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domingo, 17 de novembro de 2013

A propósito de uma réstia de luz...


Aberta uma nesga da porta... um pequeno beijo de Sol iluminou, dentro do grande espaço escuro, a criança e o seu tractor de brinquedo. Fico a pensar:
Quantas janelas e portas será preciso voltar a abrir, para que o Sol beije todo o país e todas as crianças?
Quanto tempo esperaremos até ver o Sol aquecer milhares de braços de trabalho de jovens com os seus tractores (a sério) nos campos? Com os seus barcos de pesca (a sério) no mar? Com as suas ferramentas (a sério) nas fábricas? Com escolas a sério, saúde a sério, cultura a sério, liberdade a sério... com a sua vida a sério - e feliz - reconquistada?
Quanto tempo levará a reconstruir tudo o que esta quadrilha vem destruindo há tantos anos?

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

António Costa – Na verdade...nada de novo!


Ora aí está uma notícia que, embora cheia de significado, não altera nenhuma das minhas convicções em relação a António Costa!
Na verdade, se eu votasse em Lisboa, Costa nunca teria tido o meu voto para a autarquia, nem a minha presença nas várias aparições públicas da sua comissão de “honra”, por mais que isso seja “charmoso” e, provavelmente, proveitoso.
Na verdade, e com muita honra... se votasse em Lisboa teria o meu candidato!
Na verdade, se alguma vez António Costa se decidir a ser candidato a PR... na falta, hipotética, de um candidato com quem me identifique... não votarei! (o meu médico recomendou-me o corte total na ingestão de sapos)
Na verdade, se António Costa fosse politicamente digno, já se teria rebelado contra a indignidade de participar, há anos, naquele travesti de debate plural, que dá pelo nome de “Quadratura do Círculo”, onde ele e os representantes do PPD e do CDS não se coíbem de, semana após semana, dizerem tudo o que lhes vem à cabeça sobre os comunistas, as suas propostas e ideias... mas, cobardemente! Sem a presença de nenhum destes! Sem contraditório!

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Cónego Melo – E os de sempre... em cima do muro...


(Imagem surripiada em “O sítio dos desenhos”)

Na inocência das coisas simples, tornadas simples por Abril e pelo poder local democrático, havia, há muitos anos, uma frase que nos contava: “Sobral de Monte Agraço já tem um parque infantil”.
Numa manifestação de sinal bem diverso, uma certa Braga (há que não tomar uma parte pelo todo!) já tem uma estátua de um celerado, bombista, insulto à própria ideia de cristianismo, abjecto assassino e chefe de assassinos, terrorista, porco, indigente imitação de ser humano… que dava pelo nome de Melo, cónego de profissão.
Mesquita Machado, o presidente “socialista” da autarquia, que há anos insistia neste projecto… está contente!
Mário Soares que, ao tempo, confessadamente conspirou com o homenageado (com a ajuda de Frank Carlucci), sendo cúmplice e instigador de muitos dos actos cometidos pelo criminoso cónego e pelo seu bando de assassinos, bombistas e incendiários... também deve estar contente!
Os dirigentes e vereadores locais do partido do tão “socialista” autarca, provavelmente com o rabo preso por décadas de clientelismo e favores ainda por pagar… aguentam, votam a favor e fazem de conta que também estão contentes.
Os fascistas, admiradores e seguidores do celerado, bombista, insulto à própria ideia de cristianismo, abjecto assassino e chefe de assassinos, terrorista, porco, indigente imitação de ser humano, que dava pelo nome de Melo… esses estão felizes!
Os dirigentes/vereadores locais do PSD, do CDS e do PPM, uns por legítima vergonha, outros, suponho que apenas por cobardia… abstêm-se.
A esquerda está contra!
Já o Partido Socialista, a nível nacional, com natural destaque para o seu secretário geral (curiosamente, eleito pelo distrito de Braga)… ninguém sabe!!!

terça-feira, 9 de abril de 2013

Seguro – A pose...


Passava um pouco das 18:30h... passei inadvertidamente à frente do electrodoméstico audiovisual. António José Seguro repetia pela enésima vez a sua “narrativa” dos últimos tempos... mas com pompa e pose de “primeiro-ministro”.
Confesso que já vi melhores imitações!

Adenda: O facto de eu não estar particularmente mobilizado pela extraordinária "onda de entusiasmo" que percorre todo o país, na esteira da passagem triunfal de Seguro... não me impede de ver que algumas coisas que diz são acertadas... e dizer que seria muito bom que, pelo menos algumas delas, fossem sentidas.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Ségolène Royal – E as coisas que ela sabe?!!!...


