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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Por dentro da vida...



O “Campo Pequeno”, em Lisboa... mais tijolo menos tijolo, mais betão menos betão, mais anel menos anel, mais cobertura menos cobertura, mais reforço estrutural... tem praticamente o mesmo aspecto desde 1892. Já o interior, é outra conversa!
Na verdade, o aspecto interior daquela grande e histórica sala de espectáculos depende dos dias, depende das gentes e dos acontecimentos que acolhe.
Ontem pela tarde, numa grande festa de aniversário que (como é hábito nas boas festas de aniversário) estava cheia de música, de sorrisos, de encontros, de beijos, abraços e uma ou outra lágrima feliz... o aspecto era este:
Oito mil árvores a respirar vida, independentemente da idade. A bombear seiva por cada veio, por cada ramo, por cada folha. Ligadas por um manto vermelho... para o qual que muitos não conseguem encontrar explicação.
Um vermelho vivo que nasce e se alimenta directamente nas raízes... mas que num ciclo de vida extraordinário e sempre renovado, também as alimenta e aprofunda e faz crescer.

sábado, 12 de outubro de 2013

Semear livros


“Se quiser divulgar, Samuel, as meninas cá do Porto ficavam-lhe ainda mais agradecidasBeijinhos

Há uns tempos, como relatei aqui, fui convidado pelas “meninas do Porto” da CulturePrint, para ajudar na apresentação de um livro que falava (fala) dos “contactos” de muitas pessoas, eu incluído, com o José Afonso.
Chamaram-me agora a atenção, por mail, para uma iniciativa a que estão ligadas, com várias outras editoras e “militantes da cultura”. Para divulgar essa iniciativa e agitar a monotonia, como poderão ver no vídeo e ler no texto que está abaixo dele, resolveram semear livros pela cidade. Muitas centenas de livros.
Tendo consciência de que se tivesse sido um qualquer clube desportivo a publicitar uma sua qualquer acção distribuindo bolas de futebol pelos bairros, as televisões e jornais não teriam falado de outra coisa... mas que esta coisa dos livros tem sempre que romper uma espessa barreira de indiferença, quando não é mesmo hostilidade por parte daqueles que acham a cultura uma coisa perigosa... aqui fica a minha participação na divulgação (a escolha da ilustração é minha) e um forte abraço às “meninas do Porto” e aos seus amigos e amigas.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Ambiente – Porque amanhã também teremos que respirar...


Chega a notícia sobre mais um relatório em que cientistas procuram dar como provada a “culpa humana” nas desastrosas alterações climáticas que, no limite, acabarão por comprometer a sustentabilidade da vida na Terra.
O que espanta, nesta altura, já não é a evidência da catástrofe e a evidência das suas causas. O que espanta é que em 2013 haja um número indeterminado de cientistas que, em vez de estarem ocupados a estudar soluções para a nossa sobrevivência e reversão das asneiras verdadeiramente suicidas entretanto já cometidas... estejam ainda a perder tempo tentando provar aos “cépticos” a influência humana na desregulação climática, na destruição de habitats, na extinção de espécies de fauna e flora, na exploração criminosa de recursos naturais...
Como escreveu o Ary dos Santos, que entendia tão pouco quanto eu de ciências do ambiente...
“O passado é já bastante, vamos passar ao futuro!”

