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quinta-feira, 11 de julho de 2013

As perguntas são como as cerejas...




Singelo questionário:
Desde quando é que cabe ao Presidente decidir quais os partidos que devem fazer acordos políticos?
Desde quando é que o Presidente pode excluir partidos com assento parlamentar das soluções para o país... sabendo-se (não que se trate de uma questão de números, mas sim de respeito pela democracia) que, neste momento, já estaremos a falar de um universo de mais de 20% dos eleitores?
Desde quando é que o Presidente pode “marcar” umas eleições a “trouxe-mouxe”, para uma data escolhida exclusivamente por si... e, como se isso não bastasse, decidir de antemão que tipo de governo é que deve sair dessas eleições?
Singela resposta:
Desde que foi permitido a uma besta do calibre do Sr. Aníbal Cavaco Silva tornar-se Presidente da República Portuguesa!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Mercadões... ou “tubarados”?


Uma das razões para o agravamento constante da minha “alergia” à UE, ao Mercado Único, à Zona Euro, à pata que o pôs a todos e ao capitalismo em geral... é esta desfaçatez com que já se assume como coisa natural, que “os mercados”, do alto do seu poder tão absoluto quanto anónimo e apátrida, “torçam o nariz” a este ou aquele resultado eleitoral, a este ou aquele candidato, seja de que país for... e que isso resulte em prejuízos económicos para os povos dos países em questão, ou até, por “contágio”, para outros povos vizinhos ou menos vizinhos.
Só estes dois títulos de jornal com que abri o post, seriam suficientes para um levantamento de consciências, tendente a pôr “os mercados” no seu lugar e a criar as condições para que os povos reconquistem a sua independência e liberdade, independência e liberdade tantas vezes conseguidas com sangue, suor e não poucas lágrimas.
Já todos (ou quase todos) percebemos que o sonho dos banqueiros, especuladores e outros ladrões internacionais, seria nomearem às claras os seus lacaios, que colocariam à frente dos governos nacionais... mas sem terem, sequer, que passar pelo “incómodo” e a farsa das eleições “democráticas” à sua moda. Que qualquer tentativa de participação dos trabalhadores dos países nos seus destinos, entre as tais “eleições”, constitui uma afronta ao poder desses banqueiros, especuladores e demais ladrões.
Se já percebemos... até quando vamos consenti-lo?!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Regresso aos mercados – Uma parábola de colectividade de província


O mais bem falante rapazote “neoliberal” lá da vila, a quem nunca ninguém conhecera um emprego digno desse nome, candidatara-se ao lugar de presidente da “Sociedade Euterpe Arronfilhense”, de Arronfelhas do Vouga, com promessas espampanantes que agradaram à maior parte dos poucos sócios que se deram ao trabalho de ir votar.
«Temos que subir o valor das quotas! Acabaram-se as mordomias e os privilégios no bar: os sócios não têm direito a desconto nenhum! Se querem ter os cachopos a estudar na banda... paguem as aulas, os fardamentos e os instrumentos! Vamos entregar o património da colectividade à iniciativa privada! Vamos refundar a colectividade!»
Como já disse... houve quem gostasse (há gostos pra tudo!) e acreditasse na sua voz de barítono e ar de manequim da loja "O universo da moda", situado na rua principal da vila.
Entretanto, o maior problema da colectividade era o facto de uma grande parte dos sócios já não caber no salão de festas, problema que a nova direcção resolveu, à socapa, mandando exterminar uma quantidade indeterminada de sócios. Uns à míngua de medicamentos, outros em acidentes estrambólicos a caminho dos cada vez mais longínquos hospitais, outros forçados a emigrar em segredo, etc. Fizeram-no (assim como os restantes sacrifícios) protegidos pela cortina de fumo provocada pelos elogios de colectividades estrangeiras e pelo retumbante sucesso de um inesperado “regresso aos mercados” para comprar a crédito uma aparelhagem sonora para os bailes, a nova máquina de café e um computador para o gabinete da direcção.
Os sócios, que finalmente viram a lotação do salão de festas miraculosamente “aumentada”, aumento comprovado pelo facto de já lá caberem "todos", andaram numa felicidade que só visto... até ao dia em que começaram a dar pela falta de alguns conhecidos, amigos, familiares... ... ...

sábado, 26 de janeiro de 2013

Vital Moreira – Bravo! Bravo! Muito bem! Bravo! Bravo!! Bravo!!!!



