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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Muito obrigado, Eugénio de Andrade!


Todas as coisas têm um tempo de vida. Um ciclo natural. Apesar de esse ciclo e esse tempo poderem ser acelerados por qualquer factor involuntário... é assim.
Este blog não é diferente de tudo o resto!
Na verdade, a minha luta diária, luta que continuará (já não tenho “pachorra” para mudar!) naquilo que realmente conta e que é a minha verdadeira função, ou seja, a minha música, a possibilidade de a cantar ao vivo, de juntar pessoas à volta de um mesmo sonho por intermédio de uma canção cantada em coro, continuará. Continuará na relação directa com quem me rodeia, realmente... e não com aquilo que escreva ou deixe de escrever no mundo virtual.
Essa “relação” virtual com milhares de pessoas ao mesmo tempo, ficará reservada, por exemplo, ao “facebook”, onde tratarei de deixar, de vez em quando, um ou outro desabafo e uma ou outra opinião livre... mas mesmo aí, tentarei concentrar-me mais em temas que se liguem à minha profissão.
O blogue, este blogue, revelou-se um factor de distração que me ocupa tempo demais e que invade, como erva daninha, o terreno que deveria ser reservado à criação de projectos profissionais. Revelou-se ainda, apesar dos milhares de amigos e amigas que me leram, diariamente, uma fatalidade que me tem obrigado a manter contacto com uma espécie de seres a quem nunca dirigiria a palavra, gente cuja existência ou desaparecimento me são absolutamente indiferentes e que, ainda que eu poupe os leitores à abjecção das suas ideias e à porcaria da sua linguagem, não deixam por isso de, todos os dias, irem invadindo a minha privacidade com lixo, ameaças e mais lixo... e essa é uma espécie de pocilga em que recuso continuar a viver. O "convívio" involuntário com este "lúmpen fascista" e com a sua violência porca conspurca, suja, cria um clima de constante repulsa e irritação que não quero para mim! Deixar que os efeitos do contacto diário com esta "sub-espécie humana" acabe por prejudicar irremediavelmente a minha capacidade para me relacionar harmoniosamente com todos aqueles que amo e a disponibilidade para criar e fazer aquilo que realmente devo e quero fazer… é uma alegria que me recuso a dar-lhes!
Como em tudo na vida, há sempre uma coisa aparentemente insignificante que acaba por conseguir, num fatal safanão, partir o pequeno fio que liga uma pessoa a um qualquer sentimento. Neste caso, foi o advento de um “maduro” que não sei quanto tempo me irá perseguir para conseguir “aliviar-me” de umas centenas de euros que acha que lhe devo, por ter, em 2010, publicado uma fotografia que afirma ser sua, fotografia que encontrei na “net”, sem identificação alguma. Adiante!
Como disse, embora aparentemente insignificante, esta é a gota que entorna o copo onde estava guardada a pouca água que ainda alimentava este blogue.
Quem me quiser ler, terá sempre os esporádicos desabafos, ou anúncios de actividades profissionais, que divulgarei onde puder... nomeadamente, como disse, no “facebook”. Quem quiser um contacto mais directo, pode sempre juntar a vontade de me ouvir e as perguntas do tipo “para quando um espectáculo aqui na nossa terra?”... com a disponibilidade para, efectivamente, sair de casa quando esses espectáculos acontecem. E lá estaremos, de voz e braços abertos!
Para terminar com uma elevação que nunca conseguiria pelos meus próprios meios, socorro-me de um excerto, mais propriamente, das últimas palavras de um grande poema de Eugénio de Andrade, que dedico não aos amigos e amigas, dos quais obviamente não estou a despedir-me e a quem agradeço os bons momentos que por aqui passámos... mas a este blogue, que hoje acaba.
Não temos  nada para dar.
Dentro de ti
não  nada que me peça água.
passado é inútil como um trapo.
 te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade, in “Poesia e Prosa

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Prioridades...


“Quanto mais lêem as ovelhas... mais “negras” se tornam!”
É uma verdade! Uma verdade aparentemente simples... mas profundamente cruel para nós, se atentarmos na tragédia que representa esta notícia já com uns dias. Ou, para ser mais preciso... desgraçadamente, já com muitas, muitas, muitas décadas!!!

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Por dentro da vida...



