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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Em cada esquina um amigo – Lá chegaremos, Zeca!


Olá, Zeca!
Como não tenho a menor intenção de falar de morte... este recado é só para dizer que a saudade aqui por casa não abranda.
A tua Grândola está a fazer um sucesso fantástico... por boas razões, mas nem sempre da forma mais acertada. Mas isso são contas de outro rosário.
Como deves calcular - já que me conheces - não estou a falar na afinação vocal dos espontâneos cantores e cantoras, nem tão pouco do facto de quase ninguém saber a letra da cantiga... pois nesta segunda “arte” sempre foste tu o campeão.
Seja como for, cantando mal ou bem... havias de gostar de ver as idades da maior parte da malta que anda a cantar-te, por vezes pela primeira vez. Quem sabe se nalguns, mesmo que pouco a pouco, a coisa pega e frutifica?
A propósito... dentro de algumas semanas estarei de novo no júri do “Festival Cantar Abril”, inventado pela Câmara de Almada, e que instituiu um prémio com o teu nome. Há um belo punhado de malta nova que vem a concurso e, sobretudo, a convívio, mostrar as suas cantigas originais que falam de liberdade e futuro, ou recriar as canções da resistência e de Abril. Destas, como aliás nas edições anteriores, quase metade dos títulos a concurso... são teus.
Não fiques acanhado e, muito menos preocupado. Ninguém leva a mal!

Um abraço apertado.


domingo, 30 de dezembro de 2012

Queira ou não queira o papão...


Último domingo de um ano cinzento, ano que tentei ir iluminando com música que, na minha opinião, fosse adequada para esse (pretensioso) fim.
Como acabar? Que tal uma grande canção, de um enorme autor, cantada por um dos “amores” deste estabelecimento?
Do longo vídeo de um concerto de homenagem a José Afonso, recentemente realizado em França, mão amiga fez o favor de cortar este pequeno “clip” de uma cantiga apenas.
Haja luz!
Fiquem com “Menino do bairro negro”, de José Afonso, com o acompanhamento inspirado e feliz do Júlio Pereira, na voz mágica de Mayra Andrade.
Em três minutos e meio, um mundo de subtileza, de suavidade, memória, futuro, delicadeza, talento contagiante, simplicidade, simbolismo a rodos. Tudo num conjunto lindo... de viver!
Bom domingo.
“Menino do bairro negro” – Mayra Andrade
(José Afonso)




quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

José Dias Coelho – 19 de Julho de 1923 / 19 de Dezembro de 1961


Porque sem memória... somos pouco mais do que “vegetais”!
“A morte saiu à rua” – José Afonso
(José Afonso)



segunda-feira, 19 de novembro de 2012

José Afonso e Adriano – Faz falta “abanar” a malta...


Três jovens autoras (Catarina Rocha, Inês Castanheira e Isabel Rocha), pertencentes à associação “Amigos maiores que o pensamento”, resolveram fazer e publicar um livro em que um punhado de pessoas contasse algumas das suas experiência de vida, ou de simples momentos passados com o José Afonso e o Adriano Correia de Oliveira. Fizeram-no com evidente amor e entusiasmo. Chamaram-lhe “Provas de contacto”.
Como, em tempo útil, contribuí com algumas linhas para esse livro... fui convidado para estar no lançamento na cidade de Setúbal, precisamente a cidade em que o Zeca viveu e desenvolveu a sua arte solidária, durante largos anos.
Foi no sábado passado... e, mesmo na condição de simples convidado, fiquei doído pelas autoras, pelas pessoas que se dignaram a aparecer, pelo Zeca e pelo Adriano.
Estavam presentes na sessão de lançamento, para além de mim e do convidado principal, Camilo Mortágua, companheiro de muitos anos do Zeca, e não contando com os vários elementos da “Associação José Afonso”, que apoiou a iniciativa... para aí umas dez ou quinze pessoas.
Como nem por um momento acredito que, por muitas deficiências que possa ter tido a divulgação, tenham sido aquelas dez ou quinze pessoas as únicas a saber da sessão de lançamento do livro, em toda a cidade de Setúbal e seus arredores... o que aconteceu foi mais uma lição. Mais uma prova de que não basta jurar a eterna admiração e apreço pelas canções e pelas ideias do Zeca e do Adriano, ou bater no peito lacrimejando loas aos seus exemplos de vida e à sua coragem...
Por vezes é mesmo necessário fazer o “tremendo sacrifício” de levantar o rabo do sofá, depois de jantar... e andar, “heroicamente”, uns míseros quarteirões a pé ou de carro, numa noite que não forneceu sequer a desculpa de um único pingo de chuva para afastar os “milhares” de auto-proclamados admiradores.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

José Afonso – Custa apenas uns minutos...


