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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Os “entalados” *


Começa a faltar-me a pachorra para tanto comentador que acha que Cavaco fez isto para “entalar” Seguro, que o PCP, fez aquilo para “entalar” o PS, que Os Verdes também fizeram aqueloutro para “entalar” os socialistas, que estes estão “entalados” entre a ânsia de parecer de oposição e de esquerda e a sua já tão antiga tendência para se aliarem à direita...
Já enjoa tanto “síndrome de Martim Moniz”... mas sem o heroísmo da famosa fábula histórica.
Numa “democracia” deste tipo a que, infelizmente, chegámos... na verdade é tão legítimo estar dentro como fora, em cima ou em baixo. Quem está no seu lugar, corajosamente, é merecedor de, pelo menos por isso, algum respeito.
Só se entala quem fica no meio, em cima do muro, nem cá nem lá... in the middle of between.
Os que se deixam entalar por serem lerdos... lamento! Agora os que se deixam entalar pelo eterno oportunismo calculista do “deixa lá ver para que lado é que esta gaita rende mais”... é muito bem feito!
* Declaro que na execução da imagem ou do texto deste post não houve quaisquer maus-tratos infligidos a animais... de qualquer espécie.

sábado, 23 de março de 2013

Óscar Lopes (1917-2013)


A História, a boa literatura, o pensamento e a inteligência... perderam um grande militante.
O PCP perdeu um grande ser humano.
A Humanidade perdeu um dos "imprescindíveis".

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

PS e PCP – Os “inimigos”?


«Não distinguir os inimigos sempre foi Fatal, apreciações à parte os camaradas quando se unem com a direita Gozam que se Fartam, é fartar vilanagem, tudo quanto sirva para derrubar o PS é bom. Já lá vão quase 40 anos e os camaradas ainda não deram pela QUEDA DO MURO. Vão ganhar as próximas eleições. Como sempre aliás».
Retirados uns acidentais erros de digitação, é este o teor de um comentário deixado no post que, em tom de simples brincadeira, aqui escrevi sobre o valoroso ataque ao poder “a la António Vitorino”, protagonizado por António Costa, escrito por um militante ou simpatizante do Partido Socialista, que se identificou como Miguel Lopes.
Constatamos assim que o Miguel Lopes, depois de ter engolido a cassete com a lengalenga da culpa do PCP na queda do demissionário Sócrates... ainda não conseguiu regurgitá-la... apesar do ridículo da música e da letra da cantiga.
Segundo o nosso comentador (mais picardia, menos picardia), o PCP escolheu o PS como “inimigo” principal... "aliou-se à direita"... e o resultado é o que se vê!
Portanto, se bem entendo, que fique para a História que foram os comunistas, e não Mário Soares (e o PS), quem conspirou com a CIA e Carlucci para a derrota da Revolução de Abril.
Que foram os comunistas e não Mário Soares (e o PS), quem conspirou com os sectores mais retrógrados e fascistas da Igreja Católica, com o apoio operacional de organizações terroristas e bombistas de extrema direita, para assaltar sindicatos identificados com os comunistas... e Centros de Trabalho do próprio PCP.
Que foram os comunistas e não o PS que, a nível governamental, fizeram alianças repetidas ao longo de décadas... mas sempre e só com o PPD-PSD e o CDS.
Finalmente... que foram os comunistas e não o PS, quem assinou famoso memorando com a troika.
Temos que admitir que para ter uma tal visão da História... é preciso ter uma “extraordinária visão”!
Agora a sério... resta uma singela pergunta dirigida a todos os “Migueis Lopes” desta vida:
Se, então, o PS não é “o inimigo”, e eu não digo que o seja, pelo menos nesses termos... quando é que , exceptuando honrosos casos pontuais e de natureza local... alguma vez foi o amigo?

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

José Dias Coelho – 19 de Julho de 1923 / 19 de Dezembro de 1961


Porque sem memória... somos pouco mais do que “vegetais”!
“A morte saiu à rua” – José Afonso
(José Afonso)



sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

PCP e os velhos – Perguntar não ofende...


Já não é a primeira vez que abordo este assunto que, confesso, já me anda a encanzinar!
Dado como adquirido por todos o meios de comunicação social, politólogos, analistas, cronistas e demais fazedores de opinião, que o PCP está a cair da tripeça e é constituído por idosos... pergunto mais uma vez:
O que raio é que andam a pôr nas bebidas desta “velharada” comunista que vai aos comícios e congressos?!
É que já não vou pra novo... e dava-me um jeitão a receita, c’os diabos!





segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

PCP e Henrique Monteiro – Grande “análise”!!!


