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sábado, 22 de agosto de 2020

Justamente ofendido

 



- Vocês acham mesmo que esta roupa é uma piada com um mínimo de graça? Acham? Hein?!

- … … 

- O que é?! Fica-me bem atrás das grades de protecção da cama para as fotografias do Instagram? É isso?!


sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Escondido

 



Agora fico aqui escondido para sempre… 

e nunca me vão encontrar… 

e vão chorar muito com saudades de mim!



terça-feira, 18 de agosto de 2020

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

O príncipe




“Pato aqui, pato acoli... 

filho de Rei a guardar patos foi coisa que eu nunca vi!”



(Eu sei, eu sei que era uma princesa… mas isto pode acontecer também aos rapazes)

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Fernando Pessoa - Sempre a criança...



"Depus a máscara e vi-me ao espelho"


Depus a máscara e vi-me ao espelho.

Era a criança de há quantos anos.

Não tinha mudado nada...

É essa a vantagem de saber tirar a máscara.

É-se sempre a criança,

O passado que foi

A criança.

Depus a máscara e tornei a pô-la.

Assim é melhor,

Assim sou a máscara.

E volto à personalidade como a um terminus de linha.


(Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa) 

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

“Pintar a Pré-História” em Montemor-o-Novo – Pobres crianças!!!


“Oficina da Criança”, na cidade de Montemor-o-Novo, é uma criação da Câmara Municipal, nascida em 1981, logo (como não está aqui o Guterres para fazer as contas por vós)... há 32 anos. Ali, revoadas sobre revoadas de crianças, têm passado tardes a brincar às artes, pintando, fazendo cerâmica, cestos de vime, trabalhos em madeira, construindo fantoches... e mais mil coisas que saem das cabeças das impagáveis monitoras que têm estado nesta aventura ao longo de todos estes anos.
Quase todas as crianças que hoje por lá param, já nasceram sob o “jugo” do comunista Carlos Pinto de Sá que, até há um ano, era o presidente da autarquia. Pinto de Sá é tão exímio a controlar o famoso “jugo” comunista, que assim que se soube que era candidato pela CDU à Câmara de Évora, não foram poucas as pessoas daquela cidade que começaram a dizer a quem os queria ouvir, que, embora não sendo da CDU, iriam votar nele... e votaram. Tal é o efeito "psicológico" que o homem exerce sobre as pessoas!!!
Voltando à “Oficina da Criança”, recentemente, uma tal Mimi, uma jovem mulher de cerca de trinta anos, que consegue dissimular por detrás de uma figura e sorriso angelicais, uma fera capaz de aterrorizar os pobres dos miúdos, apareceu com o projecto de os pôr a “Pintar a pré-história”.
Se bem o pensou, melhor o fez! Tratou de encerrar, durante horas, a miudagem, na Gruta do Escoural, tortura complementada com o visionamento forçado de imagens de pinturas rupestres de Foz Côa, de grutas espanholas e até do Brasil... o que deixou as pobres crianças prontas para fazer tudo o que ela quisesse.
Não há escapatória para esta infeliz miudagem! Aqueles que conseguem escavar túneis para escapar às masmorras da “Oficina da Criança”, são apanhados na rede que as leva para outra “oficina”, esta, a “Oficina do Canto”, onde ficam (já há mais de 16 anos) à mercê de uma tal Maria do Amparo, onde são forçadas a cantar como se não houvesse amanhã... mas essa é outra estória.
Para completar o tratamento de terror, as crianças foram obrigadas a fazer tintas apenas com pigmentos naturais e gordura de porco, tintas que tiveram que misturar recorrendo unicamente a pequenos paus e pedaços de osso, materiais que serviriam, também e para além dos próprios dedos, para pintar os desenhos que fizeram colectivamente... repito, colectivamente!, com a ajuda de pedaços de carvão de lenha para definir os traços a preto... com a desculpa de que eram esses os materiais de que se serviam os artistas da Pré-História.
E pintaram, pintaram, pintaram... dezenas e dezenas de quadros que o medo fez com que ficassem fantásticos. E pintaram, pintaram... dividindo os trabalhos conforme a turma da sua escola de origem e com a ajuda e empenho de professores e professoras.
E é assim Montemor-o-Novo, um dos nossos 34 concelhos sob o “jugo” comunista!
Depois, à noite, as crianças lá voltam para os casebres e cavernas dos pais, com uma côdea como único jantar... mandadas para a cama sob os retratos de Marx na parede e a ameaça constante de, se não se portarem bem... serem elas próprias o pequeno almoço da manhã seguinte.

