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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Tribunal Constitucional – Umas contas do tempo da velha 4ª classe...




O Tribunal Constitucional, infelizmente, não achou que um aumento da carga laboral dos funcionários do estado, de 35 para as 40 horas semanais – um aumento de mais de 14% - tivesse uma gravidade que justificasse o seu chumbo.
Fez mal! Na verdade, um aumento de horas de trabalho sem o equivalente aumento de vencimento mensal (assim numas contas feitas em cima do joelho)... é um roubo salarial “igual” ao aumento de horas de trabalho não remunerado. Vamos às contas!
Imaginemos um trabalhador que ganhe 1000 euros por mês, logo, mais coisa menos coisa... 250 por semana. Num horário de trabalho de 35 horas semanais, isso daria, em números redondos, uma média de 7 euros por hora. Aumentando o horário de trabalho para as 40 horas, o trabalhador deveria ser aumentado para 285 euros. Se o trabalhador devia receber 285 euros, mas recebe apenas os mesmos 250, isso constitui um roubo de 35 euros, ou seja, um roubo de 12, 280%.
Pergunto-me: se o governo tivesse, depois de todos os cortes anunciados e dos outros, entretanto, já cometidos, apresentado esta medida como aquilo que ela realmente é, um corte extra nos ordenados dos funcionários, um corte de mais de 12 por cento... será que o Tribunal Constitucional que encontrou tantas justificações para o não chumbo, continuaria a achar esta verdadeira "pulhice"... uma coisa minimamente tolerável?

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

DCIAP - Ai esta minha ingenuidade!!!...


Fantástico! Sou muito ingénuo! Perigosamente ingénuo, diria mesmo…
Então não é que estava firmemente convencido de que as investigações judiciais e os processos que daí resultam, quer acabem em condenações, quer acabem em arquivamento, tinham como único fim fazer justiça... e não “ajudar a desanuviar” isto ou aquilo?

Vítimas da imbecilidade




Leio que o "CM-Jornal" vai cometer uma série documental dedicada ao fenómeno da violência doméstica, a que resolveu dar o nome de “Vítimas do amor”.
E eu que pensava que alguém que esfaqueia a mulher, ou a espanca regularmente, ou agride verbal e psicologicamente... está a anos luz de qualquer coisa que tenha que ver com amor, antes sendo um criminoso, um sádico, um canalha, um cobarde, um filho da puta que, no limite, não passa de um doente mental... mas, felizmente, quase sempre imputável!
Quase sempre... não estivessem a sociedade, a polícia e até os juízes, nos poucos casos que chegam a tribunal, ainda infectados pela imbecilidade do ditado reaccionário “entre marido e mulher não metas a colher”... o que tantas vezes "justifica" a benevolência com que são tratados os agressores. Isto quando não se chega mesmo a insinuar que a vítima “estava mesmo a pedi-las!”
Quando vemos que ainda há responsáveis por órgãos de comunicação social que acham normal baptizar uma série sobre o tema em questão com um título que remete para o “amor”... vemos quão longe estamos de uma solução para este flagelo social, ou, sequer, de uma discussão decente e consequente sobre o tema!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Ordem dos Advogados – Bem em cima do acontecimento!!!




Depois de um "estudo" que teve a duração de mais de sete anos, o Conselho Deontológico da Ordem dos Advogados retirou a licença de advocacia a Vale e Azevedo. Dizem que o homem «não possui idoneidade moral para o exercício da profissão». Acrescentaria eu que o facto de estar (e ir continuar) na prisão, também não ajuda por aí além.
Os meus conhecimentos sobre os segredos da advocacia e os meandros da arte de presidir aos destinos do Benfica, equiparam-se numa única coisa: a nulidade! Assim sendo é-me muito difícil “dizer coisas” sobre a decisão dos senhores Conselheiros. Mas, convenhamos, pelo menos uma evidente qualidade pode ser-lhes gabada:

A grande pooooon – deee – raaa – çããããoooo...

sábado, 28 de setembro de 2013

BPN e Oliveira e Costa – Uma questão de equidade...