Madame Ségolène Royal tem uma coisas giras! Não! Não comecem já a pensar tolices... estou a falar de coisas que ela faz e diz, volta não volta.
A simpática francesa, ex-candidata à presidência da República, veio até cá, em representação do PS gaulês, participar numa reunião da Internacional Socialista. Não faço a mais pálida ideia daquilo que se trata numa reunião da dita organização, atendendo a que tudo leva a crer que não será de Socialismo... e confesso que a minha curiosidade sobre o tema é, pelo menos, bastante modesta.
Ainda assim, não pude deixar de reparar numas declarações da notre amie Ségolène. Diz ela que ficou «muito impressionada» com a credibilidade das propostas do líder socialista português… a quem, diz a notícia, tratou sempre por António (tem lógica! Ele chama-se, realmente, António). Acrescentou ainda que o «António tem uma visão global do desenvolvimento económico, da alternativa possível»… e que a alternativa representada pelo Partido Socialista português «não só é credível, mas é sólida, é sustentada em convicções fortes e valores fortes». Concluiu, declarando que a alternativa em Portugal… «está pronta».
Foi, portanto, por este conjunto de declarações, ao contrário das brejeirices que vocês, incorrigíveis, chegaram a imaginar, que eu disse que Ségolène Royal tem umas coisas giras.
Ou então… o António José Seguro andou a mostrar-lhe habilidades que a nós, certamente por timidez… nunca mostrou!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Mulas – Há-as para todos os gostos...




O destacado “socialista” espanhol e colaborador do FMI, Carlos Mulas Granados, não se poupou no rigor e na dureza, aquando da feitura do relatório encomendado por Passos Coelho ao mesmo FMI, e de que foi coautor, relatório destinado a justificar os cortes de (mais) quatro mil milhões de euros retirados aos bolsos e à vida dos portugueses. Isto, depois de rasgar publicamente as vestes em discursos contra a austeridade...
É nestas alturas que se vê que não é só em Portugal que há gavetas atulhadas de “socialismo”! Adiante...
caballero y nuestro hermano era também presidente de uma treta qualquer chamada “Fundação Ideias”, também ela assaz “socialista”. Ora, como isto tudo está pela hora da morte, o nosso amigo Mulas tratou de inventar uma amiga virtual, Amy Martin, uma “especialista” que assinava por ele resmas de artigos para o site da Fundação. Calculam os restantes dirigentes da dita Fundação (que agora o expulsaram da presidência) que o Mulas tenha, através desta fraude, pago a si próprio qualquer coisa como 50.000 euros da organização.
Pela minha parte, agradeço a notícia. Estas estórias, uma espécie de novas fábulas imorais, são sempre pedagógicas... mas na verdade não havia necessidade!
Nesta altura do “campeonato” já todos temos uma ideia bastante precisa sobre que tipo de canalhas é que pulula nestas organizações. Já temos uma imagem bastante nítida quanto à matéria de são feitos os bandalhos que vêm esticar o dedo a aconselhar baixas de salários, cortes nas indemnizações por despedimento, cortes em pensões de idosos, cortes nos subsídios de desemprego, no acesso ao ensino, à saúde, à cultura...
Estão devidamente identificados. Falta apenas (fazer) chegar a hora, como dizia uma cantiga que cantei muito, antes de Abril, “em que tenhamos ocasião de lhes pagar tanta atenção!”

Adenda:  Afinal, a falcatrua da escritora misteriosa não era para se abotoar, ele próprio, com o dinheiro... mas para pagar à esposa



quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Mário Soares – Com a verdade me engana(ria)s...


Há tempos, um amigo que deve estar tão cansado que eu lhe aponte os “feitos” de Mário Soares, enquanto conspirador para derrubar o essencial do 25 de Abril de conluio com o seu amigo da CIA, Frank Carlucci, de conluio com os sectores mais reaccionários da Igreja Católica para incendiar, metaforicamente, parte do país contra “os comunistas” e, de passagem, incendiar, realmente, alguns dos centros de trabalhos destes e de vários sindicatos... como dizia, um amigo que deve estar tão cansado de que eu lhe lembre estes tristes factos, acrescidos de uma vida de alianças com o PSD e com o CDS, sem ter grande coisa para me responder, como eu vou já ficando cansado de não obter resultados palpáveis destas conversas, tentou refugiar-se na actualidade:
- Ó pá... mas nem mesmo agora, quando o Soares faz duras críticas a este Governo neoliberal e à senhoramerkel e à troika e o diabo a sete, tudo gente que tu abominas... nunca concordas com uma única coisa que ele diga?!
- Não!
E lá alinhavei pela enésima vez o rosário das contas que tenho contra o “ídolo” do meu amigo... mas desta vez, com uma novidade:
- Agora não consigo dizer de cor... mas tenho lá por casa uma quadra do Aleixo que explica tudo!
Deixei-o vários dias à espera... mas ontem, ao dar uma volta pelas quadras do genial poeta popular, encontrei-a. Já lha enviei pelo mail:
"Mentiu com habilidade
fez quantas mentiras quis
Agora fala verdade
ninguém crê no que ele diz"
(António Aleixo – Poeta popular)