(o fotógrafo não era grande coisa, as condições também não... e isto é apenas uma pequena amostra)




sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Escola de Marianna – E estes... o que teriam sobre o portão de entrada?


Uma notícia passou meio despercebida entre as mensagens natalícias e as garfadas das consoadas: a descoberta das práticas "pedagógicas" e consequente desenterrar da história de uma espécie de “escola-prisão”, algures nos Estados Unido da América.
É um cenário abjecto e aterrador, feito de salas de chicote, de sala de violações, banheiras para afogamentos, seres humanos permanentemente acorrentados, etc., etc.
A panóplia de “crimes” que faziam os “estudantes” (que podiam ter entre os 5 e os 18 anos de idade) ir para àquela “escola” era vasta. Ia desde o facto de serem apanhados a fumar numa escola mais “rigorosa”, cometerem pequenos roubos, serem considerados “incontroláveis” ou “incapazes” pela sociedade... ou, simplesmente, serem órfãos. Perigosos bandidos, portanto.
No topo da tremenda pirâmide de “crimes” que justificavam as chicotadas, as violações repetidas e as execuções, destaca-se, em segundo lugar, o “crime” partilhado pela esmagadora maioria dos “estudantes”: serem negros.
Em primeiro lugar, o “crime” maior, esse partilhado por todos sem excepçãoserem pobres.
Neste relato, a ler atentamente, resta ainda um enorme pormenor: tudo começou muitos anos antes e só terminou muitos, muitos anos depois do Holocausto nazi!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Crianças vítimas - Desculpem-me a brutalidade...


Mesmo sabendo que posso estar a convocar a ira de todos aqueles que, ainda que não o confessando de viva voz, acham mesmo que uma criança branca alemã, francesa ou norte-americana, vale mais do que dez, ou mesmo cem crianças negras, árabes... ou, como diriam Caetano Veloso e Gilberto Gil, quase negras ou árabes, de tão pobres... ainda assim atrevo-me a este desabafo:
Embora também horrorizado com o massacre tresloucado das crianças da escola dos EUA e entendendo o atractivo editorial (e comercial) das catadupas de notícias sobre as crianças assassinadas, as professoras heróis, a mãe amante de armas, as lágrimas de Obama, o choque de Passos Coelho, etc., etc., etc... ainda assim, como ia a dizer, gostaria de lembrar aos nossos queridos directores de informação dos vários media que as crianças até hoje chacinadas pelos aviões israelitas na faixa de gaza, ou as crianças do Iraque, ou do Afeganistão, até hoje chacinadas por aviões pilotados pelos “irmãos mais velhos” de crianças norte-americanas exactamente iguais àquelas da escola de Sandy Hook, em Newtown, Connecticut... também eram lindas, todas gostavam de ir (ou poder ir) à escola, todas gostavam de (ou poder) brincar, todas tinham mãe e pai e irmãos e amigos... e um futuro à sua frente. Essas nunca têm nem uma pequena fatia desta atenção por parte dos media.
Tanta parcialidade enoja!!!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

A força dos sonhos



“Eles não sabem nem sonham
Que o sonho comanda a vida
E que sempre que um homem sonha
O mundo pula e avança
Como bola colorida
Entre as mão de uma criança”
(António Gedeão – excerto de “Pedra filosofal”)

Brejenjas, Torres vedras, 1943. Nascimento de Joaquim Agostinho, camponês filho de camponeses... mais tarde um fantástico campeão de ciclismo.