Para fazer uma mudança radical no “panorama” deste dia aqui na casa, passando a falar de gente séria... porque não oferecerem uns minutos da vossa atenção a esta iniciativa de alguns amigos do José Afonso?



sábado, 22 de setembro de 2012

Conselho de Estado – Provavelmente...


Provavelmente, o primeiro-ministro não seria mesmo capaz de “empinar” todas as folhas de “excel” onde Gaspar arrumou os apontamentos sobre as experiências que anda a fazer com a vida dos portugueses... a tempo de as explicar no Conselho de Estado.
Provavelmente, Cavaco Silva sabe disso...
Provavelmente, Cavaco Silva quis apenas humilhar Passos Coelho, convidando um dos seus ministros para, estando ele presente, explicar uma política que é da sua inteira responsabilidade.
Provavelmente, a reunião foi tão longa, não pela complexidade dos assuntos discutidos ou as divergências postas sobre a mesa, mas porque Vítor Gaspar é bem capaz de ter começado por explicar com todo o detalhe porque aceitou ser ministro e só deeepooois... cooomeeeçou a faaalaaar daaas mediiiidas de aaausteriii zzz dade do goooveeernooo... z z z z z z z z z...
Provavelmente, caso os senhores conselheiros tivessem bom ouvido para entender o que se passava lá fora, na frente do palácio e no país, arranjariam maneira de sair "de fininho" pelos fundos, para não ouvirem mais uma vez e ainda mais alto o que não querem, mas merecem.
Provavelmente, um Conselho de Estado poderia ser uma força capaz de impulsionar o Presidente e o Governo para posições em que se defendesse, realmente, o Estado. Uma força mais para ajudar a tirar o país do atoleiro em que o grande capital o quer... não fosse o caso infeliz de ser pesadamente povoado por eunucos cuja função foi e é perpetuar o atoleiro e servir de capacho aos grandes mandantes desse mesmo capital.
Provavelmente, um Conselho de Estado assim, não serve para nada e as suas reuniões servirão para ainda menos, merecendo o painel de ilustres senhores doutores, inteiramente, este trocadilho plebeu do "conselho de(t)estado" que inventei para a ilustração do texto, sem fazer sequer um esforço para ser original...
Provavelmente, alguns dos senhores Conselheiros são daqueles que dizem gostar muito do Zeca Afonso e que, portanto, não estariam nada à espera que eu lhes dedicasse esta canção. Temos pena! É a vida!
“Os eunucos” – José Afonso
(José Afonso)




quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Zeca (José Afonso/2 Ago.1929-23 Fev.1987) – Vá... chama-me agora miúdo!...



Tenho o privilégio de não precisar de andar por aí a agitar, freneticamente, bandeiras com o nome do Zeca nas datas assinaláveis, como a de hoje, ou quando aparecem os microfones e as câmaras de televisão. As minhas bandeiras com o Zeca bordado em memórias tão simples quanto bonitas, trago-as dentro e agito-as sempre que quero... ou quase sempre que canto.

Na verdade, contam-se por muito poucos os cantos livres, ou recitais, ou pequenos e médios concertos, ou grandes comícios, em que as canções do Zeca não me “aconteçam”, com a naturalidade de quem canta o que é seu.
Um dia destes hei-de pôr pés ao caminho, para ir “cravar” aos legítimos proprietários desta fotografia, uma cópia menos “ensaropilhada” do que esta... que mesmo assim, pela raridade (eu nunca guardei imagens, recortes e esse tipo de memorabília), me deu uma grande alegria quando pousou aqui em casa, oferecida por uma amiga.
Lá está o Zeca, fazendo uma das coisas que me ensinou - não saber as letras de cor - e eu, com vinte anitos ainda abismados pela fantástica oportunidade de lhe segurar as letras, depois de momentos antes ter praticado “O cantigueiro”, que gravaria pouco tempo depois, ainda em 1972.
Zeca, a quantidade de letras tuas que transporto no meu dossiê de cantigas é tal... que quando nos encontrarmos de novo, poderemos fazer um recital de horas... e voltarás a poder cantar aquelas que... tu sabes.
Mas não é pra já, companheiro... ainda não é pra já!


"Tinha uma sala mal iluminada" - José Afonso
(José Afonso)




terça-feira, 22 de maio de 2012

Zeca sempre... e ainda outra vez... e sempre que for preciso!




