a mão pelo pelo, ou intrujar, ou paternalismo sonso, ou pagar umas “luvas”... ...
Infelizmente, a verdade é que a crispação existe mesmo, tal como existe, de um lado e do outro, muita gente disponível para passar e deixar passar a mão pelo pelo, para receber e pagar “luvas, para intrujar e deixar-se intrujar.
Toda esta reflexão vem a propósito de uma notícia que nos leva de novo ao título desta prosa, notícia que nos dá conta de que a vida está muito difícil, até para os relativamente grandes, por aquelas bandas africanas... desde que estes não sejam membros da família mais chegada, ou amigos indiscutíveis do Presidente.
Basta ver o triste caso deste general angolano que por ser, apenas, casado com uma sobrinha de José Eduardo do Santos, já não pode aspirar à “nata” dos negócios que estão reservados, por exemplo, à “herdeira” Isabel dos Santos... tendo que se contentar – o infeliz! - com a lavagem de uns dinheiros sujos, no estrangeiro, e à abjecta actividade do tráfico de mulheres.
As autoridades brasileiras, segundo parece, não tiveram dúvidas em acusar o general, que tem neste momento um mandato para a sua captura... o que me deixa a seguinte dúvida, que parece legítima:
Eduardo dos Santos vai também fazer um discurso em que deixa cair a “parceria estratégica” com o Brasil? E se algum dos seus familiares miraculosamente endinheirados, ou um qualquer dos seus generais (alegadamente) corruptos se deixar apanhar na China?!!!
Aí... a coisa começará a complicar-se muito!!!

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Soares dos Santos - Botas cardadas... com cobertura de “lã”


O híper-merceeiro do Pingo Doce optou, há algum tempo, por abrilhantar o seu negócio a retalho com a contratação por grosso de figuras (supostamente)muito cultas e (pretensamente) famosas, que vão dando um ar “intelectual” às mais valias das hortaliças, das conservas, ou do rodovalho fresquinho.
Esta espécie de coberta de bolo intelectualóide, onde facturam figuras como António Barreto, Zita Seabra, ou a nova “Supico Pinto” do Banco Alimentar, serve para acompanhamento e tempero das atoardas pseudo-democráticas com que o merceeiro Soares dos Santos disfarça as “botas cardadas” com que, na realidade, anda pela vida.
Assim, por cada fuga de impostos para a Holanda, ou por cada provocação fascista no 1º de Maio, o dono do Pingo Doce bolça umas teorias sonsas sobre o progresso, o bem estar, a justiça, a produtividade, o diabo que o carregue.
Outras vezes... mistura tudo. Como agora:
Mai’ nada!!! Eleições para quê, se o senhor Soares dos Santos já decidiu a composição do governo e, sobretudo, para as opções políticas do país nos próximos 10 anos, independentemente dessa coisa verdadeiramente exótica que é a vontade dos cidadãos?
Para não se perder nada, a coisa poderá ser mesmo feita recorrendo à seguinte técnica extremamente aliciante para a “ralé” e de um fino recorte “democrático”:
Os eleitores vão fazer compras às mercearias do senhor Soares dos Santos, declaram na caixa a sua intenção de trocar o voto por pontos a acumular no “Cartão Poupa Mais”. Os pontos são depois trocados por compras a fazer (exclusivamente) no Pingo Doce... e o senhor Soares dos Santos, uma pessoa que, como se pode ver, sabe das coisas... vota por todos nós!
Passaríamos a ter governos (finalmente!) assumidamente resultantes de arranjinhos patrocinados pelos donos das cadeias de super-mercados, bancos e agiotas internacionais.
É esse o “maravilhoso mundo novo” com que sonham todos os híper-merceeiros e demais capitalistas e oportunistas da casta repelente deste Soares Pingo “Duce” dos Santos
Felizmente, outro mundo é possível!

terça-feira, 22 de outubro de 2013

“Ó pra nós tão democratas!”... ou de como um título extremamente comprido pode substituir aquilo que, a não ser assim, acabaria por ser uma longa lista de adjectivos muito desagradáveis, provavelmente, até, envolvendo as coitadas das mães dos senhores ministros e senhoras ministras e respectivos secretários e secretárias...


