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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Ponte 25 de Abril – Desolação...


Não... esta “desolação” não tem nada que ver com o facto de a manifestação do próximo sábado ter mudado de lugar, por a CGTP não se ter deixado enredar na provocação que estava já programada e montada (ninguém me convencerá do contrário!) para transformar a marcha sobre a ponte numa coisa que se viraria contra os trabalhadores... se não fosse mesmo numa tragédia.
Também não é – não pode ser! – desolação para os manifestantes que estão a pensar comparecer nas grandes acções de protesto convocadas pela central sindical.
Primeiro, porque a manifestação continua convocada e, se possível, com ainda mais razões para mobilizar milhares de mulheres e homens, seja pela ilegalidade arrogante e provocatória da proibição, seja pela enormidade do agravamento da austeridade que aí vem.
Segundo, porque a alteração de um elemento do itinerário de uma manifestação de massas, não pode ser só por si desoladora, por mais simbólico que esse itinerário seja... já que uma manifestação desta natureza não é uma festarola nem um divertimento.
Mas há, certamente, muitos que estão desolados. Só para apontar alguns...
1. Aqueles que já estavam “contratados” para infiltrar a manifestação, sobre a ponte, e aí provocar sabe-se lá que acontecimentos... sabe-se lá de que gravidade.
2. O Governo e este ministro que não me custa nada imaginar de comprida gabardine de cabedal preto e botas de cano alto, a sair de um velho “Citroen V12” (mais os restantes adereços). "Vamos ser clarinhos!"... para usar as palavras do ministro. Este Miguel Macedo é uma bela imitação de fascista! Quanto mais não seja pelo desejo de vingança da humilhação que o povo lhes infligiu nas autárquicas. Quanto mais não seja para instalarem o medo, sabendo das grandes lutas, manifestações e greves que terão de suportar nos meses que lhes restam. Quanto mais não seja por estarem sedentos de algum sangue e quererem juntar ao seu currículo autoritário e fascistóide um massacre de pessoas desarmadas, durante uma manifestação. Talvez balear umas tantas. Talvez deixar algumas destroçadas para o resto da vida e em cadeira de rodas, como fez o seu antecessor Dias Loureiro a um jovem de Almada, numa manifestação contra um governo do PSD, há uns anos, exactamente na Ponte 25 de Abril.
3. Os hiper-mega-super-revolucionários do costume, sempre com a “revolução”... na ponta da língua. Sempre com a “revolução à la minute” pronta e para já... levada à cena nos sofás e nas caixas de comentários dos blogues e jornais.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Greve – O ministro e os moluscos



O miserável acanalhado que, por estes dias, ocupa o lugar de ministro da Educação, afinal sempre tinha outra data para os exames!
O miserável acanalhado que, por estes dias, ocupa o lugar de ministro da Educação, ressabiado com o resultado da greve, que esperaria um fracasso, à força da porca demagogia e mentiras que foi bolçando diariamente até à última hora, não resistiu à insolência de saudar os (poucos) que traíram os seus colegas (camaradas é outra coisa!) de profissão.
O miserável acanalhado que, por estes dias, ocupa o lugar de ministro da Educação, não resistiu à tentação de aumentar ainda mais a área de “terra queimada”... vindo, publicamente, insultar os professores que fizeram greve, ao classificar, por contraste, aqueles que furaram a greve, como “profissionais dedicados”.
Nuno Crato, que chegou a ser uma “esperança” para uns poucos, não consegue disfarçar o ódio que tem aos professores e à escola pública. Não consegue disfarçar o monumental fiasco que é a sua passagem pelo Ministério.
Mas, já que estamos em maré de saudações... também eu quero “saudar” os moluscos que furaram a greve, nalguns casos gente que nem sequer estava convocada e se deslocou propositadamente às escolas para trair a luta dos seus colegas de profissão.
Se algum destes moluscos vier, num futuro próximo, a recusar qualquer benefício conseguido pela luta e firmeza dos sindicatos, que resultem num recuo da parte do governo, preferindo alombar com o aumento de horário, cortes nos salários, deslocações de centenas de quilómetros para trabalhar, despedimentos, etc., etc... então cá estarei para aplaudir.
Se algum destes moluscos vier, num futuro próximo, recusar qualquer benefício conquistado pela luta e firmeza dos sindicatos, declarando publicamente que só devem ser contemplados aqueles que lutaram... então cá estarei para, também eu os saudar, mas dessa vez sem aspas, com o compromisso de retirar o “moluscos” com que hoje os baptizo e com um muito admirado respeito pela sua opção e coerência!

