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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Um dedo para o Cerny


Deixando e lado as considerações estéticas e artísticas, assim como de bom ou mau gosto... o artista David Cerny (diz-se “cherni”... como se fosse um alentejano a chamar o Durão Barroso) poderia ter escolhido várias oportunidades para “erigir” a sua obra provocatória em frente à sede do poder do seu país, a República Checa.
Poderia ter dedicado o seu “dedo” à corrupção dos governos de direita, ao desemprego, à maior recessão da Europa Central, à profunda crise provocada pelo capitalismo selvagem com que os “herdeiros” da crise dos países do campo socialista pensaram poder apagar da História uma ideia de sociedade que (expurgada dos tremendos erros que levaram à sua derrota) continua, nas questões que se prendem com a justiça social, a cultura e a própria civilização, anos-luz à frente da barbárie capitalista que a substituiu.
Cerny teve anos para apontar este dedo aos corruptos e vendidos que há anos vêm arruinando o seu belo país. Não o fez. Decidiu fazê-lo agora porque, diz ele, «está horrorizado» com a possibilidade de os comunistas, ainda que apenas na forma de um acordo governativo com os sociais-democratas e numa posição minoritária, poderem voltar à esfera do poder, atendendo aos valores das intenções de voto no Partido Comunista divulgados nas sondagens publicadas em vésperas de eleições. 

Claro que o artista Cerny deve estar certo... e os quase 20% de eleitores que anunciam a sua vontade de votar comunista é que estão errados. Claro que não haverá jornal da família do "Público", ou televisões da mesma estirpe, que não lhe dêem razão.
Claro que o Cerny está no seu direito... tal como eu me sinto no direito de lhe dedicar, também, o meu dedo bem esticado. Menos monumental, menos roxo, menos mediático... mas com uma imensa sinceridade!

sábado, 22 de junho de 2013

Israel – Mais uma “lamentação” a juntar ao muro...


Um dos muitos habitantes de Jerusalém que tiveram a fatalidade de serem, ao mesmo tempo, israelitas e árabes, fez, há pouco, a sua última visita ao histórico “Muro das Lamentações”. Ali chegado, quis afirmar a sua pública convicção de que o seu “deus” é grande. Enorme erro!
Poderia, como qualquer um de nós, dizer simplesmente “Deus é grande!”... ou Dios es grande, ou Dieu est grande, ou God is great, ou Gott ist groß...  mas não! Levado pela sua manifestamente infeliz natureza de árabe, disse Alla’hu Akbar… o que lhe foi fatal!
Um dos “nervosos” seguranças israelitas que por ali andava, despejou-lhe uma interminável rajada de balas no corpo, assassinando. Estava desarmado. Não constituía qualquer espécie de ameaça.
Numa trágica ironia, acontece que o “deus” do assassinado e do seu carrasco, é exactamente o mesmo. Acontece também que, desgraçadamente, em nenhuma das duas versões é o que se possa chamar um “deus” grande. Pelo menos não é, nem um milímetro, maior dos que a infinidade de pequenos e médios “deuses” que povoam a História da Humanidade, desde os simples “deuses” das florestas... até ao mais arrogantes e pretensiosos... todos saídos da imaginação temerosa do homem.
Acontece que nenhum desses esteve nem perto de conseguir igualar o número esmagador de seres humanos chacinados em seu nome. Este pobre israelita/árabe foi apenas mais um, numa, aparentemente, imparável lista de actos de profundo ódio que vem desde a casa desavinda de Abraão, passando pelas "Cruzadas", pela "Santa Inquisição", por cada acto terrorista do cobarde fundamentalismo islâmico... até ao intolerante e venenoso "cristianismo" de qualquer beata de uma qualquer das nossas aldeias.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Os culpados da crise – Fogueira com eles!!!


