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quarta-feira, 24 de abril de 2013

Eufemismos


Quantos mais eufemismos, como “produtos de risco”, teremos que suportar, no lugar da verdadeira designação deste fenómeno dos “SWAP”?
Na minha opinião ficaria tudo mais claro se lhe chamássemos:
Roubo
Pouca vergonha
Capitalismo de casino
Jogo na “dona branca”
... ou então, em alternativa, ser explicado a preceito, como fez o deputado Bruno Dias neste vídeo.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Nazis - Chamar os nomes aos bois...


Contra mim falo, que não poucas vezes me excedo nos adjectivos... mas uma pequena troca de opiniões na caixa de comentários, a propósito do apodo de “nazis” dirigido aos dois Antónios, Costa e Seguro, obrigou-me a reeditar a minha opinião sobre o assunto. A saber:
Se gastarmos os “fascistas”, os “nazis”, etc., etc., com aqueles que traíram a Revolução, uns por medo, outros por interesse, outros por anticomunismo primário, outros por simples indigência política... como foi e é o caso de alguns dos “socialistas” que tanto irritam outros tantos comunistas e seus próximos... e isto não deixando de fora os actuais governantes, esses sim, com uma pratica eivada de tiques fascizantes inequívocos, ainda que muitos deles não estejam a trair coisa nenhuma, já que nunca estiveram com Abril, não passando de vulgares ladrões que estão simplesmente a defender e aumentar os seus patrimónios e os dos seus amigos... se gastarmos os “fascistas” e os “nazis” com estes, como ia dizendo... o que restará para chamar aos nazis e fascistas?
A propósito dos nazis da "Aurora Dourada”, que a crise grega “deu à luz” e que todos os dias vão crescendo e fazendo questão de mostrar, em acções, a podridão e o racismo assassino que carregam no seu porco “ADN”, espero que a nossa crise nacional não venha igualmente a gerar o crescimento dos seus congéneres portugueses... pois a dar-se o caso, ficaríamos reduzidos a chamar-lhes nomes como:
Malandrins, marotos, ah seus safados!, inconvenientes, arreliadores... ... ...
É no que dá vulgarizar os nomes e os horrores que são exclusivos do nazismo e do fascismo!!!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Jerónimo de Sousa – Não à cosmética




«Jerónimo diz que adenda ao tratado é "falsa saída”»... conta-nos o DN. Depois, no texto, reproduz aquilo que são os argumentos dos comunistas portugueses contra a agressão de que estamos a ser vítimas, argumentos que o bom senso aconselharia fossem alargados a sectores maioritários da sociedade, mas que, por enquanto e salvo raras excepções, não têm grande eco fora da área comunista.
Agora é esperar.
Esperar algumas horas, ou mesmo minutos, para que sejam vertidos para a opinião pública os insultos do costume, por parte dos fazedores de opinião oficiais, ou o desprezo daqueles que fazem de conta que não tomaram conhecimento dos argumentos e propostas alternativas... quanto mais não seja, para poderem afirmar que “não há propostas alternativas”.
Esperar uns meses (mesmo que vá faltando a pachorra), até que exactamente alguns dos mesmos “iluminados” do comentário e análise política, comecem a dizer que estas “adendas” não passam de “remendos” e que são uma “falsa saída” para a situação em que estamos... só que, evidentemente, vão dizê-lo com a “convicção” de quem inventou os argumentos e, sobretudo, nunca antes os tinham ouvido na boca de mais ninguém.
Como disse, agora é esperar!


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Álvaro Pereira – Ó Álvaro... andaste com sorte!


Não sei se alguma vez vos tinha confidenciado que gosto muito do Agostinho Lopes. Se não tinha ... digo-o hoje.
Gosto muito do Agostinho Lopes!
         ... e ainda por cima, é um diplomata! Sim... que perante aquele argumento tão canalha quanto estúpido, sobre os “constantes ataques do PCP aos emigrantes”, saído do cérebro infecto do incompetente que faz de ministro da economia, o Agostinho Lopes ter-se ficado por um singelo “não diga asneiras, porra!”, é um belo exercício de calma, presença de espírito... e contenção verbal.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Não podemos...