Não anunciei a “performance” previamente para não ficarem a pesar-me na consciência os catastróficos engarrafamentos que isso produziria nas várias entradas de Lisboa... mas na verdade, ontem pelo fim da tarde estive a cantar na Sociedade Portuguesa de Autores, na “Sala Carlos Paredes”.
Tratava-se do “Dia do Autor” e a Cooperativa entregava prémios aos mais antigos trabalhadores da casa e a diversos autores. Dos livros ao cinema, da música ao teatro... e quase tudo o que faz mexer a cultura.
Como os critérios para a atribuição destes prémios e medalhas de honra se cingem ao mérito artístico reconhecido por todos os pares, o meu público de “laureados”, simples amigos e alguns verdadeiros camaradas de “armas”, cobria todos os espectros das sensibilidades políticas... desde Isabel do Carmo a ex-ministros, ou a maestros muuuuito à direita.
Daí ter-me dado tanto prazer aceitar o convite para ali cantar algumas canções do último autor da lista de homenageados do dia: José Afonso.
Daí ter-me dado tanto prazer encerrar o punhado de canções que escolhi, com os “panfletários” Vampiros.
Daí ter-me dado tanto gozo que lá por volta da terceira repetição do refrão, já uma parte do público estivesse a cantar em coro “eles comem tudo, eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada”.
Alguns, mesmo, com convicção!


terça-feira, 24 de abril de 2012

Abril - De 24 para 25...


Hoje à noite será aqui. Coruche, num serão todo feito de cantigas do Zeca.
Foi isso que me foi pedido... faço-o com todo o gosto!
Viva o 25 de Abril!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Olá, Zeca!




 Na passagem destes vinte e cinco anos, quero dizer-te (entre tantas coisas que não é preciso dizer) que sempre conseguiste deixar-me arrepiado com a interpretação desta tua música que hoje aqui lembro. A demolidora garra e concentração com que te empenhaste em transformar a tua interpretação deste poema de Jorge de Sena... numa espada. Brilhante. Necessária. Com o som que produzem só algumas (muito raras) espadas.
É uma interpretação inultrapassável, servida genialmente pela desconcertante simplicidade do acompanhamento da viola do Bóris. Canto-a muitas vezes ao vivo, acompanhando-me à viola, sozinho. Porque é importante que se ouça... e também para provar exactamente o que acabo de dizer sobre a tua "versão".
Fazes-me falta, amigo! Para tudo... e para renovar o reportório de apresentações em frases curtas, entre cantigas... que fazias tão bem. Até o humor meio surreal com que temperavas esses intervalos me dá ainda combustível para o caminho.
Vemo-nos um destes dias... mas dá-me mais vinte e cinco anos, para além destes que já passaram, pois tu é que partiste cedo demais, meu sacana!

"Epígrafe para a arte de furtar" - José Afonso
(Jorge de Sena/José Afonso)



domingo, 30 de outubro de 2011

Fausto e Zeca – Não canto porque sonho


Muitos fazedores de canções, ou por hábito, ou por vontade de fixar um estilo vincado, ou para apostar em fórmulas que tiveram antes sucesso, refugiam-se numa espécie de “zona de conforto” de onde saem canções parecidas umas com as outras, com a mesma sonoridade, os mesmos ritmos, os mesmos temas. Isso pode tornar-se bastante maçador... a menos que se tenha o engenho e a arte do Fausto Bordalo Dias.
A “zona de conforto” do Fausto é aquele ambiente fortemente ritmado, feito de uma mistura de “malhão” ou “chula” estilizados, temperada com algum balanço africano... sobre um cenário de epopeias de descobrimentos e outras aventuras mais ou menos marinheiras e salgadas. Essa “fórmula” já lhe rendeu muitas grandes cantigas ao longo dos anos, sendo “O barco vai de saída”, do grande disco “Por este rio acima”, o exemplo mais brilhante.
Felizmente (para o meu gosto) o Fausto tem muitas vezes a coragem de sair da sua “zona de conforto”. É nessas alturas que produz os momentos mais belos da sua música. Foi assim que nasceu “Atrás dos tempos vêm tempos”, “Eu tenho um fraquinho por ti”, “Foi por ela”, entre tantas... e, destacada à frente de todas, a pérola que é “Se tu fores ver o mar (Rosalinda)”.
Deu-nos também este belíssimo “Não canto porque sonho”, música feita de parceria com o A.P. Braga e a participação vocal do José Afonso.
Ah... e os versos de um tal Eugénio de Andrade (depois de algumas “montagens cirúrgicas” típicas dos compositores e das suas necessidades de ritmicas) deram uma belíssima ajuda.
Bom domingo!
Não canto porque sonho

Não canto porque sonho. 