Vildemoínhos, Viseu, 1947. Nascimento de Carlos Lopes. Antes dos 11 anos de idade já era servente de pedreiro, para ajudar a sustentar a família... mais tarde, medalha de ouro na maratona dos Jogos Olímpicos de Los Angeles.

Estes são apenas dois exemplos “caseiros” do aparecimento destas luzes que se acendem como milhares de pequenos pontos, um pouco por todo o planeta.

Muitas vezes me pergunto o que haverá no barro destas pequenas aldeias perdidas, desde o interior de Portugal até ao mais fundo da África profunda, que cria estes diamantes inexplicáveis. Que vento os desenterra e lapida para receberem e multiplicarem a luz do sol. Qual a força, qual a urgência irresistível que faz estas crianças levantarem-se do chão.

Depois... vejo imagens como esta que hoje aqui partilho e pressinto uma parte da explicação. Um vislumbre de quão desconcertante é a alegria. Uma pequena demonstração de quão revolucionária pode ser a mistura da imaginação, dos sonhos e da acção. Do futuro que pode haver na simples recusa da fatalidade.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Cristine Lagarde – A mulher certa, no lugar certo!


Disse muito bem o Vítor Dias, que o que gostaria de ouvir da boca de Cristine Lagarde, a “chefa” do FMI, seria algo como: «As crianças da África subsariana precisam muito mais de ajuda do que os bancos que têm recebido biliões de ajudas estatais e de instituições financeiras internacionais».
Mas, infelizmente, não foi isso que a senhora disse!
Serviu-se apenas da miséria, fome e morte das crianças africanas, para numa manobra do mais porco populismo, “justificar” a insolência do insulto que dirigiu, de uma forma generalizada, ao povo trabalhador da Grécia.
Fazendo de conta que não sabe quais as origens (e os culpados) desta actual crise do capitalismo, fazendo de conta que não sabe distinguir entre o olho do cu e a feira de Beja, diz que a culpa do que se passa na Grécia «é dos pais das crianças, que não pagam impostos», enfiando no mesmo saco reformados que trabalharam toda a vida e toda a vida pagaram, vendo agora as suas reformas cortadas para níveis de miséria, com os ricos espertalhaços (e os seus subprodutos) que fogem aos impostos, sim... mas que estão longe de ser uma originalidade grega.
Tudo, para justificar o facto de, confessadamente, não ter «pena das crianças gregas»... porque tem mais pena das “outras”, como disse numa entrevista, que entretanto já tentou, à pressa, "suavizar".
Depois, imagino, soltou um loooongo “múúúú”... e voltou para o curral, para aí continuar a chafurdar na sua “obra”.

sábado, 17 de setembro de 2011

Cuba – Contra ventos e marés...


Primeiro, li a notícia no blog “Cravo de Abril”. Logo a seguir, quanto mais não fosse para não dar a notícia “como adquirida” e cair sob a ira de um dos meus mais recentes comentadores, parti por esse mundo virtual em busca de confirmação. Lá estava! Em muitos e muitos órgãos de informação (curiosamente, até à hora em que escrevo, nenhum português) dá-se conta do relatório da UNICEF em que se afirma, preto no branco, que Cuba reduziu para ZERO o número de crianças mal alimentadas. É um caso único em toda aquela região do globo.
Como já comentei quando li pela primeira vez a notícia, se esta revelação não resolve os muitos e variados problemas com que Cuba e o seu povo se debatem, é um belo rombo na retórica contra Cuba. Tal como são os números da saúde. Tal como são os números da Educação... mais uma boa mão cheia de conquistas e características distintivas daquele povo admirável. Isto apesar das tremendas dificuldades provocadas pelo criminoso bloqueio dos EUA, apesar da (quanto mim, inevitável) tensão política de uma Revolução em permanente estado de guerra - guerra em que é a vítima – o que acaba fatalmente por ter consequências ao nível de tudo...
Como disse, esta notícia não resolve todos os problemas de Cuba... mas, mesmo assim, não resisto a “adaptar” uma famosa frase de um ainda mais famoso e idoso cidadão cubano (cujo nome começa em Fidel e acaba em Castro):
Hoje, dia 17 de Setembro de 2011, mais de 140 milhões de crianças, espalhadas um pouco por todo o mundo, irão deitar-se com fome.
Nenhuma delas é cubana!”