O “Campo Pequeno”, em Lisboa... mais tijolo menos tijolo, mais betão menos betão, mais anel menos anel, mais cobertura menos cobertura, mais reforço estrutural... tem praticamente o mesmo aspecto desde 1892. Já o interior, é outra conversa!
Na verdade, o aspecto interior daquela grande e histórica sala de espectáculos depende dos dias, depende das gentes e dos acontecimentos que acolhe.
Ontem pela tarde, numa grande festa de aniversário que (como é hábito nas boas festas de aniversário) estava cheia de música, de sorrisos, de encontros, de beijos, abraços e uma ou outra lágrima feliz... o aspecto era este:
Oito mil árvores a respirar vida, independentemente da idade. A bombear seiva por cada veio, por cada ramo, por cada folha. Ligadas por um manto vermelho... para o qual que muitos não conseguem encontrar explicação.
Um vermelho vivo que nasce e se alimenta directamente nas raízes... mas que num ciclo de vida extraordinário e sempre renovado, também as alimenta e aprofunda e faz crescer.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Os donos – E porque não?!


Num dos momentos dedicados à educação, durante o seu longo delírio “reformador” do Estado, Paulo Portas defendeu que os professores devem organizar-se para se tornarem donos das escolas.
Ora aí está uma bela ideia! – pensei eu. E porque não?!
E porque não também os contínuos? (eu sei que já não se diz assim... sou antigo!) E porque não os alunos e alunas e os pais e as mães e avós e tias e tios?
E porque não avançarmos para uma sociedade em que os cidadãos entrem nos bancos, sabendo que eles são seus, tanto quanto dos funcionários bancários que lá trabalham?
Porque não avançarmos para uma sociedade em que nos campos, nas fábricas, onde quer que seja, os trabalhadores sintam esses campos e fábricas como seus?
Porque não avançarmos para uma sociedade em que os funcionários do Estado sintam, de facto, estarem a trabalhar para todos, para si e para os seus... tanto quanto uma jovem caixa num supermercado?
Porque não avançarmos para uma sociedade em que a educação não seja uma competição, como defende Portas, mas uma ferramenta para o nosso melhor relacionamento enquanto seres humanos... e a Cultura um direito fundamental e não um bem de consumo?
Porque não avançarmos para uma sociedade em que os bens essenciais, a saúde, a educação e os sectores fundamentais e estratégicos da economia, assim como as riquezas do país, estejam nas mãos de todos e não no bolso de meia dúzia?
Porque não avançarmos para uma sociedade em que as forças policiais defendam a ideia simples de “segurança e bem estar de todos”, em vez da mítica “lei e ordem”?
Porque não avançarmos para uma sociedade em que os homens e mulheres, jovens e mais velhos, não se sintam sós, sejam donos da sua vida, do seu futuro... e de tudo aquilo que tenha a “marca da sua mão”?
Porque não avançarmos para o soc... ... acho que me entusiasmei um poucochinho... creio que não é bem esta a ideia do senhor Paulo Sacadura Cabral Portas.

Mas é a minha!!!

terça-feira, 29 de outubro de 2013

EUA – Com amigos destes...


O sonso que faz de Presidente dos EUA, enquanto se borra de “respeito” pela NSA, pela associação dos portadores de armas, pelo Bible Belt, pela“Wall Street, pela banca, pela própria sombra... diz, hipocritamente, que as evidentes escutas criminosas e continuadas a milhares de cidadão do mundo, incluindo presidentes e primeiros-ministros “amigos”... são «suposições».
Também eu suponho que muitos daqueles que supuseram que Obama era a “salvação” da civilização ocidental, já sevem supor que as suas esperançosas suposições não passaram disso mesmo.
Seja como for, a parte abjecta da notícia, que aqui anexo, não é a já requentada certeza de que os serviços secretos norte-americanos, ilegalmente, escutam quem querem, quando querem e durante o tempo que querem. Não! A novidade é a desfaçatez com que, sabendo-se que, de forma continuada, escutaram governantes da Espanha, da França, a presidente Dilma Roussef do Brasil, e tantos, tantos, tantos outros... os responsáveis de Washington, como esta “democrata” de que nos fala a notícia (até agora uma alegre defensora da espionagem e das escutas)... acharem que escutar Angela Merkel é que é inaceitável.
Quão canalha, prepotente e arrogante tem que ser um regime, para tão descaradamente hierarquizar os seus “amigos” e “aliados”, deixando bem claro para quase todos... que não valem uma pouca de merda na escala de valores da Casa Branca?