Não podemos apertar o cinto e baixar as calças ao mesmo tempo!
Não faço ideia de onde é que o Sílvio Rodriguez (sim, o das cantigas) foi desencantar esta fotografia de um cartaz que alguém empunhou algures... mas a mensagem não podia ser mais certeira e actual.
Já que surripiei a imagem ao Sílvio, um dos grandes da Nova Trova de Cuba, fica-me bem dizer que a encontrei aqui, no seu blog, “Segunda cita”.
É um blog pessoal, que retrata bem a popularidade de que goza o cantautor cubano, quanto mais não seja, pelo volume de comentários que cada um dos seus textos suscita, quase sempre na ordem das centenas.
É um blog que, tal como o seu autor, está com a Revolução, tendo deixado bem claro que ali não se dá guarida a propaganda contra essa mesma Revolução.
Isso não impede que, muitas vezes, tanto nos próprios textos escritos ou selecionados pelo dono do blog, como nos comentários que ali chegam de toda a América Latina, Espanha, etc., se encontrem opiniões que dão lugar a debates em que se questiona este ou aquele aspecto da política, sobretudo da prática política, levada a cabo em Cuba, seja no campo cultural, seja onde for.
O que quer dizer, para quem quiser ver, que para ter, em Cuba, livremente, um blog que coloque dúvidas, questione políticas concretas, apresente soluções alternativas, dê ideias... não é preciso ser-se financiado pela CIA, ou pelos narcotraficantes cubanos de Miami, como a famosa bloguer e feroz anti-revolucionária Yoani Sanchez.
Adenda: Não vale a pena vir comentar que eu estou do lado de tudo o que venha de Cuba, de Fidel e companhia. É uma perda de tempo e não é verdade. Não “simpatizo” com algumas das realidades da vida cubana... independentemente da discussão sobre a quem cabe a responsabilidade da sua existência.
Só que os reparos que eu possa ter, não me impedem (para utilizar a imagem usada pelo embaixador de Cuba em Portugal, quando lhe perguntaram se há indignados em Cuba) de também pertencer aos “indignados” cubanos, que são aos milhões. Como eles, estou indignado com décadas de criminoso bloqueio dos EUA, indignado com as tremendas dificuldades e privações de toda a ordem impostas àquele povo magnífico, indignado com a prisão injusta dos “Cinco de Cuba”, indignado com a insultuosa presença do crime continuado na base de Guantánamo...
Como não ficar indignado?

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Almada – A beleza das coisas simples



Passados já uns dias sobre o 1º de Maio e sobre a selvagem ofensiva contra esta data celebrada e acarinhada pelos trabalhadores de praticamente todo o mundo, protagonizada por alguns mega-merceeiros da nossa praça... ando ainda a matutar no assunto.
Começando pelo fim, fica claro que esta ofensiva contra o 1º de Maio nada tem de económica, sendo exclusivamente política. Não passa de um abjecto aproveitamento do momento de “crise” para atacar mais um direito dos trabalhadores. Um símbolo de décadas e décadas de lutas e conquistas, que sempre concentrou o ódio dos patrões.
Continuando com uma “memória” pessoal, de carácter “histórico”, lembro que os anos da minha juventude, os anos 50, 60 e 70 do Século XX, ficaram marcados por toda a sorte de faltas, dificuldades, medos, angustias e privações. Que eu me lembre, nenhuma delas se devia ao facto de não haver lojas abertas aos domingos e feriados!
Seguindo para uma consideração económica, diria que os únicos que ganharam alguma coisa com estas "modernidades", assim como com a desmesurada dimensão das lojas, horários e oferta de produtos, foram os patrões, ao convencerem famílias inteiras a fazer dessas "mercearias hipertrofiadas" locais de passeio de fim de semana, onde acabam por gastar aquilo que não podem em compras de muitos artigos de que não precisam.
Chegando, finalmente, ao ataque ao 1º de Maio de 2011, quero destacar três dos mega-merceeiros e as “nuances” das suas “justificações”.
1. Sonae, Continente – Belmiro de Azevedo
Este não precisa de dizer rigorosamente nada. Basta que se mexa... para ficarmos a saber que está dizer ou a fazer uma qualquer canalhice... mas, na verdade, algumas lojas não estiveram abertas.
2. Leclerc – Não faço ideia de quem manda naquilo
Aqui, produziram uma “genial” frase publicitária para anunciar a sua abertura no 1º de Maio: «Vamos estar abertos no dia 1 de Maio, dia da mãe!». É efetivamente uma bela frase publicitária que remete imediatamente para a “mãe” do filho da dita que a escreveu. Também aqui, só algumas lojas abriram.
2. Pingo Doce – Alexandre Soares dos Santos
Este escroque foi mais requintado. Defendeu que o problema está na difícil situação do país. Apelou para o «direito ao trabalho». Segundo o fala-barato, sempre pronto a mostrar-se muito preocupado com Portugal e os portugueses, a situação não está para «irresponsabilidades» e o que «é preciso é trabalhar».
Nesse sentido, para convencer os “colaboradores” a irem trabalhar no 1º de Maio, ofereceu-lhes um dia de folga para gozarem noutra altura... o que anula o “ganho” do dia de trabalho no feriado. Ainda lhes ofereceu um pagamento de cerca de 200% do valor normal das suas horas de trabalho... o que faz cair por terra a tese da poupança e da produtividade.
Para além de tudo isto me ter lembrado o “Operário em construção” de Vinícius de Morais (Portantotudo o que vês 
/ Será teu se me adorares 
/ E, ainda mais, se abandonares 
/ O que te faz dizer não), termino com a notícia que inspirou o título desta já longa "conversa", a beleza das coisas simples.
Enquanto uns e outros discutem se esta ofensiva (como as anteriores) é mais política, mais económica, mais neoliberal, mais fascistóide... a Assembleia Municipal da cidade de Almada, soberanamente, tomava a decisão de passar a encerrar as grandes superfícies comerciais aos domingos e feriados à tarde.
Nem tudo em Almada e arredores será de uma beleza estarrecedora...  mas esta decisão foi!!!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Conversas de café