Se andássemos à procura de argumentos para classificar a política deste governo como “fascismo económico” disfarçado de folclórico “capitalismo de casino”... basta atentarmos a esta atitude própria de hienas que é a exigência da devolução de parte dos subsídios de desemprego e doença, pagos sem os cortes por incompetência dos serviços, “compensada” pela novidade de se estabelecer um prémio chorudo para sortear entre os cidadãos que peçam as estimadas facturazinhas... nem que seja de um chá e de uma queijada, como vi há dias.
Se andássemos à procura de argumentos para classificar o próprio governo como um bando de aprendizes de fachos, revanchistas, autoritários e, sobretudo, mesquinhos, bastava atentar para a fantástica notícia que nos diz ter sido o Tribunal Constitucional, a única instância superior com corte no orçamento.
Francamente... o que é que se pode chamar a esta gente,
sem descer ao seu miserável “nível”?

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Nobel da Economia – Eu, que também não entendo nada de finanças... embora tenha uma micro-biblioteca e uma carrada de discos e CD... *


Dizem-me os jornais que o Nobel da Economia foi entregue a uns fulanos que se dedicam ao estudo do sobe e desce de acções e obrigações em bolsa, exercício a que dão o nome de “análise empírica do preço dos activos.
“Análise empírica do preço dos activos”!!! Desculpem-me o mau feitio… mas até o nome da coisa me irrita! Sei que posso ser acusado de ignorante. Sei que posso ser acusado de populista. Sei muito bem!
Ainda assim, antes de poder vir a ser convencido de que isto é um grande passo para o avanço da Humanidade... imagino a profunda “alegria” sentida pelos explorados, pelos milhões de vítimas dos especuladores e do capitalismo selvagem escondido por detrás dos “mercados” sem cara.
Imagino a profunda “alegria” que sentem aquelas e aqueles que todos os dias se levantam para fazer viver as cidades, as fábricas e os campos, para imprimirem a “marca da sua mão”, como disse o poeta, em tudo aquilo que é produzido com o suor e a força dos braços, ou a luz e criatividade do seu intelecto.
Imagino a profunda “alegria” de todos estes, quando vêem o prémio Nobel da Economia ser entregue, não a quem se esforça por colocar a Economia ao serviço da Justiça, da Paz, da Liberdade, da erradicação da fome, da felicidade dos povos... mas sim àqueles que parecem estar entretidos a brincar com dinheiro virtual, entretidos a fazer jogos florais com a “economia” de faz de conta que cimenta a fortuna de uns tantos aventureiros, à custa da miséria de milhões de seres humanos.

 *  Com os meus mais sentidos agradecimentos ao senhor Fernando Pessoa!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

O que é que há, pois, num nome? *



“Nome da nova empresa ainda não está fechado” – diz a notícia a propósito da futura designação da gigantesca empresa que resultará da fusão da “portuguesa” PT e da brasileira OI, dirigida pelo "genial" Zeinal Bava, que antes dirigia a PT... e que há muito tempo "dirige" muitos milhões dos nossos parcos Euros para os seus bem recheados bolsos.
Atendendo ao destino que levou a PT, uma empresa construída ao longo de décadas com o dinheiro dos portugueses e com o esforço dos seus trabalhadores, empresa colocada nas mãos vorazes dos privados por governantes criminosos que, desta maneira, delapidaram o Estado, privando-o de uma das suas fortes fontes de rendimento e soberania... que tal estas sugestões de nomes:
“Roubo de Património do Estado”
... ou, dado o pendor mais brasileiro da nova empresa,
“OI! Ó prá nóis a esmifrar os dinheiros públicos para encher os bolsos dos privados!!!”
Pronto... podem não ser grandes nomes para uma empresa, sobretudo o segundo, que é um bocado extenso... mas se me ocorrer coisa melhor, depois digo.

* "O que é que poisnum nomeAquilo a que chamamos rosamesmo com outro nomecheiraria igualmente bem." – disse W. Shakespeare.   no caso do assunto deste post… cheiraria igualmente mal!

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

"Obamacare" - Democracia um pouco original...