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

“Cantigueiro” – Uma nova fase


Sejamos claros! O facto de, na passada sexta-feira e a propósito de uma piada ao anúncio algo nauseante do “porquê?, porquê?, porquê?”, protagonizado pelos notáveis ex-alunos do Colégio Militar, ter sido ameaçado por um “capitão de abril” com modos fascistas, de vir a ter, entre outras coisas, as mãos partidas para nunca mais escrever... não me fez sentir, nem por um momento “um Victor Jara”!
Por mais que partilhemos a profissão de “cantautores”, por mais que o tom em que lhe falaram aqueles que lhe esmagaram as mãos e assassinaram faz hoje precisamente 40 anos, fosse, estou certo, da mesma “família” do tom em que este “capitão de abril” me falou... a única coisa que consegui sentir, foi nojo!
Na verdade, o facto de ter um blog onde escrevo coisas com que nem todos podem concordar, não me obriga a ter que conviver, ainda que virtualmente, com gente com quem nunca lidei, todos estes "capitães" fascistas de todos os meses do ano menos de Abril, com quem não tenho a menor intenção de conviver... ainda que virtualmente. Fascistas, ou simples carroceiros que gostam de falar como se fossem fascistas. Essa minha “relação” com tal estirpe de gente... termina aqui!
Como tudo o que começou e um dia acabará (como este blog), a vida das coisas tem fases. O “Cantigueiro” entra, assim, numa nova fase.
A partir de hoje, terão aqui lugar os recados e comentários dos amigos, que serão sempre livres de dizer o que quiserem, até de concordar comigo... já que, digam o que disserem, fazem-no sempre com amizade e lealdade.
Quanto aos comentários de adversários que tenham (realmente) lido e discordado do que escrevi, mas que manifestem a sua discordância de uma forma que não envergonhe aqueles se tanto se esforçaram para lhes dar educação... continuarão a ser publicados, embora passe a ser muitíssimo raro que eu venha a responder a esses comentários.
Os outros, os “capitães de abril” e demais agressores anónimos, vão ter paciência, mas não verão nem mais um “comentário” publicado. Nalguns casos de frequentadores já conhecidos pelos seus recorrentes surtos de lacrimejantes saudades de Salazar... nem que seja para dizer "bom dia". Terão que se limitar a chafurdar, uns com os outros, no seu lamaçal comum e a abocanharem-se mutuamente.
Isto vale já para os insultos que este post vai, certamente, suscitar.
Obrigado... e um abraço a (quase) todos e todas!

sábado, 15 de junho de 2013

Beja é já ali...


Contra ventos e marés, sobretudo os ventos e as marés da inércia – provavelmente os mais retrógrados e desmobilizadores ventos e marés da História – continua a nossa viagem pelo Alentejo e pela memória (e pelo futuro) da Reforma Agrária, esta jornada que dedicámos à figura de Álvaro Cunhal, no Centenário do seu nascimento.
Desta vez é em Beja. Será um acontecimento diferente dos outros nove espectáculos que até agora já fizemos. O nosso reportório será ligeiramente compactado, para acomodar os vários convidados que esta noite especial vai ter. Uns para cantar... outros para falar.
Apesar de já saber que, a menos que tenha recuperado a voz, a fadista Ana Sofia Varela não poderá cantar... tudo o que está no cartaz irá acontecer. Desde os numerosos amigos dos grupos corais, durante a tarde, até ao espectáculo da noite.
Até lá!

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Mudar – Um acto de coragem!


O comissário europeu Lászlór Andor descobriu a pólvora! Diz o génio que uma forma de os trabalhadores contornarem o fenómeno do desemprego nos seus países... é estarem dispostos a ir trabalhar para outro país onde a sua força de trabalho seja necessária.
Feita esta espantosa revelação, em milhares de casas portuguesas há milhares e milhares de pessoas absolutamente estupefactas. Nunca ninguém tinha, até hoje, pensado nessa possibilidade. Quem haveria de imaginar que os milhões de portugueses que, ao longo de décadas e décadas, têm demandado o Brasil, o Canadá, os EUA, a França, a Alemanha, a Suíça, o Luxemburgo, etc., etc, divertindo-se como loucos no seu papel de turistas... poderiam ter aproveitado as estadias nesses países para trabalhar!!!
Agora a sério, também acho importante que, perante a penúria, a fome, ou simplesmente a total falta de horizontes e perspectivas de um futuro, muitos portugueses, para salvar as suas vidas e a das suas famílias, tenham a força e a coragem de mudar de país.
Claro que – mas isso é cá uma coisa minha – mantenho a esperança de que um número ainda muito maior de portugueses tenha a força e a coragem de mudar o país!

domingo, 12 de maio de 2013

Miguel Calhaz - Era uma vez um país...


