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sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Brecht “versus” Niemöller


Perante o caldo entornado pelas campanhas de inspiração fascista, movidas ora por grupos de extrema direita, ora pelos seus empregados nas estações de televisão… há uma nova revoada de amigas e amigos que publicam, com excelentes intenções, o célebre texto:

“Primeiro levaram os negros

Mas não me importei com isso… etc., etc., etc.”


As variantes do texto são muitas… mas uma coisa é perene: a errada atribuição da autoria ao poeta e dramaturgo alemão Bertold Brecht… que nunca o escreveu… em prejuízo do autor verdadeiro, o também alemão e pastor luterano, progressista e anti-nazi, Martin Niemöller.

Começo a estar convencido de que este “mito”, aparentemente indestrutível, irá durar muitas décadas e cada tentativa (eu tento sempre!) de o corrigir, equivalerá a estar a escrever na água. 

sábado, 8 de agosto de 2020

Estilo

 

(Fotografias surripiadas a Maria Jose Sebolão)

Não me verão muitas vezes, como nunca terão visto antes, gabar o cidadão Mário Soares… mas faço questão de dizer que aqui ele foi muito, mas mesmo muito superior a Marcelo Rebelo de Sousa.



sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Sejam sérios! 
Não digam que não há alternativas à política de desastre do governo PSD/CDS



Não digam que não há alternativa à vossa política. Assumam que essa alternativa não cabe nos vossos preconceitos ideológicos, nas vossas opções de classe, no quadro do neoliberalismo e da submissão do País aos ditames de uma União Europeia dirigida pela Alemanha e o Directório das grandes potências.
Não digam que não existe a alternativa quando vos confrontamos há anos com propostas alternativas em todas as áreas e sectores da economia nacional, em todas as funções do Estado, nas opções estratégicas fundamentais da integração capitalista europeia.
A alternativa faz-se lutando
Outros afirmaram, noutros tempos, que não havia alternativas às suas políticas.
Durante quase cinco décadas Salazar dizia que não havia alternativa à ditadura. Afinal houve, com o 25 de Abril, a liberdade e a democracia.
Afirmavam que não havia alternativa à guerra colonial, o 25 de Abril provou que havia, com o fim da guerra e a paz e cooperação com os povos antes explorados e colonizados.
Afirmavam que não havia alternativa ao subdesenvolvimento, ao atraso, ao analfabetismo, à elevada taxa de mortalidade infantil. O 25 de Abril veio mostrar que havia.

E é assim! O deputado Agostinho Lopes só não me dá mais razões para o admirar e gostar dele... porque não ou ouço ou vejo mais vezes!
Para quem não o ouviu, pode ler aqui o texto integral, ou ver o vídeo.


sábado, 26 de fevereiro de 2011

Realidades virtuais, acidentes... ou democracia viciada?


A notícia é curta e aparentemente pouco importante. Um jornal espanhol, simpatizante do Real Madrid, para reforçar a ideia de um fora de jogo de um jogador do Barcelona, apagou de uma fotografia o jogador adversário (Atlético de Bilbau) que poderia pôr em causa a “evidência” do tal fora de jogo. Como foram denunciados pela realidade... pediram “desculpa” aos leitores pelo “erro gráfico” ocorrido na edição de imagem... como se partes específicas de uma fotografia pudessem “apagar-se” por si!
Acontece que também eu sei brincar com o famoso programa de tratamento e manipulação de imagens, o Photoshop. Assim, passarei a fazer o relato dos vários “erros gráficos” que ocorreram com uma fotografia de um momento de um jogo entre Benfica e Porto, enquanto eu estava entretido a mexer no tal Photoshop.
Foto 1: Nesta imagem, que juro ser a original, estão um jogador do Porto e um do Benfica. Se considerarmos que para cá (para baixo) da linha branca é a grande área do Benfica (e não há, fora da nossa vista, nenhum jogador do Benfica entre o guarda-redes e estes dois), a interpretação da jogada é a seguinte: o jogador do Benfica olha para cima e tenta interceptar a bola com a cabeça; se o conseguir, é um bom corte; se não conseguir, a bola fica ao alcance do jogador do Porto que está em linha com ele... e será uma jogada muito perigosa a favor do Porto.
Foto 2: O jogador do Benfica olha para cima e tenta interceptar a bola com a cabeça; se o conseguir é um bom corte; se não conseguir... também não faz mal nenhum, porque o jogador do Porto está completamente fora de jogo.
Foto 3: O jogador do Benfica já não está a olhar para cima... e corta a bola, ostensivamente, com a mão. Penalty contra o Benfica!!!
Foto 4: O relvado está, finalmente, a ser utilizado corretamente!
Sendo assim, a menos que eu tenha criado uma súbita paixão por futebol, para que serve esta minha exibição gratuita de habilidade (mesmo que moderada e rudimentar!) para manipular repetidamente a mesma fotografia?
Serve para percebermos que tipo de gente está ao comando dos grandes meios de comunicação social. O tipo de gente que todos os dias manipula fotografias de futebol... mas também opiniões, análises políticas, notícias, sondagens eleitorais. Gente que faz “desaparecer acidentalmente” das suas páginas e telejornais as verdades inconvenientes, as lutas dos trabalhadores, a cultura incómoda. Gente que trata a realidade e a verdade, como eu acabei de tratar a pobre fotografia nº1.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Quem havia de dizer?!




Então não querem lá ver que Sócrates afinal até é capaz de encaixar umas verdades pelo meio das rajadas de mentiras com que nos tem brindado ao longo dos anos?

Apreciem este belo exemplo, tirado de uma entrevista dada à revista “DNA”, no ano 2000, entrevista de que alguém teve a bela ideia de salvar este recorte e eu, o descaramento de o surripiar ao “Aldeia Olímpica”.

- Engenheiro José Sócrates, vamos vê-lo, um dia, Primeiro Ministro?

- Não! Primeiro, porque não tenho o talento e as qualidades que um Primeiro Ministro deve ter...

Fantástico! Dá todo um novo brilho ao dito popular “Com a verdade me enganas!”... ou ao mais erudito “Falar verdade a mentir”, do Garrett.