Ouça-se a gravação! – Antes que algum serviço do ministério a apague por acidente...


Não posso jurar qual das versões é verdadeira. Não estive na reunião em que, segundo Poiares Maduro, os sindicatos inviabilizaram uma nova data para exame proposta pelo governo... mas em que, segundo Mário Nogueira, o governo nunca fez tal proposta. Alguém mente!
O facto de Mário Nogueira, com tanta convicção, exigir a divulgação da gravação da reunião a fim de demonstrar a mentira do governo, leva-me a acreditar nele e na versão da “Fenprof”. Por várias razões:
1. Como já disse, pela convicção que leva Mário Nogueira a não ter medo de ver as gravações divulgadas.
2. Por achar, há muito tempo, que Mário Nogueira é um homem honesto.
3. Por não conhecer Poiares Maduro de parte nenhuma, só o podendo avaliar pelo facto de ser um “académico” que se rege por uma cartilha que o tornou convidável para integrar este governo de delinquentes “afascistados”.
A ser verdade que Poiares Maduro mentiu descaradamente sobre uma “narrativa” previamente gravada e que pode, se divulgada, desmenti-lo liminarmente... então aquele ar agarotado que ostenta por fora, corresponde igualmente ao conteúdo. Poiares Maduro não passará de mais um “garoto” que mente de forma irresponsável para se safar de uma alhada.
Mais, se realmente o ministro for desmentido pela gravação, para além de um “garoto” mentiroso, é também um “garoto” ignorante, pois devia saber que a reunião estava a ser gravada... e bastante estúpido, pois devia saber que não fica bem no currículo ser apanhado a “contrariar” uma gravação*.
Como disse a abrir, não posso jurar qual das versões é verdadeira. Não estive na reunião... mas o meu coração inclina-se ostensivamente para a versão do Mário Nogueira.
Para todos aqueles que disserem que, com esta posição, não estou a ser equidistante, que estou a ser preconceituoso, que estou a tomar partido por um dos lados... só tenho uma resposta: têm razão!
*A menos que, antes da divulgação da gravação, uns “técnicos” do ministério da ciência e tecnologia... consigam transformar o que lá está. Garanto-vos que, nos dias que correm, é das coisas mais corriqueiras de conseguir.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Um passo de cada vez...


Ainda sobre a manifestação, entre as dezenas e dezenas de posições que se tomaram e tomarão sobre a manifestação e, sobretudo, sobre a repetida pergunta sobre “o que muda com ela”, ou, no limite,“para que serve”... continua ser importante dizer, repetir, repetir sempre, que o que muda – ou deve mudar! - é a atitude de passividade de milhões de cidadãos, logo, serve exactamente para isso. Para o abrir de portas, para o encontro de vontades, para a mobilização do esforço, para a multiplicação das forças.
Entre as dezenas de posições, como dizia, destaco duas, quase nos extremos.
Uma, já verdadeiramente clássica, é a posição dos “entusiasmados de um dia” que, no dia seguinte e perante a constatação de que o governo afinal não caiu... caem eles na mais acabrunhada melancolia, repetindo como um mantra, “isto não serve para nada, isto não adianta...”
A outra, que apanhei numa troca de comentários no Facebook, representa uma certa corja de “apoiantes” do governo. Dizia, mais palavra menos palavra: “Os organizadores da manifestação têm que se compenetrar de que o país tem dez milhões de habitantes. Ora, mesmo que consigam juntar 500.000 manifestantes, isso representa 5% dos portugueses... o que quer dizer que há 95% de portugueses que apoiam as medidas do governo e sabem que elas são necessárias.”
Sobre os primeiros... desejo apenas que a experiência, que mais conversas com amigos e amigas mais experientes e, sobretudo, organizados e mais informados politicamente, os ajudem a descobrir que as coisas verdadeiramente decisivas para a construção da malha da mudança, são aquelas pequenas coisas que vamos tecendo pouco a pouco, todos os dias do ano.
Quanto ao segundo caso, dando de barato o grande falhanço quanto às previsões de manifestantes, o argumento é apenas repelente, tal a desonestidade delirante da “lógica” em que se baseia, nem merecendo, por isso, uma resposta ou comentário.
É por isso mesmo que considero de leitura mais do que aconselhada, este texto do Miguel Tiago, publicado na quinta-feira passada no blog “Kontra Korrente”.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

2013 – Dar forma ao sonho...