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Francisco Assis – Ou quando os eleitos têm nojo dos eleitores...


Surripiei ao Vítor Dias este “recorte” a que “agrafei” a cara do protagonista deste post. Trata-se de um artigueco do Público de ontem, onde Francisco Assis defende que o PS deve fazer um “compromisso histórico” com a direita. Claro que ele chama ao PS “esquerda democrática” e à direita “centro-direita”... mas o meu gosto por eufemismos já viu melhores dias.
Ao que parece, Assis confessa que durante o tempo em que o povo lhe estava a pagar para participar no debate do Orçamento de Estado, ele estava em “retiro”, na biblioteca da Assembleia da República, escrevendo o tal artigueco... certamente para ganhar a sua vidinha com alguma maçaroca extra, já que não acredito que escreva para o Público de borla.
Diz ainda que do lugar em que se encontrava, conseguia ouvir a «vozearia distante» dos manifestantes que se aglomeravam lá fora, aproveitando para dar mais uma insolente pincelada literária na manifestação: «lá fora, uma pequena multidão ululante invectiva os representantes eleitos da República e contesta, com fúria, as mais recentes medidas governamentais».
Claro que o deputado Francisco Assis, que parece detestar tanto as manifestações populares quanto detesta o Renault Clio, tem todo o direito à sua opinião, razão pela qual não me coibirei de deixar aqui também a minha.
Primeiro, para concordar com Assis. De facto, o “compromisso” do PS com a direita é “histórico”. Tão histórico que já vem, pelo menos, desde o 25 de Abril de 74!
Segundo, vou refrear a vontade de chamar pelo nome um “socialista” e deputado de uma democracia, que chama a uma manifestação legítima, contra o ataque mais selvagem que foi feito ao povo português... “vozearia distante” e “pequena multidão ululante”.
Terceiro, para me espantar pelo facto de Assis, um deputado eleito, não saber que os eleitores têm todo o direito de “invectivar” os eleitos, sempre que considerem estar a ser traídos por aqueles... e nunca como agora isso foi tão evidente!
Quarto, sobre a perturbação que parece ter causado a Assis a “fúria” com que os manifestantes contestavam as “mais recentes medidas governamentais”... lamento muito o seu choque, mas nem toda a gente domina a técnica apurada da “abstenção violenta” do seu secretário-geral.
E pronto... acho que, no geral, fui bastante contido... mesmo tendo as maiores dúvidas de que (pelo menos hoje) Francisco Assis o merecesse!

sábado, 31 de março de 2012

Isabel Moreira – Nuances de socialismo...




Não conheço, nunca conheci e acho que nunca conhecerei bem os meandros do funcionamento interno do Partido Socialista. Daí que me seja praticamente impossível distinguir as variadíssimas nuances de “socialismos” que por lá se praticam e professam.
Essa minha espécie de daltonismo para os tons de rosa, impede-me de poder apreciar devidamente, no que diz respeito à “violenta abstenção” do PS na votação das leis do trabalho, quem está de gatas perante a troika, quem gostaria de não estar, e quem, entre os que estão contra a abstenção do seu partido e o pacote laboral do Governo, o fazem para ficar bem na fotografia de “esquerda”... ou por convicção de que, na verdade, alinhar naquela vergonha é um ultraje aos princípios que defendem.
A uma coisa, pelo menos, achei muita graça. Ter sido a deputada Isabel Moreira a primeira, de entre eles, a posicionar-se pública e frontalmente contra.
Como todos sabemos, a jovem deputada do PS, é filha do prof. Adriano Moreira. Na linha que separa os ideais fundadores do Partido Socialista e as convicções firmes, de direita, de Adriano Moreira, não faço ideia de qual o posicionamento de Isabel Moreira. Não sei de qual das duas pontas da corda está mais próxima.
Seja como for, lembrou-me um momento de uma recente entrevista do pai, em que o entrevistador quis saber o que pensava o velho dirigente do CDS sobre o facto de a sua filha ser deputada do PS. Adriano Moreira afirmou (acredito que sinceramente) que tinha o maior respeito pelas convicções da filha... e acrescentou, com graça (não poucas vezes, o prof. diz coisas com graça): “Acho que a minha  filha se convenceu de que o Partido Socialista é hoje o único lugar onde um verdadeiro democrata-cristão pode fazer valer as suas ideias”.
Terá sido apenas uma graça? Uma dupla alfinetada ao PS e ao “seu” CDS? Não sei. Como disse, não sou capaz de distinguir as variadíssimas nuances que estão em causa.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Assis e Seguro – Afectuosamente