Li ontem que estava a revelar-se impossível para as autoridades notificar o tristemente famoso ladrão do BPN, Oliveira e Costa, para comparecer em tribunal, no ambito do julgamento de uma trafulhice envolvendo o próprio Oliveira e Costa e outro “governante” de Cavaco, Duarte Lima.
Independentemente de terem, entretanto, conseguido, ou do que penso sobre um sistema judicial que permite que isto aconteça... deixo apenas um “desabafo”:
Enquanto esta situação caricata se mantiver, gostaria muito de que o Fisco ficasse igualmente impossibilitado de notificar os contribuintes que vivem do seu trabalho... para fazerem qualquer pagamento de impostos, sabendo-se quantos milhares de milhões de euros desses impostos se destinam, exclusivamente, a cobrir o roubo do senhor Oliveira e Costa e dos restantes membros da quadrilha de “ajudantes” de Cavaco Silva.

domingo, 25 de agosto de 2013

Justiça – Num mundo “ideal”...



Num mundo que nem precisava de ser “ideal”... seria suposto que, para se chegar ao posto de juiz, para além dos conhecimentos técnicos (conhecimentos que qualquer aluno imbecil mas “marrão” consegue adquirir), seria necessário dar provas de uma verdadeira vocação, de senso comum (de preferência, bom senso), sentido de equilíbrio, experiência de vida, conhecimento profundo do tecido humano em que se está integrado, uma forte consciência social e política... e, já agora, uma bem estruturada e sedimentada cultura geral.
A vida encarrega-se, todos os dias, de mostrar o quanto isto é uma utopia.
Eu sei, eu sei que todo este meu primeiro parágrafo é uma espécie de manual de como “pedir demais”... mas, que diabo!, nem sempre a alternativa ao oitenta deveria ser o oito!
E assim chegamos ao assunto deste post: a decisão de uma senhora juíza, de mandar arquivar uma queixa de uma mulher agredida pelo marido, marido “extremoso” que só não agrediu também a filha, porque a mãe decidiu fazer-se agredir um pouco mais, ao separá-los.
Neste seu evidente momento de indigência mental, a senhora juíza conseguiu, de uma assentada, envergonhar a sua profissão, faltar ao respeito às mulheres (e homens) vítimas de violência... e dar um golpe na coragem que de que precisam as vítimas para quebrarem as correntes do medo e da vergonha, denunciando a violência e exigindo justiça.
Num mundo ideal, teria nessa noite havido uma instantânea “falha na linha do espaço temporal”, falha muito politicamente incorrecta (até da minha parte!), em que o marido da senhora juíza perderia, também ele, “a noção”... dando-lhe uma tareia que a deixasse internada na ala de ortopedia de Santa Maria, durante dois meses... em homenagem aos milhares de mulheres que todos os dias são agredidas dentro das suas próprias casas e às centenas que perdem a vida às mãos dos maridos, namorados... e demais “amantes”.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Vital Moreira – Hoje há um “empate”...



Não faço a mais pálida ideia de onde diabo pode Vital Moreira tirar a ideia de que é aceitável pretender-se aumentar a carga laboral de um trabalhador  e não lhe aumentar, proporcionalmente, o vencimento... sem que isso possa ser considerado um corte ilegal nesse mesmo vencimento, sempre que esse vencimento e demais condições de trabalho estiverem devidamente contratualizadas, como acontece com os trabalhadores do Estado. Não faço ideia de como pode Vital Moreira, ou seja quem for, achar isso, sequer, normal... quanto mais constitucional!
Na verdade, Vital Moreira conseguiu tirar de um qualquer escaninho da sua competência em assuntos constitucionais, a pretensão de que a Constituição da República Portuguesa pode conviver com essa injustiça.
Junta, em sua “defesa”, o argumento de que os vencimentos no sector público são, em média, superiores ao do sector privado, para o mesmo tipo de tarefas... parecendo ignorar o facto de que, pelo menos da última vez que alguém estudou o assunto honestamente, verificou-se que muitas dessas tais mesmas tarefas, são exercidas, no sector público, por trabalhadores com maior formação.
Talvez para “compensar”, tive o prazer de verificar que Vital Moreira, ainda que não tendo ficado a perceber se é contra, ou a favor da existência da lei de limitação de mandatos autárquicos, acha, pelo menos que, irremediavelmente instalada a dúvida sobre a lei, o Tribunal Constitucional deveria optar por não prejudicar os cidadãos no seu direito à elegibilidade.
Gosto, sobretudo, do argumento (e do termo) que usa para dizer que com outros “mandantes” (eleitores) não se pode falar de repetição de mandato. Logo, quando a candidatura se verifica num território e um universo de votantes novos... não pode haver impedimento à candidatura. Concordo plenamente!
É assim a vida... até na minha atribulada “relação virtual” com o constitucionalista Vital Moreira, com quem percorri, há muitos anos, muitos quilómetros de campanha eleitoral por um mundo melhor: perdem-se umas, ganham-se outras!