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Um dedo para o Cerny


Deixando e lado as considerações estéticas e artísticas, assim como de bom ou mau gosto... o artista David Cerny (diz-se “cherni”... como se fosse um alentejano a chamar o Durão Barroso) poderia ter escolhido várias oportunidades para “erigir” a sua obra provocatória em frente à sede do poder do seu país, a República Checa.
Poderia ter dedicado o seu “dedo” à corrupção dos governos de direita, ao desemprego, à maior recessão da Europa Central, à profunda crise provocada pelo capitalismo selvagem com que os “herdeiros” da crise dos países do campo socialista pensaram poder apagar da História uma ideia de sociedade que (expurgada dos tremendos erros que levaram à sua derrota) continua, nas questões que se prendem com a justiça social, a cultura e a própria civilização, anos-luz à frente da barbárie capitalista que a substituiu.
Cerny teve anos para apontar este dedo aos corruptos e vendidos que há anos vêm arruinando o seu belo país. Não o fez. Decidiu fazê-lo agora porque, diz ele, «está horrorizado» com a possibilidade de os comunistas, ainda que apenas na forma de um acordo governativo com os sociais-democratas e numa posição minoritária, poderem voltar à esfera do poder, atendendo aos valores das intenções de voto no Partido Comunista divulgados nas sondagens publicadas em vésperas de eleições. 

Claro que o artista Cerny deve estar certo... e os quase 20% de eleitores que anunciam a sua vontade de votar comunista é que estão errados. Claro que não haverá jornal da família do "Público", ou televisões da mesma estirpe, que não lhe dêem razão.
Claro que o Cerny está no seu direito... tal como eu me sinto no direito de lhe dedicar, também, o meu dedo bem esticado. Menos monumental, menos roxo, menos mediático... mas com uma imensa sinceridade!

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Ponte 25 de Abril – Desolação...


Não... esta “desolação” não tem nada que ver com o facto de a manifestação do próximo sábado ter mudado de lugar, por a CGTP não se ter deixado enredar na provocação que estava já programada e montada (ninguém me convencerá do contrário!) para transformar a marcha sobre a ponte numa coisa que se viraria contra os trabalhadores... se não fosse mesmo numa tragédia.
Também não é – não pode ser! – desolação para os manifestantes que estão a pensar comparecer nas grandes acções de protesto convocadas pela central sindical.
Primeiro, porque a manifestação continua convocada e, se possível, com ainda mais razões para mobilizar milhares de mulheres e homens, seja pela ilegalidade arrogante e provocatória da proibição, seja pela enormidade do agravamento da austeridade que aí vem.
Segundo, porque a alteração de um elemento do itinerário de uma manifestação de massas, não pode ser só por si desoladora, por mais simbólico que esse itinerário seja... já que uma manifestação desta natureza não é uma festarola nem um divertimento.
Mas há, certamente, muitos que estão desolados. Só para apontar alguns...
1. Aqueles que já estavam “contratados” para infiltrar a manifestação, sobre a ponte, e aí provocar sabe-se lá que acontecimentos... sabe-se lá de que gravidade.
2. O Governo e este ministro que não me custa nada imaginar de comprida gabardine de cabedal preto e botas de cano alto, a sair de um velho “Citroen V12” (mais os restantes adereços). "Vamos ser clarinhos!"... para usar as palavras do ministro. Este Miguel Macedo é uma bela imitação de fascista! Quanto mais não seja pelo desejo de vingança da humilhação que o povo lhes infligiu nas autárquicas. Quanto mais não seja para instalarem o medo, sabendo das grandes lutas, manifestações e greves que terão de suportar nos meses que lhes restam. Quanto mais não seja por estarem sedentos de algum sangue e quererem juntar ao seu currículo autoritário e fascistóide um massacre de pessoas desarmadas, durante uma manifestação. Talvez balear umas tantas. Talvez deixar algumas destroçadas para o resto da vida e em cadeira de rodas, como fez o seu antecessor Dias Loureiro a um jovem de Almada, numa manifestação contra um governo do PSD, há uns anos, exactamente na Ponte 25 de Abril.
3. Os hiper-mega-super-revolucionários do costume, sempre com a “revolução”... na ponta da língua. Sempre com a “revolução à la minute” pronta e para já... levada à cena nos sofás e nas caixas de comentários dos blogues e jornais.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Angola/Portugal – Dois trabalhos extra…




“José Eduardo dos Santos anuncia fim da parceria estratégica com Portugal” – dizem os títulos dos jornais e as aberturas dos telejornais nacionais.

«Só com Portugal, as coisas não vão bem!» - diz José Eduardo dos Santos, numa espécie de “verdade de La Palice”. Como se não fosse evidente!...

Para quem pensou que a sequência de editoriais e artigos destrambelhados do Jornal de Angola insultando “as elites portuguesas” eram obra de um ou dois lunáticos vagamente racistas, vagamente lambe-botas do poder de José Eduardo dos Santos, da filha Isabel, da restante família e daqueles generais e dirigentes que deitaram a mão aos recursos angolanos… ou que não representavam a posição oficial do país… aí está a resposta: total apoio do Estado aos seus dirigentes e às suas fortunas inexplicáveis, na forma de pressão chantagista sobre Portugal e os interesses que tem em Angola e que Angola detém em Portugal.