“Festival Cantar Abril”, organizado pela Câmara Municipal de Almada, vai na sua quarta edição. Realiza-se de dois em dois anos e arrisca-se, passados estes seis anos desde o dia zero, a tornar-se uma tradição. Isto, se aceitarmos como boa a definição de tradição que, segundo alguns, não passa de algo que já foi uma experiência... que deu certo.
O Festival Cantar Abril deu certo! Em todas as edições trouxe-nos algo de muito bom e, o que não se vê todos os dias, em quantidade muito apreciável. Nunca, até hoje, aconteceu ficar o júri perante a possibilidade de não atribuir algum dos prémios, por falta de candidatos à altura. Bem antes pelo contrário!
Este ano a história repetiu-se. Repetiram-se também alguns concorrentes, o que é bom sinal: gostaram da experiência. Houve coisas de grande nível. Coisas que seriam sempre de grande nível, fosse qual fosse a sala ou situação em que se mostrassem.
Hoje partilho convosco o “Prémio Ary dos Santos” (prémio melhor letra) deste ano, um prémio atribuído a uma das letras dos trabalhos inéditos em concurso. Apenas às palavras... embora estas viessem "acompanhadas" de uma música divertida, competente, interpretada com a qualidade a que o Miguel Calhaz nos habituou.
Atendendo a que não se trata de um prémio literário, mas sim de um concurso de canções, ainda por cima canções que se pretendem de intervenção – como são todas as canções e toda a arte, mas neste caso viradas para o espírito de Abril e da liberdade – resolvemos atribuir o prémio da melhor letra a uma canção “mal comportada”, cheia de suculentos trocadilhos com nomes de “famosos” e alfinetadas às suas obras “valorosas” contra o povo português. Poderão ler a dita cuja aqui, na íntegra.
Tratasse-se de uns quaisquer jogos florais de bairro, desses destinados a quadras certinhas, bonitinhas, bem comportadinhas e com os tiques “literários” todos no sítio... e nem apurada teria sido para participar no festival.
Aliás, parecia ser essa, violentamente, a opinião de um poeta regional que vive na ilusão de conhecer suficientemente o Ary dos Santos, pelo menos o suficiente para achar que ele estaria a «dar voltas na sepultura» por ver uma «aberração destas ser premiada»... e ainda por cima com um “Prémio Ary dos Santos”... afirmando mesmo, chispando, que, fosse ele membro do júri e esta «aberração» só teria um prémio... «por cima do seu cadáver».
Imagino que ainda tenha dito mais coisas... mas confesso que o deixei a falar sozinho em pleno “foyer”.
Quanto mais me lembro do “ódio literário” com que o poeta regional me fustigou naquela noite... mais gosto desta canção do Miguel Calhaz (sim, ele já antes venceu o Festival com uma canção original). Adiante, pois esta estorieta de “foyer” não foi (nunca seria!) suficiente para me estragar a bela noite de canções que foi aquele fim de dia 30 de Abril.
Vivam os artistas que andam de olhos abertos! Vivam os jovens que querem juntar-se a estes artistas, viva a canção de intervenção!
Bom domingo!
“Era uma vez um país” – Miguel Calhaz
(Miguel Calhaz)



domingo, 5 de maio de 2013

Maria Rita – Num tempo novo


Venho de um tempo antigo. Um tempo triste, em que os novos músicos que iam aparecendo eram tão “curiosos” e amadores com quase todos os que os tinham precedido... e não havia perspectiva de que muitos dos que se seguiriam viessem a ser mais qualificados.
Era um tempo em que as poucas saídas realmente profissionais para músicos qualificados, não iam além da música dita erudita... e fechada sobre si.
Era um tempo em que uma boa parte dos músicos que se diziam “do jazz” (felizmente havia maravilhosas excepções!), não passavam de pequenos aldrabões que, só à custa da falta de preparação de quem os ouvia, conseguiam disfarçar o óbvio: não saberem tocar, realmente, os instrumentos.
Depois, felizmente e fruto da abertura proporcionada por Abril, tudo começou a mudar para melhor. Hoje temos um belíssimo “exército” de músicos fantásticos, capazes de se aventurar em qualquer género musical, interessados na música portuguesa e atentos ao que se passa no resto do mundo. Gente muito nova, capaz de entender as nuances que separam uma canção do Zeca ou do Sérgio Godinho... do universo musical de um Tony Carreira, isto sem, em qualquer dos casos, baixarem o nível de profissionalismo e competência em palco ou em estúdio.
Afortunadamente, eu próprio cruzei o meu caminho com uma mão cheia destes “miúdos” cheios de talento, que dão um novo som ao que faço. Sem eles, provavelmente, já estaria a pensar em arrumar a guitarra de uma vez por todas.
E assim chegamos à Orquestra de hoje e ao vídeo que quero partilhar. Trata-se da Orquestra de Jazz de Matosinhos, um “bando” de músicos fantásticos que explicam, na prática, alto e bom som, tudo o que disse até aqui.
Entra em cena a artista convidada de hoje, a já aqui vista e ouvida Maria Rita.
Habituada ao cliché do fado, da saudade, da tristeza, do bacalhau, cliché que acompanha tudo o que é português na sua terra brasileira, Maria Rita não estaria, certamente, à espera daquele som fantástico de um jazz bem “contaminado” de brasil, produzida por uma orquestra portuguesa... em Matosinhos.
Pelos vistos gostou. Sentiu-se em casa, reconheceu o “balanço” com que foi embalada muitas vezes no colo da mãe, Elis Regina... e ouvindo a sua música e a dos seus tantos e tão talentosos amigos. O balanço da sua terra.
Pelos vistos gostou. Canta com um sorriso aberto. Dança como quem flutua. 
Bela, feliz, sensual... pura!
“Num corpo só” – Maria Rita e “OJM”
(Arlindo Cruz/Picolé)



