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quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Os "uns" e os jovens

 











A juventude não sabe nada sobre nada.

A juventude desconhece a História de Portugal, antiga ou recente.

A juventude não respeita os mais velhos e está pouco ligando para a possibilidade de os seus comportamentos irresponsáveis durante esta pandemia, poderem matar os pais, ou os avós.

A juventude é furiosamente consumista, mesmo não ganhando o suficiente para o ser, forçando alguns pais a viver como escravos dos seus gostos de moda.

A juventude é sexualmente depravada e deixou de se respeitar até entre si, achando normal a violência entre colegas ou mesmo entre namorados.

A juventude está perdida! - dizem UNS.


São precisamente estes “UNS” que rasgam as vestes e ameaçam com castigos “divinos”, de cada vez que alguém sugere que seria bom que, desde o início da vida escolar…

 

- A juventude tivesse um cuidado ensino sobre os temas da sexualidade e da igualdade de género e do respeito devido “ao outro”, independentemente da sua etnia, credo, identidade sexual.

- A juventude tivesse acesso a ensino cuidado sobre a História da Humanidade e do seu próprio país, para melhor entender o presente e os caminhos que escolha no futuro.

- A juventude fosse habituada a conhecer a História do pensamento filosófico e político… para não se alhear por achar “tudo igual”, ou ser presa fácil de vigaristas como os “Aldrabés Ventura” desta vida.

- A juventude fosse educada para respeitar mais a história de vida dos seus avós, do que a merda do telemóvel ou tablet que os trás fascinados (por mais úteis que sejam)…. ignorantes sobre aquilo que faz viver e crescer tudo sobre a Terra e lhes dá o pão.

- A juventude fosse apresentada à fantástica superioridade do ser, sobre a escravatura do ter.


A lista poderia continuar… mas creio que é já o suficiente para ilustrar o quando eu abomino estes “UNS”.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Por dentro da vida...



O “Campo Pequeno”, em Lisboa... mais tijolo menos tijolo, mais betão menos betão, mais anel menos anel, mais cobertura menos cobertura, mais reforço estrutural... tem praticamente o mesmo aspecto desde 1892. Já o interior, é outra conversa!
Na verdade, o aspecto interior daquela grande e histórica sala de espectáculos depende dos dias, depende das gentes e dos acontecimentos que acolhe.
Ontem pela tarde, numa grande festa de aniversário que (como é hábito nas boas festas de aniversário) estava cheia de música, de sorrisos, de encontros, de beijos, abraços e uma ou outra lágrima feliz... o aspecto era este:
Oito mil árvores a respirar vida, independentemente da idade. A bombear seiva por cada veio, por cada ramo, por cada folha. Ligadas por um manto vermelho... para o qual que muitos não conseguem encontrar explicação.
Um vermelho vivo que nasce e se alimenta directamente nas raízes... mas que num ciclo de vida extraordinário e sempre renovado, também as alimenta e aprofunda e faz crescer.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Beatriz Talegón – Assim não vai longe...


