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terça-feira, 24 de setembro de 2013

“Isto é matemática” – SIC


O senhor Rogério Martins tem um programa na SIC sobre matemática. Chama-se "Isto é matemática". Pretende ser de divulgação e vulgarização da coisa. Não gosto!
Não gosto do programa, porque sou daquelas pessoas que, embora utilizando a matemática para milhares de gestos do dia a dia... faço questão de a manter no seu lugar: meramente utilitário. Reconheço a enorme importância da matemática... mas para gostar, prefiro outras coisas.
Não gosto, ainda, do programa, porque o senhor Rogério faz gestos a mais, é demasiadamente “expressivo” (aquilo a que cá em casa se chama “panela de expressão”)... e é “contentinho” demais!
Como se tudo isto não bastasse, o senhor Rogério resolveu acabar, de vez, com o meu já tão fraco interesse pelo seu trabalho... e resolveu fazê-lo com estrondo, como se pode ver no vídeo que encontrei no blog do meu amigo Sérgio Ribeiro.
Se virem o vídeo - e deve ser visto e ouvido com atenção! - entre o minuto um e os dois minutos e trinta, verão uma peça extraordinária, em que o “alegre” Rogério pretende caricaturar uma ida ao pediatra “no seu tempo”. Não fosse dar-se o caso de o público não perceber as “piadas” políticas ultra-reaccionárias vomitadas em catadupa no espaço daquele minuto e meio... juntou-lhe, como banda sonora, a “Carvalhesa”, para que fique bem claro quem ele pretende agredir nestes dias de campanha eleitoral, já que o programa foi para o ar na SIC, no passado dia 21.
Para terminar, acalentando o “sonho” de que, por um qualquer acidente informático o “contentinho” venha a saber deste meu desabafo sobre o seu programa tão científico... digo-lhe directamente:
- Olhe, Rogério! Como não lhe bastava a notável infelicidade de ser, como faz questão de demonstrar, um refinado e alternadíssimo filho de puta... ainda houve alguma coisa, ou alguém, que o fez pensar que tem gracinha. Pense melhor!!!

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Bilderberg e o futuro governo – Que fazer?


Embora energicamente avisado pelo senhor Ivan Pavlov sobre os perigos de, em dois posts sucessivos, endereçar farpas a dirigentes do PS... não posso deixar de reparar nesta novidade.
Ao que parece, os senhores do Clube Bilderberg, que seguram os cordéis com que fazem mover muitos dos títeres que, alegadamente, governam vários países do mundo “civilizado”, já estão a decidir o futuro próximo de Portugal.
Como facilmente se pode confirmar, estes senhores têm quase sempre apostado nos cavalos que acabam por ganhar as corridas para ficar à frente dos governos. Ora, tantos “acertos” só se conseguem com jogo viciado.
Como, pelos vistos, no “rating” do Bilderberg, o governo de Passos Coelho já passou a “lixo”, há que convidar os senhores que se seguem.
Claro que, a menos que algo de surpreendentemente corajoso aconteça no Partido Socialista, o senhor que se segue à frente de um governo será António José Seguro... o Bilderberg quere-o lá, para começar a mostrar-lhe os cantos da casa.
Acautelando a hipótese de Seguro não ter maioria absoluta, o Bilderberg também já decidiu com quem ele deverá fazer uma coligação: Paulo Portas.
E lá vão, os dois, brunir com a suas línguas os carpins dos senhores do Bilderberg... gastas que já estão as botas, à força de tanta lambidela.
Portanto, resumindo, a menos que algo de surpreendentemente corajoso aconteça no nosso país... teremos, dentro de algum tempo, um governo em que o primeiro-ministro será António José Seguro... e o número 1 do governo será Paulo Portas.
Que fazer?