Aí está um novo ano. Um ano que uma quadrilha internacional com sucursal na sede do Governo português, se encarregou de amputar na qualidade de vida, na justiça, na liberdade.
Apesar disso e sobretudo por isso, todos temos o direito (e a obrigação) de sonhar! De sonhar activamente!
Todos temos o direito a sonhar com o nosso “novelo de lã” para brincar... para além de tantas outras coisas que sabemos... tão necessárias, tão urgentes e igualmente importantes.
Todos temos o direito (e a obrigação) de pôr as unhas de fora para defender e agarrar o nosso sonho... se tal for necessário.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Último dia do ano I – Que não se repita!


Último dia do ano. Ano, miserável, não por culpa própria, que o tempo é apenas aquilo que dele se faz, mas por obra do bando de celerados que, à força de mentiras descaradas, se instalou no poder ao serviço de uma bem mais vasta quadrilha internacional que os comanda com o rigor com que se manipulam as marionetas.
Quem gosta de festejar a passagem do ano... porque passa... festeje pois!
Apenas duas observações:
1. Não “festejem” em demasia... pois é fundamental entrar em 2013 com os pés bem firmes no chão.
2. Não fiquem doentes... para não “contrariarem” o imbecil do secretariozeco da “saúde”. Isto porque, francamente, não sei se aquele discurso meio fascista não é uma espécie de preparação de futuros “castigos”, na forma de não comparticipação do Estado, por exemplo, para os “malandrins” dos cidadãos que contraiam doenças, ou sofram acidentes que uma qualquer comissão composta por canalhas do mesmo calibre do secretariozeco considere evitáveis... logo, culpa dos doentes.
Até para o ano! (Se não voltarem logo à tarde)

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

TAP – A luta continua...


Claro que, tal como diz aqui Bruno Dias, deputado do PCP, o cancelamento da privatização/oferta da TAP é uma vitória... ainda que seja apenas uma vitória pontual numa guerra que não vai terminar aqui.
Triste governo este... que mesmo quando é forçado a fazer uma coisa certa, fá-lo pelas razões erradas, não assumindo que, pura e simplesmente, estava equivocado.
Antes pelo contrário, fá-lo garantindo de imediato que, na primeira oportunidade, insistirá no erro criminoso de privatizar a Transportadora Aérea Portuguesa, contra os interesses de Portugal e dos portugueses.


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

CGTP - Parabéns!


Hoje faz anos a CGTP. São já 42 anos a dar voz, sentido e força às lutas e anseios de muitos milhares de trabalhadores. Como sei que muitos amigos ligados à CGTP e aos seus numerosos sindicatos sabem que o riso pode ser uma arma, aqui fica um post acompanhado de um abraço e um sorriso:
Para responder à altura ao evento “cometido” no passado dia 29 pela “comunagem” da CGTP, Miguel Relvas está já a organizar aquilo que se pretende venha a ser uma colorida, entusiástica, vasta e inequívoca manifestação de apoio... a Coelho.

sábado, 29 de setembro de 2012

Manifestação nacional – Um rescaldo...