Devo começar por esclarecer que não sou propriamente o que se possa chamar um “fan” da lei de Obama, conhecida como “Obamacare”, que, apesar das boas intenções, deixa de fora dos cuidados de saúde muitos milhões de cidadãos pobres dos EUA e, mesmo tendo incluído no programa de saúde com custos suportados pelo Estado alguns milhões de outros cidadãos, faz passar, obrigatoriamente, todos os milhões de dólares envolvidos pelas seguradoras privadas, acabando por serem estas que realmente ganham com o programa.
Ainda assim, não posso deixar de admitir que este “pouco” de Obama é muito melhor que o rigoroso e frio “nada”, defendido pelos republicanos, defensores do cada um por si e assistência zero. Republicanos que têm mantido esta lei de Obama debaixo de fogo cerrado.
Dentro deste universo republicano há um nicho ocupado por fanáticos político-religiosos, um bando de ultra reaccionários roçando mesmo o fascismo, que dá pelo nome de “Tea Party”.
Um desses bandalhos, senador pelo Texas, está a usar uma norma de funcionamento do Parlamento/Senado, norma verdadeiramente imbecil que dá o direito a qualquer parlamentar/senador, de boicotar uma votação ocupando todo o tempo a falar, sem parar, durante horas e horas, sobre o assunto em causa... até que se esgotem todos os prazos legais para a discussão ou votação.
Tendo já dito que acho esta norma uma imbecilidade “democrática” (até o nome, “filibustering”, é palerma), lendo a notícia, parece-me que o senador daultra-direita nem está, sequer, a respeitar as regras, a ser verdade que no decorrer da sua maratona de boicote aos trabalhos, já falou de tudo e mais alguma coisa, fora do tema em apreço, tendo até recorrido à leitura de estórias infantis.
Num Senado/Parlamento que se respeitasse a si próprio, um palhaço que tentasse uma proeza destas... seria retirado da sala pela segurança e julgado e condenado por obstrução dos trabalhos de um órgão de soberania.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Regresso aos mercados – É hoje!!!



No dia aprazado para o nosso “regresso aos mercados”, lá fui eu espreitar... a ver se tínhamos mesmo “regressado”. Não vi ninguém...
Seria de rir à gargalhada... não fosse a desgraça do país, da sua economia e de quase todo o tecido produtivo, a morte antecipada de tantos cidadãos, a lepra social do desemprego e o futuro embargado de tantos jovens, em consequência das políticas dos sucessivos bandos de canalhas que nos têm desgovernado ao longo de tantos anos!



domingo, 22 de setembro de 2013

António Mexia - Hoje deu-me para “concordar”...


António Mexia, o presidente executivo da EDP, deu uma entrevista em que aponta o dedo e deixa avisos mais ou menos ameaçadores aos juízes do Tribunal Constitucional. Diz que se estes persistirem nesta teimosia de não deixar passar as propostas (ilegais) do Governo... serão os culpados de um novo “resgate” a Portugal.
Leio as declarações de Jerónimo de Sousa, indignado com Mexia e as suas fugas de milhões em dividendos para esconderijos fiscais... e concordo com ele.
O problema é que, lendo também a explicação que o presidente da grande e lucrativa companhia eléctrica roubada ao povo português deu para a impossibilidade de a economia poder suportar e comportar o estado social, entre outras coisas... fico igualmente tentado a “concordar” com ele.
Ora pois então não é?! – digo eu. Claro que a "economia" não pode comportar ensino público de qualidade, Serviço Nacional de Saúde, reformas, pensões, subsídios de desemprego e pequenos e pontuais apoios sociais!

A "economia" já está totalmente ocupada - e exangue - a comportar os ordenados gigantescos, os prémios exorbitantes, os carrões de luxo, os cartões de crédito ilimitado, as prendas prá esposa e prá amante, as prendas pró esposo e pró amante, as viagens de sonho para toda esta gente, as mansões prá famelga e os apartamentos chiques para “as outras”, os colégios finos e universidades estrangeiras para a numerosa filharada… e todas as demais benesses multimilionárias de que desfrutam à tripa forra todos filhos da puta sem um pingo de vergonha na cara… como António Mexia!!!