Estão certíssimos no seu papel! Isto não é uma originalidade angolana. Sempre que uma clique corrupta toma conta de um país para o saquear, cria um muro de protecção mútua à sua volta. Como vemos todos os dias e infelizmente, é assim, também, entre nós!

Agora, todos aqueles que se agacharam terão dois trabalhos extra: levantarem-se e puxarem as calças para cima!

sábado, 12 de outubro de 2013

Semear livros


“Se quiser divulgar, Samuel, as meninas cá do Porto ficavam-lhe ainda mais agradecidasBeijinhos

Há uns tempos, como relatei aqui, fui convidado pelas “meninas do Porto” da CulturePrint, para ajudar na apresentação de um livro que falava (fala) dos “contactos” de muitas pessoas, eu incluído, com o José Afonso.
Chamaram-me agora a atenção, por mail, para uma iniciativa a que estão ligadas, com várias outras editoras e “militantes da cultura”. Para divulgar essa iniciativa e agitar a monotonia, como poderão ver no vídeo e ler no texto que está abaixo dele, resolveram semear livros pela cidade. Muitas centenas de livros.
Tendo consciência de que se tivesse sido um qualquer clube desportivo a publicitar uma sua qualquer acção distribuindo bolas de futebol pelos bairros, as televisões e jornais não teriam falado de outra coisa... mas que esta coisa dos livros tem sempre que romper uma espessa barreira de indiferença, quando não é mesmo hostilidade por parte daqueles que acham a cultura uma coisa perigosa... aqui fica a minha participação na divulgação (a escolha da ilustração é minha) e um forte abraço às “meninas do Porto” e aos seus amigos e amigas.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Cunhal – “O preguiçoso”



Quando até Ângelo Correia percebe que o governo se encurralou num beco sem saída, com esta estória da marcha da CGTP que decidiu tentar proibir, num acto de arrogância política gratuita... algo vai muito mal. Seja como for, este post é sobre outra coisa.
O fenómenos dos admiradores de Salazar vai desde as velhas beatas naftalinosas e semi-analfabetas que odeiam o seu semelhante com um quase inultrapassável profissionalismo, passa por uma amálgama mais ou menos indefinível de energúmenos... e chega até aos portadores de camadas de cursos extremamente vistosos. Como quase todos andam nesta coisa dos comentários nos blogues escondidos debaixo da saia do anonimato, é sempre bastante difícil saber de quais se trata.
Uma coisa os une, todavia, para além do bolorento amor a Salazar: uma vastíssima, omnipresente, indisfarçável e “genial estupidez”. Passo a explicar.
Entre a “panóplia” de insultos do costume e as (tardias) referências à passagem do livro do Milhazes sobre a “propriedade horizontal” de 3 assoalhadas de Cunhal, em Moscovo, a mostrar, pelo menos, que dada a distância a que já vai o lançamento do livrito, lêem devagar como o caraças... um dos vários salazaristas de serviço à minha caixa de comentários, produziu uma verdadeira “pérola”, que só não foi publicada porque o autor não conseguiu fugir à sua condição, embrulhando tudo numa quantidade tal de palavrões e insultos... que inviabilizaram a coisa. Disse, a dado passo, o “génio”:
- Ouve lá ó grande “†˙ƒ®æå¶“... afinal quem é que construiu a ponte sobre o Tejo? Foi Salazar, ou o “œ∑øπı†” do Cunhal?!!!
Tirando os palavrões... isto é uma observação genial, ou o quê?!!!
Toda a gente sabe que, em Portugal, quase todas as grandes obras públicas, entre 1928 e 1968, foram feitas por gente que foi, ou mandada assassinar por Salazar, ou encerrada em prisões e torturada, à sua ordem, no Aljube, no Tarrafal, em Peniche, em Caxias... ou forçada à clandestinidade e ao exílio...
Cunhal só não tomou conta da obra da ponte... porque era um preguiçoso!!!

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

“Pintar a Pré-História” em Montemor-o-Novo – Pobres crianças!!!