Sim, estive na manifestação nacional organizada pela CGTP!
Não farei grandes comentários e nem por um momento, que seja, entrarei em qualquer guerra de números. Deixarei apenas alguns simples apontamentos:
1. Estava sensivelmente mais gente nesta manifestação organizada pela CGTP, do que a que aquela que se vê nesta fotografia do Terreiro do Paço. Pronto, vá... bastante mais!
2. Não dei pela falta do senhor João Proença.
3. Quem acha que a estas coisas só vão velhos... devia rapidamente consultar um oftalmologista.
4. Quem acha que quando se viu uma manifestação, viram-se todas... engana-se! Eu, que já levo umas tantas no activo, tive hoje uma estreia absoluta. Ao sair da estação do Metro “Baixa-Chiado” e ao entrar no caudal do "rio" que descia a Rua Áurea, fiz todo o caminho até ao Terreiro do Paço lado a lado com várias centenas, direi mesmo muitas centenas de agentes da PSP e de militares da GNR que, de forma organizada e perfeitamente identificados por inúmeros cartazes e bandeiras, participavam na manifestação. Gritavam a plenos pulmões “O povo unido jamais será vencido!”. Mais abaixo, passaram para um claro “Sempre ao lado do povo!”. A seguir, alto e bom som, “Juntos venceremos!”... para voltarem ao “O povo unido... ...”.
5. Manifestantes e simples espectadores ou turistas que ocupavam os passeios enquanto o “rio” deslizava intensamente, batiam palmas e tiravam milhares de fotografias. Mesmo ao pé de mim, um polícia de serviço, por três ou quatro vezes, ao ver passar alguns dos seus camaradas que reconheceu, usou o apito para os fazer voltar a cabeça na sua direcção... e verem o seu sorriso rasgado e o polegar bem esticado para cima.
Como disse, há sempre uma primeira vez para tudo! Ah... e se alguém se tiver “esticado” nos comentários ao Governo, a Passos Coelho e aos seus ministros, ou à Troika... fez muitíssimo bem!!!

CGTP – Manifestação nacional


Soube, entretanto, com algum desgosto, que não encontrarei por lá esse imenso sindicalista que dá pelo nome de João Proença. Diz ele que não vai «porque não foi convidado e porque não concorda».
Compreendo perfeitamente. Já me tem acontecido várias vezes. Por exemplo... hoje não vou atravessar o Tejo para chegar a Lisboa andando sobre um arame, em vez de ir pela ponteexactamente porque não fui convidado a fazê-lo... e, claro, porque não concordo.
Até logo!



quinta-feira, 28 de junho de 2012

Força Portugal!!!


Força Portugal... que bem precisas dela! Agora que acabou mais uma distração patrioteira e podem (e devem!), finalmente, voltar às primeira páginas as coisas realmente importantes.
Acorda! Ataca! Vai-te às canelas daqueles que andam a rasteirar-te e a roubar-te há tantos anos. Organiza-te!
O que está em jogo é o teu futuro e o dos teus filhos!
Força, Portugal!

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Retrato


Este é o retrato nítido e triste de um país agredido por trinta e sete anos de contra-revolução. De sucessivos governos vendidos ao capital sem pátria. Um país destroçado por esses verdadeiros furúnculos históricos sem projecto, nem futuro, nem honra que foram o "soarismo", o “cavaquismo” e o “socretismo”, mais as fraudes "menores" que os antecederam ou que se enfiaram de permeio. Um drama ainda agravado pelo fanatismo neoliberal do bando de cangalheiros que agora tomou o poder.
É o retrato trágico de um país que definha e morre aos poucos. De um povo que desiste de se reproduzir, que seca, que se corrompe, que desiste, que se aliena... ou que vai embora.
Um país onde apenas uma minoria não se conforma e resiste... mas que queima nessa resistência uma boa parte da energia de que necessitaria para crescer... em número, em força, em confiança.

domingo, 6 de maio de 2012

Se há que calar... não calemos!


É uma prática tão antiga quanto as constipações. Quando se quer brilhar e não se tem uma ideia original para o fazer... “aproveita-se” uma ideia de alguém e, na pior das hipóteses, faz-se crer que foi nossa.
Felizmente não tenho lata para tanto (hoje, pelo menos). Numa recente visita ao “O Castendo do António Vilarigues, vi um link para esta canção dos chilenos Inti Illimani... e logo ali decidi surripiar-lha.
Tenho como atenuante a verdadeira paixão pela música chilena de intervenção que faziam - e fazem – os Inti Illimani e os Quilapayun, a que fazia o Víctor Jara... e tantos outros. Cantei essas canções até à exaustão... de quem me ouviu, suponho, já que até hoje não me cansei ainda de as ouvir e cantar.
A canção de hoje, La segunda independencia, é uma das mais luminosas faixas do extraordinário disco de 1973, “Viva Chile”. É uma canção dedicada a todos os países “de Centro América y Sur que ousam bater o pé aos vizinhos do norte... e bem sabemos como isso continua a ser tão necessário para os povos desses países. A nós também não faria mal nenhum, diga-se!
Não tinha decidido publicar esta canção já hoje, mas o almoço de ontem (a propósito do 5º aniversário do blog “Cravo de Abril”), na histórica terra do Couço, com os amigos e amigas com quem tive a honra de o partilhar e com os relatos (vividos) das décadas de dignidade que aquela gente tem, corajosamente, demonstrado... não me deixam grande alternativa de escolha.
“Si hay que callar
no callemos,
pongámonos a cantar
Y se hay que peliar,
peliemos
si es el modo de triunfar”
Bom domingo!
La segunda independencia” – Inti Illimani
(Rubén Lenna)




sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Deve haver algo de muito errado...