Enquanto cresce a desconfiança generalizada sobre o carácter “martelado” das contas do governo de Passos/Portas, nomeadamente quanto ao défice.
Enquanto se vai desmontando a tremenda peta relativa a qualquer mérito do governo e de Vítor Gaspar (ou qualquer mérito... ponto final!), no que respeita ao festejado “regresso aos mercados”.
Enquanto se reafirma a certeza de que, ainda que houvesse alguma meta atingida, isso teria sido conseguido criminosamente, à custa do sacrifício dos explorados... e, como sempre, para gáudio (e lucro) dos exploradores.
Enquanto tudo isto, claro que há sempre vozes prontas a aplaudir. Ou por convicção fanática da bondade desta política “talibã”, ou porque são bem pagas para o fazer. Em artigos de opinião, comentários televisivos, blogues, facebook... aonde calha.
Não é de admirar... e espera-se que essas vozes venham da área política mais radicalmente neoliberal dos partidos do poder.
“Maravilhoso” é que o texto mais sucinto no seu escancarado entusiasmo venha de Vital Moreira... num post em que lambe o governo de Passos Coelho de cima a baixo e pela frente e por detrás... acabando numa festiva frase: «Reconheçamos o mérito a quem ele é devido».
Quem ainda se admira, levante a mão! Vá lá... estou a ver... uma... estou a ver uma... ... duas, duas, já há duas... ... três, com aquela senhora com ar distraído... três, três... três... há mais? Três... e dou-lhe uma... e duas... duas e meia...

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O regresso aos mercados


Ao contrário das “permanências”, que se arriscam, muitas vezes, à fatalidade do aborrecimento da rotina, as partidas e os regressos são acontecimentos intensos e dramáticos. A matéria de que se fazem os grandes dramas teatrais ou do cinema... como é o caso de “Regresso a Howards End, interpretado por um elenco fabuloso.
Fabulosos também, mas estes na sua mediocridade, falsidade e mesquinhez, Gaspar & Coelho, Lda., não se cansam de anunciar a sua “fita” (com Seguro num papelzeco secundário) que leva por título “Regresso aos Mercados”!
É sabido que “os mercados” são uma espécie muito dada a “crises nervosas”... mas, por uma vez, estou inclinado a dar-lhes razão.
Quem é que não fica “nervoso” ao ver entrar pela porta dentro, de regresso, estas duas avantesmas?

terça-feira, 17 de abril de 2012

O Mexia é “munta” bom, carago!



Título de um jornal :
É em singelos pormenores como este que se pode ver a estirpe de um gestor de primeira água, como António Mexia, que “merece” indiscutivelmente todos os milhões que ganha, sacados directamente das nossas carteiras.
Realmente... para que diabo servem os outros gestores que andam para aí...  e que vêm para os jornais dizer que querem que as suas assembleias gerais corram mal? Nunca vi... mas deve haver.
Vivam os “mexias”... e haja sangue para alimentar tantos vampiros!

Pouca vergonha e roubo – A todo o gás!


Certamente com o objectivo de pavimentar o caminho para a chegada da total liberalização dos preços dos combustíveis, com a extinção das tarifas reguladas, o que deixará os consumidores, inexoravelmente, nas mãos dos mercados (conhecido eufemismo para quem não quer dizer ladrões), a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) anunciou, já para Julho, um aumento do preço do gás natural, a rondar os 7%.
Ainda me pareceu que fosse, mais uma vez, o “número do polícia mau/polícia bom”, com o governo a vir rapidamente dizer que “não senhor, que se trata apenas de um estudo, de uma recomendação...e que o aumento vai ser apenas de 5%”... mas parece que não. A coisa é mesmo para ser 7%, e tudo indica que não ficará por aqui, a muito curto prazo.
Desta vez, para “compensar”, Álvaro Pereira, o lacaio dos mercados que, tal como o resto do governo, ficará na História, não tanto pelo que fez, mas pela pouca vergonha com que o fez... veio prometer que vai fazer umas coisas para garantir uma maior concorrência. Insolentemente, tentando fazer de nós parvos, diz que isso baixará os preços.
É o conhecido milagre português da concorrência que baixa os preços! A velha mentira da "autoregulação dos mercados". Tal como vemos nas diversas gasolineiras, que (em cartel) nos fazem pagar uma das gasolinas mais caras do mundo... e agora o gás natural... e adiante, tudo mais aquilo que lhes puder saciar a cegueira pelo lucro a qualquer preço, doa a quem doer.
Decididamente, somos governados por grandes bandidos, que mandam como querem nos pequenos bandidos que colocaram "à frente" do governo.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