“Oficina da Criança”, na cidade de Montemor-o-Novo, é uma criação da Câmara Municipal, nascida em 1981, logo (como não está aqui o Guterres para fazer as contas por vós)... há 32 anos. Ali, revoadas sobre revoadas de crianças, têm passado tardes a brincar às artes, pintando, fazendo cerâmica, cestos de vime, trabalhos em madeira, construindo fantoches... e mais mil coisas que saem das cabeças das impagáveis monitoras que têm estado nesta aventura ao longo de todos estes anos.
Quase todas as crianças que hoje por lá param, já nasceram sob o “jugo” do comunista Carlos Pinto de Sá que, até há um ano, era o presidente da autarquia. Pinto de Sá é tão exímio a controlar o famoso “jugo” comunista, que assim que se soube que era candidato pela CDU à Câmara de Évora, não foram poucas as pessoas daquela cidade que começaram a dizer a quem os queria ouvir, que, embora não sendo da CDU, iriam votar nele... e votaram. Tal é o efeito "psicológico" que o homem exerce sobre as pessoas!!!
Voltando à “Oficina da Criança”, recentemente, uma tal Mimi, uma jovem mulher de cerca de trinta anos, que consegue dissimular por detrás de uma figura e sorriso angelicais, uma fera capaz de aterrorizar os pobres dos miúdos, apareceu com o projecto de os pôr a “Pintar a pré-história”.
Se bem o pensou, melhor o fez! Tratou de encerrar, durante horas, a miudagem, na Gruta do Escoural, tortura complementada com o visionamento forçado de imagens de pinturas rupestres de Foz Côa, de grutas espanholas e até do Brasil... o que deixou as pobres crianças prontas para fazer tudo o que ela quisesse.
Não há escapatória para esta infeliz miudagem! Aqueles que conseguem escavar túneis para escapar às masmorras da “Oficina da Criança”, são apanhados na rede que as leva para outra “oficina”, esta, a “Oficina do Canto”, onde ficam (já há mais de 16 anos) à mercê de uma tal Maria do Amparo, onde são forçadas a cantar como se não houvesse amanhã... mas essa é outra estória.
Para completar o tratamento de terror, as crianças foram obrigadas a fazer tintas apenas com pigmentos naturais e gordura de porco, tintas que tiveram que misturar recorrendo unicamente a pequenos paus e pedaços de osso, materiais que serviriam, também e para além dos próprios dedos, para pintar os desenhos que fizeram colectivamente... repito, colectivamente!, com a ajuda de pedaços de carvão de lenha para definir os traços a preto... com a desculpa de que eram esses os materiais de que se serviam os artistas da Pré-História.
E pintaram, pintaram, pintaram... dezenas e dezenas de quadros que o medo fez com que ficassem fantásticos. E pintaram, pintaram... dividindo os trabalhos conforme a turma da sua escola de origem e com a ajuda e empenho de professores e professoras.
E é assim Montemor-o-Novo, um dos nossos 34 concelhos sob o “jugo” comunista!
Depois, à noite, as crianças lá voltam para os casebres e cavernas dos pais, com uma côdea como único jantar... mandadas para a cama sob os retratos de Marx na parede e a ameaça constante de, se não se portarem bem... serem elas próprias o pequeno almoço da manhã seguinte.

(o fotógrafo não era grande coisa, as condições também não... e isto é apenas uma pequena amostra)




quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Rescaldos, pormenores... e “pormaiores”




Parada de Todeia. Já ouviram falar? É uma pequena freguesia do concelho de Paredes, ali junto ao Porto. No fim da minha intervenção musical, a que se seguiria a Luísa Basto, eram 11 da noite do último dia de campanha entre aquele pequeno aglomerado de pessoas firmemente convencidas de que, embora rodeadas por dezenas de freguesias PSD e PS... a CDU ia ter maioria. Depois da viagem de trezentos e cinquenta quilómetros até casa, onde cheguei pelas 3 da madrugada, só tive que esperar umas horas para ter a confirmação: A CDU teve a maioria! Quase 54%!!! Esta última acção de campanha, naquela espécie de aldeia gaulesa do Asterix, como que deu o mote para o que aconteceria no país.
Lá mais em cima, em Viana do Castelo, “um pontinho vermelho” (como lhe chamou uma amiga) na Meadela em que vivi quando tinha 5/6 anos de idade.
Na cidade de Santarém, a tão gostosa novidade do aparatoso “malho” da candidata do PS... mas isso é conversa mais privada.
Entre tantas estórias e pormenores de campanha, como não destacar as grandes emoções de Loures, Évora, Beja e Grândola... e as outras Câmaras e Juntas, pois a CDU não tem autarquias "filhas ou enteadas”.
Para ser mais exacto e para usar o termo “surreal” empregado pela “rtp-n” e que o Miguel Tiago tão bem apontou... enquanto o PS conquista X, o PSD ganha Y e o CDS tem Z... os comunistas “controlam” 34 Câmaras. A saber:
Avis,
Évora,
Castro Verde,
Serpa,
Moita,
Cuba,
Alandroal,
Alcácer,
Peniche,
Alvito,
Beja,
Grândola,
Vila Viçosa,
Arraiolos,
Constância,
Palmela,
Sobral de Monte Agraço,
Mora,
Monforte,
Almada,
Seixal,
Santiago do Cacém,
Alpiarça,
Sesimbra,
Silves,
Loures,
Benavente,
Barreiro,
Vidigueira,
Alcochete,
Moura,
Setúbal,
Montemor-o-Novo,
Barrancos.
Em quase todos esses lugares participei, ao longo dos anos, em sessões culturais em que, teimosamente, insisti numa certa maneira de cantar. Em certos autores. Num reportório que está, ano após ano, a desmentir as copiosas notícias sobre o seu inevitável desaparecimento.
Fica a alegria e a sensação modestamente pretensiosa (passe o oximoro) de ter contribuído com algumas gotas para o mar de esforço e dedicação dos activistas e militantes da CDU.


