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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

PS e PCP – Os “inimigos”?


«Não distinguir os inimigos sempre foi Fatal, apreciações à parte os camaradas quando se unem com a direita Gozam que se Fartam, é fartar vilanagem, tudo quanto sirva para derrubar o PS é bom. Já lá vão quase 40 anos e os camaradas ainda não deram pela QUEDA DO MURO. Vão ganhar as próximas eleições. Como sempre aliás».
Retirados uns acidentais erros de digitação, é este o teor de um comentário deixado no post que, em tom de simples brincadeira, aqui escrevi sobre o valoroso ataque ao poder “a la António Vitorino”, protagonizado por António Costa, escrito por um militante ou simpatizante do Partido Socialista, que se identificou como Miguel Lopes.
Constatamos assim que o Miguel Lopes, depois de ter engolido a cassete com a lengalenga da culpa do PCP na queda do demissionário Sócrates... ainda não conseguiu regurgitá-la... apesar do ridículo da música e da letra da cantiga.
Segundo o nosso comentador (mais picardia, menos picardia), o PCP escolheu o PS como “inimigo” principal... "aliou-se à direita"... e o resultado é o que se vê!
Portanto, se bem entendo, que fique para a História que foram os comunistas, e não Mário Soares (e o PS), quem conspirou com a CIA e Carlucci para a derrota da Revolução de Abril.
Que foram os comunistas e não Mário Soares (e o PS), quem conspirou com os sectores mais retrógrados e fascistas da Igreja Católica, com o apoio operacional de organizações terroristas e bombistas de extrema direita, para assaltar sindicatos identificados com os comunistas... e Centros de Trabalho do próprio PCP.
Que foram os comunistas e não o PS que, a nível governamental, fizeram alianças repetidas ao longo de décadas... mas sempre e só com o PPD-PSD e o CDS.
Finalmente... que foram os comunistas e não o PS, quem assinou famoso memorando com a troika.
Temos que admitir que para ter uma tal visão da História... é preciso ter uma “extraordinária visão”!
Agora a sério... resta uma singela pergunta dirigida a todos os “Migueis Lopes” desta vida:
Se, então, o PS não é “o inimigo”, e eu não digo que o seja, pelo menos nesses termos... quando é que , exceptuando honrosos casos pontuais e de natureza local... alguma vez foi o amigo?

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Sean Penn/Hugo Chávez – Aplauso!


Chegam notícias que nos dão conta do apoio explícito e presencial do grande actor norte-americano Sean Penn à reeleição do Presidente Hugo Chávez. Ao que parece, Sean Penn acha, tal como eu acho, que a Venezuela, os milhões de pobres que a Revolução Bolivariana tem vindo a tirar da pobreza pela primeira vez em muitas gerações, assim como a América Latina em geral... têm a ganhar com a reeleição de Chavez. Por muito que isso custe e faça estrebuchar os de sempre: as oligarquias venezuelanas ainda instaladas e, mais a norte, os grandes interesses que o “regime de Chavez” como lhe chamam, tem vindo a enfrentar.
Seja como for, não é sobre a “ditadura de Chávez”, como também lhe chamam... curiosamente, talvez a “ditadura” mais referendada e sujeita a eleições de que me lembro, que me interessa falar.
Também não do actor Sean Penn, em particular, embora seja de notar que a lista de causas que tem defendido parece indiciar que a história de repressão e perseguição ao seu pai, o realizador Leo Penn, vítima da célebre “lista negra” quando se recusou a denunciar os seus companheiros de profissão, acusados de pertencerem ao Partido Comunista... essa história familiar, como dizia, fê-lo perceber de que lado estão os seus verdadeiros inimigos.
Aquilo que me leva a falar deste assunto é o acto cívico e político do apoio, em si mesmo.
Gosto de ver, quando um artista, em qualquer parte do mundo, neste caso nos EUA, dá a cara por aquilo em que politicamente acredita. Fica bem a Sean Penn o seu apoio a um candidato de esquerda da Venezuela, como há dias e também no seu pleno direito, Clint Eastwood decidiu anunciar o apoio ao fanático religioso de direita, Mitt Romney, candidato “republicano” à presidência dos EUA. A liberdade de expressão não é “boa” apenas quando é ao nosso gosto... o que não impede, evidentemente, que se lute com firmeza por aquilo que julgamos ser a nossa razão.
Aquilo que, confesso, já me mete algum nojo, são os milhares de artistas que andam por aí, borrados de medo, tentando agradar a todos, fazendo tudo o que é humanamente possível para que não se perceba que têm qualquer preferência partidária, ou, sequer, uma ideologia... insistindo na tecla já esfarrapada de que a arte não tem nada que ver com política... argumento tão manhoso e falso hoje, como no tempo das gravuras rupestres.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Espanha – Não vale a pena tentar esconder...




Mariano Rajoy, o reaccionário para quem o PSOE perdeu as eleições em Espanha, tem, visivelmente e depois de várias tentativas falhadas, a tenacidade largamente reconhecida às lapas, para se agarrar ao poder. Desgraçadamente, tem também o mesmo carisma, criatividade, ideias, capacidade de comunicação...
Lá, como cá, assistiremos a essa novidade política que que é a “degradação na continuidade”, em que tanto faz o PSD suceder ao PS, como o contrário...
Seja como for, aquilo que me “convoca” nestas eleições espanholas não é o facto de a crise ter derrubado mais um governo, independentemente da sua orientação. Aquilo que é verdadeiramente espantoso é que varrendo o “Google” e os jornais, quase de cabo a rabo, fica-se com a ideia de que apenas o PP e o PSOE concorreram ao acto eleitoral.
Nada mais falso! A subida da "Izquierda Unida", de dois deputados para onze, demonstrando que conseguiram sacudir o fardo do “voto útil”... pelo menos a ver pela extraordinária votação (que não é reflectida no número de eleitos), somada à subida de outras forças de esquerda, mostram que há muito mais gente a mexer para aqueles lados do que aquilo que a imprensa do sistema quer fazer crer. Mostram que lá, como cá, há muitos milhares de cidadãos que não se conformam.
Voltando ao princípio e à “entusiástica” figura do novo presidente do Governo espanhol, com o seu discurso soporífero... direi que, provavelmente, ele é a prova de que, afinal, existe esperança para António José Seguro.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Ratos e homens... ou uma Hamelin dos tempos modernos


O facto de vivermos em recessão e à beira de uma grave depressão, é apenas um dos pontos de encontro entre o nosso presente e o presente violento das personagens de "Ratos e homens", o famoso livro de Steinbeck. O outro é a causa comum da tragédia, o imutável capitalismo. No resto, quase tudo é diferente e ainda mais imperdoável, pois já todos vivemos, entretanto, o suficiente para que fosse natural termos aprendido algumas lições...
Por isso, prefiro dizer que somos uma espécie de cidade de Hamelin dos tempos modernos, em que tudo está do avesso... e os flautistas são os ratos... enquanto os serem humanos os seguem, hipnotizados, até se precipitarem e afogarem nas águas revoltas.
Que bem nos faria agora acordar!