É a banca americana! É a banca internacional! É o financeirismo! É o neoliberalismo! É a direita! É a esquerda! São os sindicatos! São as greves! São os comunistas! É a... ... ...
É este, mais pormenor menos pormenor, o coro que se levanta sempre que se pretende apontar uma entidade que arque com as culpas da crise. Cada um escolhe a sua e cria uma teoria que sirva a sua escolha. Até agora!
Finalmente, um conjunto de sábios em que se inclui Bagão Félix, o “abominável” César das Neves, Gentil Martins e outros ao mesmo nível, descobriu aquilo que provocou a crise, segundo eles, algumas leis aprovadas nos últimos anos... que estão a destruir «os pilares estruturantes da sociedade»:
O casamento homossexual, a nova lei do divórcio, a despenalização do aborto e a reprodução medicamente assistida.
Mai'nada!!! Agora basta juntarmo-nos aos milhares de portugueses que já assinaram a "petição pública" criada por estes cidadãos, pedindo a revisão destas leis... e proceder em conformidade, quer dizer, regressando ao passado.
Entretanto, podemos ir meditando no facto de o número “21” a seguir à palavra “século” não passar disso mesmo, um número, não querendo dizer rigorosamente nada sobre o nosso estádio civilizacional... pelo menos a ver por estas mentalidades que ainda estão, umas, no tempo cinzento de chumbo do salazarismo, outras ainda no “paraíso” da Idade-Média.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Carlos Peixoto – Declarações abaixo de cão... feitas em altitude



“O deputado do PSD Carlos Peixoto disse, esta sexta-feira, em declarações à Rádio Altitude, que quem admite um casamento homossexual pode também vir a aceitar o casamento entre irmãos, primos directos ou pais e filhos.”
Estas declarações do rapazola que se vê na imagem, a fazer fé na notícia, colocam várias questões. Por exemplo:
Se é sabido que a “altitude” torna o ar mais rarefeito, fenómeno que pode ter resultados funestos a nível respiratório, cardiovascular e cerebral... não sabia que a “Rádio Altitude” estava num lugar tão vertiginosamente alto. Só isso explica que o senhor deputado do PSD tenha “incestado” um chorrilho de asneiras tão tremendo.
Ou então, a coisa nada tem que ver com a altitude... e o senhor deputado limita-se a ser um parvalhão, capaz de dizer estas mesmas asneiras ainda que estivesse abaixo do nível do mar.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Não têm qualidades para “dirigir” varas de porcos... quanto mais pessoas!


Chega-nos da Indonésia a notícia de mais um lugar no mundo (não é o primeiro) em que a lei islâmica, no seu estado mais fanático, proibiu as mulheres de andarem no lugar do pendura em motorizadas ou quaisquer outros motociclos. Razão: tratar-se de um atentado à decência e bons costumes.
Vendo passar uma qualquer motorizada ou lambreta carregando um par de namorados... dá para perceber o que vai na cabeça do legislador!
Também dá, infelizmente, para confirmar, mais uma vez, que 99 por cento dos “hereges”, “pecadoras” e “pecadores”, que morreram nas fogueiras da “Santa Inquisição”, ou que ainda hoje são queimados nas “fogueiras” dos olhares de beatas e moralistas, mais aqueles (sobretudo aquelas!) que morrem nas selvagens lapidações ordenadas por leis medievais em vigor em boa parte do mundo islâmico... 99 por cento desses "pecadores", como disse, eram e são, afinal, a perfeita incarnação da inocência, quando comparados com as mentes irremediavelmente podres dos seus acusadores, de uma maneira geral... e dos seus dirigentes religiosos, em particular.
Nojento!!!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

“Câmara clara” – Relvas... pois claro!