António Barreto – Pobre desgraçado! *


Pingo Doce. PingodoçePingodou-se... e de que maneira! Mais um "ilustre" que se “pingodou” ao comprido.
O dono do Pingo Doce, o demagogo, aproveitador e aldrabão hiper-merceeiro Soares dos Santos, até deve pagar-lhes bem. Dá-lhes cargos com nomes vistosos na sua Fundação. Eles incham de importância... mas depois, inexoravelmente, lá vem a factura a pagar: todos têm que dar a cara, promovendo as mercearias do patrão.
Agora tocou a vez a essa espécie de protozoário que aqui aparece com um ar bovinamente maroto e saca-rolhas na mão... António Barreto.
Eu, maldosamente, devia ficar feliz por ver o bandalho (que para uns ficará na História como sociólogo, mas para outros, como simples criminoso) fazer esta triste e infeliz figura, baloiçando ao sabor do ar condicionado, pendurado em grandes cartazes, por entre hortaliças, papel higiénico e detergentes... mas não consigo. O asco sobrepõe-se!
* Não! Desta vez também não tive que “mexer” na imagem. É mesmo assim!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Ministro da “Saúde” – A realidade é uma coisa tramada!




O ministro do negócio da saúde, o Sr. Paulo Macedo, fez como costumam fazer os da sua laia: para justificar o injustificável e tentar esconder os interesses que estarão por detrás deste anunciado encerramento da Maternidade Alfredo da Costa, inventou “argumentos e razões”. Que é um luxo desnecessário, que está a mais, que o número de partos caiu para metade, etc., e tal...
Compreende-se o afã do Sr. Paulo Macedo em agradar aos seus ex-patrões e, previsivelmente, futuros patrões, assim que,  enquanto ministro, acabar a sua “comissão” ao serviço da troika e dos mercados... mas, infelizmente para ele, a realidade, pela boca de quem realmente sabe do que está a falar, veio desmenti-lo de uma forma humilhante.
Fica uma dúvida no ar: um governante que sobre um assunto de Saúde Pública mente tão completamente, é ignorante, é estúpido... ou é apenas mais um aldrabão acanalhado?

sexta-feira, 2 de março de 2012

Manter a cenoura à vista...


A Standard and Poor’s, seguindo certamente uma política de manutenção da cenoura a uma distância "aceitável" do burro, vem dizer mais umas coisas sobre Portugal. Desta vez, pretensamente simpáticas.
Diz que Portugal tem capacidade para cumprir, que o que estraga tudo é o excesso de austeridade e a falta de crescimento económico blá, blá, blá...  Ah... e, claro, que é diferente da Grécia.
Sobre a questão da Grécia estão carregados de razão. A começar em coisas realmente importantes, como a temperatura da água do mar... e continuando com frivolidades, como a História... as diferenças são aos magotes.
Agora o resto, vindo de uma das agências que têm, repetida e deliberadamente construído o clima constante de crise, anunciando desgraças que depois se esforça for fazer cumprir com as suas notações negativas sobre tudo o que se mexa em Portugal... é um mistério. Provavelmente, só explicável pela tal política de manter a cenoura a uma distância "aceitável" do burro... não vá ele perder o interesse, parar, desatar aos coices, sabe-se lá...

Mas pronto... o que é que eu sei sobre agências de notação?!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Olha se fosse de propósito?!!!


