terça-feira, 2 de junho de 2009

Entrevistas fofas





A RTP2 tem um programa de entrevistas com um nome bastante pateta, que é o “Diga lá excelência!”. Ontem, naquilo que se pode bem chamar um acidente nocturno, vi o dito cujo. O convidado era o Coordenador da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa, António Chora. A entrevista, chamemos-lhe assim, foi feita eu dueto por Lurdes Ferreira, jornalista do Público e por Ana Carrilho, da Rádio Renascença.

As duas, durante quarenta e cinco minutos, deram colinho, aconchego e pistas, muitas pistas ao sindicalista do BE, para ele brilhar, para nos explicar os carros da empresa, dizer-nos que ali as “lutas sindicais” são assim como que bastante originais, pois “Não há tradição política nos trabalhadores da Autoeuropa” (palavras de Chora), coisa que, evidentemente, ainda ninguém tinha percebido, mas que algumas largas centenas deles estão a adquirir, infelizmente, de forma violenta (palavras minhas), ao serem “dispensados” em números que nem o implacável “negociador” sabe minimamente quais serão.

Voltando à entrevista propriamente dita, a jornalista que verdadeiramente me deslumbrou foi a Ana Carrilho da RR, que ao que parece, é especialista em fazer uma espécie de perguntas/comentários/respostas que seriam o sonho de qualquer entrevistado. Atentem na transcrição (a minha pachorra!) de uma dessas “perguntas”, uma verdadeira pérola:

“Tem sido muito criticado, nomeadamente pelos comunistas, por ser demasiado contemporizador, por ter uma relação, digamos, cordial e uma postura dialogante com as diversas administrações da Autoeuropa. Isso, digamos, é uma adaptação a esta cultura empresarial Volkswagen, ou digamos, que é fruto da sua longa experiência sindical e negociadora, portanto, aprendeu muito, já viu muita coisa e portanto, tenta acima de tudo, ahhhhm, salvaguardar os postos de trabalho dos trabalhadores, em vez de às vezes, ahhhm, pedir o impossível?”

Independentemente de ser um pouquinho comprida, ter muitos “portantos”, muitos “digamos” e alguns “ahhhhs”, é ou não é uma... digamos, portanto, ahhhm... uma pergunta extraordinária?

No resto da entrevista, lá lhe foram abrindo veredas para ele se queixar muito dos comunistas que o atacam assaz, até ele ganhar coragem (e desfaçatez!) para quase no final, proferir a afirmação da noite, segundo a qual, muitos dos sindicalistas ligados ao PCP, têm ordens para radicalizar as lutas até ao impossível, exactamente para levar os trabalhadores para becos sem saída que acabam, invariavelmente, com umas bandeiras negras, umas imagens para a televisão, mais uma empresa fechada e umas centenas de trabalhadores no desemprego, o que, segundo a teoria de António Chora, é exactamente o objectivo que serve a estratégia política dos comunistas. Acrescenta ainda que, muitas vezes, são os próprios patrões a apoiar esses sindicalistas comunistas, pois a radicalização permite-lhes com maior facilidade, encerrar e deslocalizar as empresas.

18 comentários:

salvoconduto disse...

Esse rapazola faz parte da minha lista de sindicalistas "independentes".

Quanto às jornalistas, ahhhhm....

ComRevDe disse...

Sobre os abutres dos jornalistas não há muito a dizer, sobre os sindicalistas independentes do BE, o "sindicalista" António Chora é uma amostra do que pode acontecer aos trabalhadores se eles não se organizarem e reivindicarem como deve ser os seus direitos e a sua dignidade.

Se a consciência de classe e união dos trabalhadores for abandonada pelos "negociadores" e pelos "formuladores de consenso", teremos sindicatos à americana, onde apenas 12% dos trabalhadores são sindicalizados e os líderes sindicais fazem parte da administração e são pagos às centenas de milhares por essa mesma administração. Resultado? Os trabalhadores americanos ganham sensivelmente o mesmo que há 30 anos, embora a produtividade dos EUA tenha aumentado 80% desde então e os trabalhadores sejam obrigados a contrair empréstimos para acompanhar a subida do nível de vida.