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Eleições Autárquicas – Há coisas tão "feínhas"...


E lá volto ao mesmo! A lei de limitação de mandatos autárquicos, na minha modesta opinião, nem deveria existir! A única limitação ao direito de se fazer eleger para uma autarquia, devia ser a comprovada falta de honestidade, transparência verdade, competência.
Infelizmente, o facto é que a lei existe. Infelizmente, o facto é que foi feita de forma suficientemente incompetente (??) para permitir interpretações divergentes.
Agora, por maiores que sejam as confusões geradas, todas as interpretações são legítimas... mas, felizmente, contestáveis.
Ainda assim, há coisas que me desanimam um pouco.
Se de um movimento com objectivos misteriosos e um nome “afascistado”, como é a “Revolução Branca” que, diga-se em abono, não concorre às eleições, este encarniçamento sobre as candidaturas, única forma de aparecerem nos media e, quem sabe, acabarem a formar um partido... é compreensível, já este passatempo do BE, que o leva a pôr a política em tribunal um pouco por todo o lado... é bastante esquisito.
Não haveria forma de debater isto politicamente, nos lugares certos, ou, no limite, tentando “impugnar”, ou confirmar, ou aclarar a lei directamente no Tribunal Constitucional, em vez desta espécie de tiro ao alvo sobre candidatos específicos?
Não é uma vergonha para a política, para a justiça (e para a democracia) esta sucessão inevitável de decisões contraditórias dos tribunais, ora pelo facto de, como já disse, a lei dar lugar a interpretações, ou porque os senhores juízes acabam fatalmente sob a suspeição de se moverem por simpatias partidárias?
E, finalmente, ainda quanto ao BE... não seria bem melhor dedicar-se com empenho ao trabalho político, com o justo objectivo de ganhar algum peso eleitoral a nível autárquico, em vez de se entreter a “dinamitar” candidaturas concorrentes?
Quando, passadas as eleições, um candidato impedido de se candidatar, decidir impugnar todas as eleições em que, ao abrigo da mesmíssima lei e com as mesmas “limitações” a apontar, houver candidatos a quem foi permitido fazerem-se eleger de novo... de que lado ficará o Bloco de Esquerda, perante essa evidente injustiça?

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Alegria no trabalho *


Um grupo de juízes entendeu enveredar pela comédia, ao tecer este tipo de considerações sobre um trabalhador alcoolizado. Pelo teor do acórdão que exalaram... perdão!, exararam... imagino que estariam, eles próprios, também bastante alegres no trabalho.
Já a senhora jornalista do “Público”, Ana Henriques, que parece ter redigido a notícia que li online... também tem que se lhe diga.
Na primeira calinada, identificou o trabalhador, como “de leste”. Leste de quê? Para aqueles lados as pessoas não têm nacionalidade? É que dito assim e em relação à secretária de trabalho da senhora jornalista... o homem tanto podia ser natural de Kiev... como de Elvas.
Na segunda calinada, informa-nos de que o trabalhador acusava uma taxa de alcoolemia que «ascendia às 2,3 gramas por litro».
Como não acredito que a senhora jornalista pense que “o leste” é um lugar, ou que não saiba que “grama” não é um substantivo feminino (a menos que se trate de relva… no Brasil), presumo que também terá dado forte na bebida antes de ir trabalhar.

Resumindo... é uma alegria!!!

