Mostrar mensagens com a etiqueta memória. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta memória. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Soares - “Primus inter pares”


Mário Soares diz que alguns membros deste governo são delinquentes – relatam os títulos de vários jornais televisivos, em papel, ou online.
E diz muito bem! – digo eu. Mário Soares, ainda na posse de quase todas as suas faculdades, tem, visivelmente, uma grande facilidade em identificá-los e reconhecê-los um a um.
Puxando pela memória para lembrar as relações de estreita amizade, cumplicidade e conspiração entre Soares e o Carlucci da CIA, entre Soares e os bombistas do cónego Melo, entre Soares e as “fundações” alemãs e suecas que ajudaram a financiar a contra-revolução que nos trouxe ao ponto em que estamos hoje e o mais que a História registará... direi mesmo que é uma espécie de reconhecimento de um primus inter pares”.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Sábado de memórias boas


À hora a que este post se publica automaticamente, estou eu em ensaios com o “meu” pianista. Trata-se de alinhavar a minha participação musical na tarde prazerosa que se vai viver na Voz do Operário, entre amigas e amigos... lembrando o José Carlos Ary dos Santos.
A ideia e o convite irrecusável foram da “Associação Conquistas da Revolução”. Os pormenores do elenco e horário podem ver-se no cartaz...

Apareçam...


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

11 de setembro – Lembrar as vítimas sem esquecer os agressores


A infelicidade das muitas centenas de vítimas dos ataques às Torres Gémeas de Nova Iorque, foi trabalharem em empresas que ocupavam escritórios situados naqueles dois símbolos do regime imperial norte-americano.
O movimento pretensamente revolucionário, mas na realidade de índole fascista, como é a Al-Qaeda, desenhada, criada e patrocinada pela CIA e pelos falcões do aparelho industrial/militar dos EUA, no momento em que se virou contra os seus criadores, não escolheu atacar os responsáveis, antes pelo contrários, como é comum aos cobardes, optou por um assassínio em massa.
Por negra ironia da História, o regime agredido em Nova Iorque, em 2001, foi o mesmo que agrediu, na Santiago do Chile de 1973, quando os “falcões” e operacionais da CIA resolveram livrar-se da “ameaça marxista”, como lhe chamava a “Time” numa das suas capas, patrocinando o golpe militar fascista de Pinochet, o assassinato de Allende e de vários milhares de chilenos.
Exactamente por estes dois vergonhosos momentos da História estarem ligados tão intimamente, no Chile em 1973 e em Nova Iorque em 2001, é que eu insisto em nunca os separar neste dia de tão tristes memórias.

sábado, 10 de agosto de 2013

Urbano Tavares Rodrigues (1923-2013) – As coisas importantes


Hoje, no dia do funeral do grande ser humano, cidadão e homem de cultura que foi Urbano Tavares Rodrigues, quero juntar-me aos seus companheiros de sempre e a todos aqueles que o leram, amaram, estimaram e admiraram
Disse um dia o José Carlos Ary dos Santos numa letra para uma canção:
“É preciso pensar
que não basta rimar
mas fazer coisas mais importantes.”

O nosso amigo Urbano Tavares Rodrigues dedicou-se, apaixonadamente, sobretudo a essas coisas “mais importantes”. Ainda assim, aqui e ali... também rimou. Nomeadamente nestes versos corajosos, musicados e cantados pelo Adriano Correia de Oliveira. Chama-se “Margem Sul” a canção que daí resultou e foi editada em 1967.
Recentemente, num espectáculo que o Urbano deveria ter gostado de ver, já que é uma homenagem ao seu velho amigo Álvaro Cunhal, revisitámos essa canção, numa versão dividida entre mim e a Luísa Basto, gravada ao vivo com a ajuda dos “meus” músicos e coros (e com os defeitos que podem ter as gravações ao vivo).
Obrigado, Urbano!