O candidato a secretário geral do PS, António José Seguro, produziu umas frases meio meladas sobre o seu projeto de instauração de «uma cultura dos afectos entre os militantes do seu partido»... Francisco Assis, o outro candidato, não gostou. Diz que sente «repugnância» pela ideia... e por quem a propõe.
Eu sei que essa coisa da “cultura dos afectos”, mais a “relação com o outro”, mais a “viagem ao interior”, e toda a resma de frases feitas importadas do “psicologês” para a vida real, lembram em demasia aqueles textos da treta que vêm nos folhetos com que alguns criadores tentam impingir as suas performances de dança contemporânea, música concreta, pintura abstrata, instalações várias e todo esse género de artes... que normalmente têm em comum apenas esses textos patetas e a tristeza de, infelizmente em tantos casos, pouco mais terem a dizer. Mas ó amigo Assis! Repugnância?! Não será um pouco forte?
Por este andar, com a arrogância irada de Sócrates ainda nos retrovisores dos militantes desavindos depois da copiosa derrota eleitoral, quando finalmente reinar a paz e estiver instalada no PS uma verdadeira “cultura de afetos”... já o Seguro morreu de velho.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

António José Seguro – Privilégios...


O Sérgio Ribeiro deu-se ao trabalho/tarefa de ler o Público de lés a lés... o que resultou num excelente texto sobre a máfia, perdão, as agências de rating... e proporcionou-me esta imagem que ele próprio já tinha surripiado ao órgão central da SONAE.
Ao que parece, o candidato a secretário geral do Partido Socialista quer privilegiar o “capitalismo ético”. Enquanto fico aqui a pensar no que raio será isso do capitalismo ético... não posso deixar de verificar que, provavelmente exactamente por essa intenção do candidato, tanto a máquina do PS, como os grandes interesses instalados e a vasta clientela – que nem por estar o PSD no Governo vão deixar de “ir ao pote” como sempre – estão todos a juntar-se maioritariamente à volta do candidato António José.
No fundo, estão a jogar... pelo “Seguro”...

Mário Soares – Importa-se de repetir?


Depois de descer várias ruas conduzindo em contramão, o automobilista bêbado desviou-se in extremis do choque frontal com um autocarro, entrando estrondosamente com o automóvel num mini-mercado. Ao sair, cambaleando devido ao choque e à bebedeira, exclamou escandalizado (e entaramelado):
- Hão de arranjar muitos clientes, com uma loja destas... não deem uma arrumação nisto, não!...
E agora por que raio é que me fui lembrar desta estória ao ler que Mário Soares terá dito, «O PS tem que ser refundado e ter política a sério!» ???!

terça-feira, 14 de junho de 2011

Mário Soares – Um português sem filtro...


(Imagem do jornal “A Bola”)