* Não, desta vez não se trata de fazer um paralelismo com a fascista Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT)! É mesmo apenas uma grande parvoíce!

sábado, 15 de junho de 2013

Cavaco – Uma pergunta simples



Aproveitando o que poderão ser as últimas oportunidades (se nada fizermos para o evitar) de poder falar “livremente” de Aníbal Cavaco Silva, antes que chegue o tempo em que não poderemos, sequer (parafraseando um humorista que ouvi ontem), nomeá-lo, ou desenhá-lo, ou publicar qualquer imagem sua... e tendo que referir a sua pessoa apenas como “Ele”, obviamente com maiúscula... quero dizer qualquer coisa sobre o já famoso,
“Vai mas é trabalhar, ó...!”
Numa acção relâmpago, destinada, certamente, a humilhar os colegas que parecem incapazes de julgar e condenar grandes criminosos, figurões de que são exemplo os ladrões do BPN, essa corja de ex-ministros e demais ajudantes de Cavaco... as autoridades, neste caso do “vai mas é trabalhar, ó...!”, detiveram, acusaram, julgaram e condenaram, num espaço de apenas horas, o cidadão que insinuou que o Presidente talvez não esteja a defender os portugueses e a Constituição da República, como jurou defender... não estando, por isso e no entender desse cidadão, a trabalhar.
Dando de barato o facto de estar completamente de acordo com o cidadão em causa, quero, no entanto, chamar a atenção para outra notícia relacionada com esta estória.
Segundo leio, o Ministério Público requereu a nulidade do julgamento, pelo facto de o crime de que o campomaiorense foi acusado e pelo qual foi condenado, não poder ser julgado num processo sumário.
Independentemente de saber se o MP acha exagerada ou insuficiente a punição do “condenado”, ou se considera que deve haver lugar a uma nova acusação e julgamento, gostaria de deixar aqui uma pergunta simples, dirigida sobretudo aos senhores (desde os pides, perdão... polícias à paisana até aos juízes) que trataram de prender e julgar sumariamente o homem:
Será pedir muito, pretender que as autoridades que têm como profissão e tarefa defender e aplicar a Lei, conheçam minimamente a Lei que dizem defender e aplicar, porra?!!!

sábado, 25 de maio de 2013

Miguel Sousa Tavares





O escritor e comentador Miguel Sousa Tavares está a ser alvo da “atenção” das autoridades. Do Ministério Público e da própria Presidência da República. Em causa está o facto de o comentador ter partilhado urbi et orbi a sua opinião pessoal... segundo a qual, «Cavaco Silva é um palhaço».
Diz-se que arrisca uma pena que pode ir até 3 anos de cadeia! Acho pouco! Por mim, fechava-o numa cela e deitava a chave fora... só pelo desplante de vir para os órgãos de comunicação social insinuar que Cavaco Silva tem graça.
Está, ainda assim, com muita sorte, pelo facto de ser a Presidência e não o Sindicato dos Palhaços a apresentar a queixa.

Esses sim! Esses têm todas as razões para estarem profundamente ofendidos na sua dignidade! Humana e profissional!

terça-feira, 21 de maio de 2013

Jorge Videla – Festejar (apenas) o que é festejável


Jorge Videla, que vemos aqui em duas poses diferentes, a primeira a sua pose oficial de ditador fascista e assassino sanguinário, perdoe-se a redundância... e a segunda, de “bom cristão”, comungando e, certamente, elevando o pensamento aos céus e aos vários milhares de vítimas da sua pose oficial, vítimas mandadas assassinar, no caso de se tratar de oposicionistas, ou crianças roubadas aos pais, aos milhares... e de que, até hoje, não se conhece o paradeiro.
Se há coisa de que me posso gabar é do facto de não ser fácil, senão impossível, encontrar um texto em que eu tenha festejado a morte de alguém neste espaço que já leva mais de cinco anos de desabafos mais ou menos sérios, mais ou menos disparatados, mais ou menos irritados.
Mais uma vez, também agora não festejarei a morte do ditador argentino, morte anunciada já há alguns dias. Não! Aquilo que festejo, sem sequer tentar disfarçar... é o facto de, embora por pouco tempo, o canalha ter, de facto, cumprido a pena de prisão perpétua a que foi condenado.
Digo mesmo mais. A morte bem que poderia ter esperado mais um bom par de anos... mas é bom que o tenha encontrado no seu lugar: uma cela da prisão!
Tantos já escaparam! Tantos ainda por apanhar, julgar e prender... mas é um passo!

sábado, 11 de maio de 2013

Isaltino Morais – Inexplicável... inesperado, chocante!