Diz-me a “Visão” que na sequência da decisão da agência norte-americana Moody’s em baixar a notação a vários países da Zona Euro... o Dólar está a ganhar terreno face à moeda única europeia que se afunda.
Fiquei verdadeiramente “abasurdido”! Ele há coisas!...
E isto é acontecendo por acaso... inocentemente... fruto do “normal funcionamento dos mercados”...
Imaginem se fosse de propósito?! Se fosse uma estratégia de agressão da finança imperialista e mafiosa norte-americana?!
Nem quero pensar!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Soluções...


Enquanto a ministra da justiça mostra o (pouco) que vale, ao decidir resolver os problemas da dita justiça atirando para cima dos advogados a “culpa” de todos os males; enquanto o seu patrão confirma a canalhice de aumentar os horários de trabalho; enquanto se aumenta para mais do dobro o acesso à saúde a muitos milhares de portugueses... a menos que estes se apresentem em andrajos e de joelhos, apelando à caridade, ou morram, o que ainda será mais lucrativo para estes bandalhos... os verdadeiros destinatários de todo o dinheiro que os nossos “governantes” roubam aos portugueses mostram-se implacáveis, apesar dos sorrisos pepsodent dos dirigentes europeus.
Sei de uma coisa que acalmaria tanto “os mercados”, como os seus lacaios... uma solução que vai parecendo mais adequada a cada dia que passa, embora reconheça que é uma solução muito radical, perigosa, pouco dialogante e etecetera e tal...
Esgotemos então as outras vias disponíveis... mas as cordas demasiado esticadas são muito imprevisíveis.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Referendo – Uma carga de nervos...


Neste "paraíso" global das multinacionais, já não há, praticamente, decisões económicas que digam respeito a um país, que sejam realmente tomadas nesse país. As multinacionais controlam dois terços de todo o comércio mundial. Um tal poder económico transforma-os nos verdadeiros mandantes das nações, restando aos governos – a quase todos os governos – o papel de lacaios desse poder económico.
Têm o seu exército – os mercados – a sua tropa de choque – as agências de rating – e os seus peões – os milhares e milhares de politólogos, comentadores, analistas, “jornalistas” arregimentados e políticos a soldo.
Têm o seu “super-estado”: uma máquina global de funcionários e organismos que ninguém elegeu, mas que tomam todas as decisões que afetam as vidas de milhões.
O papel dos grandes partidos políticos nacionais da área do poder e, no nosso caso particular, para além desses, as “instituições” europeias, é o de manter o povo dentro da rotina das “liberdades” e de um arremedo puramente ritual de democracia, enquanto é diariamente roubado... dando força à frase que diz: «Não há maior escravo do que aquele que vive na ilusão de ser livre».
Uma decisão como esta do anúncio de um referendo, na Grécia, mesmo podendo não passar de um acto de desespero do governo, leve ela o caminho que levar e tendo em conta que isso significa uma possível tomada de posição, de forma direta, pelo povo, num referendo que, dada a situação que se vive naquele país, deverá ser muito participado e vivido de uma forma apaixonada... aterroriza esta corja.
Desde há horas que andam como doidos, oscilando entre as ameaças e o já habitual arrancar desesperado de cabelos.
Até à hora a que escrevo, já atendi duas vezes o telefone ao Sarkozy. Lá tive que lhe dizer, no meu melhor francês, que non et non, monsieur... não sou a senhora Merkel, pardon... mas também não sou o Papandreou... nem o Berlusconi, ni la puta madre!!!... Au revoir... adeusinho!!!
...tal é a carga de nervos com que o homem anda a digitar os números “ao calhas” no telemóvel!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Vítor Gaspar – Provavelmente é um exagero...