É bom!

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Hoje e para já... é só isto!


Hoje, antes de consultar os vários resultados finais, nomeadamente aqueles a que estou emocionalmente ligado (Sim! Esta vida é feita de afectos e mistérios que são mais do coração... do que da irrefutabilidade dos números), não irei tecer comentários de pormenor sobre estas centenas de eleições locais.
Hoje, basta-me dar os parabéns a todas e todos os activistas e simpatizantes da CDU, que protagonizaram esta espécie de vendaval.
Hoje, basta-me imaginar, com gosto, a cara de tantos a quem este avanço da CDU espanta (e provavelmente incomoda), gente como o infeliz Miguel Sousa Tavares que, há uns anos e no pico da sua “presciência” enquanto comentador político, escreveu: «Hoje o PCP morreu... e ainda bem!»
Estou certo de que hoje, o coitado deve lembrar-se, mais uma vez, de o ter escrito. Imagino que o lembre muitas vezes. Imagino que deva evitar passar à frente de espelhos, não vá a “coisa” ver-se-lhe na cara...
Agora chega de “imaginações”. Vamos festejar por mais um pouco... que logo a seguir recomeça o trabalho. Com honestidade e competência!

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Ambiente – Porque amanhã também teremos que respirar...


Chega a notícia sobre mais um relatório em que cientistas procuram dar como provada a “culpa humana” nas desastrosas alterações climáticas que, no limite, acabarão por comprometer a sustentabilidade da vida na Terra.
O que espanta, nesta altura, já não é a evidência da catástrofe e a evidência das suas causas. O que espanta é que em 2013 haja um número indeterminado de cientistas que, em vez de estarem ocupados a estudar soluções para a nossa sobrevivência e reversão das asneiras verdadeiramente suicidas entretanto já cometidas... estejam ainda a perder tempo tentando provar aos “cépticos” a influência humana na desregulação climática, na destruição de habitats, na extinção de espécies de fauna e flora, na exploração criminosa de recursos naturais...
Como escreveu o Ary dos Santos, que entendia tão pouco quanto eu de ciências do ambiente...
“O passado é já bastante, vamos passar ao futuro!”

terça-feira, 24 de setembro de 2013

“A gente cá em casa, toda a gente vota, não é... não é?”




Um grupo de jovens montemorenses com (e sem) ligações partidárias – que aqui não vêm ao caso – pensou criar um objecto audiovisual com o fim de apelar ao voto nestas eleições autárquicas. Sem qualquer pista sobre sentido de voto. Tentando um rigoroso espírito de serviço público.
Conseguiram-no! À excepção dos próprios cidadãos de Montemor-o-Novo, que poderão identificar a maior parte dos intervenientes no vídeo e, eventualmente, conhecer as suas opções político-partidárias, mais ninguém poderá vislumbrar aqui qualquer apelo subliminar ao voto nesta ou aquela força partidária ou movimento.
Trata-se de um conseguido apelo à não abstenção... como um valor em si. Todas as forças partidárias concorrentes às eleições foram convidadas a participar.
Infelizmente, os candidatos e militantes de uma das forças políticas da cidade - que não identificarei – acompanhados de alguns independentes cuja participação também teria sido importante, não estiveram disponíveis para participar. Entre os primeiros, uns por real impossibilidade de agenda provocada por ausência da cidade e outros pela velha tentação, ainda não totalmente superada, de desconfiar, à partida, deste tipo de “coisas”. Os independentes, talvez por terem da independência uma concepção algo radical... que corresponde a não participar em nada de cariz político.
Fizeram mal! Creio que uns e outros já se terão dado conta disso mesmo.