Canto porque és real. 

Canto o teu olhar maduro, 

o teu sorriso puro, 

a tua graça animal.



Canto porque sou homem. 

Se não cantasse seria 

o mesmo bicho sadio 

embriagado na alegria 

da tua vinha sem vinho. 



Canto porque o amor apetece. 

Porque o feno amadurece 

nos teus braços deslumbrados. 

Porque o meu corpo estremece 

por -los nus e suados.
(Eugénio de Andrade)

Não canto porque sonho” – Fausto e José Afonso
(Eugénio de Andrade/Fausto/A.P.Braga)



domingo, 2 de outubro de 2011

José Afonso – Já o tempo se habitua





Nem o voo
Do milhano
Ao vento leste

Nem a rota
da gaivota
ao vento norte

Nem toda
a força do pano
todo o ano

Quebra a proa
do mais forte
nem a morte
Os autores de quadros, esculturas, livros, sinfonias... ou simples canções, têm as suas preferências por esta ou aquela das suas obras, preferências que muitas vezes não coincidem com os gostos do público. Picasso não seria excepção, Saramago não era excepção, eu próprio (apenas pela vaidade de figurar na lista) não sou excepção... o Zeca não era excepção.
No caso do Zeca, esse carinho especial por algumas das suas menos cantadas cantigas, era evidente. O facto de mesmo o seu público mais fiel se limitar a uma lista de canções que quase nunca passou das mesmas cinco ou seis, era um “desgosto” que ele escondia bastante mal.
Aprendi pois com ele, também... e entre tantas coisas, este gosto pelas cantigas menos “gastas”. Por qualquer razão... acho que esta, “Já o tempo se habitua”, do disco “Contos velhos rumos novos”, editado em 1969, um disco em que não sou capaz de escolher uma preferida, tal é a mão cheia de "paixões absolutas", como “Era de noite e levaram”, “A cidade” (com versos do Ary), “Qualquer dia”, “Bailia”... melhor dizendo, todas... como dizia, por qualquer razão, esta parece-me especialmente adequada ao dia de hoje.
Bom domingo!
“Já o tempo se habitua” – José Afonso
(Popular/José Afonso)



terça-feira, 2 de agosto de 2011

José Afonso (1929-1987)


Enquanto viveu, o Zeca foi a demonstração prática de que é possível viver de outra forma. De que é possível ser-se humano de outro modo. De que outro mundo é possível.
Não! Não vou aqui ficar a alinhar mais umas palavras e estórias sobre o Zeca. Isso fica para todos os outros dias do ano.
Parabéns, Zeca!

domingo, 5 de junho de 2011

Os eunucos - Não matam os tiranos pedem mais



Já que sei como o fazer... poderia ter optado pela montagem de um vídeo carregado de “pistas” e ligações visuais, num desfile de dezenas de imagens da nossa atualidade política, capazes de ilustrar cada frase e cada ideia desta velha canção do Zeca... mas não!

Prefiro que vocês a ouçam e ilustrem com imagens da vossa própria cabeça a terrível atualidade desta canção já com quarenta e um anos, fazendo de “banda sonora” deste dia que, diga o que disser a meteorologia (e apesar de algumas boas “abertas”), será um dia cinzento.

Melhores dias virão!

Os eunucos
(José Afonso)

Os eunucos devoram-se a si mesmos
Não mudam de uniforme, são venais
E quando os mais são feitos em torresmos
Defendem os tiranos contra os pais

Em tudo são verdugos mais ou menos
No jardim dos haréns os principais
E quando os mais são feitos em torresmos
Não matam os tiranos pedem mais

Suportam toda a dor na calmaria
Da olímpica visão dos samurais
Havia um dono a mais na satrapia
Mas foi lançado à cova dos chacais

Em vénias malabares à luz do dia
Lambuzam da saliva os maiorais
E quando os mais são feitos em fatias
Não matam os tiranos pedem mais.

“Os eunucos” – José Afonso
(José Afonso)



domingo, 13 de março de 2011

José Afonso – Oh que coisas eu já via...