quinta-feira, 2 de maio de 2013

Governo autoritário de fanáticos


No rescaldo de um dia 1º de Maio em que o que faz de primeiro-ministro de Portugal, quando é, na verdade, moço de recados da potência ocupante, tentou de forma insolente contrapor às manifestações de trabalhadores, um patético, acanalhado e interminável comício que as “suas” televisões foram transmitindo e repetindo, e repetindo, e repetindo... até à náusea, saúdo as trabalhadoras e trabalhadores (com ou sem emprego) que durante este dia (e todos os dias do ano) não se conformam nem se rendem.
Um pouco mais de um terço da minha vida foi passado sob um regime fascista. Para ser exacto, 22 anos. Só nos últimos comecei a ganhar consciência daquilo que me rodeava e a procurar as vias de escape àquela cinzenta realidade. Um bom punhado de pessoas ajudou. A música ajudou!
Embora curta, a minha memória (consciente) do fascismo traz-me estórias típicas dessa época. Como a de coronéis, ou generais, ou simples directores de escola, ou chefes de repartição que, com a displicência que o poder absoluto lhes permitia, tinham a possibilidade de castigar, a seu bel prazer, qualquer um dos seus “subordinados”... nem que fosse apenas por terem acordado mal dispostos.
Ai de quem ousasse questionar o castigo... nem que fosse com um “mas”. A cada “mas”, o castigo ia crescendo exponencialmente, não sendo estranho ver uma pequena punição que tinha começado com umas horas de suspensão de um qualquer direito, acabar transformada numa pena de vários dias ou semanas, humilhação pública... ou bem pior.
É exactamente isso que me vem à memória ao ver que os anunciados – e parcialmente chumbados – cortes de 4.000 milhões nos deveres do Estado, depois da “intolerável” contestação que sofreram, serem transformados em cortes de mais de 6.000 milhões. Por puro revanchismo. Pura arrogância. Pura provocação. Pura demonstração gratuita de poder.
Os antigos directores de escola, superiores hierárquicos na velha Função Pública, polícias, autoridades militares, a PIDE e, no topo de todos, Salazar...tinham a grande “desculpa” de serem fascistas.
Embora seja uma pergunta “armadilhada” com uma resposta óbvia... pergunto-me que raio de desculpa terá esta canalhada que nos governa... 39 anos depois da Revolução de Abril.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Vemo-nos em Santarém?


Esperando que ninguém de entre vós tenha, entretanto, contraído qualquer alergia à minha estimada pessoa... direi que não haverá, então, qualquer desculpa para que aqueles e aquelas que estiverem em Santarém e arredores, não se desloquem ao local indicado no cartaz e à hora anunciada.
A minha presença cantando duas cantigas é apenas uma gota no mar de gente boa que vai ali estar prestigiando com a sua arte, militância e anseio de futuro... um grande amigo comum.
Estamos à vossa espera!
(Entretanto, amanhã, Sábado... vemo-nos no Barreiro)

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Barreiro – “Convocatória”...


Passando a um tema mais interessante e tentando ganhar “distância sanitária” em relação à lixeira a céu aberto do último post... vou adiantando um anúncio a que voltarei ainda mais vezes, já que toda a ajuda na divulgação deste concerto é bem vinda.
Assim, quem esteja com dúvidas sobre o que fazer na noite do próximo dia 13 de Abril e acha que o Barreiro não fica no fim do mundo... já tem programa.
Os responsáveis pela programação do Auditório Municipal Augusto Cabrita convidaram-me para fazer ali um espectáculo com os meus músicos habituais e as canções que gosto de cantar. As minhas e as dos companheiros cujas cantigas que sempre meu deu um especial prazer “tornar minhas” durante aquele breve e mágico espaço de tempo que dura um pensamento cantado.
Para aumentar o meu divertimento... e espero que o do público presente, desafiaram-me a convidar dois companheiros de cantigas à minha escolha. A escolha levou menos tempo do que leva a dizer os nomes dos dois. Francisco Fanhais e Manuel Freire.
Felizmente, eu estava livre para o dia 13 de Abril. Felizmente, eles também!
Agora só falta a vossa indispensável presença e ajuda para cantar. Até chegar o dia ainda insistirei no tema.
Passem a palavra...