Sabem os entendidos nestas coisas da economia, que Milton Friedman, economista norte-americano, Nobel da Economia (o que é mais uma prova de que o Nobel tem alguma tendência para cair no esgoto) foi um dos principais cérebros do monetarismo e do mais frio neoliberalismo... um eufemismo para designar o “capitalismo selvagem”.
Diz a História que Milton Friedman deixou a sua marca na governação de Nixon e Donald Reagan. Diz a História que ele e os seus “Chicago Boys”, nome porque ficaram conhecidos os seus cúmplices/discípulos, foram os cérebros da governação económica do ditador e assassino chileno Augusto Pinochet.
São já várias as ocasiões em que alguns dos nossos jornais, revistas e blogs, me informam de que Milton Friedman é também uma espécie de guru ideológico do nosso narcótico ministro das finanças, Vítor Gaspar.
Pelo caminho que as coisas levam e a julgar pela catadupa de medidas deste ministro e do seu governo e, principalmente, a julgar pelo caminho para que elas apontam... assalta-me uma dúvida:
Qual será o mais admirado por Vítor Gaspar? Milton Friedman, ou o próprio Augusto Pinochet?
Provavelmente estarei a exagerar...  mas quem mo garante?!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

UE – Cimeira




Este título de imprensa não poderia retratar melhor o espírito desta grande e tão aguardada cimeira europeia. Exactamente como o cartoon aqui em cima.
Ainda haverá alguns “bombeiros” realmente convencidos de estarem a trabalhar para o bem comum?

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Acalmar os mercados - Trágica perda de tempo e recursos


O governo de Pedro Miguel Passos de Vasconcelos Coelho, testa-de-ferro do colaboracionismo português, faz tudo para agradar aos mercados, nada  contra os mercados... seja o que for necessário, para “acalmar os mercados”.
Perante este último criminoso sacrifício de milhões de portugueses no altar dos mercados, que fazem estes? Acalmam? Não! Bem pelo contrário, aceleram o roubo do que ainda resta, subindo os juros exigidos a Portugal. Para liquidar rapidamente a vítima e passar a perseguir outra presa...
No caso da Grécia, sujeita a pagar juros que estão a atingir os 80 por cento, o que custa a acreditar é que se continue a chamar “ajuda”, “financiamento”, ou mesmo “empréstimo”, a esse crime hediondo cometido contra todo um povo.
A mostrar que há feras que não adianta tentar “acalmar”. Devem ser abatidas na primeira oportunidade!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Qual futuro?


Um dos exemplos de jargão de bolsa de valores mais sombriamente irónico é o termo “Especulação com Futuros”.
Confesso que nem sei muito bem do que se trata... embora tenha uma ideia geral. Seja como for, não é preciso ser um especialista em finanças ou mercados para ter uma opinião.
Basta ver o estado do nosso presente, para perceber quais os resultados de muitos anos de desenfreada especulação com “futuros”.
E se em vez de permitirmos a especulação com o nosso futuro... o tomássemos nas mãos?!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Juros – Alívio? Qual alívio?!




A Lusa informa-me de que «Juros aliviam em Portugal, em todas as maturidades». Claro que para dourar a pílula de uma microscópica descida de juros, ainda assim a ultrapassar os 13 por cento é preciso apontar a tragédia alheia, como é o caso dos gregos, a quem estão a ser exigidos juros acima dos 45 por cento, em alguns casos.
E assim ficamos “aliviados” por só termos que suportar juros agiotas que impedem qualquer ilusão de recuperação económica... mas que, valha-nos a santa, não são como os da Grécia!!!
Nunca é demais repetir que não entendo bulhufas de economia, mas seja como for, o que eu gostava realmente que os entendidos me dissessem, é simples:
Quanto a estas operações de agiotagem que, como se vê, navegam calmamente nos 13, mas podem ultrapassar os 45 por cento de juros exigidos às economias dos países que caiam nas suas malhas, qual é o momento exacto em que pisam o risco? Qual é a fronteira que separa os actos da mais vulgar e mesquinha agiotagem, dos crimes económicos e verdadeiros actos de guerra contra povos inteiros?
Quais as “armas” legítimas e ao nosso alcance, para ripostarmos a um tal acto de guerra?

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Paulo Macedo e SNS – Números, números, números, números...



