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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Por dentro da vida...



O “Campo Pequeno”, em Lisboa... mais tijolo menos tijolo, mais betão menos betão, mais anel menos anel, mais cobertura menos cobertura, mais reforço estrutural... tem praticamente o mesmo aspecto desde 1892. Já o interior, é outra conversa!
Na verdade, o aspecto interior daquela grande e histórica sala de espectáculos depende dos dias, depende das gentes e dos acontecimentos que acolhe.
Ontem pela tarde, numa grande festa de aniversário que (como é hábito nas boas festas de aniversário) estava cheia de música, de sorrisos, de encontros, de beijos, abraços e uma ou outra lágrima feliz... o aspecto era este:
Oito mil árvores a respirar vida, independentemente da idade. A bombear seiva por cada veio, por cada ramo, por cada folha. Ligadas por um manto vermelho... para o qual que muitos não conseguem encontrar explicação.
Um vermelho vivo que nasce e se alimenta directamente nas raízes... mas que num ciclo de vida extraordinário e sempre renovado, também as alimenta e aprofunda e faz crescer.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O Duarte


Viveu 92 anos, entre 1913 e 2005. "Tomou partido" aos 17 anos. Dedicou sete décadas da sua vida inteiramente aos outros, não regateando o esforço, o tempo e a total dedicação a essa tarefa, ainda que isso lhe custasse – e custou! – muitos anos de prisão, muitos meses de isolamento, muitos dias de tortura.
Pelo caminho, teve a arte de nos legar livros teóricos sobre política ou arte, intervenções soltas, centenas de discursos, romances, desenhos...
Alguns milhares de companheiros de sempre e outros amigos mais recentes, decidiram comemorar o centenário do seu nascimento. As iniciativas são as mais variadas e não faltarão, a seu tempo, os anúncios de cada uma delas ao longo de todo o ano. Eu próprio estarei ligado a algumas, se e onde o que sei puder ser útil.
Apesar de ter dedicado toda a sua juventude e depois o resto da vida a lutar pela liberdade, defendendo para o Portugal então esmagado pelo fascismo, uma nova realidade, uma sociedade livre e plural assente num sistema económico em que convivessem o público e o privado, uma sociedade socialmente evoluída apostada na liberdade religiosa, na liberdade de pensamento, na liberdade de costumes, na igualdade de direitos e no pluri-partidarismo como prática política... há quem não consiga enxergar a dimensão da figura humana, para além da divergência ideológica. Apesar, resumindo, de ter sacrificado a sua liberdade pessoal como contribuição para a luta pela liberdade de todos, estou certo de que não faltarão “comentadores” (o caixote do lixo já está ali à espera de alguns) que não hesitarão em usar essa mesma liberdade para aqui tentarem insultá-lo... o que não deixa de ser uma vergonhosa ironia.
Uma ironia que alguns, por não passarem de canalhas, não admitem. Outros que, por puro preconceito, não querem ver. Outros ainda que, apenas por ignorância ou estupidez... não entendem. 

Aparte estes casos particulares, o sentimento geral é de respeito pela dimensão humana, pelo valor artístico, pela importância política e pela coerência de vida deste português.
Um punhado de homens e mulheres, escolhido muito cuidadosamente ainda no tempo em que era um jovem-adulto, conheceu-o como Duarte. Um número bem maior de amigos e outras pessoas interessadas, conheceu-o igualmente e mais tarde, como Manuel Tiago. Para todos os restantes, foi Álvaro Cunhal.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Só para lembrar...


Não pretendo dar lições de História (nem quaisquer outras “lições”) a quem quer que seja. Quero apenas contribuir, singelamente, para engrossar o número daqueles que não esquecem... já que a “amnésia” parece atingir até alguns que dizem dedicar-se à tarefa de “não deixar apagar a memória”.
São cinquenta e dois anos passados sobre um dia muito especial na vida de Álvaro Cunhal, Francisco Miguel, Joaquim Gomes, Carlos Costa, Jaime Serra... um dia especial na História da resistência ao fascismo. São cinquenta e dois anos passados sobre uma história de coragem física, verticalidade, coerência, sacrifício.


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Álvaro Cunhal (10.11.1913 – 13.06.2005)


Todos os dias nascem milhares de seres humanos. Nascem rodeados e condicionados pelas realidades mais diversas. Nascem do amor, do acaso, da violência... mas todos, todos com o inalienável direito a conquistar um lugar no grande navio da História.
A grande maioria vem engrossar as fileiras dos explorados pelos “senhores da Terra”.
Muitos, pela sua “diferença”, estão condenados à discriminação, às humilhações, ao martírio.
Outros, exatamente por serem “diferentes”, serão capazes de, ainda que milimetricamente, desviar o leme e o rumo do navio... para melhores portos, praias mais suaves, manhãs mais claras, dias mais justos...
Este, Álvaro Barreirinhas Cunhal, nascido a 10 de Novembro, há 98 anos, foi, e até ao limite das suas forças, um ser humano decididamente muito diferente... como eu tive o grato privilégio de constatar.
“Até amanhã...”