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domingo, 24 de fevereiro de 2013

Carminho e Chico Buarque – Lá fora, amor, uma rosa nasceu...


Quando pessoas "afastadas" por quarenta anos de idade, milhares de quilómetros e até “separados pela mesma língua”... como disse (com graça) alguém, a propósito de portugueses e brasileiros... pode não acontecer nada, pode acontecer o clássico conflito de gerações... ou coisas maravilhosas.
Uma dessas coisas maravilhosas aconteceu neste encontro de Carminho com Chico Buarque, à volta desta "Carolina" com que ele concorreu a um festival de música popular, em 1967... quando faltavam ainda quase vinte anos para a Carminho nascer.
Uma série infelizmente numerosa de casos de jovens cantores e cantoras que, numa primeira audição me fizeram ficar em estado de “uau!”, para pouco tempo depois se deslumbrarem com os elogios a esta ou aquela “habilidade” vocal, ou fórmula musical, passando a apostar tudo nessas “habilidades” e fórmulas, até ao enjoo, transformando o que tinha começado por ser uma legítima esperança, numa sequência de “números circenses” de gritaria e repetição de truques... faz-me sentir alguma ansiedade de cada vez que ouço uma novidade extraordinária.
Carminho é, até agora, uma dessas novidades extraordinárias! Espero que, com a inteligência que demonstra sempre que fala e o talento que lhe sobra, quando canta, não se deixe enredar em armadilhas musicais do tipo em que "embarcou" com o moçoilo espanhol delicodoçe de há uns tempos... e se concentre na sua arte verdadeiramente única.
Para fazer duetos, que sejam fantásticos! Como este.
Bom domingo!
“Carolina” – Carminho e Chico Buarque
(Chico Buarque de Holanda)



domingo, 20 de janeiro de 2013

Mayra – O que será...


Mayra Andrade “persegue-me”... o que é uma sorte que não tem preço!
Os franceses adoram a Mayra Andrade... o que só confirma o tão celebrado bom gosto de muitos franceses!
O Benjamin Biolay é um dos grandes criadores de canções da nova geração de consagrados, que ainda há bem poucos anos era uma revelação. Não pode ser considerado o cantor-tipo... se o critério de apreciação for aquele que preside aos programas de televisão “trituradores” de sonhos de miúdos e miúdas a quem é exigido que tenham grandes vozes e imitem cegamente este cantor ou aquela cantora. Logo, pelos meus critérios... tem tudo para agradar!
Sobre a Mayra já não falo. Se o fizesse. Seria como que uma espécie de discurso por intermináveis camadas, elogio sobre elogio... encantamento sobre encantamento...
Juntaram-se, ao vivo, para nos “colar” aos sentidos uma versão a dois de um clássico do Chico Buarque, “O que será (à flor da pele)”. Ele canta a versão francesa criada por um grande que já partiu, Claude Nougaro, versão que toda a gente trauteia, em França... nos meios mais dados à canção inteligente.
Ela... ela canta na língua original, o que na sua voz tem aquele sotaque de um misterioso “brasileiro” contaminado por Cabo Verde, depois canta em francês com ele, depois canta sem letra nenhuma... depois é uma grande maluqueira! Uma maluqueira doce, meio sussurrada, hipnótica... mas eu já disse que não falava sobre ela!
Bom domingo.
“O que será/Tu verras” – Mayra Andrade e Benjamin Biolay
(Chico Buarque de Hollanda)



domingo, 6 de janeiro de 2013

Afasta de mim esse cálice!


Há muitos anos (1973), em plena ditadura militar nos Brasil, Gilberto Gil e Chico Buarque participaram em duo num concerto em que seria suposto cantarem “Cálice”, uma canção escrita pelos dois expressamente para essa ocasião.
Previamente ouvida pela censura, a canção foi de imediato proibida.
Para encurtar a estória... os dois, contra as ordens recebidas, acabaram a cantá-la, em palco, apenas com a letra tartamudeada, entrecortada repetidamente pela palavra “cálice”, que faz realmente parte da letra... mas que na pronúncia brasileira resultou num provocador “Cale-se!”, cantado até que a organização lhes foi desligando os microfones um a um.
Sabemos bem que ainda não estamos aí... e, pelo menos alguns de nós, sabem bem qual o sabor daquele “vinho tinto de sangue” de que fala (realmente) a canção. Felizmente, sabemos também que os soldados mais dificilmente são apanhados a dormir, são aqueles que montam sentinelas e estão de prevenção e alerta.
O segundo vídeo, desta vez com Milton Nascimento e cantado sem censura, serve para quem ainda não tenha ouvido, ficar a conhecer... e para todos os restantes que já conhecem poderem recordar uma canção histórica.
Bom domingo.
“Cálice” (versão censurada) – Chico Buarque e Gilberto Gil
(Chico Buarque e Gilberto Gil)


“Cálice” – Chico Buarque e Milton Nascimento
(Chico Buarque e Gilberto Gil)



domingo, 28 de outubro de 2012

Chico Buarque – Chame ladrão!