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Richard Branson – O mascarado



Richard Branson já foi um jovem editor com o entusiasmo suficiente para acreditar num outro jovem, este compositor e músico, de nome Mike Oldfield, que lhe propôs um produto considerado invendável pelas várias editoras que lhe foram batendo com a porta na cara... um disco LP, com apenas duas faixas “intermináveis” de música (quase só) instrumental e em que Mike Oldfield tocava todos os instrumentos. Estávamos em 1973 e o disco era o “Tubular Bells”.
O sucesso internacional verdadeiramente avassalador com que essa ousadia editorial foi recompensada, está, ironicamente, na base da fortuna colossal que levou Richard Branson a tornar-se um dos homens mais ricos do planeta. Depois da “Virgin” editora, vieram milhentos negócios, entre os quais, outra “Virgin”, desta vez, na forma de companhia de aviação comercial, seguida de mais milhentos negócios e negociatas que foram fazendo crescer desmesuradamente a conta bancária do empreendedor britânico e desaparecer, por contraste, todo o capital de simpatia que eu nutria pelo jovem editor.
O mais recente negócio que abraçou são telemóveis. Para promover os seus telemóveis, não arranjou melhor do que vestir-se de “Che Guevara” e andar pelas ruas apregoando a sua “revolução”. Faz-me pena!
Não quero, nem por um momento, (perder tempo a) dar lições sobre “Che”, ou sobre o que quer que seja, a Branson ou aos seus admiradores!
Sendo assim, o que me faz-me ainda mais pena... é que a segunda parte da campanha, não a tenha passado vestido de ligaduras e gaze... depois de passar por um posto de primeiros socorros! Mas isto é o meu mau feitio e falta de pachorra a falarem...

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

As televisões portuguesas... que se estão nas tintas para os portugueses


Todas as televisões, RTP incluída, acham importante que saibamos da mais recente tatuagem junto à “passarinha” da famosa artista “pop”.
Todas acham importante que saibamos de todas as vezes que o “nosso” craque de futebol tem um dói dói.
Todas acham importante que os seus “jornalistas” se plantem à porta de Belém, ou dos ministérios, papagueando as mesmíssimas palavras que o pivot acabou de dizer em estúdio, para acrescentarem, apenas, a momentosa informação em “directo” que dá conta do facto de ninguém ter entrado, ou saído... ou, no caso de terem entrado, ou saído... não terem prestado quaisquer declarações.
Todas as televisões acham importante abrir telejornais com o desastre de viação, na cochinchina, entre um autocarro de transporte de galinhas e uma carrinha carregada de repolhos.
Todos as televisões acham importante correr para a “europa”, dia sim dia não, para seguir cada espirro e relatar cada flatulência de Merkel ou do seu ministro das finanças.
Todas as televisões têm pessoal e meios para ir para Londres reportar em directo cada passo do “casamento real”, ou do nascimento do primeiro bebé real... ficando apenas a dúvida de como raio é que deixaram escapar a oportunidade de cobrir, passe a expressão, a primeira “queca real”.
Nenhuma televisão acha importante seguir, de forma competente e democrática, um acontecimento como as Eleições Autárquicas, que terão consequências na vida de milhões de eleitores e milhares de candidatos, centenas de cidades e vilas, milhares de freguesias!
Por muito que este “amuo” antidemocrático das televisões pudesse encaixar-se apenas na minha já habitual classificação de “jornalismo de merda”, acho que, desta vez posso e devo acrescentar:

Capitalismo de merda!

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Viva o Crato!!!




Enquanto chegam notícias do cada vez maior apoio estatal ao grande negócio do ensino privado, a Escola Pública vai sendo estrangulada, espezinhada e descredibilizada pelo governo, com o fim único de desmoralizar os professores, cavar cada vez mais o fosso entre classes, criar nas escolas públicas o caos e insegurança que afugentem os pais com um mínimo poder de compra que lhes permita debandar para as escolas privadas... e justificar o apoio estatal aos amigalhaços dos colégios e derivados, que engordam à custa do dinheiro roubado à Escola Pública.
Esta notícia, apenas mais uma, chega ao mesmo tempo que uma amiga, professora há muitos anos, que tinha decidido trocar o stress do agrupamento escolar em que não tinha, havia já muito tempo, tempos livres ou sossego, pelo que pensava ser uma maior calma, bastando para isso regressar ao seu jardim de infância, abraçando a sua vocação de sempre, a de educadora de infância... nos fez chegar um mail/desabafo sobre a excelência de organização, atenção pelos outros, respeito pelo ser humano... que é a prática diária da máquina de destruir escolas comandada por essa enorme fraude técnica e pedagógica que dá pelo nome de Nuno Crato. Eis um excerto:

“Por estranho que pareça continuamos a aguardar que nos sejam enviadas, por e-mail, todas as orientações, referentes ao arranque do ano letivo. Continuamos, inclusivamente, à espera de saber qual o jardim de infância onde iremos trabalhar. A maioria dos colegas apresentou-se ao serviço na segunda-feira, mas, tivemos a indicação, também por e-mail, para não ligarmos para os colegas da gestão e ficarmos a aguardar as orientações e distribuição de serviço que deveriam chegar entre os dias 2 e 3 de setembro. Mas, continuam sem chegar!
Posto isto resta dizer que estamos em casa e que, de cinco em cinco minutos, corremos para o computador. Poderíamos estar a preparar as salas tranquilamente, antes das inúmeras reuniões de início de ano, assim nós soubéssemos que sala é a nossa.”

Viva Crato
Viva o neoliberalismo criminoso do governo!
Viva o ensino a descambar para o passado!
Viva a que os pariu a todos!

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Incêndios – Não resisto à tentação...


A evidente tragédia que constitui a tremenda sequência de incêndios, com o que têm implicado – e vão implicar – de perdas materiais, de feridos e vítimas mortais, impede-me de fazer o exercício demagógico das culpas, dos crimes e da exploração do sofrimento alheio.
Ainda assim, fica a tristeza de ver um país que todos os anos se deixa “surpreender” pela falta de limpeza nas florestas, pela falta de acessos, pela falta de material, pelo planeamento medíocre.
Ainda assim, fica a tristeza de ver um indigente como Marques Mendes, agrafando um ar indignado na TV, para dizer que os proprietários devem ser obrigados a limpar as matas... e se o não fizerem, deve o Estado fazê-lo, apresentando-lhes as contas para pagamento coercivo. Parece que não sabe, o indigente, que as grandes florestas privadas, detidas pelas grandes empresas, como por exemplo a Portucel, são cuidadas, vigiadas e poucos incêndios sofrem. Parece que não sabe, o indigente, que a esmagadora maioria da floresta que arde, ou pertence ao Estado, ou não tem donos conhecidos, ou pertence a pessoas que abandonaram o interior, ou, finalmente, pertence a gente idosa, rara e pobre... que se fosse obrigada a pagar as limpezas das suas parcelas miseráveis de floresta... nem as reformas de um ano chegariam para o fazer.
Sei que nestas alturas se deve evitar a todo o custo a demagogia... mas não resisti a fazer umas contas de “mercearia”, que me disseram que os mil milhões de euros dos submarinos do “irrevogável” Portas dariam, feita uma consulta ao preço médio de um avião Canadair, para comprar quarenta unidades destes excelentes meios aéreos de combate a fogos florestais. No caso de se optar pelos helicópteros equipados com aquele balde gigante... estaríamos a falar de um pequeno “enxame”.
Dir-me-ão:
E o pessoal que é necessário para cuidar dos aviões e dos helicópteros?
Ao que eu respondo:
E os submarinos? Têm tripulações de quantos marinheiros a tempo inteiro?
Dir-me-ão ainda:
Os aviões e helicópteros de combate a incêndios só são precisos de vez em quando... quando há incêndios... quase sempre só no verão...
Ao que eu respondo:
Pois... e os submarinos são precisos... quando?!!!

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Finanças – A “legalidade” que enoja!


Dossiers que, pelos vistos, eram fundamentais para se perceber quem fez o quê, porquê e a troco de quê, no longo romance de cordel dos swaps que nos podem custar milhares de milhões... foram destruídos. Quase todos. Ao que parece, “legalmente”.
Sabendo-se quem são os figurões e figuronas, entre ministra das Finanças, secretários e derivados que vão, em rotativismo, ocupando os lugares nos bancos, nas grandes empresas implicadas neste escândalo, nos grandes escritórios de advogados e, periodicamente, no Governo e no Parlamento, compreende-se que tudo se faça para tornar “legal” a ocultação de factos, a destruição de provas, tudo o que possa de alguma forma implicar toda essa canalha.
Ao contrário de um simples trabalhador a recibos verdes, ou de uma micro-empresa, obrigados a guardar durante anos toda a papelada de que o fisco possa querer tomar posse para os tramar, estes grandes trafulhas podem, legalmente, destruir dossiers inteiros com documentação relativa aos contornos de negócios de muitos milhões, ao fim de pouquíssimo tempo.
Que “conveniente”!!!