Curiosamente, muitos deles acabam por não conseguir pagá-los e ficam soterrados em dívidas.

Fernando Samuel disse...

Muito honesto o rapazola, muito honesta a entrevistadora -e muito honesto quem deu ordem para fazer essa entrevista eleitoralista: a um tipo do BE, lacaio do patronato, anticomunista primário, etc etc...

Um abraço.

Aristides disse...

Não vi, nem ouvi, nem tive pachorra para ir ao link tirar teimas. Acredito piamente no que escreveste: vindo do rapazola Chora, não me admira nada. Mas (pergunto eu), não haverá aqui uma certa convergência argumentativa com o sr engenheiro Belmiro, quando este afirma que não há empregos para quem quiser molhar os pés ao fim de semana? Cambada de artolas!!!

Crixus disse...

Deve ser uma entrevista de ir às lagrimas, porque às entrevistadoras fofas junta-se o Chora que também é muito fofinho. Mais as televisões que lhes dão o palco... e tá o circo montado

Maria disse...

Não vi. Também não veria, porque a cara do homem faz-me brotoeja...
Gabo-te a pachorra, mas ainda bem que a tens porque sempre dá para "aliviar" o stress quando te lemos...

Não é por acaso que ele foi entrevistado nesta altura...

Abreijos

Miguel Jeri disse...

Err... acho nem vou comentar, é demasiado ridículo e já me estragou a noite!

Deixo aqui para quem quiser uma das pérolas do Chora. Como tive a paciência de, na altura, ler o texto até ao fim e proque não quero chatear ninguém, fica a frase que até pôs muita malta do BE de cabelos em pé: "os sindicalistas continuam a escudar-se na salvaguarda de postos de trabalho (lindas palavras)

Afinal o homem não sabe mesmo o que quer. Bem! Quem tiver paciência e estiver de bom humor, pode ler o texto na íntegra aqui.

http://www.rostos.pt/inicio2.asp?mostra=2&cronica=110797

Já é de algum tempo, mas a parvoíce continua actual.
Abraços

Anónimo disse...

"Re-resumindo", numa palavra: SABUJO !

Rui Silva

julio disse...

a ideia da "coisa", era mesmo chegar ao desabafo, anti-pcp, e culpar o partido, da crise...
ainda o veremos no concelho de administração da sonae...

Hilário disse...

todos os que trairam o processo revolucinário estão ligados ao poder:
directores, administradores, empresarios, deputados( do capital), secretários de estado, acessores, ministros e outras coisas mais que não me cabe aqui dizer. Quanto ao menino António, o tempo do dirá, deixá-los poisar.

Um abraço

Anónimo disse...

Simplesmente brilhante a forma como o PCP, sobretudo aqueles militantes que andam no sindicalismo vai para mais de trinta anos, ainda não digeriram as sucessivas derrotas que têm sofrido na Auto-Europa. E então despejam a bílis, isto é, todo o seu fel sobre o António Chora. António Chora, sindicalista que teve o atrevimento de não pertencer aos quadros do PCP e liderar uma CT.
A verdade é que a Auto-Europa continua a laborar e a Opel da Azambuja já à muito que fechou.
Não se trata de radicalismo meu caro Samuel, trata-se isso sim, de responsabilidade.

Jota

samuel disse...

Salvoconduto:
É natural!

ComRevDe:
Flexibilizam até estar com o rabo no ar e a cara a arrastar no chão.

Fernando Samuel:
É uma honestidade generalizada...

Aristides:
Para quem quiser ver...

Crixus:
As televisões também são bastante fofas.

Maria:
Não há acasos nestas coisas.

Miguel Jeri:
É uma frase tão boa que ele continua a usá-la.

Rui Silva:
Põe-se a jeito...

Júlio:
Não foi lá para mais nada.