sábado, 23 de março de 2013

Óscar Lopes (1917-2013)


A História, a boa literatura, o pensamento e a inteligência... perderam um grande militante.
O PCP perdeu um grande ser humano.
A Humanidade perdeu um dos "imprescindíveis".

domingo, 17 de março de 2013

Fanhais - Canto do ceifeiro


Depois da bela experiência colectiva que foi o nosso “ensaio geral” com público, no passado dia 6, em Arraiolos, a digressão do nosso espectáculo dedicado ao fenómeno da Reforma Agrária e integrado no centenário do político, criador artístico e ser humano que foi Álvaro Cunhal.
Aproxima-se um mês de Abril meio alucinado com trabalho, entre canções e outras actividades. Uma forma de dar a conhecer o nosso repertório a quem não tiver oportunidade de assistir a nenhuma das apresentações destes convívios de memórias, amizades, História e canções da resistência e de intervenção... irei aqui apresentando algumas dessas canções. Dentro de algumas semanas poderei mesmo publicá-las já cantadas por nós, ao vivo, ou tiradas do CD de estúdio que vamos fazer... ou, como hoje, cantadas pelos seus criadores originais.
Este “Canto do ceifeiro” faz parte de um grande “LP” (Canções da cidade nova – 1970) do Francisco Fanhais” e tem versos de Eduardo Valente da Fonseca e música de F. Fernandes. Como nós não temos a voz de cristal do Fanhais... no espectáculo... fazemos o que podemos.
Bom domingo!
“Canto do ceifeiro” – Francisco Fanhais
(Eduardo V. Da Fonseca/ F. Fernandes)



domingo, 10 de março de 2013

Simone - Nas escolas, nas ruas, campos, construções...


“Vem vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer”

É uma velha canção que vem já dos anos sessenta do século XX. O autor, Geraldo Vandré, fez um hino à liberdade. À liberdade conquistada, participada, activa, generosa, consciente. Fê-lo, corajosamente, numa altura em que na sua grande terra brasileira se vivia uma sangrenta ditadura militar fascista. Fê-lo, afrontando directamente a ditadura, ao concorrer com a canção a um festival de música popular... e ficando em segundo lugar, com milhares de pessoas a gritar na plateia o seu protesto por esta não ter ganho.
Sei que não estamos a viver uma situação igual... mas tenho-me lembrado muito desta canção!
A Simone (independentemente do que fez da sua carreira posteriormente) cantou-a muitas vezes... quando isso não era “seguro”. Quando isso dava problemas sérios. Entre várias outras coisas... admiro-a por isso!

Bom domingo!
“Pra não dizer que não falei das flores” – Simone
(Geraldo Vandré)




quarta-feira, 6 de março de 2013

Hugo Chávez (1954-2013)


Morreu Hugo Chávez. Enquanto alguns milhões de venezuelanos choram a perda de alguém que lhes mudou a vida para melhor, outros, dentro e fora da Venezuela, esfregam as mãos de contentes. É sempre assim quando desaparece uma figura desta dimensão e, sobretudo, desta controversa importância.
Pela minha parte, junto-me àqueles que lamentam a perda. No balanço pessoal que faço das qualidades, carisma, boas intenções, trabalho realizado, combates travados (e contra quem), das muitas contradições e uma mão cheia de características com que - mais do que uma vez o disse - não simpatizava... o balanço é francamente positivo! O que de muito bem Chávez fez no seu país e ao seu povo mais merecedor e necessitado, tem toda a minha simpatia e apreço, ao passo que quase tudo o que de “mal” fez contra as oligarquias nacionais e o imperialismo do vizinho do norte, não me faz correr uma lágrima, muito pelo contrário.
Nas nossas televisões, até agora, ninguém conseguiu mais do que aproveitar o momento de luto para tentar enlamear a memória do polémico estadista, ainda que recorram a insinuações e meias palavras que não escondem o ódio vesgo que os patrões lhes ordenam que agrafem nas caras e nos comentários.
Nos corredores da CIA e de Washington a festa deve ser rija! Viram-se finalmente livres de um adversário de peso, um adversário que não lhes mostrou medo... sem terem necessidade de o assassinar, como não poucas vezes devem ter planeado.
Entre a corrupta e vendida oligarquia venezuelana a festa deve estar delirante, tal a espectativa da vingança das suas repetidas derrotas, vingança que devem estar a saborear por antecipação.
Espero que o povo venezuelano, depois de chorar o seu líder agora falecido, saiba separar a obra do homem, unir-se à volta do seu sonho colectivo e encontrar no seu seio aqueles que sejam capazes de continuar a levar por diante, a consolidar e a melhorar, o projecto de autodeterminação, dignidade e justiça social que a Revolução Bolivariana foi capaz de trazer à Venezuela.