Mesmo tendo a notícia já uns dias... ainda assim a minha amiga quis saber do meu estado de alma sobre o fim do magazine cultural da RTP, “Câmara clara”, que recentemente viu anunciada a sua extinção, aparentemente por ser muito dispendioso... pese embora o facto de ser dos poucos programas da RTP (seja da 1 ou da 2... ou das outras) que pode ostentar o título de “Serviço Público”.
Quem sabe, persuadida de que sou uma pessoa bastante entrosada com o mundo da televisão, queria a minha amiga saber o que é que era verdade, ou mentira, nessa teoria do “muito dispendioso”. Queria ainda que eu lhe dissesse se o “Câmara clara” era mais dispendioso do que os vários ordenados milionários de algumas figuras da RTP, nomeadamente, de uma figura como Catarina Furtado, que continua a ter um vencimento de muitos milhares de euros por mês... sem que se saiba muito bem a troco de quê, já que raramente aparece, sequer, nos ecrãs... e se eu não achava uma vergonha acabar com aquele que é, talvez, o melhor magazine de cultura...
Sabendo do carácter sensível da amiga em causa, disse-lhe que sim, que é uma vergonha... mas evitei colocar “sobre a mesa” memórias do nosso passado, ou fazer comparações com conhecidos nazis que, segundo reza a História “puxavam da pistola sempre que lhes falavam em cultura”. Limitei-me a recordar-lhe o “perfil” do responsável pela tutela da RTP, o inefável Miguel Relvas, ao que se suspeita, directamente responsável pelo cancelamento do tal programa sobre cultura... e “vendi-lhe” um teoria cá muito à minha moda:
Tudo aquilo que Relvas não consegue de todo entender... opta por considerar muito caro!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

PCP e Henrique Monteiro – Grande “análise”!!!


Registo e desenvolvo o desabafo do Rui Vasco Silva. O cidadão Henrique Monteiro deve ter (à semelhança de todos os jornalistas cujas “vidas particulares” dependem economicamente dos jornais em que escrevem, sejam do senhor Balsemão, do senhor Belmiro, ou do Xico dos Anzóis...) uma vida muito triste!
Defende no “Expresso” a teoria segundo a qual o facto de uma boa parte dos membros do Comité Central do PCP serem funcionários do partido os transforma numa espécie de “zombies” sem voz, ou opinião, ou iniciativa, com vidas «semelhantes e uniformizadas».
Logo a seguir, como se fosse para atenuar a calúnia, decide dividir o mal pelas aldeias, dizendo que nos outros partidos se passa o mesmo... só que aí, na forma de distribuição de tachos no poder e jobs for the boys.
Ficamos então a saber que, para além da indigência da análise sobre o funcionamento do PCP, Henrique Monteiro valoriza da mesma forma o trabalho denodado e militante, a vida voluntariamente modesta (sem ganhos monetários dignos sequer desse nome) dos funcionários comunistas... e os lacaios que o PS e o PSD vão, ao longo dos anos, cobrindo de dinheiro e mordomias, em empregos o mais das vezes inúteis, dentro da máquina do Estado.
Há já muito tempo que, de vez em quando, tropeço nestas bostas escritas por Henrique Monteiro, na crónica que tem o título provocatório de “Chamem-me o que quiserem”. Ora então não seja por isso... é hoje!

Atrasado mental!!!
(E isto porque hoje estou bastante bem disposto!)

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Ética e Ciências da vida... racionada!


Não conheço o homem de lado nenhum... e confesso que não desejo conhecer. Provavelmente é apenas mais uma prova viva de que uma resma de cursos não tranforma uma besta numa pessoa decente. Provavelmente é amigo do seu amigo e da família, bom médico e, quem sabe?, deve possuir toneladas de ideias vistosas sobre a “Ética e Ciências da Vida”. O grande problema são as porcarias que lhe saem pela boca fora... problema que é bem possível que resolvesse, mandando remover do seu “sistema” o malvado do “gene nazi” que, calhando, o homem nem sabe que tem...
Decididamente, quando fala em não poder haver tudo para todos, quando fala em racionamento e, sobretudo, quando questiona se valerá pena gastar uns tantos euros com uma pessoa apenas para lhe prolongar a vida por uns meses... o homem devia vestir uma camisa escura, dar lustro à suástica e espetá-la na manga.
Mas pronto... pode ser tudo um mal entendido e, tal como o ministro Macedo, que queria elogiar os trabalhadores quando os insultou, este também virá dizer que queria, afinal, elogiar os doentes pobres que não têm dinheiro para pagar do seu bolso os tais tratamentos caros que vão ser “racionados”.