De repente, o título da notícia, caindo como uma bomba! De carnaval... mas bomba, ainda assim: “Isaltino Morais suspende mandato”.
Nããããoooo!!!!
A minha alma está pasma!
Foi alguma coisa que lhe disseram?
Amuou?
Passa-se alguma coisa de grave?
É verdadeiramente inexplicável... inesperado e chocante!

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Generais Angolanos – Arriscar um julgamento... será inteligente?


Fomo-nos habituando à ideia, infelizmente, diga-se!, de altos dirigentes angolanos, generais e família do Presidente... são sinónimo de gigantescos negócios que nenhum vencimento, ou mesmo lucro legítimo explica. Fomo-nos habituando ao corrupio não só de todos esses, mas igualmente das esposas, que se organizam em aviões fretados para vir a Lisboa fazer compras, ou coisas ainda mais importantes, como ir ao cabeleireiro. Fomo-nos habituando a que os multimilionários apartamentos de vários milhões de euros, do novo Estoril-Sol e similares... sejam dos tais angolanos.
Isto, sendo uma constatação, não implica nenhuma generalização (nem poderia implicar!) sobre questões de honestidade e carácter da classe dirigente angolana.
Daí que seja perfeitamente normal que alguns generais possam estar, legitimamente, a defender o seu bom nome, nesta estória em que sete deles resolveram processar o autor angolano e a editora portuguesa, de um livro, “Diamantes de sangue: tortura e corrupção em Angola”, de Rafael Marques, onde se fala de prováveis crimes cometidos por alguns deles (alguém os terá cometido, que diabo!).
Não conheço de todo o autor do livro, não o li... mas espero que tudo venha a ficar em pratos limpos (ia dizer “preto no branco”... mas tive receio das reacções), tendo até uma razoável expectativa sobre se as investigações e apresentação de provas a que um julgamento certamente obrigará, fará recuar a História até à portuguesíssima família Soares... e ao seu alegado gosto por diamantes angolanos (quem sabe?!).
Com quem não posso deixar de estar solidário, é com Bárbara Bulhosa, a responsável da editora “Tinta-da-China”, agora arguida e com termo de residência, porque o facto de alguns generais angolanos não terem noção do que seja um Poder Judicial (quase) independente, como é o nosso, não lhes dá o direito de virem tentar intimidar quem resolva, no futuro, escrever, investigar, ou dizer o que quer que seja que não lhes agrade.
Seja como for, o meu lado anárquico gostou de ver que o omnipresente José Miguel Júdice é o representante dos generais... sobretudo porque ao imaginar o grande advogado brandindo espadas pela honestidade dos seus clientes, não pude deixar de me lembrar da famosa anedota em que o Bocage também defendia uma grande dama da sociedade, jurando a todos os presentes no salão:
- O traque que aquela senhora deu... não foi ela, fui eu!

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Isabel Jonet – Terá amigos?