Por mim já estava "convencido", mas creio que o vídeo levará alguns indecisos a votar... também na CDU.
Para terminar, uma declaração de interesses com que talvez devesse ter aberto este texto: o meu filho mais novo, ele próprio sem filiação partidária (de que eu tenha conhecimento), dada a sua “queda” para estas coisas da imagem... foi convidado para realizar e seleccionar as gravações de vídeo e fazer a montagem e edição final do dito.
Parabéns a todos! Gostei de ver!




quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Nuno Crato – Matéria extra-curricular...


Para tentar disfarçar o roubo descarado do erário público destinado aos alunos, professores, equipamentos, auxiliares e demais elementos daquilo que constitui o universo do ensino público, com o fim único de enriquecer os donos dos negócios de ensino privado, essa fraude que dá pelo nome de Nuno Crato vai introduzindo no “debate” todo o ruído que pode.
Insiste em chamar normalidade ao caos propositadamente instalado nas escolas, com falta de auxiliares, quando os há para empregar, com falta de professores, quando os há e aos milhares, para colocar, com falta de equipamentos capazes, com falta de organização, com falta de vontade... a mostrar que o caos é provocado propositadamente (passe a redundância).
Enquanto isso, para dar uma ilusão de “movimento” no que respeita a programas e à existência de uma ideia por detrás desses programas... canta loas ao rigor... mas coloca professores a dar quatro níveis de ensino na mesma sala. Baba-se a falar de excelência no ensino... mas obriga os professores a dar aulas em salas superlotadas. Inventa exames de inglês... mas "desiste" de outras aulas de inglês. Faz, desfaz, diz, diz que não diz...
Para se poder dizer que um ovo está podre, não é preciso ser capaz de pôr um ovo fresco! Logo, mesmo estando longe de ser um perito em políticas de educação, acho que sou capaz de ver que este indivíduo, para dizer o mínimo, não presta!
Felizmente, ainda há professores que, com noção do seu dever de educadores e formadores de futuros cidadãos e cidadãs livres, vão ensinando “matérias extra-curriculares” da maior importância para o futuro dos seus estudantes... como muito bem ilustra a imagem aqui em cima!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Coreia - Uma notícia rara...


Estou certo de que as tentativas individuais de fuga, tanto do Norte para o Sul como do Sul para o Norte, têm, muitas vezes, razões apenas pessoais, íntimas, familiares... que só indirectamente têm que ver com a realidade política que separa as duas Coreias.
Claro que a ostentação de um bem estar artificial e inflacionado pela ajuda capitalista à Coreia do Sul, como forma de propaganda, aliada à situação desesperada que se vive no Norte, numa Coreia esmagada e obrigada ao isolamento, à carência provocada pelo cerco criminoso do universo “democrático” e pelos erros crassos daquela verdadeira “fila indiana” de “Kims” que vai tendo como seus dirigentes, a começar precisamente por aquela sucessão “dinástica” incompreensível (e inaceitável) a que se soma uma concepção muito equívoca (para dizer o mínimo) daquilo que deveria ser uma sociedade livre, solidária, progressista, evoluída, culta... logo, verdadeiramente socialista... faz com que haja, na verdade, mais candidatos a tentar fazer a viagem de Norte para Sul... do que contrário.
Daí a originalidade desta notícia, dando-nos conta do assassinato de um cidadão da Coreia do Sul que tentava fugir a nado para a Coreia do Norte... abatido a tiro por militares da Coreia do Sul.
Para “fazer a vontade” a todos aqueles que defendem que “o mal” mora exclusivamente a Norte... direi que, certamente, se o homem tivesse sido abatido pelos soldados da Coreia do Norte, teria sido com muito, ah... mas mesmo muito mais balas... o que faria toda a diferença!