terça-feira, 5 de março de 2013

Viva a Reforma Agrária - Arraiolos


Poderia ter feito assim... poderia ter feito assado... poderia ter escolhido outras canções... no limite, até outra profissão mais “sossegada”. Nada que me possa ajudar nesta fase do andamento do projecto de espectáculo colectivo que me pediram para criar, onde se fala da Reforma Agrária e da sua memória, espectáculo integrado nas comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal.
Agora, o que está feito, está feito. Hoje é dia de “reflexão” e amanhã, dia 6 de Março, rumaremos a Arraiolos para a primeira de uma série de apresentações que fará escala em várias localidades do Alentejo... e desconfio que não só do Alentejo (a agenda ainda tem muitos dias livres!).
Lá estaremos, à noite, acompanhados por uma exposição multimédia (trabalho que tocou a outros companheiros) e com a presença das pessoas que queiram prestigiar a figura de homem, artista plástico, escritor e político que se pretende homenagear e que se sentem afectivamente ligadas à História da “mais bonita conquista do 25 de Abril”... e a algumas canções que formaram a sua banda sonora.
Nestas apresentações de espectáculos construídos para percorrer várias salas, há sempre um conjunto de pessoas que têm o (discutível) “privilégio” de estar na primeira apresentação. Aquela apresentação que, por muito que se tenha ensaiado... é sempre uma espécie de grande ensaio geral com público presente na sala. Aquela com uma dose mais elevada de nervos e inseguranças... justificadas ou não.
Lá estaremos, eu, a Luísa Basto, a Lúcia Moniz (que estará apenas nos espectáculos em que isso lhe for possível, como é o caso amanhã), dando a cara por algumas dessas canções. Acompanham-nos a Beta, a Alexandra e o Paulo, nos coros, o Cândido Mota lendo o guião que vai servindo de fio condutor, o Nuno, o Ivo, o Mil-Homens e o André, tocando os vários instrumentos, os técnicos de som e luz... e todos aqueles de entre vós que quiserem ou puderem aparecer por lá.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Em cada esquina um amigo – Lá chegaremos, Zeca!


Olá, Zeca!
Como não tenho a menor intenção de falar de morte... este recado é só para dizer que a saudade aqui por casa não abranda.
A tua Grândola está a fazer um sucesso fantástico... por boas razões, mas nem sempre da forma mais acertada. Mas isso são contas de outro rosário.
Como deves calcular - já que me conheces - não estou a falar na afinação vocal dos espontâneos cantores e cantoras, nem tão pouco do facto de quase ninguém saber a letra da cantiga... pois nesta segunda “arte” sempre foste tu o campeão.
Seja como for, cantando mal ou bem... havias de gostar de ver as idades da maior parte da malta que anda a cantar-te, por vezes pela primeira vez. Quem sabe se nalguns, mesmo que pouco a pouco, a coisa pega e frutifica?
A propósito... dentro de algumas semanas estarei de novo no júri do “Festival Cantar Abril”, inventado pela Câmara de Almada, e que instituiu um prémio com o teu nome. Há um belo punhado de malta nova que vem a concurso e, sobretudo, a convívio, mostrar as suas cantigas originais que falam de liberdade e futuro, ou recriar as canções da resistência e de Abril. Destas, como aliás nas edições anteriores, quase metade dos títulos a concurso... são teus.
Não fiques acanhado e, muito menos preocupado. Ninguém leva a mal!