terça-feira, 13 de março de 2012

Bispo de Beja – Uma notícia do “anno da graça” de 1250... mais ou menos...


Assim não é fácil! Ao mesmo tempo que o Vaticano tenta dar uma no cravo, declarando o seu desacordo (e faz bem) no que respeita à internacional negociata da privatização da água, declarando esta um bem público, ainda que reconhecendo os “direitos” dos negociantes... vem logo um destacado membro do clero dar uma na ferradura. Estrondosamente.
Falo do senhor que faz de bispo de Beja, que esteve a um passo de culpar os portugueses pela seca. A um passo de considerar a seca como um (merecido) castigo divino a todos nós, miseráveis pecadores. Diz a luminária que os portugueses estão muito longe de rezar o suficiente para que a divindade se digne conceder-nos a “bênção” da chuva... e que, pelo contrário, estão mais virados para as ajudas de Bruxelas. Para o bispo, a esta hora já o país deveria estar a ser sulcado, em todas as direções, por intermináveis procissões a implorar pela chuva. Aparentemente, para o senhor António Vitalino Dantas, essa falta de rezas e procissões é muito grave.
É bem capaz de ser! Pelo menos, quase tão grave como o facto de o senhor bispo ter chegado tão atrasado à reunião em que distribuíram os cérebros. Tão grave como esse facto o ter deixado parado... lá... em plena época medieval.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Preservativo - Finalmente... a aprovação do Vaticano




Nem por isso dou grande atenção à "rede" de distribuição de piadas por mail... mas perante esta, rendo-me.

Quando uma coisa tem graça, tem mesmo! Pronto.

Teria muito mais... não fora a triste realidade de a posição do Vaticano, sobre o uso do preservativo, ter já feito (ainda faz) tantas vítimas.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Que quem já é pecador sofra tormentos, enfim! Mas as crianças... *


(Primeira imagem, Paulo Alegria / segunda imagem, Joel Calheiros)

Seguindo a sua velha esperteza saloia de canibalizar os rituais pagãos e vender a ilusão de que aquelas práticas, quase sempre tão obscuras como as mentes em que, ao arrepio da História, ainda habitam, têm qualquer ligação com o cristianismo... a Agência Ecclesia dá a notícia (com indisfarçável satisfação) do retomar da “fé aliada à tradição” de São Bartolomeu do Mar, conhecida por “Banho Santo”.
Obedecendo a uma qualquer lógica medieval que para eles fará sentido, os “peregrinos” acreditam que o ritual do “banho santo”, envolvendo galinhas pretas, água do mar, violência e crianças, ajudará estas a ficarem livres do diabo, dos demónios, da gaguez, da epilepsia... provavelmente, até fará regressar o perdido abono de família.
E pronto. Numa orgia abrutalhada em que as crianças, quase sempre aterrorizadas, são enfiadas nos braços de indivíduos completamente desconhecidos, que riem alarvemente (tal como a família, diga-se) enquanto as mergulham à força nas ondas... os espíritos acabam por se afastar, provavelmente para não terem que assistir ao triste espectáculo.
Claro que, no fim, apesar de tudo isto ser um direto insulto ao próprio Cristo e à sua pregada relação de carinho com os mais pequenos, há sempre sacerdotes católicos disponíveis para abençoar esta aberração... fingindo acreditar na farsa.
* O Augusto Gil não fez nada para entrar neste post. A culpa é inteiramente minha!