Ele anda por aí! Mesmo fora do círculo da ação política ativa e do exercício do poder, aquilo a que se costuma chamar “sociedade civil”, o fascismo e os seus tiques nunca deixaram de se fazer sentir. Não podendo aqui envergar as camisas negras, ou castanhas, ou as botas cardadas, dedica-se a minar a sociedade com aquilo a que chama “valores”. Deixando cirurgicamente de fora os princípios e valores que realmente fariam avançar os povos e que, fatalmente o liquidariam, o fascismo dedica-se a “valores” de outra ordem, aqueles que podem semear a discórdia, o ódio, a repulsa pelo diferente.
E aí os temos nas igrejas, nas escolas, nos jornais, nas televisões, controlando quem pode amar quem, onde e quando se pode beijar alguém, quem é casado, que se divorciou, quem fez um aborto, qual o comprimento das saias das meninas, qual o comprimento dos cabelos dos rapazes. São verdadeiros paladinos da moral e dos bons costumes, pose e fachada que a maior parte consegue manter, hipocritamente, até à morte... exceptuando aqueles a quem se descobrem as despesas feitas com “acompanhantes de luxo”, ou os ainda mais radicais, que aparecem mortos em quartos de hotel, vestindo apenas um cinto de ligas rendado...
O tique fascistóide do rigor das aparências ataca nos locais mais inesperados. Mais uma vez e novamente pela mão do lamentável Costinha, o autoritarismo bacoco, travestido de “dress code”, ataca num clube de futebol... que, francamente, merecia melhor sorte: o Sporting Clube de Portugal.
Infelizmente, para o Sporting e para os sportinguistas, estas fantásticas medidas de Costinha, terão sobre a qualidade futebolística desses jogadores em particular e da equipa em geral, o mesmo efeito que os fatinhos “à ministro” têm sobre a ridícula indigência das “ideias” e a arrogância parola deste pouco mais que inútil “dirigente desportivo”: Nenhum!
Nem vale a pena alguém perder tempo a pensar que eu estou contra o Sporting por ser benfiquista, ou portista, ou do União de Montemor. Primeiro, porque já é sabido que não sou consumidor deste produto; segundo, porque qualquer adepto, de qualquer clube, sabe bem que desde há muito tempo, desde que o dinheiro, os patrocinadores, a corrupção e, de uma maneira geral, o puro e duro negócio de compra e venda de seres humanos, como se fossem gado, mesmo que valendo fortunas obscenas, mas mesmo assim, gado... desde essa altura, como ia dizendo, que “desporto” passou a ser uma mera força de expressão e ninguém, mas mesmo ninguém!, fica bem nesta fotografia.