Decididamente... deve haver algo de muito errado com a CGTP! Para ser mais preciso, com os sindicalistas da CGTP. Para ser ainda mais preciso... com os sindicalistas comunistas da CGTP. Senão, vejamos:
1. Apesar de serem homens e mulheres com caras e nomes, uma história pessoal, terem família de quem gostam... e um passado e um presente ocupados na luta pelo bem comum, são odiados e desprezados pela generalidade da comunicação social, que tudo faz para denegrir, falsear, ou pura e simplesmente, ignorar as suas ideias, ações, reivindicações e sonhos.
2. Ainda há bem pouco tempo. Essa grande figura de sindicalista moderno que é António Chora, revelava (desrespeitando os membros do BE na CGTP) que os sindicalistas comunistas, fazem o que podem para que haja mais despedimentos, mais desemprego, mais fome... para assim terem mais oportunidades de aparecer nas televisões, manifestando-se contra o patronato e o capitalismo. Revelou mesmo que alguns deles chegariam a ser apoiados pelos patrões, que assim viam facilitados os despedimentos e deslocalizações que pretendiam fazer
Curiosamente, em qualquer destes seus argumentos, António Chora é acompanhado em coro por toda a sorte de fascistas e demais fanáticos de direita, frequentadores das caixas de comentários dos jornais e dos blogues.
3. Agora, João Proença, essa outra grande figura, indefectível defensor de um sindicalismo igualmente moderno, mas em tons de amarelo, vem afirmar (desrespeitando os membros do PS na CGTP) que foi «incentivado por altos dirigentes da CGTP» (devem ser os da equipa de basquetebol) a assinar o acordo com o patronato e os seus governantes privativos... o que mostra bem o calibre destes comunas, capazes de empurrar o pobre Proença para o pior lugar da “fotografia”... ficando eles, todos ufanos, gabando-se de não terem pactuado com a traição.
Decididamente... deve haver algo de muito errado com a CGTP... e comigo. A verdade é que, apesar de todas estas “evidências” contra os comunas dos sindicatos, é exatamente com estes que estou. Já estava, quando há uma mão cheia de anos ofereci com muito gosto a minha voz, para a gravação colectiva do “Hino da Intersindical”. Já estava antes de haver Hino, desde Abril. Já estava, antes de Abril... o que vem provar a razão que tinham aqueles que me avisaram sobre os efeitos tremendos das “más companhias”.
Já quanto ao facto de a CGTP responder ao destempero provocador de João Proença com um processo na Justiça... mesmo sem fé alguma na dita Justiça, acho muito bem. De vez em quando, é necessário responder a este tipo de canalhices com um sonoro tabefe na fronha.
Aqueles que leram até aqui... já agora, podem ocupar mais uns minutos ouvindo o tal Hino, que já toda a gente conhece, mas que serve para ir afinando a garganta até dia 11...


“Hino da Intersindical” – Vários
(Mário Vieira de Carvalho/Anónimo do século XIX)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Montemor-o-Novo – Não cruzar os braços...


Amanhã, sexta-feira 21 de Outubro, alguns montemorenses, espero que em grande número, estarão na rua em luta contra mais um possível ataque aos seus direitos, à sua saúde... à sua dignidade.
Se estiver por cá, pelas 18 h 30... o que (para já) é muito incerto, estarei presente. Será, muito provavelmente, a minha última participação numa destas iniciativas locais... pelo menos na qualidade de habitante da cidade de Montemor-o-Novo.