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Boston, terrorismo, justiça... e tempos de antena


Ponto prévio:
Nunca descartei, nem descartarei a luta armada como legítima forma de luta ao alcance dos povos que assim o entendam colectivamente... mesmo quando uma parte do mundo não esteve (ou está) ainda preparada para reconhecer a sua razão.
Apesar disso (ou exactamente por isso), não estou nem estarei alguma vez disponível para apoiar ataques terroristas dirigidos a vítimas perfeitamente inocentes, homens, mulheres, jovens e crianças que (como foi o caso no final da Maratona de Boston) se limitavam a estar na rua, em festa, apoiando e aplaudindo os atletas, os quais acabaram igualmente por sofrer a agressão.
Foram (até ao momento) três vítimas mortais e quase duzentos feridos... poderiam ter sido mais. Todos foram demais! Todos merecendo solidariedade e público repúdio pelo terrorismo que os vitimou.
Posto isto, perante o caudal de directos televisivos, discursos presidenciaisreacções internacionais, "cavacais" e centenas de outras, exploração dos sentimentos dos familiares e amigos das vítimas e do medo dos restantes... e mais directos televisivos e debates... e comentários do verdadeiro cardume de especialistas que sempre emerge nestas alturas... apetece-me deixar apenas um reparo:
Gostaria muito que, de cada vez que um avião não tripulado, um dos tristemente famosos (e igualmente terroristas!) drones, seja norte-americano, ou um dos seus “gémeos” israelitas (para citar apenas os mais mediáticos), bombardeia uma qualquer aldeia afegã, iraquiana, paquistanesa, ou palestiniana e, a pretexto de atacar este ou aquele “líder” disto ou daquilo, acaba por assassinar a sangue frio dezenas, centenas, ou milhares de vítimas perfeitamente inocentes, homens, mulheres, jovens e crianças que se limitavam a estar na rua, ou em suas casas, tratando da sua vida... 

... gostaria muito, como disse, que estas vítimas, todas as vítimas, tivessem o mesmo “tempo de antena” nas nossas televisões e jornais.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Pequena pausa para uma notícia “estrangeira”


Façamos um pequeno parêntesis na actualidade nacional, para uma notícia da qual, quase aposto, estou a ser um dos raros, muito raros, “meios de comunicação social”.
Há uns dias tiveram lugar na República Checa eleições regionais, disputadas em duas voltas, sendo que a segunda vai ter lugar nos próximos dias 19 e 20 deste mês.
Assim por alto, direi que a coligação de direita, presentemente no poder, levou uma trepa desgraçada. O Partido Social-Democrata, uma espécie de PS... ou algo assim... vai à frente na primeira volta. Em segundo, com uma média mais ou menos regular de 20%, pasme-se!, está o Partido Comunista da República Checa e da Morávia. Direi ainda que em várias das maiores divisões administrativas, foram mesmo os comunistas a ficar em primeiro lugar.
Curiosamente, descobri esta novidade, por acaso, numa entrada de um amigo, no “facebook, que para além da notícia, deixa uns links para jornais... mas naquela língua “maluca” que se fala lá para as bandas da República Checa. Deixei passar os dias, para ir tentando encontrar notícias do acontecimento, mas o melhor que consegui, espremendo diariamente o agregador de notícias do “google”, foi um link para uma página electrónica de uma rádio chamada “Voz da Rússia”, onde, para além da notícia sobre os resultados da primeira volta das eleições, dão conta de uma das reacções “lógicas” a esse facto: o ataque, por piratas informáticos, à página de internet, do Partido Comunista Checo.
Termino com três apontamentos simples:
1. Um grande abraço de parabéns aos amigos comunistas checos!
2. Não consigo entender por que diacho de razão nenhum, mas mesmo nenhum jornal português, rádio ou televisão, ouviu sequer falar desta notícia...
3. Parafraseando pela enésima vez o pobre do senhor Mark Twain... as notícias sobre a morte do comunismo, foram manifestamente exageradas!