Servindo-se da sua forma encantadora de, por vezes, retratar realidades sinistras, o Chico Buarque escreveu, há muitos anos, uma canção descrevendo o sobressalto da repressão, da perseguição política, das prisões, da tortura, dos assassinatos, do afastamento, do exílio, do nojo da ditadura militar que durante tanto tempo esmagou o Brasil.
Eram anos de chumbo... em que, como se diz na cantiga, quando a hora chegava, quando "tinha gente lá fora batendo no portão", não adiantava chamar a polícia. A polícia era o inimigo. Era melhor chamar um ladrão...
Também nós já vivemos nesse mundo execrável. Agora, ao arrepio da História e do futuro, há quem esteja a perturbar a nossa linha do tempo, torcendo-a, obrigando-a a apontar de novo ao passado.
Não, inda não chegámos lá! Só que aquilo que é realmente decisivo na História da Humanidade raramente acontece por acaso. O passado só não regressará, se lhe fizermos frente!
Bom domingo!
“Acorda amor” – Chico Buarque
(Francisco Buarque de Holanda)



domingo, 8 de julho de 2012

Chico Buarque e Mart’nália – Deixe a menina sambar em paz


Mart’nália é uma combinação explosiva de duas pessoas. Martinho da Vila e Anália Mendonça. Nunca ouvi a sua mãe cantar, mas pelos vistos a alquimia responsável pelo nascimento deste ser especial, misturou de forma perfeita o que havia de melhor para misturar. Excepção feita ao nome... mas isso sou eu, que não tenho o gosto brasileiro para criar nomes originais.
Mart’nália canta, compõe, toca “violão” e é exímia percussionista, sendo que esta última “habilidade” já a fez correr mundo, integrando as bandas de grandes músicos, antes de se ter aventurado como cantora.
Hoje e aqui, podemos vê-la como convidada do Chico Buarque, num espectáculo ao vivo, fazendo um dueto numa mistura de duas velhas canções dele, “Sem compromisso” e “Deixe a menina”.
O contributo dela, que deixa o Chico tão feliz quanto desconcertado... é algo como se alguém encontrando uma fogueira, resolvesse juntar-lhe gasolina, tal é o balanço, o gozo, a irreverência, a provocação irresistível e a recriação irremediável das canções que, como uma avalanche, arrastam a habitual pacatez dele para parte incerta.
Mart’nália é uma força da Natureza que merece ser muito mais conhecida.
Bom domingo!
“Sem compromisso” e “Deixe a menina” – Chico Buarque e Mart’nália
(Francisco Buarque de Holanda)



domingo, 27 de novembro de 2011

Elis Regina - Tatuagem


Acho que não conheço ninguém que tão bem escreva canções no feminino. Fica-se (eu fico!) com a impressão de que o Chico Buarque tem dentro de si várias mulheres, com vidas e estórias carregadas de paixões, alegrias, dramas, tragédias... mulheres que, de vez em quando ganham vida e “cantam”, servindo-se da sua voz e das suas palavras.
Uma dessas mulheres tem lugar cativo no universo de canções do Chico: Elis Regina.
As “versões” de Elis são definitivas. Tornam-se o molde. A matriz a partir da qual tudo se compara. Esta sua arrasadora interpretação de “Tatuagem” é um grande exemplo disso mesmo.
Em princípios dos anos setenta do Século XX, quando ainda não havia “telediscos”, Elis resolveu inventar um. Uma canção que já era um espanto, torna-se verdadeiramente incendiária. Por momentos, aquela relação da intérprete cantora com o intérprete músico... é, para dizer o mínimo, perturbante.
Eu sei que, neste caso, o músico (grande músico!) era César Camargo Mariano, o grande amor da sua vida. O amor que para além dos fantásticos frutos musicais que fez nascer, “produziu” seres humanos e talentos como o de Pedro Mariano e de Maria Rita. Mesmo assim... em que estado ficará um “pobre” pianista, quando a cantora, ainda por cima, sendo a Elis Regina, resolve encará-lo e cantar uma canção destas, desta maneira?
Bom domingo!
“Tatuagem” – Elis Regina
(Chico Buarque /Ruy Guerra)



domingo, 12 de junho de 2011

Chico Buarque – Cuidado...


Hoje proponho a engenhosa construção de melodias de Francis Hime e a filigrana de palavras de Chico Buarque. Deixar-nos-emos guiar pela voz deste, num passeio pela interminável e fecunda diversidade da Natureza, aqui simbolizada pela fantasia dos nomes do “passaredo” da fauna brasileira.
Deixemo-nos encantar pelos seus cantos únicos e cores inexplicáveis. Fiquemos do lado daqueles que os amam e defendem, contra a antiga ameaça do “homem que vem aí”... e que, num gesto, pode destruir tudo o que é belo e vivo. Cuidado!
Bom domingo!
Passaredo
(Francis Hime/Chico Buarque)

Eipintassilgo 

Oipintaroxo 

Melrouirapuru 

Ai, chega-e-vira 

Engole-vento 

Saírainhambu 

Fogeasa-branca 

Vaipatativa 

Tordotujutuim 

tié-sangue 

tié-fogo 

rouxinolsem-fim 

Some, coleiro 

Andatrigueiro 

Te escondecolibri 

Voamacuco 

Voaviúva 
Utiariti 

Bico calado 

Toma cuidado 

Que o homem vem  

homem vem  

homem vem  



Eiquero-quero 

Oitico-tico 

Anumpardalchapim 

cotovia 

ave-fria 

 pescador-martim 

Some, rolinha 

Andaandorinha 

Te escondebem-te-vi 

Voabicudo 

Voasanhaço 

Vaijuriti 

Bico calado 

Muito cuidado 

Que o homem vem  

homem vem  

homem vem 

“Passaredo” – Chico Buarque
(Chico Buarque/Francis Hime)