Que asco!!!


Adenda: Afinal, parece que a “legalidade” da destruição “conveniente” dos documentos sobre os swaps, pode ficar a dever-se a uma ousada “distracção.
Ninguém vai preso?

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Ensino – A interesseira cobardia




Não sou pessoa para encontrar “vantagens” nos tempos do regime fascista em Portugal... a não ser as explicadas pelas naturais saudades da juventude e de uma certa forma mais simples de viver, desde que essa “simplicidade” não esteja directamente ligada à miséria.
Posto isto, não tenho pejo em lembrar que o ensino nos tempos da “escola fascista”,  tinha campos muito bem definidos e oficialmente assumidos: um ensino privado pouco mais que residual, reservado à elite das elites... e o ensino público, claramente dividido entre o ensino para os mais ou menos ricos (os liceus), para os mais ou menos pobres e remediados (as escolas comerciais e industriais) e para os mais pobres... que acabava na quarta classe... se o aluno lá chegasse e tivesse sequer, ido à escola.
Lá em cima, o ensino universitário, como era evidente, estava reservado às elites e aos filhos de remediados, cuja inteligência e empenho pudesse convencer os pais a fazerem o gigantesco sacrifício de fazerem os seus filhos “doutores”. A única alternativa era aceitar o “patrocínio” (quase sempre um investimento) da “madrinha” da família rica lá da terra... e aceitar tornar-se padre.
Hoje, como podemos verificar todos os dias, temos exércitos de ex-governantes que se serviram das sua passagens por governos do PSD/CDS ou do PS e respectivas bancadas parlamentares, para legislar e contratualizar a seu favor o financiamento do enxame de escolas privadas que por aí vemos, financiadas pelo dinheiro que é roubado à Escola Pública.
Quanto à tal Escola Pública, definha a cada dia que passa. É uma vítima nas mãos de lacaios dos interesses privados, que vão fazendo tudo o que podem para a estrangular e destruir.
Hoje, o Estado e o ensino estão nas mãos de saudosos da “escola fascista”... mas invertebrados, incapazes de ter a coragem de admitir a sua opção, escondendo-se cobardemente atrás de explicações supostamente “técnicas”, de “eficiência”, de “liberdade de escolha”, de “menos Estado”... os vários eufemismos que usam para falar das suas contas bancárias e escamotear o seu ódio de classe.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Sinais de viragem da economia – Serão sinais... ou verrugas?


Se um qualquer automobilista, culpado, por condução irresponsável, de um acidente de que resultam vários feridos graves, disser, passados muitos dias e ao menor sinal de alívio das dores, que isso é a prova de que a sua condução era a mais acertada e que continuará a conduzir exactamente da mesma forma... o mínimo que se diz é que se trata de um imbecil, ou mesmo de um louco furioso.
Que dizer então de um grupo de bandalhos, organizados em partido do governo, que ao menor sinal de “melhoria” dos números da economia, já vomitam que é preciso manter a «continuidade da linha governativa»?
E se, ainda por cima, esses sinais de melhoria não passarem, afinal, de falsos sinais?
- E se o aumento do emprego corresponder quase apenas a trabalho sazonal, logo, precário e incidindo principalmente num universo de salários de miséria, bem abaixo do Ordenado Mínimo?
- E se o aumento das exportações estiver (quase) apenas apoiado num acréscimo da produção de uma refinaria e na venda dos combustíveis aí refinados?
- E se o aumento das importações, em vez de coincidir com uma qualquer melhoria do poder de compra dos portugueses, estiver ligado, principalmente, ao aumento da importação de crude para alimentar a tal refinaria?
- E se o aumento da actividade no sector do turismo tiver como única explicação o facto de estarmos no verão e de sermos cada vez mais atractivos para os estrangeiros endinheirados... por estarmos, nós e o país, a ser vendidos a preço de saldo?
Os exemplos poderiam continuar... mas se formos analisando todos os “sinais” que o governo nos quer impingir como “viragem”... que nomes se pode chamar a esta gente... mesmo àqueles que, para fazer o contraponto à mentira oficial, vão "pedindo calma", dizendo que “não se pode embandeirar em arco”... enquanto todos os outros – governantes, analistas e comentadores oficiais – embandeiram?