A anedota já tem barbas. O homem vestido de miúdo dirigiu-se ao grupo de miúdos vestidos de... (vocês sabem) e perguntou: “Lobito Diogo, qual foi a tua boa ação de hoje?” E o Diogo, do alto da sua convicção de escuta de quase dez anos de idade, “Ajudei uma velhinha a atravessar a rua.”
Encurtando a estória, quando já vários dos prazenteiros “lobitos” tinham declarado ter ajudado a mesma velhinha a atravessar a rua, o garboso “caminheiro”, intrigado, quis saber por que cargas de água tinham sido necessários seis escuteiros para ajudar a velhinha a atravessar a rua. Responderam todos em coro: “Ela não queria atravessar!”
É no que dá a sobrevalorização da competitividade!
Passando para um assunto sério, o tecnocrata Paulo Macedo, que o liberal de aviário Pedro Passos Coelho achou ser a pessoa mais indicada para se ocupar de um assunto como a saúde dos portugueses, disse, quando iniciou as suas funções como ministro, que já tinha «uma imagem do sector da saúde», imagem que iria agora «aprofundar».
Pelos vistos já aprofundou. A primeira grande "ideia" do tecnocrata Paulo Macedo para o Serviço Nacional de Saúde... é tratar das facturazinhas, das continhas, dos balancetezinhos... e, genial!, organizar uma espécie de “Super-Liga” dos Centros de saúde e Hospitais, com classificações mensais.
Para as pontuações das várias equipas contam vários itens, como, evitar os “tratamentos mais dispendiosos”, promover “internamentos mais curtos”... e várias outras igualmente criativas modalidades a que gostam de chamar, globalmente, "desempenho".
Tudo planeado em estrita obediência às sagradas leis da oferta e da procura, fundadoras de uma sã sociedade, temente a Deus e à economia de mercado.
Mesmo que uma ou outra questão colocada pelo ministro pudesse ser considerada como pertinente – nada de bom se consegue com desperdício – posto o problema desta maneira, como mais uma vulgar competição, desta vez entre gestores hospitalares e profissionais da saúde, espero que esta estória não vá acabar como se desconfia: com os doentes a serem cilindrados por uma competição idiota, em que não são perdidos nem achados. Exatamente como a velhinha que não queria atravessar a rua.
É no que dá a sobrevalorização da competitividade!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Cuidado com as falsificações!


“Cuidado com as falsificações”... é o discreto aviso na tampa desta caixa de sabão francês do princípio do século XX. De qualquer forma, o que impôs esta fotografia da caixa de sabão como ilustração para este, chamemos-lhe assim... post, foi o fantástico nome do próprio sabão:
“Sabão da Renovação Portuguesa”
É de facto assim, à força de muito “sabão” que tem vindo a fazer-se a suposta renovação portuguesa. Desde a própria realidade, até às ideias e aos princípios que seria suposto darem-lhe a forma.
Na verdade, como é possível assistir às reviravoltas dos nossos economistas, analistas, politólogos e comentadores “oficiais” e outros papagaios para quem, há apenas umas semanas, quem contestasse as agências de notação ficava transformado quase imediatamente numa espécie de leproso... ou mesmo o “pastel de Belém”, que ainda há bem pouco distribuía ralhetes em público a quem ousasse atacar as benditas agências ou mercados e agora reage ao desmascaramento da sua incoerência insultando a inteligência de quem o questiona... como é possível assistir a isto, como disse, sem pensar que este aparente milagre, esta súbita “descoberta” dos malefícios dos ratings, se deve a um fantástico “branqueamento de passado” feito com este velho “Sabão da Renovação Portuguesa”?
É este “sabão” que, sem descanso, anda “limpando” as páginas dos jornais e telejornais, das notícias que não estejam de acordo com o guião pré-estabelecido pela troika e os seus lacaios, notícias que tentem relatar as lutas dos trabalhadores, contar as iniciativas das suas organizações, dar voz à contestação. Assim se aumenta o espaço livre nessas mesmas páginas para vender as explicações sobre a "nossa culpa" na crise, para passar a mensagem das inevitabilidades, para espalhar o terror sobre o que aí viria (abrenúncio!) se não obedecêssemos, como cordeiros, aos mercados.
E se o “sabão” consegue branquear desta maneira realidades com apenas alguns dias ou meses, com todos os intervenientes ainda vivos e as suas memórias bem frescas... imaginem o que pode fazer à História.