“Cantigueiro” – Uma nova fase


Sejamos claros! O facto de, na passada sexta-feira e a propósito de uma piada ao anúncio algo nauseante do “porquê?, porquê?, porquê?”, protagonizado pelos notáveis ex-alunos do Colégio Militar, ter sido ameaçado por um “capitão de abril” com modos fascistas, de vir a ter, entre outras coisas, as mãos partidas para nunca mais escrever... não me fez sentir, nem por um momento “um Victor Jara”!
Por mais que partilhemos a profissão de “cantautores”, por mais que o tom em que lhe falaram aqueles que lhe esmagaram as mãos e assassinaram faz hoje precisamente 40 anos, fosse, estou certo, da mesma “família” do tom em que este “capitão de abril” me falou... a única coisa que consegui sentir, foi nojo!
Na verdade, o facto de ter um blog onde escrevo coisas com que nem todos podem concordar, não me obriga a ter que conviver, ainda que virtualmente, com gente com quem nunca lidei, todos estes "capitães" fascistas de todos os meses do ano menos de Abril, com quem não tenho a menor intenção de conviver... ainda que virtualmente. Fascistas, ou simples carroceiros que gostam de falar como se fossem fascistas. Essa minha “relação” com tal estirpe de gente... termina aqui!
Como tudo o que começou e um dia acabará (como este blog), a vida das coisas tem fases. O “Cantigueiro” entra, assim, numa nova fase.
A partir de hoje, terão aqui lugar os recados e comentários dos amigos, que serão sempre livres de dizer o que quiserem, até de concordar comigo... já que, digam o que disserem, fazem-no sempre com amizade e lealdade.
Quanto aos comentários de adversários que tenham (realmente) lido e discordado do que escrevi, mas que manifestem a sua discordância de uma forma que não envergonhe aqueles se tanto se esforçaram para lhes dar educação... continuarão a ser publicados, embora passe a ser muitíssimo raro que eu venha a responder a esses comentários.
Os outros, os “capitães de abril” e demais agressores anónimos, vão ter paciência, mas não verão nem mais um “comentário” publicado. Nalguns casos de frequentadores já conhecidos pelos seus recorrentes surtos de lacrimejantes saudades de Salazar... nem que seja para dizer "bom dia". Terão que se limitar a chafurdar, uns com os outros, no seu lamaçal comum e a abocanharem-se mutuamente.
Isto vale já para os insultos que este post vai, certamente, suscitar.
Obrigado... e um abraço a (quase) todos e todas!

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Tribunal Constitucional – O comentário possível


Esta noite passada jantei sangria gelada, acompanhada de uns vestígios de pescada frita e alguns grãos de arroz de legumes. Decidi parar de jantar quando me apercebi de que, a continuar, deixaria de ter condições para escrever um “post”, antes passando a arriscar-me seriamente a ir de encontro a um...
Ainda assim, apesar das minhas reduzidas capacidades cognitivas, não quero deixar de comentar a (bem vinda) decisão do Tribunal Constitucional, no que respeita à pretensão do Governo, de instituir a “requalificação sem justa causa”, ou despedimento encapotado, ou, para utilizar um termo mais científico... uma grande e completa filha de putice:
Ó Passos... ó Portas... ó Maria Luís...
Nhanhanhanha,
nhaaaanhaaaaa!!!


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Incêndios – Não resisto à tentação...


A evidente tragédia que constitui a tremenda sequência de incêndios, com o que têm implicado – e vão implicar – de perdas materiais, de feridos e vítimas mortais, impede-me de fazer o exercício demagógico das culpas, dos crimes e da exploração do sofrimento alheio.
Ainda assim, fica a tristeza de ver um país que todos os anos se deixa “surpreender” pela falta de limpeza nas florestas, pela falta de acessos, pela falta de material, pelo planeamento medíocre.
Ainda assim, fica a tristeza de ver um indigente como Marques Mendes, agrafando um ar indignado na TV, para dizer que os proprietários devem ser obrigados a limpar as matas... e se o não fizerem, deve o Estado fazê-lo, apresentando-lhes as contas para pagamento coercivo. Parece que não sabe, o indigente, que as grandes florestas privadas, detidas pelas grandes empresas, como por exemplo a Portucel, são cuidadas, vigiadas e poucos incêndios sofrem. Parece que não sabe, o indigente, que a esmagadora maioria da floresta que arde, ou pertence ao Estado, ou não tem donos conhecidos, ou pertence a pessoas que abandonaram o interior, ou, finalmente, pertence a gente idosa, rara e pobre... que se fosse obrigada a pagar as limpezas das suas parcelas miseráveis de floresta... nem as reformas de um ano chegariam para o fazer.
Sei que nestas alturas se deve evitar a todo o custo a demagogia... mas não resisti a fazer umas contas de “mercearia”, que me disseram que os mil milhões de euros dos submarinos do “irrevogável” Portas dariam, feita uma consulta ao preço médio de um avião Canadair, para comprar quarenta unidades destes excelentes meios aéreos de combate a fogos florestais. No caso de se optar pelos helicópteros equipados com aquele balde gigante... estaríamos a falar de um pequeno “enxame”.
Dir-me-ão:
E o pessoal que é necessário para cuidar dos aviões e dos helicópteros?
Ao que eu respondo:
E os submarinos? Têm tripulações de quantos marinheiros a tempo inteiro?
Dir-me-ão ainda:
Os aviões e helicópteros de combate a incêndios só são precisos de vez em quando... quando há incêndios... quase sempre só no verão...
Ao que eu respondo:
Pois... e os submarinos são precisos... quando?!!!