A senhora Isabel Jonet terá amigos a sério? Daqueles capazes de lhe dizer olhos nos olho “ó mulher, cala-te!”?
Eu sei que retirar frases de um contexto pode ser um erro, ou mesmo uma maldade para com um entrevistado... mas a frequência com que isso acontece à senhora Isabel Jonet já deveria ter acendido uma qualquer luz de alarme no seu cérebro.
Desta vez atira pela boca fora: «Sou mais adepta da caridade do que da solidariedade social». É, sem sombra de dúvida, um direito que lhe assiste.
Ainda assim... a verdade é que por mais voltas que se deem e por mais injusto que isso seja para com a “caridade”, exércitos de beatas arrogantes sempre mais inclinadas a invocar a ira e os castigos de Jeová do que o amor de Cristo, responsáveis por muitas gerações de “caridadezinha”, acabaram por identificar a caridade, não com a poética e bíblica noção de amor incondicional (e desinteressado) pelo próximo, mas sim com exibição pessoal, interesseirismo para ganhar o céu, ou mesmo muitas vezes, pura arrogância "superior" para com o pobre, que intimamente se condena enquanto publicamente se “ajuda” com a esmolinha.
Na prática, a caridade tornou-se um descargo de consciência, o acto pontual de dar uma coisa qualquer ao pedinte e deixá-lo lá... sentado na mesma esquina, a pedir.
Pelo contrário, a solidariedade social, não negando a importância de dar, pontualmente, uma ajuda a alguém em situação desesperada, pressupõe uma atitude que implica a compreensão das causas da pobreza e da exploração que a originou. Implica a disponibilidade para lutar a favor da erradicação dessas causas. Implica lutar pela justiça, para todos, na Terra e não por ganhar, individualmente, o céu.
Está a senhora Isabel Jonet, como já disse, no pleno direito de, intimamente, preferir a caridade à solidariedade social; mas, voltando ao primeiro parágrafo, deveria ter amigos verdadeiros que a aconselhassem a não dizer estas baboseiras em público.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Paula Teixeira da Cruz – De cada vez que abre a boca...




Se é sabido que as privatizações são uma forma de espoliação dos interesses dos portugueses que só interessa a especuladores, negociantes, ou à soma de tudo isso, os banqueiros... não admira que o senhor do BES estivesse de olho numa dessas privatizações.
Se é sabido que de cada vez que vai ao estrangeiro, ou que atende Angela Merkel ou o seu ministro alemão das Finanças, ao telefone, Passos Coelho junta mais umas linhas ao caderninho onde aponta as ordens que irá cumprir sem rebuço... não admira que o senhor do BES esteja convencido de que é possível pressionar o primeiro-ministro de Portugal.
Posto isto, quero crer que nada daquilo que está nas fortuitas escutas do telefonemas do senhor do BES a Passos Coelho tem a menor importância. Devem ser tão irrelevantes estas escutas, quanto foram as escutas de Sócrates, ou as da “fruta” dos árbitros, ou dos robalos do Vara, ou dos aparelhos de ar condicionado da doutoraZita... ou mesmo das mui afogueadas escutas da dona Adozinda aos ruídos que vêm do quarto que um jovem e fogoso casal tem alugado, mesmo ao lado da sua parede de tabique, ali num segundo andar da velha Rua da Atalaia.
Na verdade, a única coisa que me interessou nestas escutas a Passos Coelho, foi a performance da ministra da Justiça que, já por duas vezes nos últimos dias, meteu o bedelho onde não devia, comentando investigações judiciais em curso.
Na primeira, que envolvia ex-governantes do PS, montou uma verdadeira tenda de feira, desceu das tamancas e gritou, histérica, que «agora a impunidade acabou»... “agora sim, vamos dar a volta a isto!, agora sim, há pernas para andar!, agora sim, eu sinto... ” (peço desculpa... esta parte acho que é dos “Deolinda”)... muito antes de que se percebesse o que diabo sabiam ou não sabiam os investigadores.
Agora, nas escutas que envolvem Passos Coelho... é vê-la, angelical, "compreendendo" o PM, defendendo que é muito natural «que qualquer pessoa inocente tenha vontade de que a sua inocência seja claramente exposta».
Agora está, por antecipação, convencida da inocência deste "fortuito escutado".
A dona Paula Teixeira da Cruz pode até ser uma “santa” senhora… mas, na verdade, quase todos os dias demonstra que muito dificilmente isso é qualificação suficiente para ocupar o lugar de ministra da Justiça!

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Isaltino Morais – Deixem o coitado do homem em paz!



Apesar de o Ministério Público defender que Isaltino já deveria estar preso, o homem tentou mais uma manobra para se livrar da justiça, justiça que se algum dia chegar, chega tão tarde, que nem será mais uma justiça digna do nome.
Desta vez vai contestar a existência de um crime que tinha antes admitido e pelo qual já foi condenado.
Como eu o compreendo!!!
Perante os profusos exemplos de colegas de partido, ex-deputados, ex-ministros, secretários de Estado e seus derivados, arvorados em banqueiros, gestores e demais sub-produtos... perante, sobretudo, o exemplo do Governo do seu partido, cujos roubos e demais crimes continuados estão a arrastar o país para a miséria e os portugueses para o desespero, o pobre homem deve sentir-se tão inocente como o escuteiro mais ingénuo da “alcateia de lobitos"... digno, não de prisão, mas sim de uma menção honrosa!