quarta-feira, 1 de maio de 2013

Bertold Brecht – Perguntas de um operário letrado



Aqui fica (ilustrada por uma obra de José Santa Bárbara) esta bela reflexão de Bertold Brecht. Para ler… ou para ouvir na voz de Mário Viegas (do disco "Operário em construção)… ou as duas coisas. Viva o 1º de Maio!

Perguntas de um Operário Letrado



Quem construiu Tebas, a das sete portas?

Nos livros vem o nome dos reis,

Mas foram os reis que transportaram as pedras?

Babilónia, tantas vezes destruída,

Quem outras tantas a reconstruiu?
Em que casas
da Lima Dourada moravam seus obreiros?

No dia em que ficou pronta a Muralha da China
para onde
Foram os seus pedreiros?
A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo.
Quem os ergueu?
Sobre quem
Triunfaram os Césares?
A tão cantada Bizâncio

Só tinha palácios

Para os seus habitantes?
Até a legendária Atlântida

Na noite em que o mar a engoliu

Viu afogados gritar por seus escravos.


O jovem Alexandre conquistou as Índias
Sozinho?

César venceu os gauleses.

Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?

Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou.
E ninguém mais?

Frederico II ganhou a guerra dos sete anos

Quem mais a ganhou?


Em cada página uma vitória.

Quem cozinhava os festins?

Em cada década um grande homem.

Quem pagava as despesas?



Tantas histórias

Quantas perguntas

(Bertold Brecht)

“Perguntas de um operário letrado” – Mário Viegas
(Bertold Brecht)



domingo, 31 de março de 2013

Jake Bugg – De vez em quando…



“Stuck in speed bump city
Where the only thing that's pretty
Is the thought of getting out

Somewhere there's a secret road
To take me far away I know
But til then I am hollow”
De vez em quando acontece. Aparece algo novo... que parece ser-nos familiar desde sempre. Entra em cena o jovem inglês Jake Bugg!
Diz-se influenciado por Jimi Hendrix, Johnny Cash, os Beatles, Donovan e, evidentemente, embora faça por o admitir menos do que em relação aos anteriores, Bob Dylan. Aliás, no meu ouvido fica a pairar como que um cruzamento exactamente de Dylan e Donovam... mas isso sou eu...
Entre baladas românticas e nova música de intervenção com a dureza dos subúrbios problemáticos e bairros operários de uma cidade inglesa de província, como é o caso da canção que hoje partilho, este miúdo de Nottingham, se não for cilindrado pela máquina de soterrar talentos com dinheiro... será um caso muitíssimo sério!
Bom domingo!
Trouble town” – Jake Bugg
(Jake Bugg)



segunda-feira, 11 de março de 2013

CGTP – Funções sociais do Estado


Na página da CGTP está muito bem explicado o conjunto de razões pelas quais se deve assinar a petição pela defesa das funções sociais do Estado. petição pode ser assinada  mesmo.
Adaptando uma velha peça de humor, informo que a petição  conta com cem mil e uma assinaturasQuero dizer, tem  a minha… e para   mais umas cem mil!
Vamos fazer crescer esse número?

quinta-feira, 7 de março de 2013

Felizmente há gente assim!