Registo e desenvolvo o desabafo do Rui Vasco Silva. O cidadão Henrique Monteiro deve ter (à semelhança de todos os jornalistas cujas “vidas particulares” dependem economicamente dos jornais em que escrevem, sejam do senhor Balsemão, do senhor Belmiro, ou do Xico dos Anzóis...) uma vida muito triste!
Defende no “Expresso” a teoria segundo a qual o facto de uma boa parte dos membros do Comité Central do PCP serem funcionários do partido os transforma numa espécie de “zombies” sem voz, ou opinião, ou iniciativa, com vidas «semelhantes e uniformizadas».
Logo a seguir, como se fosse para atenuar a calúnia, decide dividir o mal pelas aldeias, dizendo que nos outros partidos se passa o mesmo... só que aí, na forma de distribuição de tachos no poder e jobs for the boys.
Ficamos então a saber que, para além da indigência da análise sobre o funcionamento do PCP, Henrique Monteiro valoriza da mesma forma o trabalho denodado e militante, a vida voluntariamente modesta (sem ganhos monetários dignos sequer desse nome) dos funcionários comunistas... e os lacaios que o PS e o PSD vão, ao longo dos anos, cobrindo de dinheiro e mordomias, em empregos o mais das vezes inúteis, dentro da máquina do Estado.
Há já muito tempo que, de vez em quando, tropeço nestas bostas escritas por Henrique Monteiro, na crónica que tem o título provocatório de “Chamem-me o que quiserem”. Ora então não seja por isso... é hoje!

Atrasado mental!!!
(E isto porque hoje estou bastante bem disposto!)

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O Duarte


Viveu 92 anos, entre 1913 e 2005. "Tomou partido" aos 17 anos. Dedicou sete décadas da sua vida inteiramente aos outros, não regateando o esforço, o tempo e a total dedicação a essa tarefa, ainda que isso lhe custasse – e custou! – muitos anos de prisão, muitos meses de isolamento, muitos dias de tortura.
Pelo caminho, teve a arte de nos legar livros teóricos sobre política ou arte, intervenções soltas, centenas de discursos, romances, desenhos...
Alguns milhares de companheiros de sempre e outros amigos mais recentes, decidiram comemorar o centenário do seu nascimento. As iniciativas são as mais variadas e não faltarão, a seu tempo, os anúncios de cada uma delas ao longo de todo o ano. Eu próprio estarei ligado a algumas, se e onde o que sei puder ser útil.
Apesar de ter dedicado toda a sua juventude e depois o resto da vida a lutar pela liberdade, defendendo para o Portugal então esmagado pelo fascismo, uma nova realidade, uma sociedade livre e plural assente num sistema económico em que convivessem o público e o privado, uma sociedade socialmente evoluída apostada na liberdade religiosa, na liberdade de pensamento, na liberdade de costumes, na igualdade de direitos e no pluri-partidarismo como prática política... há quem não consiga enxergar a dimensão da figura humana, para além da divergência ideológica. Apesar, resumindo, de ter sacrificado a sua liberdade pessoal como contribuição para a luta pela liberdade de todos, estou certo de que não faltarão “comentadores” (o caixote do lixo já está ali à espera de alguns) que não hesitarão em usar essa mesma liberdade para aqui tentarem insultá-lo... o que não deixa de ser uma vergonhosa ironia.
Uma ironia que alguns, por não passarem de canalhas, não admitem. Outros que, por puro preconceito, não querem ver. Outros ainda que, apenas por ignorância ou estupidez... não entendem. 

