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sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Repulsa





Tudo nesta historieta da noiva libanesa que não interrompeu o casamento enquanto se ouviam as tremendas explosões em Beirute… causa alguma repulsa. 

Desde a insensibilidade de continuar com a bosta das fotografias do casamento e com o jantar e a noitada… independentemente do que era mais do que evidente, estaria a acontecer na vida de milhares de pessoas, para além das muitas dezenas que morreram… até à tão solidária declaração de que, apesar de terem ficado bem, regressarão rapidamente aos EUA, onde a noiva já vive, porque não há condições para continuar no Líbano.

Seja como for, o pior das declarações desta pobre imbecil, é a profunda arrogância com que agradece a “deus” tê-la protegido, assim como a todos os que estavam na festa. O que é que esta grande "vaca" acha que tem, que a faça ser merecedora de “protecção” do tal “deus”… ao contrário dos milhares de feridos, desalojados e mortos… para os quais o seu “deus” se borrifou?
Nunca hei-de entender porque é que “deus” transforma pessoas aparentemente normais nesta espécie de bestas sem empatia para com o sofrimento do seu semelhante e que acha sempre que a sua salvação de qualquer desastre é, no fundo, obra sua e do seu mérito... e que o tal "deus" só cumpriu o seu dever.
Pode ser que o seu “deus” de fancaria se veja bastante atrapalhado para a “proteger” do racismo e da xenofobia de que será alvo nos EUA… como quase todos os imigrantes e refugiados... mesmo os aparentemente endinheirados, como ela.


https://www.jn.pt/mundo/continuamos-a-cerimonia-conta-noiva-que-sobreviveu-a-explosao-em-beirute-12500682.html

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

José Afonso e Adriano – Faz falta “abanar” a malta...


Três jovens autoras (Catarina Rocha, Inês Castanheira e Isabel Rocha), pertencentes à associação “Amigos maiores que o pensamento”, resolveram fazer e publicar um livro em que um punhado de pessoas contasse algumas das suas experiência de vida, ou de simples momentos passados com o José Afonso e o Adriano Correia de Oliveira. Fizeram-no com evidente amor e entusiasmo. Chamaram-lhe “Provas de contacto”.
Como, em tempo útil, contribuí com algumas linhas para esse livro... fui convidado para estar no lançamento na cidade de Setúbal, precisamente a cidade em que o Zeca viveu e desenvolveu a sua arte solidária, durante largos anos.
Foi no sábado passado... e, mesmo na condição de simples convidado, fiquei doído pelas autoras, pelas pessoas que se dignaram a aparecer, pelo Zeca e pelo Adriano.
Estavam presentes na sessão de lançamento, para além de mim e do convidado principal, Camilo Mortágua, companheiro de muitos anos do Zeca, e não contando com os vários elementos da “Associação José Afonso”, que apoiou a iniciativa... para aí umas dez ou quinze pessoas.
Como nem por um momento acredito que, por muitas deficiências que possa ter tido a divulgação, tenham sido aquelas dez ou quinze pessoas as únicas a saber da sessão de lançamento do livro, em toda a cidade de Setúbal e seus arredores... o que aconteceu foi mais uma lição. Mais uma prova de que não basta jurar a eterna admiração e apreço pelas canções e pelas ideias do Zeca e do Adriano, ou bater no peito lacrimejando loas aos seus exemplos de vida e à sua coragem...
Por vezes é mesmo necessário fazer o “tremendo sacrifício” de levantar o rabo do sofá, depois de jantar... e andar, “heroicamente”, uns míseros quarteirões a pé ou de carro, numa noite que não forneceu sequer a desculpa de um único pingo de chuva para afastar os “milhares” de auto-proclamados admiradores.