Demos as boas vindas à jovem sul-coreana Han-Na Chang. Violoncelista e directora de orquestra. Tem um currículo que dificilmente cabe nos escassos trinta e um anos de vida que conta... o que é perfeitamente normal num post feito de “excessos”.
É excessiva a beleza que Camille Saint-Saens concentrou num dos vários e pequenos movimentos do seu “Carnaval dos animais”... uma peça que fez por puro divertimento e que durante muito tempo, erradamente, pensou que não abonaria muito à sua imagem de compositor “sério”. Apesar dessa humilde desconfiança, até ele achava que este “Cisne” era uma excepção.
É excessiva a perfeição com que os pais de Han-Na Chang passaram do sonho à prática, quando se tratou de “criar” o rosto (e tudo o mais) da filha e seleccionaram os genes que, acrescentado o trabalho técnico necessário... floresceram como génio puro.
É excessiva a qualidade da “alma” que o construtor do violoncelo colocou dentro do instrumento que ela aqui toca... e que resulta neste som fabuloso que exibe no encore de final de concerto.
É excessiva a distância que Han-Na Chang percorre na viagem que a leva lá para onde “vai” enquanto toca. Assim olhando apenas, imagina-se que, para além de longínquo, seja um lugar onde a beleza e o prazer correm... excessivamente.
Aí está um novo ano. Um ano que uma quadrilha internacional com sucursal na sede do Governo português, se encarregou de amputar na qualidade de vida, na justiça, na liberdade.
Apesar disso e sobretudo por isso, todos temos o direito (e a obrigação) de sonhar! De sonhar activamente!
Todos temos o direito a sonhar com o nosso “novelo de lã” para brincar... para além de tantas outras coisas que sabemos... tão necessárias, tão urgentes e igualmente importantes.
Todos temos o direito (e a obrigação) de pôr as unhas de fora para defender e agarrar o nosso sonho... se tal for necessário.