Um abraço apertado.


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Nazis - Chamar os nomes aos bois...


Contra mim falo, que não poucas vezes me excedo nos adjectivos... mas uma pequena troca de opiniões na caixa de comentários, a propósito do apodo de “nazis” dirigido aos dois Antónios, Costa e Seguro, obrigou-me a reeditar a minha opinião sobre o assunto. A saber:
Se gastarmos os “fascistas”, os “nazis”, etc., etc., com aqueles que traíram a Revolução, uns por medo, outros por interesse, outros por anticomunismo primário, outros por simples indigência política... como foi e é o caso de alguns dos “socialistas” que tanto irritam outros tantos comunistas e seus próximos... e isto não deixando de fora os actuais governantes, esses sim, com uma pratica eivada de tiques fascizantes inequívocos, ainda que muitos deles não estejam a trair coisa nenhuma, já que nunca estiveram com Abril, não passando de vulgares ladrões que estão simplesmente a defender e aumentar os seus patrimónios e os dos seus amigos... se gastarmos os “fascistas” e os “nazis” com estes, como ia dizendo... o que restará para chamar aos nazis e fascistas?
A propósito dos nazis da "Aurora Dourada”, que a crise grega “deu à luz” e que todos os dias vão crescendo e fazendo questão de mostrar, em acções, a podridão e o racismo assassino que carregam no seu porco “ADN”, espero que a nossa crise nacional não venha igualmente a gerar o crescimento dos seus congéneres portugueses... pois a dar-se o caso, ficaríamos reduzidos a chamar-lhes nomes como:
Malandrins, marotos, ah seus safados!, inconvenientes, arreliadores... ... ...
É no que dá vulgarizar os nomes e os horrores que são exclusivos do nazismo e do fascismo!!!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

PS e PCP – Os “inimigos”?


«Não distinguir os inimigos sempre foi Fatal, apreciações à parte os camaradas quando se unem com a direita Gozam que se Fartam, é fartar vilanagem, tudo quanto sirva para derrubar o PS é bom. Já lá vão quase 40 anos e os camaradas ainda não deram pela QUEDA DO MURO. Vão ganhar as próximas eleições. Como sempre aliás».
Retirados uns acidentais erros de digitação, é este o teor de um comentário deixado no post que, em tom de simples brincadeira, aqui escrevi sobre o valoroso ataque ao poder “a la António Vitorino”, protagonizado por António Costa, escrito por um militante ou simpatizante do Partido Socialista, que se identificou como Miguel Lopes.
Constatamos assim que o Miguel Lopes, depois de ter engolido a cassete com a lengalenga da culpa do PCP na queda do demissionário Sócrates... ainda não conseguiu regurgitá-la... apesar do ridículo da música e da letra da cantiga.
Segundo o nosso comentador (mais picardia, menos picardia), o PCP escolheu o PS como “inimigo” principal... "aliou-se à direita"... e o resultado é o que se vê!
Portanto, se bem entendo, que fique para a História que foram os comunistas, e não Mário Soares (e o PS), quem conspirou com a CIA e Carlucci para a derrota da Revolução de Abril.
Que foram os comunistas e não Mário Soares (e o PS), quem conspirou com os sectores mais retrógrados e fascistas da Igreja Católica, com o apoio operacional de organizações terroristas e bombistas de extrema direita, para assaltar sindicatos identificados com os comunistas... e Centros de Trabalho do próprio PCP.
Que foram os comunistas e não o PS que, a nível governamental, fizeram alianças repetidas ao longo de décadas... mas sempre e só com o PPD-PSD e o CDS.
Finalmente... que foram os comunistas e não o PS, quem assinou famoso memorando com a troika.
Temos que admitir que para ter uma tal visão da História... é preciso ter uma “extraordinária visão”!
Agora a sério... resta uma singela pergunta dirigida a todos os “Migueis Lopes” desta vida:
Se, então, o PS não é “o inimigo”, e eu não digo que o seja, pelo menos nesses termos... quando é que , exceptuando honrosos casos pontuais e de natureza local... alguma vez foi o amigo?

domingo, 13 de janeiro de 2013

Dominguinhos e Yamandu – E o que eles se divertem?!!!