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Grécia – Rescaldo eleitoral e “novo” governo


Depois da vitória da Alemanha nas eleições gregas, fruto de uma intensa campanha eleitoral, vinda de todos os lados, principalmente da própria Alemanha e da sua inefável “frau” Merkel, a favor dos partidos favoráveis... ou para ser mais exacto, lacaios da “troika”, aqui fica uma sequência de reflexões... chamemos-lhes assim.
Milhares e milhares de eleitores gregos foram votar na “Nova Democracia”, de direita, borrados de medo com a ameaça de vitória dos “radicais de esquerda” do “SYRISA”. Um perfeito disparate... já que, não duvidando das simpatias de esquerda de muitos dos ideólogos e militantes daquela coligação/partido, o seu “radicalismo” está bem expresso na forma empenhada como gritaram aos quatro ventos a sua adesão à UE e ao Euro, questionando verbalmente o “pacto de agressão” ao povo grego... mas deixando no lugar as suas causas.
Milhares e milhares de eleitores do “PASOK”, o “PS” lá do sítio, foram votar, a tremelicar das pernas, no “SYRISA”, justamente divorciados do seu partido, fortemente enlameado pelos últimos acontecimentos naquele país.
Milhares e milhares de simpatizantes e militantes do “SYRISA” foram votar no “SYRISA”... e fizeram eles muito bem!
Muitos milhares de eleitores que antes votavam no “KKE” foram votar, a tremelicar das suas convicções, no “SYRISA”, iludidos como tantos antes deles e muitos que virão depois, pela velha e estafada fraude do “voto útil”.
Muitos milhares de simpatizantes e militantes do “KKE”, contra ventos e marés, contra campanhas de terror e difamação, votaram no seu partido... e fizeram muito bem!
Resumindo... enquanto vai tomando posse o “novo” governo, restam-me três observações:
1. A “suave” proposta de renegociação (mas dentro do Euro e da UE) defendida pelo “SYRISA”, foi um presente para a “Nova Democracia”, que pôde desta forma também propor, digamos assim, uma coisa parecida... e ficar bem na fotografia, para além de ganhar as eleições, ainda que por uma unha negra.
2. Para o povo grego, principalmente para os seus trabalhadores e grupos de cidadãos mais indefesos, estes resultado eleitoral é a continuação de mais do mesmo. Mais austeridade, mais roubo, mais sacrifícios. Impostos por uma “troika” que continua a ter no governo exactamente os mesmos que colocaram a Grécia nesta situação.
3. Para os agiotas internacionais (e alguns nacionais) que vão continuar a ganhar milhares de milhões com o esmagamento do povo grego, estes resultados eleitorais foram (e perdoem-me o trocadilho)...
“A Syrisa em cima do bolo”

sábado, 17 de março de 2012

Oli Rehn – Quem fala assim...


O senhor Oli Rehn é um indivíduo redondinho e finlandês que, por força das suas funções na máquina antidemocrática europeia, passa a vida a meter o bedelho nos assuntos internos dos países da chamada União, mais propriamente, nos assuntos económicos. Fala quase sempre em inglês (chamemos-lhe assim) e com uma pronúncia hilariantemente patética.
Seja como for, o facto de se falar uma língua estrangeira com uma pronúncia patética, não faz do falante um pateta. A ser assim, se pensarmos nas pronúncias de “inglês técnico” e “portunhol” de Sócrates, ou do francês “ami miterã” de Mário Soares, estes dois figurões seriam pouco mais do que débeis mentais... coisa que estão longe de ser. Tal como o senhor Oli Rehn.
No meio de tudo isto, estava eu a pensar o que dizer exactamente do facto do comissário europeu ter declarado que as medidas de austeridade gozam de um alargado «consenso» em Portugal (o que me leva a crer que o homem estava extremamente distraído quando falou com a CGTP)... quando um golpe do acaso veio em meu socorro na forma de um fortuito alinhamento no agregador de notícias do “Google”, como se pode ver na “fotografia” que lhe tirei.
De facto, a notícia do «regozijo» do senhor Rehn com o resultado das medidas de “austeritarismo” impostas aos portugueses, logo seguida da notícia do verdadeiro descalabro social que elas provocam, de que a brutal quebra dos salários é apenas uma pequena parcela... dispensam quaisquer comentários sobre Oli Rehn, a “troika”, o governo de vendidos que nos desgoverna... e a qualidade de qualquer uma das suas declarações ou previsões.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Domestica lá esta, ó Lima!