“Ensinou-me a cantar que o povo é quem mais ordena... e que havíamos de chegar ao fim da estrada unidos como os dedos da mão.”
“Aquilo que tornava o meu pai um adulto... é o mesmo que, a mim, me impede de o ser!”

São apenas duas pequenas frases de um discurso que merece ser ouvido do princípio ao fim.
Encontrem uma maneira de perder o tempo em que iam fazer uma outra coisa qualquer... e “ganhem-no” aqui, ouvindo e vendo a Joana Manuel, actriz portuguesa, jovem, precária, lúcida, tocante, clara como água.



quarta-feira, 6 de março de 2013

Hugo Chávez (1954-2013)


Morreu Hugo Chávez. Enquanto alguns milhões de venezuelanos choram a perda de alguém que lhes mudou a vida para melhor, outros, dentro e fora da Venezuela, esfregam as mãos de contentes. É sempre assim quando desaparece uma figura desta dimensão e, sobretudo, desta controversa importância.
Pela minha parte, junto-me àqueles que lamentam a perda. No balanço pessoal que faço das qualidades, carisma, boas intenções, trabalho realizado, combates travados (e contra quem), das muitas contradições e uma mão cheia de características com que - mais do que uma vez o disse - não simpatizava... o balanço é francamente positivo! O que de muito bem Chávez fez no seu país e ao seu povo mais merecedor e necessitado, tem toda a minha simpatia e apreço, ao passo que quase tudo o que de “mal” fez contra as oligarquias nacionais e o imperialismo do vizinho do norte, não me faz correr uma lágrima, muito pelo contrário.
Nas nossas televisões, até agora, ninguém conseguiu mais do que aproveitar o momento de luto para tentar enlamear a memória do polémico estadista, ainda que recorram a insinuações e meias palavras que não escondem o ódio vesgo que os patrões lhes ordenam que agrafem nas caras e nos comentários.
Nos corredores da CIA e de Washington a festa deve ser rija! Viram-se finalmente livres de um adversário de peso, um adversário que não lhes mostrou medo... sem terem necessidade de o assassinar, como não poucas vezes devem ter planeado.
Entre a corrupta e vendida oligarquia venezuelana a festa deve estar delirante, tal a espectativa da vingança das suas repetidas derrotas, vingança que devem estar a saborear por antecipação.
Espero que o povo venezuelano, depois de chorar o seu líder agora falecido, saiba separar a obra do homem, unir-se à volta do seu sonho colectivo e encontrar no seu seio aqueles que sejam capazes de continuar a levar por diante, a consolidar e a melhorar, o projecto de autodeterminação, dignidade e justiça social que a Revolução Bolivariana foi capaz de trazer à Venezuela.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Um passo de cada vez...


Ainda sobre a manifestação, entre as dezenas e dezenas de posições que se tomaram e tomarão sobre a manifestação e, sobretudo, sobre a repetida pergunta sobre “o que muda com ela”, ou, no limite,“para que serve”... continua ser importante dizer, repetir, repetir sempre, que o que muda – ou deve mudar! - é a atitude de passividade de milhões de cidadãos, logo, serve exactamente para isso. Para o abrir de portas, para o encontro de vontades, para a mobilização do esforço, para a multiplicação das forças.
Entre as dezenas de posições, como dizia, destaco duas, quase nos extremos.
Uma, já verdadeiramente clássica, é a posição dos “entusiasmados de um dia” que, no dia seguinte e perante a constatação de que o governo afinal não caiu... caem eles na mais acabrunhada melancolia, repetindo como um mantra, “isto não serve para nada, isto não adianta...”
A outra, que apanhei numa troca de comentários no Facebook, representa uma certa corja de “apoiantes” do governo. Dizia, mais palavra menos palavra: “Os organizadores da manifestação têm que se compenetrar de que o país tem dez milhões de habitantes. Ora, mesmo que consigam juntar 500.000 manifestantes, isso representa 5% dos portugueses... o que quer dizer que há 95% de portugueses que apoiam as medidas do governo e sabem que elas são necessárias.”
Sobre os primeiros... desejo apenas que a experiência, que mais conversas com amigos e amigas mais experientes e, sobretudo, organizados e mais informados politicamente, os ajudem a descobrir que as coisas verdadeiramente decisivas para a construção da malha da mudança, são aquelas pequenas coisas que vamos tecendo pouco a pouco, todos os dias do ano.
Quanto ao segundo caso, dando de barato o grande falhanço quanto às previsões de manifestantes, o argumento é apenas repelente, tal a desonestidade delirante da “lógica” em que se baseia, nem merecendo, por isso, uma resposta ou comentário.
É por isso mesmo que considero de leitura mais do que aconselhada, este texto do Miguel Tiago, publicado na quinta-feira passada no blog “Kontra Korrente”.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Em cada esquina um amigo – Lá chegaremos, Zeca!