Ando há muitos anos na companhia das canções do Zeca. Ultimamente ainda mais. Porque faz falta, porque são actuais e actuantes, porque não me apetece embarcar em comparações deslocadas entre músicas de intervenção antigas e de agora. Daí que mais uma vez me tenha apetecido montar umas imagens num vídeo, desta vez sobre a canção “Qualquer dia”, com letra de Fernando Miguel Bernardes e música do Zeca, do disco de 1969 “Contos velhos rumos novos”.

Qualquer dia é um desabafo. Qualquer dia, é um aviso. Qualquer dia, é uma promessa. Qualquer dia... será o dia.

Tal como o Zeca, também eu, no inverno ganhei ódio... e juro que o não queria!

Bom domingo!

Qualquer dia
(Fernando M. Bernardes/José Afonso)

No inverno bato o queixo
sem mantas na manhã fria
No inverno bato o queixo
Qualquer dia
Qualquer dia

No Inverno aperto o cinto
Enquanto o vento assobia.
No inverno aperto o cinto
Qualquer dia
Qualquer dia

No Inverno vou pôr lume
Lenha verde não ardia.
No inverno vou pôr lume
Qualquer dia
Qualquer dia

No Inverno penso muito
Oh que coisas eu já via
No inverno penso muito
Qualquer dia
Qualquer dia

No Inverno ganhei ódio
E juro que o não queria
No inverno ganhei ódio
Qualquer dia
Qualquer dia.
“Qualquer dia” – José Afonso
(Fernando Miguel Bernardes/José Afonso)



domingo, 6 de março de 2011

Se alguém caía, um outro alevantava o tronco que tombava... e renascias


(José Dias Coelho – “Desenho” 1953)

Noventa anos a fazer pontes entre os saberes e o sentir das fábricas, dos campos e das escolas... e o futuro. Noventa anos a forjar gente capaz de dar o melhor de si por um ideal. Noventa anos a servir de dique, defendendo aqueles que querem avançar, da imensa vaga de interesses que nos empurra para o passado. Noventa anos que calam, com o sobressalto de um punho que se abate sobre a mesa, os sucessivos coveiros que há noventa anos tentam ter razão nos seus anúncios de morte, mas que, para seu violento desespero, não têm. Noventa anos... mais de metade, passados a lutar contra o fascismo: opressão, prisões, morte, obscurantismo, atraso; os restantes, a lutar contra as sementes que o fascismo deixou.

Noventa anos é uma bonita idade! Para os militantes e simpatizantes do PCP aqui fica uma “prenda” domingueira. Para todos os outros leitores... é mais uma bela música. Como não existia nenhum vídeo desta canção... tratei de fazer um, apenas uma colagem de fotografias sobre esta grande cantiga do Zeca, uma daquelas que poucos conhecem... ou de que vagamente se lembram. Uma espécie de homenagem e alerta... de alimento para o caminho. Tanto caminho!

Parabéns...  e bom domingo!

Tinha uma sala mal iluminada
(José Afonso, do álbum “Enquanto há força” – 1978)

Tinha uma sala mal iluminada

Perguntavas pelo amigo e estava a monte

A fuga era a última cartada

pide estava ali mesmo defronte



Às vezes uma dúvida rondava

Valia ou não a pena o que fazias?

Se alguém caía um outro alevantava

O tronco que tombava e renascias



A velha história ainda mal começa

Agora está voltando ao que era dantes

Mas se há um camarada à tua espera

Não faltes ao encontro sê constante


Há sempre quem se prante à tua mesa

Armado em conselheiro ou penitente

A luta agora está de novo acesa

E o caminho é só um é sempre em frente



Perdeste a treino falta-te a paciência

Ouviste antes do tempo mil fanfarras

Já os soldados fazem continência

Ao som do choradinho e das guitarras



A velha história ainda mal começa

Agora esta voltando ao que era dantes

Mas se há um camarada à tua espera

Não faltes ao encontro sê constante.

“Tinha uma sala mal iluminada” – José Afonso
(José Afonso)




quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

José Afonso – Que dizer?


O que é que se pode dizer de alguém que mudou a nossa vida? Se não tivesse partido em 23 de Fevereiro de 1987 seria hoje um senhor idoso, com 82 anos. Se não tivesse partido continuaria a ser, como sempre foi, o mais jovem de todos nós. Se não tivesse partido estaria a fazer coisas extraordinárias, novas e arrojadas... e algumas delas seriam canções.
O que é que se pode dizer, que não venha avivar a ferida? O que dizer de alguém que mudou a nossa vida? Não sei.
Todos vocês têm no coração uma canção do Zeca; aquela que para cada um é a mais bonita, a mais importante... e que devem agora trautear em pensamento, sem precisarem de “guia”.
Um abraço!