Para quê conquistar mercados para os produtos

que os operários fabricam?

Os operários

ficariam com eles de bom grado.
(Bertold Brecht in “Cartilha de Guerra alemã”)

Este micro-poema de Brecht, surripiado ao “Cravo de Abril”, seria mais do que suficiente para definir todo um programa de economia política... e explicar melhor do que eu, os pontos de vista que defendia numa recente conversa de café. Mesmo assim, pelo prazer da coisa, lá fui dizendo de minha justiça...

Depois de chamar a atenção do meu parceiro de conversa para o facto, cada vez mais evidente, de esta grande “vitória orçamental” de Sócrates assentar numa confusa aldrabice, em que números sobem e descem ao sabor das interpretações, sendo que aquilo que é certo, é a triste verdade de, a existir a tal queda do défice, isso ser conseguido unicamente à custa do sofrimento de velhos, doentes, crianças sem abono de família, desemprego, aumentos de impostos e, claro, o roubo dos salários (o que eles detestam ouvir isto!)... esse amigo, questionando a minha afirmação de que os salários baixos são maus para aqueles que os ganham, mas igualmente nocivos para a economia nacional, ao passo que os salários milionários de alguns, se são doces para esses, são perfeitamente inúteis para essa mesma economia nacional, mais por “provocação” para forçar resposta, do que por convicção, atirou-me:

- Mas não achas que se os ricos tiverem muito dinheiro isso também é bom para o comércio e para o Fisco...

- Não! Quanto ao Fisco, basta ler as notícias sobre os impostos pagos pela banca e sobre os milhões que correm em negócios feitos em “offshores”, para estarmos conversados. Sobre o dinheiro que injetariam na economia nacional, isso não passa de uma ilusão. Um trabalhador que ganhe o ordenado mínimo, um jovem licenciado da geração dos 500 euros, ou mesmo trabalhadores que ganhem mil euros por mês, “aplicam” esse dinheiro na sua totalidade, em comida, em medicamentos, em material didático para os filhos, em pagamento de transportes para ir para o trabalho... e estes são milhões. Já aos milhares de ricos, ou às centenas de muito ricos, depois de satisfazerem as suas necessidades básicas, ainda que mais caras, sobram-lhes milhares de milhões de euros inúteis.

Enquanto os primeiros alimentam a cadeia de pequeno comércio local e a produção nacional (a pouca que resta) com a totalidade do seu dinheiro, os segundos, depois de saciados, se tiverem alguma espécie de compulsão por gastar dinheiro por vício ou exibicionismo, acabam a alimentar a economia alemã, comprando os seus extraordinários carros, a economia suíça, com a tara dos relógios de muitos milhares de euros, a economia francesa, com o luxo milionário dos seus perfumes personalizados, investem milhões em “produtos financeiros” não produtivos... ou seja, tal como o seu dinheiro, são uns inúteis.

Depois de me ter arrancado aquilo que, afinal, queria ouvir, o meu parceiro de café perguntou-me, sorrindo, se nestas conversas e “lá no Cantigueiro”... eu não me sentia, de vez em quando, a atirar pérolas a porcos.

- Não! Primeiro, porque a maior parte dos meus leitores é gente amiga; segundo, porque mesmo pensando em todos os outros... vale sempre a pena dizer aquilo em que se acredita.
Não. Sinto que estou a atirar pérolas a porcos, sim, quando pago os impostos... e isso, por ver tantas vezes que essas “pérolas” que atiro, mesmo poucas, em vez de serem usadas para o que deviam, passam por mim na rua, depois, transformadas em grandes carrões; agridem-me, transformadas em ostensivas mansões... isto quando “eles” não têm mesmo o desplante de se passearem com elas enroladas ao pescoço.