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Dia Mundial da Criança – Quando?


Apesar das boas intenções e dos discursos piedosos, apesar da luta sincera de muitos e de algumas vitórias e avanços, a realidade de todos os dias do ano é a da exploração sexual de crianças, do trabalho infantil, das crianças-soldados, dos números aterradores da mortalidade ao nascer (ou pouco depois), a pobreza infantil (só na UE são 20 milhões!) e, a montante de tudo, a montante de toda a miséria e injustiça que tudo isto produz, a exploração desenfreada dos seus pais e das suas mães.
Com que cara ficarão os grandes senhores do “primeiro mundo” (e alguns do “terceiro mundo”) quando todas as crianças, de todo o mundo e todos os “mundos”, tiverem razões para sorrir, assim, como se fossem um sol?
Para quando um “Dia mundial do Julgamento” dos senhores que há tanto tempo andam a roubar os sorrisos das crianças?

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Pedro Guerra e Julieta Venegas – “Meninos”


Julieta Venegas é uma jovem mexicana, já com uma bela carreira (desconhecida por cá) e um dos nomes a reter entre os criadores e intérpretes da nova música inteligente daquele país.
Pedro Guerra é um espanhol das Canárias, também autor e intérprete. É uma das "coisas boas" que aconteceram na música dos nossos “vizinhos” nos últimos anos. Pela idade, pelas influências musicais que não esconde, pela proximidade artística e pessoal com um punhado de “cantautores” daquelas bandas, a que costumo chamar os “filhos” galegos, catalães, bascos, castelhanos ou andaluzes do nosso Zeca (que por vezes me parecem em bastante maior número do que os de cá), o Pedro Guerra será como que uma espécie “neto” de José Afonso... portanto, ainda meu “parente”.
Acompanhada de uma das minhas “traduções à moda da casa”, proponho-vos esta canção que magoa, num vídeo em que o Pedro e a Julieta nos cantam os meninos de rua do Rio de Janeiro e da Colômbia.
Boa audição, boa leitura, bom domingo!
Meninos
(Pedro Guerra)

A trinta pisos de altura, frente à praia de Copacabana, a rua cheira a humidade, a fruta, sexo, bronzeador e cachaça. A trinta pisos de altura vejo a vida que me olha e passa, bebendo água de coco, frente à praia de Copacabana.
Quando derem as dez, não voltarão para casa. Ficarão ali... não voltarão para casa. Quando derem as dez, os meninos da praia ficarão ali, não voltarão para casa. Como os automóveis, os candeeiros públicos, como os gatos e as calçadas, como as lojas e as caixas de correio, como lixo pelos cantos, como os cães, tentando viver... vivendo.
Desde a asfixia e a altura vejo o medo da cidade adormecida. Nada se intui, no ar, sobre a violência em que tudo gira. A Colômbia avança e o mundo não sabe nada... e se sabe, esquece... e tudo continua girando. Morrer diariamente é parte da vida. Filho da dor, que se pendura nos automóveis e respira a escuridão crescente da noite. Filho da noite sem nada a que agarrar-se... perdido na cidade, já é parte da paisagem... como os automóveis.
A muitas horas de casa olho a luz da cidade torcida, a imensidade do bairro, a multidão que respira o ar poluído. A muitas horas de casa outro olhar nos observa... a “Serpente emplumada” ficou presa e agora é luz cativa.
Filho da dor fazendo piruetas a troco de migalhas ou moedas. Filho da dor, que brinca a fazer-se de grande, ausente do amor, já é parte da rua... como os automóveis.

"Niños" - Pedro Guerra/Julieta Venegas
(Pedro Guerra)