sábado, 1 de outubro de 2011

Porto e Lisboa – 15 horas


Desejaria poder estar no Porto, ou em Lisboa, percorrendo ombro a ombro, com milhares de amigos, os caminhos que levam o nosso descontentamento até à rua. Os caminhos que levarão a luta até onde tiver que ser.
Desejaria que por cada uma e cada um que quereria estar presente e por razões de trabalho – como eu – ou quaisquer outras, não pode, estejam na rua outros mil, com as vozes carregadas das verdades que têm que ser ditas, alto e bom som.
Sei que muitos milhares falarão por mim.
Sei que serão duas grandes manifestações!
Entretanto que soe o Hino da Intersindical, uma bela gravação já com uns bons aninhos... e na qual participei cantando.
“Hino da Intersindical” – Vários
(Letra de Mário Vieira de Carvalho/Música de “O guerrilheiro”, canção do século XIX)




quarta-feira, 13 de julho de 2011

Facundo Cabral (1937-2011)



“No dia em que eu morrer
não será necessário usar a balança,
pois para velar a um cantor,
uma “milonga” basta.

Dou a cara ao inimigo
e as costas ao bom comentário,
pois aquele que aceita a lisonja
começa a ser dominado;
o homem acaricia o cavalo… para o montar.”

(Facundo Cabral)

O ofício de cantor pode ser perigoso, sempre que as canções não agradam aos poderosos. A lista de casos que o comprovam é longa e antiga. Por estes dias, essa lista terrível tem mais um nome escrito com sangue: o cantautor e grande figura da música de intervenção argentina, Facundo Cabral.

Durante 74 anos de vida deu a cara ao inimigo, granjeou muitos milhares de amigos em toda a América Latina, insistiu na ideia da Paz, cantou-a, assim como cantou a luta dos povos e a liberdade. Denunciou ditaduras, esteve exilado por isso, correu o mundo. 

Não conseguiu evitar as balas dos assassinos que o emboscaram numa viagem entre dois concertos, quando se encaminhava para o aeroporto da capital da Guatemala, neste último sábado.

O corpo regressou ontem à Argentina para ser velado; as cinzas serão sepultadas, provavelmente, hoje. As suas canções... essas voaram...

Até sempre, companheiro!

“No soy de aqui, ni soy de allá” – Facundo Cabral
(Facundo Cabral)




Pobrecito mi patrón” - Facundo Cabral
(Facundo Cabral)


sexta-feira, 1 de julho de 2011

Governo Passos entra em cena


Aí temos a política de Pedro Passos Coelho e dos seus “Chicago Boys” várias décadas atrasados na História. Como lhe chamou Jerónimo, trata-se de «vinho velho e azedo em casco novo».
Como se pode ver, logo na apresentação do Programa e na primeira ida ao Parlamento, Pedro Passos Coelho não é menos nem mais trafulha que os seus antecessores. É exatamente a mesma m... armelada, mas tenta impingir a sua fraude dando-se ares de possuir um novo estilo. Até nos tiques de arrogância são semelhantes! Enquanto Honório Novo lhe apresentava diretamente (e ao seu ministro das Finanças) questões da maior importância, os dois estavam na galhofa. Pareciam uma fotocópia de Sócrates e do Teixeira dos Bancos.
A propósito do ministro das Finanças, gabo e saúdo a extraordinária resistência das deputadas e deputados que consigam evitar adormecer profundamente durante os seus discursos soporíferos e de uma hiper-super-maxi-educação... assim entre o pegajoso e o sonso.
Para acabar, o que quero que fique claro é que, para mim, este governo chega ao poder depois de ter ganho umas eleições fraudulentas. Passo a explicar-me... perguntando:
Quantos votos menos teriam obtido os dois partidos da coligação se, durante a campanha eleitoral e para além da troika, para além da crise, para além de mais ou menos neoliberalismo... e o raio que os parta a todos!, tivessem dito claramente aos eleitores que a primeira medida do seu futuro governo iria ser o roubo de metade do 13º mês à maior parte dos portugueses?
Estou a contar os dias, até que comecem a aparecer enxames de arrependidos votantes no CDS ou PSD.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Pós-reflexão (2) – Política em “dégradé”