Aparte estes casos particulares, o sentimento geral é de respeito pela dimensão humana, pelo valor artístico, pela importância política e pela coerência de vida deste português.
Um punhado de homens e mulheres, escolhido muito cuidadosamente ainda no tempo em que era um jovem-adulto, conheceu-o como Duarte. Um número bem maior de amigos e outras pessoas interessadas, conheceu-o igualmente e mais tarde, como Manuel Tiago. Para todos os restantes, foi Álvaro Cunhal.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

As “universidades de verão”... e uma escola de vida



Numa tentativa (vã) de acrescentar algum valor à pobreza, previsibilidade e mediocridade dos seus discursos políticos, os partidos do autoproclamado “arco da governabilidade” inventaram as pomposas “universidades de verão”.
É um sucesso mediático! Uns tantos, muito poucos, passe a contradição, encafuam-se numas salas e os “professores” lá vão desfilando, debitando as suas generalidades. O PSD tem a sua. O PS também tem a sua. Para dar um ar de superior elevação intelectual à coisa, “professores” de um lado, vão botar discurso à “universidade” do outro lado. Fica sempre bem...
Infelizmente, aquilo que seria um trunfo, ou seja, a grande cobertura mediática que contratam nos diversos meios de comunicação social, acaba por se virar contra eles, dada a profunda inutilidade, vigarice e chatice que tudo aquilo é... mesmo que aqui ou ali sejam introduzidos assuntos hilariantes, como esta imbecilidade, apresentada por um comprovado imbecil, que são os «mini-jobs». Isto para já não falar do problema que é juntar numa mesma frase, nos dias que correm, as palavras “universidade” e “Relvas”...
Atendendo à velocidade a que estas modas se vulgarizam, tal como as velhas “camisas TV” e as “saias plissadas” dos anos 60, qualquer dia não há quem não tenha a sua “universidade de verão”. Quando a falta de interesse nesta moda começar a fazer abrandar a procura, temo que a tendência seja para aumentar a oferta do "produto"... não faltando muito para que tenhamos “universidades” nas quatro estações, na meia-estação, acabando por haver algumas de manhã, à tarde, à noite... e até ao “lusco-fusco”, aproveitando esse grande nicho de mercado há tempos divulgado pelos “Gato Fedorento”.
Felizmente, alguns dos meus amigos mais antigos não precisam de universidades para a “rentrée”, nem para nada... pois há muito “fundaram” com o seu suor e criatividade (para algum desespero dos demais) essa grande, extraordinária e inimitável “coisa de fim de verão” em que pensam durante o ano inteiro... que é a “Festa do Avante!”
Faço votos de que continuem assim!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Bernardino Soares - Os católicos e os “comunas”


Passam a vida a moralizar-nos quanto à dívida. Que não se deve questionar, nem renegociar, nem coisa nenhuma. Cavaco disse mesmo que não se deve questionar e ofender os mercados. Ferreira Leite, disse que quem empresta o dinheiro é que manda, etc., etc., etc... ao mesmo tempo que nos vão atirando à cara o seu colossal cristianismo.
Num toque de humor duro e corrosivo, o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, resolveu presentear o líder do CDS com a leitura de uma passagem bíblica:
“Se um dos teus irmãos empobrecer, e não satisfizer as suas obrigações para contigo, protegê-lo-ás, mesmo que seja um estrangeiro ou um inquilino, e deixa-o viver contigo. Não receberás dele juros nem lucro algum, mas teme o teu Deus para que o teu irmão viva contigo. Não lhe emprestes o teu dinheiro com juros, nem lhe dês os teus mantimentos para disso tirar proveito.”
(Levítico, 25, 35)
Reconheço que os verdadeiros católicos presentes na Assembleia, não devem ter gostado do que ouviram. Em contrapartida, e pensando nesta entrevista do bispo Torgal, é evidente que quase todos os membros deste governo de fanáticos neoliberais, assim como os capitalistas de quem estão a soldo... são tão católicos como eu sou piloto de testes da NASA.



segunda-feira, 18 de junho de 2012

Manuel Alegre – Mais uma declaração “póstuma”




Manuel Alegre diz que a moção de censura do PCP é mais contra o PS do que contra o governo. Na verdade, o seu Seguro secretário geral também já tinha feito queixinhas da moção, porque vem na “pior altura”, porque a importância da “estabilidade política”, porque o “sentido de estado”... e mais algumas das “violentas” nulidades que costuma produzir.
Este PS de António José Seguro deveria ter vergonha de assumir tão claramente que a política do governo lacaio da troika lhe convém... mas isso seria pedir muito.
Fico preocupado. O facto de o PCP, querendo censurar o PSD/CDS ter, afinal, dirigido a moção “mais ao PS”, deve querer dizer que, muito provavelmente, sempre que apresentou moções de censura a governos do PS, acertou, sem querer, no PSD ou no CDS... uma falta de “pontaria” que ainda pode muito bem acabar numa moção de censura teoricamente contra o PS/PSD/CDS... que acerte inadvertidamente na velha Banda de Quadrazais do velho "senhor Messias"... o que seria uma enorme e injusta tragédia para uma das minhas mais remotas memórias musicais, para o património histórico dos Parodiantes de Lisboa... e para a comédia em geral.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Jerónimo de Sousa – Não à cosmética