Olá, Zeca!
Como não tenho a menor intenção de falar de morte... este recado é só para dizer que a saudade aqui por casa não abranda.
A tua Grândola está a fazer um sucesso fantástico... por boas razões, mas nem sempre da forma mais acertada. Mas isso são contas de outro rosário.
Como deves calcular - já que me conheces - não estou a falar na afinação vocal dos espontâneos cantores e cantoras, nem tão pouco do facto de quase ninguém saber a letra da cantiga... pois nesta segunda “arte” sempre foste tu o campeão.
Seja como for, cantando mal ou bem... havias de gostar de ver as idades da maior parte da malta que anda a cantar-te, por vezes pela primeira vez. Quem sabe se nalguns, mesmo que pouco a pouco, a coisa pega e frutifica?
A propósito... dentro de algumas semanas estarei de novo no júri do “Festival Cantar Abril”, inventado pela Câmara de Almada, e que instituiu um prémio com o teu nome. Há um belo punhado de malta nova que vem a concurso e, sobretudo, a convívio, mostrar as suas cantigas originais que falam de liberdade e futuro, ou recriar as canções da resistência e de Abril. Destas, como aliás nas edições anteriores, quase metade dos títulos a concurso... são teus.
Não fiques acanhado e, muito menos preocupado. Ninguém leva a mal!

Um abraço apertado.


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Beatriz Talegón – Assim não vai longe...


Já que este vídeo se tornou “viral”, como agora se diz... não vejo razão para ficar imune ao vírus. Sendo assim, resolvi também partilhar este inusitado discurso.
“Surpreende-me muito como pretendemos fazer mexer a revolução a partir de um hotel de cinco estrelas, em Cascais, chegando em carros de luxo. Pergunto-me, na verdade, se podemos dar uma resposta aos cidadãos, quando vós, dirigentes políticos, lhes dizeis que os entendemos e que sofremos com eles porque somos socialistas. Será que, na verdade, sentimos essa dor aqui dentro? Será que, na verdade, podemos entender o que estamos pedindo ao mundo... a partir de um hotel de cinco estrelas?”
“Desgraçadamente, não temos sido nós, os socialistas, os que temos animado toda essa gente a sair à rua nem a mobilizar-se... e o que deveria doer-nos é que eles estão pedindo democracia, estão pedindo liberdade, estão pedindo fraternidade, estão pedindo uma educação pública, uma saúde pública... e nós não estamos aí.”
“Vós, líderes, mal chamados líderes pois sois responsáveis pelo que se está passando.”
“Logo mais enchereis a boca, nos vossos discursos, falando do desemprego jovem, de que vos preocupa muito os jovens: não vos preocupamos em absoluto porque nos têm aqui e nem sequer nos perguntam qual é o nosso  ponto de vista.”
Assim, mesmo traduzidas a “trouxe-mouxe”, são estas algumas das palavras proferidas pela jovem socialista espanhola Beatriz Talegón, em plena reunião da Internacional Socialista.
Sem querer espicaçar ninguém, nem individualmente, nem colectivamente, com esta insinuação de que estou a voltar ao tema do post imediatamente anterior, muito pelo contrário, para "descomprimir"... diria que (ainda que por qualquer estranha razão o quisesse) teria francas dificuldades em encarar esta jovem... e chamar-lhe “nazi”, olhos nos olhos... nem sei se alguém teria.
Do que não tenho grandes dúvidas é que, a menos que ocorram grandes mudanças na personalidade da jovem Beatriz, ou na “personalidade” da Internacional Socialista... não lhe auguro um grande futuro dentro da organização!



sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Roda viva – Quem não anda?...