«Uma informação não domesticada
constitui uma ameaça com a qual
nem sempre se sabe lidar.»
(António Ferro… perdão, Fernando Lima)

Ora digam lá se o meu “engano” no nome do autor desta frase não se justifica plenamente! Confessem lá que a frase ficava muito bem na boca de António Ferro, o homem da propaganda de Salazar!

Só que não é dele. Na verdade, como já tive ocasião de emendar aqui em cima, a singela frase é da autoria de Fernando Lima, ex-jornalista e ex-várias coisas do “nosso” Cavaco Silva, sendo que presentemente é não sei o quê do Presidente. Consultor de qualquer coisa... parece.

Acrescenta, no texto em que produziu esta pérola, mais umas ideias fantásticas sobre o primado da “imagem” dos políticos, sobre os conteúdos e ideias, acrescidas de conceitos para «combater os desvios da mídia (?)» com aquilo a que chama de «manipulação pela inundação», aproveitando ainda para realçar a utilidade das «fugas de informação para produzir um efeito de acordo com o objectivo que se pretende alcançar», mais uns vivas à perfeita gestão da imagem de Ronald Reagan... e mais uns “trocos”.

Podia surpreender pela assumida “filhadeputice” moral e ideológica... mas não surpreende. Todos estamos lembrados de que foi ele o autor da “plantação” na opinião pública (com a ajuda do pasquim de Belmiro de Azevedo), da ideia de que o governo fazia escutas ao Palácio de Belém, uma inventona que manteve os jornais e televisões numa atividade frenética, durante uns bons tempos.

Assim como também já não surpreende a inaudita pontaria que Aníbal Cavaco Silva tem, no que toca a escolher os seus principais funcionários, consultores, conselheiros, ministros, secretários de estado...

Cavaco poderá não ter muitas qualidades, mas há que reconhecer que se movimenta com grande à-vontade no meio da lama e entre estes bicharocos.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Comunicação social de esgoto


Ainda com a palavra “cães”, que usei no post anterior para classificar alguns elementos das redacções de muita da nossa comunicação social, a ressoar na cabeça... e reflectindo sobre se não teria sido demasiado agreste... uma vista de olhos extra pelas capas dos jornais e revistas, que a “net” faz a fineza de me providenciar diariamente, deixou-me muito mais descansado. Passo a explicar:
A estória propriamente dita... é de chacha. Segundo a revista “Flash”, o príncipe das Astúrias, antes de partir não sei bem de onde, com a famelga, rumo a Maiorca, ter-se-á encontrado “secretamente” com uma ex-namorada. E pronto.
Como devem calcular - mas mesmo assim digo-o - esta estorieta não me interessa para nada. Com isso poderiam os donos da “Flash” muito bem... só que devem ter tido a noção de que também não interessaria a muito mais gente. Vai daí... como é que uma estorieta de chacha, sobre o príncipe Felipe, pode vender revistas? Fácil! Pespega-se uma fotografia da cara bonita da Letizia a todo o tamanho da capa... e, por baixo, umas letras garrafais a dizer:
Letizia
Traição
Nas ilhas gregas

E já está! Se é que houve estória e se é que a estória foi de “traição”, passou a “desavergonhada” da Letícia a ser a protagonista. Quando os/as compradoras da revista derem pelo logro, já é tarde.
E isto repete-se, todos os dias... com artistas, desportistas, cidadãos das mais variadas profissões, políticos e demais figuras públicas, com os partidos, as suas propostas, ideias e actividades. Promove-se fraudulentamente este, ou chacina-se mentirosamente aquele, ao sabor dos interesses do momento e sem a mais básica noção de verdade na relação com os leitores, ouvintes ou telespectadores.
Como podem ver, “cães” não foi demasiado agreste. Que outro nome poderia dar-lhes?