«Jerónimo diz que adenda ao tratado é "falsa saída”»... conta-nos o DN. Depois, no texto, reproduz aquilo que são os argumentos dos comunistas portugueses contra a agressão de que estamos a ser vítimas, argumentos que o bom senso aconselharia fossem alargados a sectores maioritários da sociedade, mas que, por enquanto e salvo raras excepções, não têm grande eco fora da área comunista.
Agora é esperar.
Esperar algumas horas, ou mesmo minutos, para que sejam vertidos para a opinião pública os insultos do costume, por parte dos fazedores de opinião oficiais, ou o desprezo daqueles que fazem de conta que não tomaram conhecimento dos argumentos e propostas alternativas... quanto mais não seja, para poderem afirmar que “não há propostas alternativas”.
Esperar uns meses (mesmo que vá faltando a pachorra), até que exactamente alguns dos mesmos “iluminados” do comentário e análise política, comecem a dizer que estas “adendas” não passam de “remendos” e que são uma “falsa saída” para a situação em que estamos... só que, evidentemente, vão dizê-lo com a “convicção” de quem inventou os argumentos e, sobretudo, nunca antes os tinham ouvido na boca de mais ninguém.
Como disse, agora é esperar!


sexta-feira, 23 de março de 2012

João Machado (1921-2012)


“Ceifadores” – João Werner

Hoje, em Montemor-o-Novo, vai a sepultar um homem bom. O nosso amigo João Machado, franzina figura de eterno sorriso e de uma afabilidade e delicadeza tocantes, foi militante do seu partido por quase setenta anos. Era um operário agrícola.

As suas convicções fizeram-no passar cerca de dez anos na prisão, mas divididos por cinco diferentes ocasiões... o que quer dizer que o João Machado regressou, repetida e corajosamente, às actividades e à militância pelas quais ia sendo preso e torturado.

Bastaria conhecer a sua filha para saber que o exemplo de vida do João Machado deu bons frutos. Mesmo assim, em muitas ocasiões em que me cruzei com os seus olhos serenos, não pude deixar, pensando no seu exemplo, na sua história de vida e no enorme fiasco em que se tornou este país... de sentir vergonha pela parte que me toca nesse fiasco.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Álvaro Pereira – Ó Álvaro... andaste com sorte!


Não sei se alguma vez vos tinha confidenciado que gosto muito do Agostinho Lopes. Se não tinha ... digo-o hoje.
Gosto muito do Agostinho Lopes!
         ... e ainda por cima, é um diplomata! Sim... que perante aquele argumento tão canalha quanto estúpido, sobre os “constantes ataques do PCP aos emigrantes”, saído do cérebro infecto do incompetente que faz de ministro da economia, o Agostinho Lopes ter-se ficado por um singelo “não diga asneiras, porra!”, é um belo exercício de calma, presença de espírito... e contenção verbal.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Miguel Sousa Tavares, Cavaco... e o tiro


Aqueles de entre vós que estejam em dia mais pachorrento... ou, pelo contrário, atacados de um forte desejo de autoflagelação, podem ver e ouvir, neste link, o sempre profundo Miguel Sousa Tavares dizendo coisas. Desta vez é em dose familiar. Fala da Madeira, disserta sobre a Justiça, dá uns bitaites sobre o papel dos sindicatos na chamada “concertação social”... não resistindo a tentar enxovalhar a CGTP com as provocações costumeiras...
Não conseguiu prender-me a atenção por aí além... até ter dito, com profundidade (acho que já disse que ele é profundo), que Cavaco Silva «deu um tiro no pé».
Pois... se calhar... mas atendendo às famosas declarações cavacais sobre a “pensão de miséria” e à tão inútil, quanto esfarrapada “explicação” que veio dar dias depois, tudo isto somado ao seu já longo historial de vida coerentemente “anibalesco” e, sobretudo (como muito bem exorta o Sérgio), para a sua vasta e demolidora "obra política"... já que o Miguel Sousa Tavares decidiu falar sobre o tiro no pé, bem podia ter dito em qual dos quatro!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Numa rua de Alcântara *