Já que este vídeo se tornou “viral”, como agora se diz... não vejo razão para ficar imune ao vírus. Sendo assim, resolvi também partilhar este inusitado discurso.
“Surpreende-me muito como pretendemos fazer mexer a revolução a partir de um hotel de cinco estrelas, em Cascais, chegando em carros de luxo. Pergunto-me, na verdade, se podemos dar uma resposta aos cidadãos, quando vós, dirigentes políticos, lhes dizeis que os entendemos e que sofremos com eles porque somos socialistas. Será que, na verdade, sentimos essa dor aqui dentro? Será que, na verdade, podemos entender o que estamos pedindo ao mundo... a partir de um hotel de cinco estrelas?”
“Desgraçadamente, não temos sido nós, os socialistas, os que temos animado toda essa gente a sair à rua nem a mobilizar-se... e o que deveria doer-nos é que eles estão pedindo democracia, estão pedindo liberdade, estão pedindo fraternidade, estão pedindo uma educação pública, uma saúde pública... e nós não estamos aí.”
“Vós, líderes, mal chamados líderes pois sois responsáveis pelo que se está passando.”
“Logo mais enchereis a boca, nos vossos discursos, falando do desemprego jovem, de que vos preocupa muito os jovens: não vos preocupamos em absoluto porque nos têm aqui e nem sequer nos perguntam qual é o nosso  ponto de vista.”
Assim, mesmo traduzidas a “trouxe-mouxe”, são estas algumas das palavras proferidas pela jovem socialista espanhola Beatriz Talegón, em plena reunião da Internacional Socialista.
Sem querer espicaçar ninguém, nem individualmente, nem colectivamente, com esta insinuação de que estou a voltar ao tema do post imediatamente anterior, muito pelo contrário, para "descomprimir"... diria que (ainda que por qualquer estranha razão o quisesse) teria francas dificuldades em encarar esta jovem... e chamar-lhe “nazi”, olhos nos olhos... nem sei se alguém teria.
Do que não tenho grandes dúvidas é que, a menos que ocorram grandes mudanças na personalidade da jovem Beatriz, ou na “personalidade” da Internacional Socialista... não lhe auguro um grande futuro dentro da organização!



sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Roda viva – Quem não anda?...


“Os saltimbancos” e “Roda viva”. Duas obras teatrais que viram a luz do dia em tempos turbulentos no Brasil. Ambas têm a marca de Chico Buarque. A primeira, que ele adaptou para português a partir do texto original de Sergio Bardotti e música de Luis Enríquez Bacalov, a que acrescentou mais umas músicas da sua lavra. A segunda, a sua primeira peça teatral, escrita em 1967, com uma canção-tema com o mesmo nome da peça.
“Os saltimbancos” é um musical infantil, que aborda subtilmente a luta de classes, através da estória de um burro, um cão, uma galinha e uma gata… todos contra o “Barão”, o inimigo dos animais.
É impossível igualar a maravilha que foi o elenco original, com Pedro Paulo Rangel e Grande Otelo, as jovens Marieta Severo, Miúcha, Bebel Gilberto (filha de João Gilberto e Miúcha), Sílvia Buarque (filha do Chico e da Marieta), Isabel Diegues (filha de Nara Leão e Cacá Diegues)… e por aí fora.
Quanto à “Roda viva”, essa fiou mais fino! Com um elenco inicial composto por Marieta Severo, Heleno Prestes e António Pedro, teve uma primeira temporada de sucesso. Depois… veio a borrasca.
Já com Marília PeraAndre Valli e Rodrigo Santiago, o espectáculo começou a estar na mira do CCC (Comando de caça aos comunistas), que por duas vezes invadiu os teatros durante a representação, espancando os artistas e destruindo todo o material. Acabou proibida!
Dando um salto de quase cinquenta anos, para Montemor-o-Novo, o meu filho mais “recente”, de sua graça Paulo, decidiu trabalhar com alguns muito jovens rapazes e raparigas montemorenses, numa produção da Associação Theatron, fazendo uma versão muito livre do texto de “Os saltimbancos” (sem as canções), juntando-lhe, a dado passo, a tal canção do Chico Buarque, “Roda viva”.
Levaram a coisa à cena numa das salas do Convento da Saudação, com o apoio do “Espaço do Tempo” do coreógrafo Rui Horta. Diz quem viu, que foi coisa fina. Eu também gostei… mas neste caso a minha opinião não conta lá grande coisa!
Estabelecidas as “distâncias” entre os muitos e célebres actores e cantores originais e a miudagem montemorense, constituída por (ainda) não-actores e não-cantores, aqui fica a “Roda viva”, que eu tive o maior prazer em alindar com uns sons que me pareceram adequados para a idade dos participantes, gravar as vozes de dez dos mais jovens elementos da Oficina do Canto, também de Montemor… e misturar tudo. Boa audição!