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Voltando a Londres, nada de novo na “frente”


Voltando a Londres, nada de novo na “frente”.
- Os mercados já não têm mais unhas para roer de tão nervosos que andam... mas a política parece não ter nada que ver com isso; é a crise...
- Os comentadores e politólogos oficiais, apostam tudo no “falhanço do multiculturalismo”, na "marginalidade" e na "violência gratuita"... e, manhosamente, afastam a política da equação.
- David Cameron, o principal responsável pela situação, uma vez que o criminosos de guerra Tony Blair já saiu de cena, refugia-se nas ameaças de «mão pesada», rodeia-se de milhares de polícias... e, covardemente, afasta a política da equação.
- Os media, apostam tudo no espectáculo do fogo, da destruição, das centenas de detidos e do sofrimento dos muitos prejudicados... e, oportunisticamente, afastam a política da equação.
A Rainha de Inglaterra, mais uma vez demonstrando a sua vasta e imperial inutilidade... fecha-se em copas.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Governo Passos/Portas – Ainda sobre o colossal roubo






Voltando ao anúncio do roubo de parte do 13º mês a milhões de portugueses, ficou-me na retina a frase com que o Governo o classificou essa medida: «extraordinária e universal».
E assim, em apenas duas palavras, podemos apreciar outras tantas mentiras, essas sim, colossais. Senão, vejamos:
1. “Extraordinária” – Mentira! Não tem nada de extraordinário. Os governos do PS, PSD e CDS, há muito que andam a espoliar os trabalhadores. Em dinheiro e direitos... entre outras coisas.
2. “Universal” – Mentira! O facto de o Governo ter falado quase exclusivamente dos muitos milhares de pobres que não serão obrigados a pagar, não consegue esconder, nem disfarçar, a ofensiva e desavergonhada realidade dos milhares de ricos que ficam isentos.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Cuidado com as falsificações!


“Cuidado com as falsificações”... é o discreto aviso na tampa desta caixa de sabão francês do princípio do século XX. De qualquer forma, o que impôs esta fotografia da caixa de sabão como ilustração para este, chamemos-lhe assim... post, foi o fantástico nome do próprio sabão:
“Sabão da Renovação Portuguesa”
É de facto assim, à força de muito “sabão” que tem vindo a fazer-se a suposta renovação portuguesa. Desde a própria realidade, até às ideias e aos princípios que seria suposto darem-lhe a forma.
Na verdade, como é possível assistir às reviravoltas dos nossos economistas, analistas, politólogos e comentadores “oficiais” e outros papagaios para quem, há apenas umas semanas, quem contestasse as agências de notação ficava transformado quase imediatamente numa espécie de leproso... ou mesmo o “pastel de Belém”, que ainda há bem pouco distribuía ralhetes em público a quem ousasse atacar as benditas agências ou mercados e agora reage ao desmascaramento da sua incoerência insultando a inteligência de quem o questiona... como é possível assistir a isto, como disse, sem pensar que este aparente milagre, esta súbita “descoberta” dos malefícios dos ratings, se deve a um fantástico “branqueamento de passado” feito com este velho “Sabão da Renovação Portuguesa”?
É este “sabão” que, sem descanso, anda “limpando” as páginas dos jornais e telejornais, das notícias que não estejam de acordo com o guião pré-estabelecido pela troika e os seus lacaios, notícias que tentem relatar as lutas dos trabalhadores, contar as iniciativas das suas organizações, dar voz à contestação. Assim se aumenta o espaço livre nessas mesmas páginas para vender as explicações sobre a "nossa culpa" na crise, para passar a mensagem das inevitabilidades, para espalhar o terror sobre o que aí viria (abrenúncio!) se não obedecêssemos, como cordeiros, aos mercados.
E se o “sabão” consegue branquear desta maneira realidades com apenas alguns dias ou meses, com todos os intervenientes ainda vivos e as suas memórias bem frescas... imaginem o que pode fazer à História.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Paulo Portas – Por comparação...