Faz hoje anos. Foi a dezanove de Dezembro de 1961. A PIDE, mais uma vez, fez o que melhor sabia fazer: matou. Desta vez, foi o José Dias Coelho. Não há muito mais que eu possa dizer sobre Dias Coelho, sobre o miserável regime que o assassinou, ou sobre a força que impelia este nosso amigo (juntamente com tantos e tantos outros) a avançar, mesmo sabendo das ameaças e perigos reais que diariamente enfrentava.
O Zeca dedicou-lhe esta canção, que tenho o privilégio de já ter cantado, muito provavelmente, mais vezes do que o próprio autor. Nunca encontrei uma versão melhor do que a sua!
* Com um enorme abraço para o Sérgio Ribeiro (que talvez passe por aqui), pelas razões que ele e mais uns poucos bem sabem.
“A morte saiu à rua” – José Afonso
(José Afonso)



sábado, 29 de outubro de 2011

Governo Passos/Portas – Suspeitas e certezas




Não nos dessem eles provas, diariamente, de serem um bando de canalhas vendidos aos mercados... e poderíamos ser levados a pensar que estamos a ser governados por dementes. Claro que pode dar-se o caso de se tratar de um bando de canalhas vendidos... e dementes, o que seria uma mistura ainda mais explosiva.
E porquê esta erupção de irritação num dia que até era suposto ser apenas de “preguiça”?
Porque é preciso estar disposto a ultrapassar todos os limites para, depois de declarar que «é preciso diminuir a oferta», o ministro da ruína e do desemprego... que insiste em chamar-se da “economia e emprego”, Álvaro Santos Pereira, considerar (com estudos e tudo!) o encerramento do metropolitano de Lisboa às 11 da noite (duas horas mais cedo) em toda a rede, sendo provável que nalgumas estações essa prestação de serviço vá apenas até às 21 horas.
Claro que, confrontado com esta questão por um deputado comunista, o ministro nada respondeu.
Claro que os “estudiosos” a soldo do ministro, provavelmente esquecer-se-ão de que a troco de umas poupanças no “Metro” (possivelmente acompanhadas de despedimentos), muitas actividades culturais e muitas outras ligadas ao entretenimento noturno, serão estranguladas ou mesmo liquidadas. Para além dos muitos milhares de pessoas que, ou porque não possuem automóvel, ou porque preferem utilizar os transportes públicos, verão a sua mobilidade posta em causa por mais este «absoluto disparate», como bem lhe chama o presidente da Câmara de Lisboa, disparate que vem alimentar a tal suspeita de hipotética demência governativa associada à canalhice comprovada.


Adenda: Numa repetição (já nauseante) da manobra indigente de atirar bolas para o pinhal, anunciando estudos para isto e aquilo, subidas astronómicas de preços, etc., só para ver o efeito, o gabinete de Álvaro Santos Pereira já desmentiu (ou "rementiu"?) qualquer intenção de encerrar o Metro mais cedo... mas que sim senhor, encomendou o estudo. Pelos vistos, só porque sim.
Já não sei o que provoca mais asco. Se os anúncios de novas medidas, propositadamente exagerados; se os “desmentidos” que se seguem, antes de anunciar as novas medidas que se ficam um pouco abaixo dos anúncios propositadamente exagerados; se a culpa que é sempre dos grupos que fazem os estudos; ou se é a falta de respeito por tudo e todos e a vigarice que tudo isto demonstra.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Jerónimo de Sousa e eu – Um almoço de amigos


Desde há uns tempos que tinha combinado um almoço sossegado com Jerónimo de Sousa. Para trocarmos umas impressões, para partilharmos interesses comuns. Tínhamos escolhido a bonita, alentejana e fluviária vila de Mora, como ponto de encontro, tínhamos eleito um leve ensopado de borrego como ementa... e agendado o dia de ontem para o efeito.
Como é sobejamente sabido, Jerónimo de Sousa é uma pessoa que honra a palavra dada e os compromissos... por isso não falhou, aparecendo exatamente à hora combinada. Até aí correu tudo muito calmamente. O “problema” foi terem aparecido no local cerca de 1.500 alentejanos, também para almoçar. Chegaram de todo o lado, com a “desculpa” do 90º aniversário do “Partido”... a sua já antiga abreviatura de Partido Comunista Português. Chegaram com a confiança de que o nosso leve ensopado de borrego iria chegar para todos... e não só chegou, como se manteve magnífico da primeira à última malga.
Como se não bastasse o facto de serem 1.500 e quase todos ruidosos, vieram “armados” com bandeiras, música boa (a cargo da “Banda do Andarilho”, de Setúbal), trouxeram jovens com o nosso futuro nas mãos, trouxeram menos jovens com o nosso passado marcado na pele e na memória, com extraordinárias estórias pessoais e coletivas para contar (sim... num golpe de sorte, acabei por ficar sentado ao lado de António Gervásio, um dos meus heróis).
Até trouxeram bolo de aniversário!
E pronto... o Jerónimo falou, mas para todos... e o almoço acabou por ser diferente... mas muito bom. Deixei feita a minha inscrição para a festa dos 100 anos.