domingo, 2 de dezembro de 2012

Oficina do Canto – E assim (também) se faz cultura... fora do carreiro


A Oficina do Canto de Montemor-o-Novo fez 15 anos. Mais uma vez, decidiu-se assinalar a passagem de uma data relevante, com um “musical” com direcção de “actores” do actor/encenador Hugo Sovelas e direcção de movimento da bailarina/coreógrafa Kelly Maiolle, para além dos “culpados do costume”.
Como podem ver pelas datas do cartaz, os dois espectáculos já passaram e tiveram lugar nos dias 24 e 25 de Novembro.
Optei por não fazer aqui “propaganda”! Tentar servir-me deste meio para “angariar” público para os espectáculos seria uma grande tolice, por duas razões:
Primeiro, porque (até hoje) a Oficina do Canto nunca precisou de propaganda fora da cidade de Montemor para ter o grande Cine-Teatro Curvo Semedo esgotado.
Segundo, porque seria uma grande pretensão da minha parte achar que este blog tem uma qualquer possibilidade de mobilizar quem quer que seja, para o que quer que for.
Posto isto, vamos ao assunto! A direcção da Oficina é, desde a fundação, da responsabilidade da Maria do Amparo e as produções musicais sempre me tocaram. Desde o princípio desta aventura, o critério de escolha de repertório (que nunca foi contestado, nem pelos “artistas”, nem pelos pais, nem pela “dona da obra”, a Câmara Municipal) foi da nossa inteira responsabilidade, misturando canções portuguesas de autores (que nós consideramos) de qualidade musical e temática, com canções internacionais que obedeçam aos mesmos critérios.
Assim chegamos ao vídeo de hoje. A imaginação dos criadores do musical colocou toda a acção num aeroporto e, a dada altura, esta grande música tradicional irlandesa pareceu-nos a mais indicada para ilustrar uma das cenas.
Como já disse, a produção musical que se ouve é minha (apenas não toquei o piano acústico). A voz é da Inês Fidalgo, uma das jovens cantoras da Oficina. O vídeo, que se destinou a ser projectado em fundo durante a cena, foi criado pelo Paulo Quedas (com este apelido, desconfio que ainda devemos ser parentes) e o protagonista do vídeo é o Diogo Velez, um dos mais jovens elementos do grupo, filmado enquanto “inventava” um avião, nas ruinas da igreja de Safira.
Bom domingo!
Danny boy” – Inês Fidalgo e Oficina do Canto
(Frederic E. Weatherly/Trad. Irlanda)



segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Governo Passos/Portas – Momento “National Geographic”


Isto que veem aqui à direita é um “Alexandre Miguel Mestre”, uma estirpe de animal perigoso que, infelizmente, ainda se encontra espalhado pela Natureza em grande número.
Desgraçadamente, na vida real este indivíduo existe mesmo, pertence àquela quadrilha pesporrente de neoliberais que para tudo têm uma solução fantástica, e que chegou ao poder pela mão da crise provocada pelos ladrões internacionais a quem obedecem cegamente. Este bandalho, na sua posição de secretário de estado da Juventude e Desporto, tem uma solução para os problemas dessa juventude, "solução" que muitos jovens, em desespero, já adoptam, mas que nunca tínhamos visto ser assumida como política “oficial” do governo, nem no tempo do regime fascista.
Para “resolver” a questão do desemprego entre os jovens, o governante aconselha-os a sair da “zona de conforto” (???) e porem-se a andar daqui para fora e irem chatear outro, ou seja... emigrarem!
Como é possível que um governo que todos os dias toma medidas que (reconhecidamente) aumentam o desemprego, entre muitas, o aumento da jornada de trabalho, venha depois, cinicamente, “aconselhar” os desempregados a emigrar?
Como é possível que um governo que está sempre a vomitar “competência” e “excelência” por todos os lados, numa situação em que o país precisaria de produzir em muito maior quantidade, qualidade e inovação, tenha o desplante de “dispensar” aqueles que, exatamente pela sua juventude e melhor preparação académica e técnica, seriam os mais necessários?
Como o traste ainda não foi demitido, nem pediu a demissão... presumo que o que ele disse não tenha chocado por aí além os seus superiores no governo.
E agora? O que é que seria aconselhável que acontecesse ao focinho desta besta? Digam lá vocês, mas claro... se possível assim como eu... sem perder (demasiado) a compostura.