Hilário:
Há coisas e atitudes que pagam bem!

Jota:
Meu caro.
O cidadão António Chora, não me aquece nem arrefece. Quem com ele conviveu nos tempos em que esteve no PCP e tenha caído na asneira de confiar nele, é natural que se sinta traído e irritado... não é o meu caso. Não o conheço de lado nenhum.
Vendo o género de “operários” da Auto-Europa, que se enquadram muito mais naquilo que os patrões modernamente chamam os seus colaboradores, é perfeitamente natural que escolham uma personagem como António Chora para dirigir a sua colaboração com a empresa.
Que o meu amigo não saiba que a Opel foi arrastada pela falência mundial e estrondosa do grupo em que se integrava (GM), estando à venda para quem der mais... é apenas estranho.
Que o meu amigo ache realmente que a Volkswagem ainda não faliu, fruto dos inestimáveis contributos do Chora... é triste!
De qualquer maneira, eu apenas fiz um post sobre o que foi dito naquela entrevista. Qualquer pessoa, do BE ou não, que afirme, como ele afirmou, que os sindicalistas comunistas têm ordens partidárias para arruinarem propositadamente as empresas, com o fim de ganharem umas reportagens nas televisões, mostrando bandeiras negras e mais uns quantos desempregados... É UM CANALHA!
Se a isso acrescentar, como ele acrescentou, que alguns desses comunistas sindicalistas até são apoiados pelos patrões, que assim conseguem mais facilmente despedir ou deslocalizar... APENAS CONFIRMA QUE É UM CANALHA!
Portanto, com muita pena, creia, estou pessoalmente persuadido de que o Coordenador da CT da Auto-Europa, António Chora, É UM CANALHA!

Volte sempre.



Abreijos colectivos!

Anónimo disse...

Os sindicalistas do PCP são os culpados por os mais de 20 mil despedimentos na GM, se fossem do BE a GM não iria para a falência.

A culpa não é do capitalismo que explora os trabalhadores, Belmiros, Van Zaller e outros do género são bonzinhos o Chico e o Manel sindicalistas que por acaso ou talvez não até são comunistas é que são os exploradores.

samuel disse...

Anónimo:
Entra pelos olhos dentro! :-)))

Abraço.

Anónimo disse...

Já meti a pata na poça... ao meter-me convosco, e para não ser também apelidado de canalha... retiro-me, não sem antes lhe dizer que prefiro o Samuel das cantigas, que aliás aprecio muito, ao Samuel blogueiro. O primeiro combatia e unia, o segundo apesar da minha consideração pelo primeiro, é insultuoso para quem se atreve a discordar dele.
Retiro-me mas deixo registado que as palavras do Chora, que eu ouvi com muita atenção, apesar de me considerar um critico dele em muitos aspectos, não têm o sentido que o Samuel e outr@s comentadores lhe deram. Como diria o saudoso Gedeão: "D. Quixote vê gigantes, são gigantes... Sancho vê moinhos, são moinhos".
Para concluir sempre lhe digo: Tudo menos o insulto gratuito, não lhe fica bem. É que, canalha para mim, são os Belmiros e outros que tais. Porem o Samuel prefere apelidar de canalha um líder operário, eleito democraticamente pela classe a que pertence. Enfim, quem sou eu para o contrariar?
Mas será que esse epíteto tem por trás outras razões? Digamos que talvez seja antes uma certa incapacidade em tolerar quem ousa ter vida para além do Partido?
Samuel… vá lá, faça um esforço… um pequeno esforço e tente perceber que a democracia é também o direito de ex-militantes seguirem outro rumo livremente sem que se tenham que sujeitar ao enxovalho permanente.
E cantigas meu caro… novas ou velhas, tanto faz… para quando?

Jota

samuel disse...

Caro jota,

1. Não fez nada mal em se “meter”.Aqui, que eu tenha visto, ninguém o insultou e nem me parece que venha a insultar.

2. Sobre as minhas qualidades, ali, de lutador e unificador e aqui, de insultador, acho que umas e outras são um pouco exageradas... mas obrigado pela parte elogiosa!