Dominguinhos é um enorme artista brasileiro! Ainda criança foi declarado pelo “rei do baião”, o histórico sanfoneiro e autor de “Asa branca”, Luís Gonzaga, herdeiro do seu legado artístico. Luís Gonzaga não poderia ter escolhido melhor!
De facto, rompendo com a possível limitação de ser apenas mais um sanfoneiro de província, Dominguinhos abriu os olhos e os ouvidos ao mundo, bebeu água de todas as fontes (coisa invejável, que se sabe ser mais importante que ter carros, parelhas e montes) e transformou-se num músico extraordinário, capaz de tornar um “baião” num standard de jazz... ou pegar num standard de jazz e contaminá-lo irremediavelmente com o sabor caipira das suas origens populares.
Há já quase um mês que um muito complicado quadro clínico o tem confinado a uma cama de hospital. Este post é também uma forma de desejar o melhor para Dominguinhos.
Hoje, depois de uma escolha que poderia ter recaído em dezenas de temas primorosamente tocados, proponho-vos este “Tico-tico no fubá”, seguido de "Asa branca/Prenda minha", recriados de forma espantosa, com a ajuda do sempre vertiginoso – e já nosso conhecido – Yamandu Costa.
Claro que enquanto fui ouvindo as várias músicas tocadas pelo Dominguinhos em parceria com o Yamandu... as minhas guitarras embalaram a trouxa e abandonaram o lar. Já me ameaçaram de que só voltam se eu prometer tentar, pelo menos, chegar a tocar “assim tipo”...  como o brasileiro. Mais uma vez, terei que lhes mentir descaradamente: que sim... que vou tentar, prometo...
Bom domingo!
“Tico-tico no fubá” – Dominguinhos e Yamandu Costa
(Zequinha de Abreu)



"Asa branca/Prenda minha" - Dominguinhos e Yamandu Costa
(Luís Gonzaga/Folclore do Rio Grande do Sul)




domingo, 6 de janeiro de 2013

Afasta de mim esse cálice!


Há muitos anos (1973), em plena ditadura militar nos Brasil, Gilberto Gil e Chico Buarque participaram em duo num concerto em que seria suposto cantarem “Cálice”, uma canção escrita pelos dois expressamente para essa ocasião.
Previamente ouvida pela censura, a canção foi de imediato proibida.
Para encurtar a estória... os dois, contra as ordens recebidas, acabaram a cantá-la, em palco, apenas com a letra tartamudeada, entrecortada repetidamente pela palavra “cálice”, que faz realmente parte da letra... mas que na pronúncia brasileira resultou num provocador “Cale-se!”, cantado até que a organização lhes foi desligando os microfones um a um.
Sabemos bem que ainda não estamos aí... e, pelo menos alguns de nós, sabem bem qual o sabor daquele “vinho tinto de sangue” de que fala (realmente) a canção. Felizmente, sabemos também que os soldados mais dificilmente são apanhados a dormir, são aqueles que montam sentinelas e estão de prevenção e alerta.
O segundo vídeo, desta vez com Milton Nascimento e cantado sem censura, serve para quem ainda não tenha ouvido, ficar a conhecer... e para todos os restantes que já conhecem poderem recordar uma canção histórica.
Bom domingo.
“Cálice” (versão censurada) – Chico Buarque e Gilberto Gil
(Chico Buarque e Gilberto Gil)


“Cálice” – Chico Buarque e Milton Nascimento
(Chico Buarque e Gilberto Gil)



domingo, 30 de dezembro de 2012

Queira ou não queira o papão...