domingo, 6 de março de 2011

Se alguém caía, um outro alevantava o tronco que tombava... e renascias


(José Dias Coelho – “Desenho” 1953)

Noventa anos a fazer pontes entre os saberes e o sentir das fábricas, dos campos e das escolas... e o futuro. Noventa anos a forjar gente capaz de dar o melhor de si por um ideal. Noventa anos a servir de dique, defendendo aqueles que querem avançar, da imensa vaga de interesses que nos empurra para o passado. Noventa anos que calam, com o sobressalto de um punho que se abate sobre a mesa, os sucessivos coveiros que há noventa anos tentam ter razão nos seus anúncios de morte, mas que, para seu violento desespero, não têm. Noventa anos... mais de metade, passados a lutar contra o fascismo: opressão, prisões, morte, obscurantismo, atraso; os restantes, a lutar contra as sementes que o fascismo deixou.

Noventa anos é uma bonita idade! Para os militantes e simpatizantes do PCP aqui fica uma “prenda” domingueira. Para todos os outros leitores... é mais uma bela música. Como não existia nenhum vídeo desta canção... tratei de fazer um, apenas uma colagem de fotografias sobre esta grande cantiga do Zeca, uma daquelas que poucos conhecem... ou de que vagamente se lembram. Uma espécie de homenagem e alerta... de alimento para o caminho. Tanto caminho!

Parabéns...  e bom domingo!

Tinha uma sala mal iluminada
(José Afonso, do álbum “Enquanto há força” – 1978)

Tinha uma sala mal iluminada

Perguntavas pelo amigo e estava a monte

A fuga era a última cartada

pide estava ali mesmo defronte



Às vezes uma dúvida rondava

Valia ou não a pena o que fazias?

Se alguém caía um outro alevantava

O tronco que tombava e renascias



A velha história ainda mal começa

Agora está voltando ao que era dantes

Mas se há um camarada à tua espera

Não faltes ao encontro sê constante


Há sempre quem se prante à tua mesa

Armado em conselheiro ou penitente

A luta agora está de novo acesa

E o caminho é só um é sempre em frente



Perdeste a treino falta-te a paciência

Ouviste antes do tempo mil fanfarras

Já os soldados fazem continência

Ao som do choradinho e das guitarras



A velha história ainda mal começa

Agora esta voltando ao que era dantes

Mas se há um camarada à tua espera

Não faltes ao encontro sê constante.

“Tinha uma sala mal iluminada” – José Afonso
(José Afonso)




sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Francisco Louçã – Veem... veem o que os comunistas me obrigaram a fazer?!!!