Entre as coisas realmente importantes que podemos e devemos aprender com o decorrer da chamada crise, com as dificuldades e lutas que ela necessariamente implica,  há sempre alguns aspetos laterais que merecem um minuto de reflexão... como por exemplo:
Quão rascas e desclassificadas têm que ser estas figuras internacionais e nacionais, protagonistas da farsa dos “ratings”, das “troikas” e dos roubos descarados aos bolsos dos cidadãos... para que um cromo como Paulo Portas possa ir à televisão afivelar uma pose de estadista e falar de ética... mais exatamente, de uma «economia de mercado com responsabilidade ética»?

sábado, 2 de julho de 2011

Helena Matos – São “vermelhos”?! Então está visto...




Isto que podem ver aqui à direita é uma “helena matos”. No nosso país existem certamente algumas centenas de “helenas matos”, umas assim, outras assado, altas, baixas, gordinhas, magrinhas, cultas, semianalfabetas, louras, morenas... mas, certamente, nenhuma como esta. Esta é “A Helena Matos”!
Escreve por aí em jornais e revistas aquilo que poderia bem ser a sua opinião, não fossem as suas “opiniões” tantas vezes tão absolutamente coincidentes com os interesses do patrão, que deixam os seres mais desconfiados... desconfiados. Senão vejamos:
Assim que apareceu a notícia do julgamento dos criminosos mais destacados (ainda vivos) do alucinado regime de Pol Pot, os chamados Khmers Vermelhos”, a Helena Matos saltou-lhe em cima, não perdendo a oportunidade de escrever sobre a coisa no Público (sem link), mas tendo o cuidado de deixar as “indicações” necessárias para que os leitores identifiquem aqueles criminosos com “o comunismo” e, no limite, com o PCP, coisa que a Helena sabe ser uma mentira pornográfica... mas que, decididamente, dá jeito aos patrões.
Que graça é que tinha falar de uns criminosos, culpados do genocídio de parte do seu próprio povo, criminosos que até ostentam o “Vermelhos” no nome... para depois dizer que foram exatamente os comunistas que ajudaram a conseguir a sua derrota, enquanto norte-americanos e seus lacaios ainda os defendiam?
Não vale a pena perdermos tempo a imaginar que a Helena é ignorante. Não é! Enquanto nos anos 70 os tais "Khmers Vermelhos" estavam ocupados a chacinar milhões de cidadãos do Cambodja, Helena Matos andava a preparar-se para a guerrilha e defendia abertamente a luta armada... mesmo depois do 25 de Abril. Era portanto uma “revolucionária” de primeira água, que só tinha, tal como ainda tem agora, um ponto fraco: um ódio tão cego aos comunistas, que a faz dizer e escrever os maiores disparates, na esperança de que “peguem”. Mesmo sabendo que muitas pessoas sabem a verdade dos factos históricos, verdade que podem confirmar em milhares de documentos... e até em textos em blogues, como a propósito deste triste episódio escreveram (e bem) o Fernando Samuel, ou o Vítor Dias, para dar só dois exemplos.
Como ela sabe muito bem o que faz, o internamento psiquiátrico não tem qualquer sentido. Cá para mim, a palavrosa Helena devia reservar aí uma meia hora por dia em que ficaria sentada num banquinho, à porta do Público, para que as pessoas que apreciam as suas “opiniões” e os seus “factos históricos” tanto quanto eu, fossem passando e lhe despejassem uns baldes pela cabeça abaixo.
Sobre isto não tenho grandes dúvidas... ficando apenas por decidir qual o conteúdo dos baldes. Estou certo de que alguma coisa me há de ocorrer...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Só ficou a faltar um grande jogo de futebol e uma cura milagrosa!


Pelo menos agora, às 00:01h, primeiro minuto desta segunda-feira, nada aconselha a uma ida até à rua. Ou porque o fim de semana foi muito parado, ou porque todos os serviços noticiosos resolveram fazer a sua melhor imitação de “Correio da Manhã”, a verdade é que parece não haver em todo o país uma rua onde não andem grupos rivais a trocar tiros, um bairro onde não esteja alguém barricado e armado, uma barragem onde não se afogue algum incauto, uma praia onde os milhões de portugueses que não sabem nadar não decidam ir para fora de pé, uma estrada onde não se conduza de forma assassina, um restaurante que não seja suspeito de mandar vir de propósito uns “rebentos vegetais” da Alemanha, com o único propósito de nos "E.Colizar" a todos, sabe-se lá...
Talvez mais lá para a tarde isto acalme... a verdade é que enquanto durar esta “orgia” de crimes, acidentes, envenenamentos, facadas de “amigos” e muitos, muitos santos populares, a troika e todos os que andam cozinhando o novo governo e a imposição das medidas de “capitulação”, sob pena de sofrermos «custos incalculáveis», a fazer fé em Cavaco... todos, todos, todos eles podem andar perfeitamente descansados e com garantia da maior “discrição”, como pediu Paulo Portas.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Zita Seabra – Uma vida em perigo...




