segunda-feira, 3 de agosto de 2020
O tatami era o mundo
domingo, 2 de agosto de 2020
O Zeca e os seus intérpretes
É infelizmente habitual ouvir-se gente a fazer “versões” de canções do Zeca, versões nas quais, ou por mera preguiça para aprender as melodias, copiar as letras sem calinadas, tentar reproduzir as harmonias originais sem tentar “melhorar”… avacalham metodicamente a obra do José Afonso.Depois há uma meia dúzia de gente com talento, que pega nessas canções e as recria mexendo nas harmonias e nos arranjos instrumentais, mas respeitando -como é devido! - o espírito da obra original e o seu autor.Esta versão que aqui proponho faz parte de uma terceira via para cantar o Zeca: a daqueles e daquelas que tentam reproduzir fielmente o original, sem “inventar” e dando o seu melhor.Exceptuando os primeiros, a todos os outros as canções do Zeca recompensam… fazendo aparecer o melhor dos intérpretes. Por vezes de uma forma inesperada, como esta antiga e belíssima versão de “Menino de Oiro”, gravada por um ainda jovem Trio Odemira.Decididamente, é de ouvir!
Trio Odemira - Menino de Oiro(José Afonso)
E de súbito a voz
E agora o mesmo… mas com música.
Gravação com 41 anos, do LP “Ao alcance das mãos”, com arranjos musicais do Carlos Alberto Moniz e gravado no velho estúdio “Rádio Triunfo”, hoje “Namouche”, na lisboeta Estrada da Luz, pela mão competente do grande José Manuel Fortes.
Boa audição.
PARA O ZECA (2 de Agosto de 1929)
Texto escrito para o Zeca, aquando da sua prisão em Caxias.
Vivia eu então na Cruz Quebrada, corria o ano de 1973.
E DE SÚBITO A VOZ
(Samuel)
E de súbito a voz
não que se cale o mar
de encontro à muralha
nem morte deixe de bater
A porta de quem grita pela vida
é o poiso escolhido
As aves continuam a cantar de longe
o Sol ainda passa retalhado nas grades
As grades filtram tudo:
o ar, a luz, a vida
a vida lá de fora.
Mas o mar continuou a bater
e o Sol mesmo retalhado
continua a aquecer
os pés do magro cantor
cantor ou não.
E é de súbito a voz
a por na força bruta da paisagem
uma nota de cor
de vida não domada
em jeito de ameaça e cumprimento:
Tereis notícias minhas!
sexta-feira, 31 de julho de 2020
José Afonso - Todas as canções
Este livro não é um romance… mas conta uma parte decisiva da História da nossa melhor música e da nossa própria História colectiva.
Veio mudar para melhor a vida de muitas centenas de cantores e músicos amadores que, consultando esta obra rigorosa, passaram a poder dar muito menos “caneladas” na obra do Zeca quando tocam e cantam as suas canções, quase sempre com as melhores intenções.
Esta publicação é uma homenagem à herança musical e humana desse nosso mestre e companheiro e ao trabalho de amor e profissionalismo do João Lóio, Guilhermino Monteiro, Octávio Fonseca e do José Mário Branco, na passagem para notação musical de todas as melodias, a que juntaram os acordes originais e as letras sem as fatais calinadas da “net”.
Chamo-lhe trabalho de amor, porque num país com esta pequena dimensão e mercado, a venda do livro nunca daria para pagar ao João, ao Guilhermino, ao Octávio e ao Zé Mário, nem uma pequena fracção da enorme tarefa a que se dedicaram.Ainda assim, tiveram que suportar, antes dos agradecimentos e elogios de quem comprou e usa a sua obra, a humilhação de terem que esperar dias que foram meses e meses que foram anos… até ser possível ultrapassar a enorme má vontade que impedia a edição do livro.

