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Isto vai, meus amigos... *


Citando o meu amigo e companheiro de cantigas, Francisco Fanhais, adepto de trocadilhos “cortantes”... «Não há fome que não dê em fratura!»
Vem esta minha “parvoíce” a propósito da lata com que Pedro Lomba, um cronista oficial da direita agora promovido a membro do Governo, resolveu prometer que a embrulhada dos “swaps”, depois de anos a cozer em fogo lento e muito bem tapada, será, afinal... esclarecida ainda hoje.
É nestas alturas que eu fico mais ou menos sem palavras. Daí, recorrer novamente ao Fanhais e à sua frase preferida (mais extraordinária ainda, por vir de um ex-padre)sempre que é imperioso seguir em frente:
«Olha, pá... isto agora é fé na tábua e pé em “deus”!!!»
* Com um pedido de desculpas a todos os amigos do José Carlos Ary dos Santos... e ao próprio.

A gangrena


A ministra Maria Luís Albuquerque, que comprou "swaps" quando estava na REFER, convida para secretário de estado do tesouro Joaquim Pais Jorge, aquele que (entre outros) os vendia. Rui Machete diz que não sabia de nada do que se passava no BPN... e nem sequer achou estranho que umas acções valorizassem, em tão pouco tempo, em 150%, sem ser à custa de algo muito escuro. Tal como aconteceu a Cavaco Silva, com uma mão cheia de acções da mesma "família".
Não sabiam de nada. Não se lembram de nada. A cada sacudidela na memória, imposta pelas perguntas e revelações de documentos... lá se vão lembrando, a custo, disto e daquilo. Seja como for, nada que lhes active o “chip” da vergonha na cara.
Enquanto o país dos pagantes vai fazendo contas à vida, para saber de onde pode ainda tirar os milhares de milhões de euros que estas gigantescas trafulhices podem custar, os meliantes defendem-se uns aos outros, contratam-se uns aos outros, protegem-se uns aos outros... mentem como se não houvesse amanhã!
Sem qualquer convicção definitivamente formada sobre as suas implicações em todas estas trafulhices e uma mais do que modesta esperança de alguma vez os ver no banco dos réus, pergunto apenas:
Que favores mútuos ligam toda esta gente? Que segredos guardam uns dos outros? Que “luvas” os comprometem? Em que mais "negócios" sujaram as mãos? A quem obedecem?
Como é que, perante aquilo que seria uma vergonha insuportável para qualquer pessoa... este secretário de Estado ainda não se demitiu, ou foi demitido? Como é que a sonsa da ministra das Finanças, ou o sonso do  ministro dos Negócios Estrangeiros ainda estão instalados nos seus confortáveis gabinetes ministeriais? Como é que "aquilo" chegou a Presidente da República?
Como atacar esta doença que ameaça de gangrena todo o país... e a própria noção de cidadania e democracia?

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Cavaco... e as garantias


Subitamente, o escavacado Silva já anda a regougar loas ao “novo ciclo” e à “viragem da nossa economia”. O governo em que ele não confiava e que só está, ainda, em funções por sua obra e nossa desgraça... conseguiu, num espaço de apenas uns dias, inverter a espiral recessiva. Não espanta! Trata-se apenas de mais um item a somar aos copiosos traços de falha de carácter do Presidente.
Feita esta introdução, vamos ao assunto. Se, como se vê, o verdadeiro primeiro ministro é Cavaco Silva e o vice-primeiro-ministro é Paulo Portas... que diacho de papel é o de Passos Coelho? De parede? (repare-se na forma extremamente elegante como resisti à tentação de dizer “papel higiénico”)
Para além desta mais do que justificada dúvida, fica uma coisa que me inquieta assaz: o facto de, mais uma vez, Cavaco Silva apelar para as «garantias» que lhe são dadas sobre isto e aquilo. Desta vez (já é a segunda) é sobre a veracidade das mentiras ou a mentira das verdades da ministra Maria Luís Albuquerque.
Cavaco tem todo o direito de acreditar nas “garantias” que este ou aquele lhe dê... mas que diabo!, ele não tinha tido já “garantias” semelhantes sobre Dias Loureiro? Provavelmente também sobre Oliveira e Costa... e por aí fora...
Não estaria já na altura de começar a desconfiar das garantias?
Ou será que tem estado sempre por dentro destas tristes estórias... e mentetambém elecompulsivamente?