Este post não é sobre Zita Seabra... apenas acontece que ela, muito provavelmente por acidente, se pôs a jeito. Passo a explicar:
Como a imagem ilustra, a dona Zita Seabra está sempre pronta a ser das primeiras “personalidades de serviço” a irem à televisão apontar o dedo aos comunistas, seja sobre o que for... desde que daí a dias seja dia de eleições e, não vá o diabo tecê-las, algumas pessoas que não pertençam ao eleitorado habitual da CDU decidam qualquer coisa do género: “estou farto desta gente em quem ando a votar há anos... desta vez, vou votar nos comunistas!”. Na situação que a imagem documenta, Zita precipitou-se para um canal de televisão para garantir aos eleitores que «as agressões a Vital Moreira eram obra do PCP». Quando horas mais tarde já toda a gente sabia que o grande organizador da tal “agressão” montada pela máquina de campanha do PS, era o famoso “loirinho” do Bloco de Esquerda... a dona Zita Seabra já não percorreu o caminho que antes tinha feito, desta vez para desdizer as suas acusações... certamente, apenas por falta de tempo. Nada de novo, nem demais... e, como disse, este post não é sobre Zita Seabra.
Regressando ao tema dos períodos pré-eleitorais, já toda a gente verificou que as televisões e as revistas desencantam sempre uns documentários “históricos” onde vem escarrapachada a maldade dos comunistas e as coisas terríveis que eles fizeram, ou não, lá por volta dos anos 20, 30, 40, 50 e 60 do século XX, por contraste com os EUA, o paraíso na terra e pátria da “democracia”, onde, também por essa altura, a miséria era esmagadora, a exploração selvagem era  (e é) a norma, onde os anarquistas/sindicalistas Sacco e Vanzetti eram assassinados pelo estado, sob falsas acusações, os Rosenberg eram assassinados pelo estado, sob falsas acusações, onde o mundo artístico e intelectual era assolado pela barbárie de um senador fascista, McCarthy... ou onde o “playboy” John Kennedy, planeava sucessivas tentativas de assassinato de Fidel. Mais as bombas de Nagasaki e Hiroshima, mais a Coreia, mais o Vietname, mais Iraque, mais Afeganistão... a lista vai por aí fora.

Em vésperas das eleições do próximo dia 5 de Junho, a novidade veio do “Canal Q”, um inovador (e interessante) canal de televisão, disponível apenas para os assinantes da MEO, virado para uma audiência jovem, um canal onde se respira uma indisfarçável simpatia pelo BE. Apenas por uma (in)feliz coincidência e não, certamente, para ajudar a que os muitos militantes e simpatizantes que nas últimas eleições presidenciais já defendiam o voto em Francisco Lopes (cansados das trapalhadas de Louçã), não o façam agora nas legislativas... lá foi a dona Zita Seabra sempre em serviço, dar uma longa entrevista ao canal.
Ainda pensei “lançou qualquer coisa, vai fazer qualquer coisa”... mas não! A grande entrevista era sobre a enorme atualidade do seu livro “Foi assim”, de 2007. O entrevistador estava encantado, tinha o livro praticamente decorado e sempre nas mãos, enquanto ia puxando pela língua da entrevistada, mostrando que conhecia, uma por uma, as estórias mais “suculentas” e apropriadas para o efeito desejado, relatadas no livro da ex-dirigente comunista.
Como nunca li o livro, estas oportunidades servem para ir conhecendo uma ou outra das tais “fantásticas” estórias, como por exemplo, que Zita não passou diretamente para o PS, apenas porque ficou zangadíssima com o facto de, exatamente quando ela saía do PCP, estar o PS a negociar aquela que foi um frutuosa coligação, em Lisboa, entre os socialistas e a CDU. Fiquei também a saber que a sua grande amizade por Cavaco Silva, então primeiro-ministro, nasceu num dia em que ela resolveu ousadamente “meter-lhe uma cunha” para ajudar num problema de uns juros bancários numa livrança qualquer... problema que ele, a ver pelo posterior percurso dela... resolveu muito bem. Cavaco deve ter pressentido que "aquilo" era terreno "fértil"... e facilmente comprável. Teve razão!