Último domingo de um ano cinzento, ano que tentei ir iluminando com música que, na minha opinião, fosse adequada para esse (pretensioso) fim.
Como acabar? Que tal uma grande canção, de um enorme autor, cantada por um dos “amores” deste estabelecimento?
Do longo vídeo de um concerto de homenagem a José Afonso, recentemente realizado em França, mão amiga fez o favor de cortar este pequeno “clip” de uma cantiga apenas.
Haja luz!
Fiquem com “Menino do bairro negro”, de José Afonso, com o acompanhamento inspirado e feliz do Júlio Pereira, na voz mágica de Mayra Andrade.
Em três minutos e meio, um mundo de subtileza, de suavidade, memória, futuro, delicadeza, talento contagiante, simplicidade, simbolismo a rodos. Tudo num conjunto lindo... de viver!
Bom domingo.
“Menino do bairro negro” – Mayra Andrade
(José Afonso)




sábado, 29 de dezembro de 2012

Paulo Rocha (1935-2012) – Mudar de vida...


Paulo Rocha não precisava de ter sido tudo o que foi para o cinema português. Não precisava de toda a originalidade, humanidade, curiosidade pelo seu humano semelhante, pela vida cultural e política do seu país.
Bastava-lhe ter “levado” Carlos Paredes a compor o tema musical do seu filme “Os verdes anos”... para ter se tornar um nome importante no cinema e na música portuguesa!
“Os verdes anos” – Carlos Paredes
(Carlos Paredes)



domingo, 23 de dezembro de 2012

Elis e Maria Rita – A fusão total


Durante cinco anos foi apenas a menina da sua mãe. Tímida, armações de óculos muito grossas, um olho vendado, extremamente estrábica. E ficou órfã.
Depois “descobriu” realmente o que é ser-se filha de Elis Regina. Foi uma adolescente esmagada pela memória da sua mãe. Descobriu que fora uma artista genial, cantora inesquecível, figura inultrapassável na cena artística brasileira, um ícone da força que foi precisa nos anos de chumbo do Brasil fascista.
Só aos 24 anos teve a coragem de cantar para o mundo, embora o quisesse fazer desde muito mais jovem. Mesmo assim, deve tê-lo feito com a noção de que lhe cairiam em cima as suspeitas do costume nestes casos: que quereria fazer carreira à custa da mãe, que a imitava propositadamente... isso para além da inveja daqueles que nem precisam de razões ou desculpas para a inveja... para além da própria inveja.
Venceu! Agora, ao fim de vários anos de carreira e muitos prémios conquistados, achou finalmente que podia e devia fazer aquilo que até agora nunca tinha ousado: cantar Elis Regina.
Em vez de incluir, discretamente, uma qualquer canção do reportório da mãe num novo disco, decidiu montar um espectáculo inteiro (acompanhado de CD e DVD), em homenagem à grande Elis. O resultado é tremendo!
No primeiro vídeo podemos ouvir Elis Regina cantando um dos seus grandes clássicos, “Como nossos pais”.
No segundo, vemos a Maria Rita cantando a mesma canção, invadida, como sempre, pela herança avassaladora que carrega na voz... mas inda “resistindo” fazendo diferente aqui e ali...
No terceiro, é a rendição total. Este “Águas de Março” é arrepiante. Como se fosse um dueto cantado por um corpo só.
Há particularidades nas interpretações de uma e de outra.
Claro que a Maria Rita tem o toque extra que é a emoção de ver, segundo a segundo, concerto a concerto, o quanto a sua própria mãe é lembrada, amada e cantada em coro por tantos milhares de pessoas
Claro que a interpretação da Elis, na primeira canção, traz um dramatismo e um rasgar de voz únicos que, para além de serem a marca de água da cantora eram o resultado do facto de ser cantada sob um regime brutal de ditadura militar e censura... um “pormenor” que pode mudar para sempre a nossa maneira de cantar, como nós bem sabemos.
Bom domingo!
“Como nossos pais” - Elis Regina
(António Carlos Belchior)


“Como nossos pais” – Maria Rita
(António Carlos Belchior)


“Águas de Março) – Maria Rita
(Tom Jobim)