3. Não fico nada convencido de que o Chora não tenha querido dizer exactamente o que eu o ouvi dizer... e aquilo foi uma canalhice. Isso faz dele um canalha? Não sei. Foi um excesso de linguagem da minha parte, devendo apenas criticar a canalhice, fazendo de conta que não foi dita por ninguém? Talvez...

4. Se eu me desse ao desfrute de insultar todas as pessoas que não pensassem como eu, a minha vida seria um inferno! Toda a gente que conheço, não pensa como eu sobre alguma coisa...

5. Os ex-militantes do PC têm todo o direito de terem mudado de ideias e partir para outras paragens, só que quando se aborda este assunto, normalmente estamos a falar daqueles ex-militantes que saíram para “renovar o partido”, “renovar a ideologia”, mas que depressa se viu que saíram para se dar muito bem na vida e não por qualquer sombra de uma ideia renovadora, sendo que as únicas coisa que ostensivamente “renovaram” foram as contas bancárias, a frota automóvel e o guarda roupa. Isso, há-de concordar, pode ser uma coisa muito irritante para todos aqueles que continuaram no seu posto de luta. O Chora não está aqui incluído neste grupo de “ex”, porque como já disse, não o conheço. Todos os outros, merecem bem os enxovalhos que têm, pois colocaram-se ao nível dos Belmiros e outros Azevedos, que são (finalmente um acordo!) uns canalhas. ☺ ☺

6. Os dirigentes operários e sindicalistas que o Chora ofendeu gravemente com aquilo que disse na entrevista, também foram democraticamente eleitos pelos trabalhadores. Já que estamos a falar de democracia, o facto de se ser democraticamente eleito, na democracia que corre e nos tempos que temos, não é garantia de coisa nenhuma em parte alguma do mundo. Não vale a pena dar exemplos, certo?

7. Sobre cantigas. Apesar de vivermos num tempo em que são muito mais os elogios e palmadas nas costas do que os contratos para ir cantar as tais cantigas, teimosamente, continuo a ter a música como única profissão. Vou cantando por aí... onde ainda um dia destes poderemos acrescentar ao vivo mais alguns parágrafos a esta longa conversa, mas então “patrocinados por uma bebida qualquer”. ☺ Brevemente, tudo leva a crer, haverá finalmente disco novo e, porque gostei da frase... para lutar e para unir!


Volte sempre!

Anónimo disse...

Carissimos,

Para aqueles que não conheçem o Sector Automovel, os salários são apenas cerca de 5% dos custos na Autoeuropa. Então onde se pode obter a "competitividade?". Nos processos e na tecnologia. E isso é a direcção tecnica e politica da empresa e não dos trabalhadores! Se fontes da empresa dizem que ela não é "competitiva" não o podem atribuir ás reividicações dos trabalhadores mas á sua direcção. O Chora é que não percebe coisas simples e depois culpa os comunistas!
Reparem, os transportes dos componentes começam a pesar nos custos. Se calhar faltam na região empresas que fabriquem componentes! Ou seja o "Cluster" é fraco, como foi para a Opel! Por isso ela foi para Saragoça onde o estado espanhol criou um conjunto variado de empresas com que se faz qualquer "Cluster" em volda da linha de montagem sem gastar nos transportes.
E nesta questão a governação nacional não tem nenhuma responsabilidade? Qual foi a sua politica industrial desde a criação da Autoeuropa?
Depois quando os trabalhadores só têm os comunistas ao seu lado para resistir, ainda são os culpados! E olhem que com esta crise em que o automovel como objecto de consuno está condenado, a Alemanha quer dar trabalho aos seus, a coisa pode estar mais proxima do que muitos pensam ...

Um abraço,

Nuno

Orlando Gonçalves disse...

Este Chora mete nojo, não suporto gajos que se vendem. Mas será que ainda não virem o filme todo.