Finalmente, fiquei a saber do horror que foi a sua vida pessoal, enquanto durou o processo de afastamento e expulsão do PCP, com assaltos e revistas de cima a baixo à sua casa, microfones plantados por todo o lado, perseguições constantes de seguranças que a seguiam a toda a hora e para todo o lado e, sobretudo, porque durante todo esse tempo sentiu a sua vida em perigo, certa de que iria ser abatida numa qualquer viela de Lisboa, por um desses seguranças.
O entrevistador babava-se de felicidade... e eu fiquei a pensar que se o ridículo matasse era, afinal e agora, que a vida dos dois estava por um fio.
Mas como disse no início... este post não é sobre Zita Seabra!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Realidades virtuais, acidentes... ou democracia viciada?


A notícia é curta e aparentemente pouco importante. Um jornal espanhol, simpatizante do Real Madrid, para reforçar a ideia de um fora de jogo de um jogador do Barcelona, apagou de uma fotografia o jogador adversário (Atlético de Bilbau) que poderia pôr em causa a “evidência” do tal fora de jogo. Como foram denunciados pela realidade... pediram “desculpa” aos leitores pelo “erro gráfico” ocorrido na edição de imagem... como se partes específicas de uma fotografia pudessem “apagar-se” por si!
Acontece que também eu sei brincar com o famoso programa de tratamento e manipulação de imagens, o Photoshop. Assim, passarei a fazer o relato dos vários “erros gráficos” que ocorreram com uma fotografia de um momento de um jogo entre Benfica e Porto, enquanto eu estava entretido a mexer no tal Photoshop.
Foto 1: Nesta imagem, que juro ser a original, estão um jogador do Porto e um do Benfica. Se considerarmos que para cá (para baixo) da linha branca é a grande área do Benfica (e não há, fora da nossa vista, nenhum jogador do Benfica entre o guarda-redes e estes dois), a interpretação da jogada é a seguinte: o jogador do Benfica olha para cima e tenta interceptar a bola com a cabeça; se o conseguir, é um bom corte; se não conseguir, a bola fica ao alcance do jogador do Porto que está em linha com ele... e será uma jogada muito perigosa a favor do Porto.
Foto 2: O jogador do Benfica olha para cima e tenta interceptar a bola com a cabeça; se o conseguir é um bom corte; se não conseguir... também não faz mal nenhum, porque o jogador do Porto está completamente fora de jogo.
Foto 3: O jogador do Benfica já não está a olhar para cima... e corta a bola, ostensivamente, com a mão. Penalty contra o Benfica!!!
Foto 4: O relvado está, finalmente, a ser utilizado corretamente!
Sendo assim, a menos que eu tenha criado uma súbita paixão por futebol, para que serve esta minha exibição gratuita de habilidade (mesmo que moderada e rudimentar!) para manipular repetidamente a mesma fotografia?
Serve para percebermos que tipo de gente está ao comando dos grandes meios de comunicação social. O tipo de gente que todos os dias manipula fotografias de futebol... mas também opiniões, análises políticas, notícias, sondagens eleitorais. Gente que faz “desaparecer acidentalmente” das suas páginas e telejornais as verdades inconvenientes, as lutas dos trabalhadores, a cultura incómoda. Gente que trata a realidade e a verdade, como eu acabei de tratar a pobre fotografia nº1.