Sobre a real possibilidade do derrube deste governo miserável e do seu execrável primeiro-ministro, que ontem, no decorrer do debate no Parlamento, demonstrou que qualquer convicção de que a sua capacidade de abjeção possa esgotar-se... é sempre muito optimista, acho que já mostrei qual é o meu sentimento: seja quando for o dia em que caia, já vai tarde!
Contribuir para o derrube deste governo e ir para eleições, fazendo tudo o que estiver ao nosso alcance para conseguir um novo conserto de vontades, que possa forçar uma ruptura com as políticas de direita que temos vindo a sofrer, é o busílis da questão.
Cá estaremos, como sempre, para dar um contributo, com propostas, disponibilidade, confiança, mobilização.
À velocidade a que o tempo político está a correr em Portugal, na Europa e no mundo, os trinta dias que nos separam do dia 10 de Março e da Moção de Censura do Bloco de Esquerda ao governo de Sócrates, são uma eternidade em que tudo pode acontecer.
Sócrates pode cair ainda antes e por mais do que um motivo; Passos Coelho pode borregar e não ter “tintins” para assumir o poder na presente situação económica... o que esvazia a possibilidade de a Moção (qualquer moção) ter êxito... ou “efeito prático” para usar o termo com que Louçã tentou desvalorizar a simples hipótese de uma Moção de Censura a apresentar pelos comunistas; Louçã pode, entretanto, fazer um acordo de poder com o PS e Sócrates, “patrocinado” ou não pela recente associação na candidatura de Alegre, com o objectivo de, obviamente e em primeiro lugar, chegar ao poder, mas também de constituir a tal famosa “esquerda grande”... mas excluindo o PCP, o que será, como tem sido sempre, o seu papel... e música para os “socialistas” ouvidos deste PS.
Mas teve graça! Louçã teve graça. Para quem ainda há tão poucos dias não via o interesse de uma moção de censura e temia até, que ela “favorecesse a direita”... mudou rapidamente de roupa. Decididamente, não suportou mais a vil tristeza que pairava lá pela casa desde a noite eleitoral de dia 23 de Janeiro e a falta dos habituais holofotes, que assim, rapidamente e longamente, voltaram a iluminar a razão da sua existência. Mas teve graça!
Seja como for, nem a luta política, nem a vida real dos portugueses, nem sequer as moções de censura, são uma prova de atletismo... e muito menos manobrismo à “francisco-esperto”.
Adenda: Tudo isto... para dizer que se fosse deputado e enquanto independente, o mais certo, depois de análise atenta, seria votar favoravelmente a Moção... se lá chegarmos.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Belmiro de Azevedo e o seu órgão central






Vamos colocar a coisa do seguinte modo: imagine a minha cara leitora e/ou leitor que, por pagamento de uma qualquer atividade regular, tem uma avença mensal de quinhentos euros com a Autarquia da sua terra. Imagine ainda que, durante o mês passado teve duas despesas extraordinárias, porque convidou uns amigos para jantar e teve que pagar uma multa de estacionamento. Imagine agora que, porque pagou essas despesas extraordinárias com o dinheiro que recebe da sua avença, alguém da sua terra começa a espalhar o boato de que é a Câmara Municipal que lhe anda a pagar as comezainas com os amigos e até as multas de trânsito. Imagine que esse boateiro, para além de saber que você recebe mensalmente tanto ou mais dinheiro por pagamento de outras coisas que faz profissionalmente para outras entidades, do que aquilo que recebe pela tal avença com a autarquia... mas mesmo assim acrescenta no seu boato a “informação” inventada de que você exige que a autarquia junte aos quinhentos euros o valor da multa e do jantar com os amigos, no próximo pagamento.
Perante este quadro, quem acreditar que o boateiro não sabe do que está a falar... acha apenas que é um imbecil. Quem souber que ele sabe muito bem que tudo o que disse é uma distorção da verdade, numa mínima percentagem, e pura mentira em tudo o resto... então não pode deixar de o considerar um canalha.
E assim chegamos à manchete do jornal “Público” que espalhou precisamente o “boato” de que os partidos somam as coimas que hipoteticamente tenham num ano à subvenção a que têm legalmente direito no ano seguinte, ficando assim as coimas vazias de significado. Diga-se em abono da verdade que o “Público” esteve longe de estar sozinho nesta “cruzada” (RTP, SIC, A Bola, Sol, etc., etc., etc., até à náusea...) e que o carregar nas cores em relação ao caso particular do PCP, apenas mostra que na generalidade, os média cumprem o seu "dever" e qual o carácter da verdadeira campanha que está por detrás destas “notícias”.
Não querendo acreditar que um jornal como o “Público” divulgue textos sem se dar ao trabalho de saber pelo menos alguma coisa sobre aquilo que publica... tenho de pensar que o jornal conhece a verdade, tal como vem aqui muito bem explicada (e AQUI contada e brilhantemente comentada), mas que opta por mentir e espalhar o boato que melhor serve os seus intentos... que nada têm que ver com jornalismo.
É lamentável ver um jornal com as pretensões do “Público” da “SONAE/Continente” ser menos credível do que o “Dica da Semana” do “Lidl”... mesmo que, pensando bem, ambos não passem de boletins de propaganda de duas mercearias hipertrofiadas.


Adenda: também é de ler o que a propósito se diz aqui e aqui... e certamente em mais blogs feitos por gente decente...