Está virada a página no PS. Foi, segundo o novo secretário geral, uma campanha «inesquecível». Tão inesquecível, empolgante e mobilizadora... que fez cerca de vinte e três mil militantes votarem nele. Uma verdadeira “vaga de fundo”, portanto.
À semelhança de alguns realizadores de cinema portugueses (e não só), que passam tanto tempo em desespero para fazer um filme, que quando finalmente o fazem, querem lá pôr tudo aquilo que pensaram sobre tudo... durante quase toda a vida, Seguro andava há tanto tempo a preparar o salto, que o discurso de vitória ficou transformado numa espécie de engarrafamento de frases feitas e chavões, colecionados desde que se inscreveu na "jota" do PS.
Finalmente, ganhou o seu lugar no cantinho superior direito da galeria de figuras que ocuparam o cargo de secretário geral desde o 25 de Abril. Cada um deles, Mário Soares, Almeida Santos, Vítor Constâncio, Jorge Sampaio, António Guterres, Ferro Rodrigues e José Sócrates, deixou a sua marca pessoal. Com cada um deles, o PS foi fazendo História na democracia portuguesa.
- Com Soares, “enfiou o socialismo na gaveta” e conspirou com os sectores mais reacionários da Igreja Católica e com a CIA, para fazer a contra-revolução.
- Com Almeida Santos... não me lembro.
- Com Constâncio, dormiu uma longa sesta.
- Com Sampaio, fez discursos inexplicáveis e, aqui ou ali, verteu umas lágrimas.
- Com Guterres, virou ainda mais à direita, rezou muito... e ficou a vê-lo pirar-se para outras paragens.
- Com Ferro Rodrigues... não sei o que fez, mas o que quer que tenha sido, foi extremamente rápido.
- Com Sócrates, cometeu a longa lista de crimes que estamos (quase) todos a pagar.
- Com António José Seguro... aparentemente, decidiu fazer um longo, loooongo “intervalo”.
Atendendo a que a maioria PSD/CDS necessita de votos do PS para conseguir rever a Constituição, se os deputados “socialistas”, satisfazendo algum interesse particular (a que não deixarão de chamar “nacional”), votarem com Passos e Portas… António José Seguro, para cumprir a sua solene promessa de “recusar” a revisão constitucional, fará o quê? Deitar-se-á a espernear no meio da Assembleia da República e fará uma monumental birra?
Portanto... começa bem! Como disse, vai ser um longo, loooongo intervalo.