“Os saltimbancos” e “Roda viva”. Duas obras teatrais que viram a luz do dia em tempos turbulentos no Brasil. Ambas têm a marca de Chico Buarque. A primeira, que ele adaptou para português a partir do texto original de Sergio Bardotti e música de Luis Enríquez Bacalov, a que acrescentou mais umas músicas da sua lavra. A segunda, a sua primeira peça teatral, escrita em 1967, com uma canção-tema com o mesmo nome da peça.
“Os saltimbancos” é um musical infantil, que aborda subtilmente a luta de classes, através da estória de um burro, um cão, uma galinha e uma gata… todos contra o “Barão”, o inimigo dos animais.
É impossível igualar a maravilha que foi o elenco original, com Pedro Paulo Rangel e Grande Otelo, as jovens Marieta Severo, Miúcha, Bebel Gilberto (filha de João Gilberto e Miúcha), Sílvia Buarque (filha do Chico e da Marieta), Isabel Diegues (filha de Nara Leão e Cacá Diegues)… e por aí fora.
Quanto à “Roda viva”, essa fiou mais fino! Com um elenco inicial composto por Marieta Severo, Heleno Prestes e António Pedro, teve uma primeira temporada de sucesso. Depois… veio a borrasca.
Já com Marília PeraAndre Valli e Rodrigo Santiago, o espectáculo começou a estar na mira do CCC (Comando de caça aos comunistas), que por duas vezes invadiu os teatros durante a representação, espancando os artistas e destruindo todo o material. Acabou proibida!
Dando um salto de quase cinquenta anos, para Montemor-o-Novo, o meu filho mais “recente”, de sua graça Paulo, decidiu trabalhar com alguns muito jovens rapazes e raparigas montemorenses, numa produção da Associação Theatron, fazendo uma versão muito livre do texto de “Os saltimbancos” (sem as canções), juntando-lhe, a dado passo, a tal canção do Chico Buarque, “Roda viva”.
Levaram a coisa à cena numa das salas do Convento da Saudação, com o apoio do “Espaço do Tempo” do coreógrafo Rui Horta. Diz quem viu, que foi coisa fina. Eu também gostei… mas neste caso a minha opinião não conta lá grande coisa!
Estabelecidas as “distâncias” entre os muitos e célebres actores e cantores originais e a miudagem montemorense, constituída por (ainda) não-actores e não-cantores, aqui fica a “Roda viva”, que eu tive o maior prazer em alindar com uns sons que me pareceram adequados para a idade dos participantes, gravar as vozes de dez dos mais jovens elementos da Oficina do Canto, também de Montemor… e misturar tudo. Boa audição!



terça-feira, 1 de janeiro de 2013

2013 – Dar forma ao sonho...


Aí está um novo ano. Um ano que uma quadrilha internacional com sucursal na sede do Governo português, se encarregou de amputar na qualidade de vida, na justiça, na liberdade.
Apesar disso e sobretudo por isso, todos temos o direito (e a obrigação) de sonhar! De sonhar activamente!
Todos temos o direito a sonhar com o nosso “novelo de lã” para brincar... para além de tantas outras coisas que sabemos... tão necessárias, tão urgentes e igualmente importantes.
Todos temos o direito (e a obrigação) de pôr as unhas de fora para defender e agarrar o nosso sonho... se tal for necessário.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Último dia do ano I – Que não se repita!


Último dia do ano. Ano, miserável, não por culpa própria, que o tempo é apenas aquilo que dele se faz, mas por obra do bando de celerados que, à força de mentiras descaradas, se instalou no poder ao serviço de uma bem mais vasta quadrilha internacional que os comanda com o rigor com que se manipulam as marionetas.
Quem gosta de festejar a passagem do ano... porque passa... festeje pois!
Apenas duas observações:
1. Não “festejem” em demasia... pois é fundamental entrar em 2013 com os pés bem firmes no chão.
2. Não fiquem doentes... para não “contrariarem” o imbecil do secretariozeco da “saúde”. Isto porque, francamente, não sei se aquele discurso meio fascista não é uma espécie de preparação de futuros “castigos”, na forma de não comparticipação do Estado, por exemplo, para os “malandrins” dos cidadãos que contraiam doenças, ou sofram acidentes que uma qualquer comissão composta por canalhas do mesmo calibre do secretariozeco considere evitáveis... logo, culpa dos doentes.
Até para o ano! (Se não voltarem logo à tarde)

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Dia de Natal


A quem de direito. Muito urgente!
Troco este “presente” por um Futuro!