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Procurador, procura-se!



Para grande desgosto do respeitável público, a dona «Cândida Almeida está fora da corrida à liderança da Procuradoria Geral da República». Diga-se em abono da verdade que... também eu!
Agora, com o senhor doutor Pinto Monteiro quase, quase fora da fotografia, está na altura de a Procuradoria começar a procurar com afinco um novo Procurador que, efectivamente procure... e, se não for pedir muito... que ache alguma coisa.

Obs: Eu sei... eu sei que não é a Procuradoria que tem a incumbência de procurar o novo Procurador, mas se não fosse assim, como é que o trocadilho teria graça?

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Submarinos – Ser solidário *


É uma grande injustiça! Diria que é mesmo uma enorme crueldade!
Falo dos coitados dos corruptos alemães, ligados ao negócio dos submarinos do Paulo Portas, corruptos que, não tendo a felicidade de viver neste paraíso à beira-mar plantado, foram rapidamente identificados, encontrados, acusados, condenados... e presos.
Acho, por isso, ser um toque de grande crueldade para com esses homens obrigá-los a seguir, pelos jornais e televisões, as notícias que dão conta da vida que levam os seus “sócios” portugueses. Negando, sonegando, adiando julgamentos repetidamente, fazendo desaparecer documentos dos arquivos dos ministérios, vivendo à grande, nalguns casos (imagino) ocupando grandes cargos...
Repito. É uma crueldade que nem o facto de serem alemães (o que não desclassifica automaticamente ninguém) e corruptos, justifica. Têm toda a minha solidarität!
* Desculpa lá, Zé Mário Branco, por ligar o nome desta tua grande canção a tais calhordas...

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Zita Seabra – Investigue-se!!!



Naquela época conturbada a que a inenarrável Zita Seabra se refere, só não havia microfones de jeito ou em quantidade, para os “cantos livres” e demais espectáculos em geral; para tudo o resto era um vê se te avias de microfones aos milhares, instalados por toda a parte e às ordens do PCP.
Como se tratava de espionagem da RDA, segundo ela, os principais microfones eram instalados nos gabinetes de ministérios e de tudo o que eram órgãos de poder, em ares condicionados que eles, espertalhaços, financiavam. Já os malandros dos russos (isto agora digo eu) tinham por costume instalar microfones nos tractores e camionetas que ofereciam às cooperativas e UCP da Reforma Agrária. Acho que havia interesse estratégico em escutar os arrotos dos trabalhadores agrícolas do Alentejo e do Ribatejo, depois de uma ou duas cervejinhas... ou até um ou outro traque, a seguir ao almoço... mas adiante!
Depois de mais esta estorieta da imprestável Zita, espero várias coisas:
1. Que se saiba realmente o que se passou.
2. Que o Procurador Geral da República, que se mostra tão interessado na estória, não deixe de perguntar à denunciante:
a. Porque raio é que encobriu, durante anos, uma estória de espionagem financiada por um país estrangeiro.
b. Porque é que, tendo há tão pouco tempo escrito um livro de memórias tão “vistoso” e rico em pormenores, se esqueceu de um “pormenor” com um tal gigantismo.
3. Que, preventivamente, Zita Seabra fique detida, exactamente por ter encoberto um caso de espionagem ao mais alto nível, até que tudo fique esclarecido.
4. Que quando tudo estiver esclarecido haja consequências sérias para os participantes, nomeadamente para os “instaladores de microfones”, para os mandantes portugueses e alemães... e no caso da serôdia denunciante, duas hipóteses:
a. Se for tudo verdade, que Zita Seabra vá parar com os costados à prisão, por encobrimento de espionagem.
b. Se for tudo mentira, que Zita Seabra vá parar com os costados à prisão, pagando pelo que será uma porca e gigantesca calúnia!