Para mim, um grande aplauso – por exemplo, num espetáculo – é dizer quase só para mim “Boa!”... e ficar ali, batendo palmas apenas para não “fazer feio”, mas, por dentro, transbordando de satisfação pela visão da felicidade do artista. Se for eu o objeto do aplauso... então ainda é “pior”, tudo se resumindo a um arrepio de pele. Para mim, uma grande festa é memorizar o brilho de cada uma das caras felizes à minha volta... e fazer disso combustível para o caminho.
Seja como for, para saber tudo isso é preciso conhecer-me bem... o que pode induzir as outras pessoas (quase todas) a pensar que o meu «motivo de satisfação» com que celebrei o resultado eleitoral dos meus amigos da CDU, não é de facto uma celebração e uma festa... como se eu não entendesse em que condições esses resultados foram conseguidos.
Na verdade, no meio de uma campanha que classificava quase como “traição” toda e qualquer atitude que não fosse a de total subserviência ao acordo com a “troika”; que dava como inevitável a aceitação desse acordo; que classificava como “inúteis” todos os votos que não fossem no sentido da “maioria” exigida pelos mercados, tudo isto como condimentos extras para a antiga receita anticomunista, servida por uma comunicação social hostil, censória, sabotadora, vendida, mentirosa... no meio de tudo isto, dizia, é notável que a CDU mantenha a sua influência, a sua votação e aumente a sua representação parlamentar em um deputado. Isso é motivo de festa, sim!, por mais que a minha cara e os meus modos aparentem outra coisa.
Daí que seja delirante assistir ao esforço que alguns envidam para terraplanar a chamada “derrota da esquerda”. Em colunas de opinião e alguns blogues a coisa já toma proporções de alucinação. Um “blogueiro” (a quem não farei o favor de dar visibilidade) diz mesmo que «perante esta derrota da esquerda, se os dirigentes do BE e do PCP tivessem um mínimo de coerência... deviam fazer o mesmo que Sócrates». Como se Sócrates fosse parte da esquerda! Como se a derrocada indescritível da indefinição ziguezagueante de Louçã e do BE tivesse qualquer relação com o rumo definido e a consolidação (e reforço!) da CDU. Como se num colectivo - quando verdadeiramente o é - as vitórias, ou as derrotas, pudessem ser averbadas individualmente a este militante, àquela dirigente, ou aqueloutro apoiante.
Quanto ao resto... a paciência é revolucionaria e o adversário permanece exatamente o mesmo: a mesmíssima política de direita. Se o espectro político parece ter mudado de cor, como a imagem aí em cima ilustra, isso não passa de um efeito especial, da aplicação de um “filtro” diferente, de uma manipulação de imagem... ou, se quiserem, de uma simples ilusão de ética, perdão... ilusão de ótica.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Anestesiados!


(Numa altura destas... este cartaz da festa não podia ser mais irónico... se bem que o seja involuntariamente)
"Vitória de Pirro", chamam os entendidos em história antiga a estas tristes “vitórias” em que, feitas as contas, se perde mais do que se ganha. O nome, mais uma vez, pode bem aplicar-se ao resultado da aposta que aqui fiz ontem. Apostei que a nossa comunicação “social” iria ignorar as manifestações convocadas pela CGTP... e estou a “ganhar”.
Sentado a jantar à hora a que começam os telejornais, tive que esperar até depois das 20:35 para ver uma das estações de televisão ter a “coragem” de abandonar o direto do Porto e a sua festa da bola. Uns minutos depois, esse canal – já nem importa qual, todos fizeram o mesmo – falou finalmente das duas manifestações. Conseguiu arrumar as duas, a de Lisboa e a do Porto, em menos de 60 segundos (estava a contar). Em menos de um minuto ficou feito o retrato de uma atitude de hostilidade evidente para quem quer que seja que ouse questionar o “programa comum” que nos vai governar nos próximos tempos... programa de onde os donos da comunicação “social” esperam, tal como a banca e outros parasitas, retirar gordos lucros, feitos em cima do esmagamento dos direitos de milhões de portugueses.
Desgraçadamente, muitos desses portugueses nem dão conta. Ontem corriam atrás dum autocarro azul e branco; antes de ontem, do "milagre" da auréola do sol de Fátima; amanhã, de autocarros de qualquer outra cor; todos os dias, daquela estória tão triste da novela... ou das facadas na vizinha... ou daquele francês, ou lá o que é... "um senhor tão bem posto, imagina, a pôr-se na camareira"... alegadamente... 
Enquanto isso, os mordomos do universo todo, senhores à força, mandadores sem lei, enchem as tulhas, bebem vinho novo...  e vão rindo a bandeiras despregadas.
Tanto que é preciso fazer nesta terra... mas algumas coisas já não têm emenda. Terão que ser arrasadas para aí se construir tudo de novo!