A anedota já tem barbas. O homem vestido de miúdo dirigiu-se ao grupo de miúdos vestidos de... (vocês sabem) e perguntou: “Lobito Diogo, qual foi a tua boa ação de hoje?” E o Diogo, do alto da sua convicção de escuta de quase dez anos de idade, “Ajudei uma velhinha a atravessar a rua.”
Encurtando a estória, quando já vários dos prazenteiros “lobitos” tinham declarado ter ajudado a mesma velhinha a atravessar a rua, o garboso “caminheiro”, intrigado, quis saber por que cargas de água tinham sido necessários seis escuteiros para ajudar a velhinha a atravessar a rua. Responderam todos em coro: “Ela não queria atravessar!”
É no que dá a sobrevalorização da competitividade!
Passando para um assunto sério, o tecnocrata Paulo Macedo, que o liberal de aviário Pedro Passos Coelho achou ser a pessoa mais indicada para se ocupar de um assunto como a saúde dos portugueses, disse, quando iniciou as suas funções como ministro, que já tinha «uma imagem do sector da saúde», imagem que iria agora «aprofundar».
Pelos vistos já aprofundou. A primeira grande "ideia" do tecnocrata Paulo Macedo para o Serviço Nacional de Saúde... é tratar das facturazinhas, das continhas, dos balancetezinhos... e, genial!, organizar uma espécie de “Super-Liga” dos Centros de saúde e Hospitais, com classificações mensais.
Para as pontuações das várias equipas contam vários itens, como, evitar os “tratamentos mais dispendiosos”, promover “internamentos mais curtos”... e várias outras igualmente criativas modalidades a que gostam de chamar, globalmente, "desempenho".
Tudo planeado em estrita obediência às sagradas leis da oferta e da procura, fundadoras de uma sã sociedade, temente a Deus e à economia de mercado.
Mesmo que uma ou outra questão colocada pelo ministro pudesse ser considerada como pertinente – nada de bom se consegue com desperdício – posto o problema desta maneira, como mais uma vulgar competição, desta vez entre gestores hospitalares e profissionais da saúde, espero que esta estória não vá acabar como se desconfia: com os doentes a serem cilindrados por uma competição idiota, em que não são perdidos nem achados. Exatamente como a velhinha que não queria atravessar a rua.
É no que dá a sobrevalorização da competitividade!