Um dos encantos das crianças é a ausência de filtros nas suas conversas e brincadeiras, ainda virgens que estão da tirania das convenções e normas de conduta. Na idade adulta essa ausência de filtros raramente tem graça e apenas é justificada nalguns milhares de cidadãos... mas todos com excelentes explicações do foro clínico. Não é o caso de Mário Soares! Esse está a perder toda a capacidade de filtrar aquilo que diz, como resultado da degradação irremediável do filtro principal de todo o sistema, que no caso dele, sempre funcionou de forma deficiente: a vergonha.
Como complemento ao longo rol de “semvergonhice” com que nos tem brindado ao longo da longa vida, há dias vimos Soares numa peça televisiva, na companhia do seu dileto amigo Frank Carlucci, os dois entrevistados por um Mário Crespo baboso e rindo alarvemente de satisfação por estar a entrevistar ao mesmo tempo o fundador do PS e o seu parceiro da CIA, cúmplice e financiador da traição ao 25 de Abril.
Questionado sobre os seus encontros semanais com Carlucci durante o “verão quente”, na Embaixada dos EUA, Soares carregou mesmo nas tintas, dizendo que a coisa chegou a ser «várias vezes por semana», acrescentando, como uma nota ilustrativa do carácter muito “dado”, aberto e popular do agente da CIA, o facto de este, nessa época, «até jogar ao ténis com o Otelo» (com que finalidade seria?!)
Agora, há apenas dois dias, inaugurou a rubrica “QI”, uma colaboração entre o jornal “i” e o canal de televisão por cabo “Q”. Foi entrevistado pelo diretor do canal (e das Produções Fictícias), Nuno Artur Silva e pela diretora do jornal, Ana Sá Lopes. Podem ler a entrevista aqui, embora esteja muito resumida, em relação à versão falada da televisão.
Num dia mais pachorrento teria ouvido a entrevista na íntegra; não sendo o caso, fui ouvindo excertos, entre zappings. As “pérolas” foram várias... mas destaco apenas três, citando mais ou menos de memória:
Discorria Soares sobre que, o mal da Europa e de Portugal é terem chegado ao poder aqueles que se inscreveram nas “juventudes” partidárias e vieram para a política para enriquecer e não pelo sentido de serviço público.
- E o senhor, ao longo da sua carreira, sobretudo quando estava no poder, era capaz de, apenas numa conversa, distinguir uns dos outros?
- Sabe, o que acontece é que no meu tempo não havia disto... os grandes políticos, no meu tempo, eram todos honestos...
(Espantosa, esta facilidade com que Soares esqueceu tanta, tanta gente, como por exemplo o seu grande amigo do PS italiano, Bettino Craxi, ou os seus amigos e companheiros de Macau, ou...)
- Sabe... a História da nossa democracia divide-se em vários momentos. Houve a “Revolução dos Cravos”, de que continuo um grande adepto (confesso que “adepto”, nunca tinha ouvido) e depois veio logo aquele período muito conturbado... sabe... se o secretário geral do PCP fosse o Santiago Carrillo (do PC espanhol), em vez do Álvaro Cunhal... não tinha havido todo aquele “problema”...
(Acredito bem que não! Acho mesmo que hoje nem sequer existiria o próprio PCP, que toda a gente sabe que é um grande “problema”)
- O senhor, apesar de agnóstico, ficou conhecido por, nessa época, ter feito vários acordos com a Igreja Católica...
- Acordos não! Eu conspirei ativamente com a Igreja e com o D. António Ribeiro, o Cardeal-Patriarca de Lisboa. Se o D. António não tivesse dado instruções aos sacerdotes para dizerem nas missas que era conveniente os cristãos comparecerem na nossa manifestação da Fonte Luminosa, nunca teria sido possível juntar uma multidão tão impressionante, que fez cair... ou melhor, inverter o rumo dos acontecimentos no nosso país...
E agora digo eu: Fantástico, não é? Como vimos no princípio deste texto, as crianças e os doidos têm as “desculpas” que já conhecemos; qual será a desculpa deste figurão?

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Comissão de gestão de danos... até que venham dias melhores


O facto de o secretário-geral demissionário do PS se ter despedido dos seus companheiros de aventuras com um comovente «Adoro-vos!», não altera a realidade. E a realidade é que esses companheiros estão com um problema sério nos braços.
Afastada a hipótese de António Costa pegar no estandarte que Sócrates deixou cair, dando a “atendível” justificação da fidelidade ao seu projeto na Câmara de Lisboa... e assim se livrando do pesadelo de ir passar os próximos meses, ou talvez anos, à frente de um PS a tentar fazer oposição a si próprio, quer dizer, às consequências das suas políticas miseráveis dos últimos anos e ao verdadeiro “programa de governo” que deixou em herança ao PSD, ficam em cima da mesa (ou do muro) as possíveis candidaturas de António José Seguro e de Francisco Assis.
Não me atrevo a fazer sugestões... até porque considero as duas soluções igualmente interessantes.
Com António José Seguro, teremos a oportunidade de, todos os dias, ficar a saber mais um pouco sobre a sempre fascinante “teoria do vácuo”.
Com Francisco Assis (que já se posiciona na corrida), teremos a oportunidade de assistir à reedição, com vários anos de intervalo, dessa espécie de “socialismo de direita” que ficou ligado à (lamentável) figura de Tony Blair, mas numa versão portuguesa... e muito mais despenteada.
Nenhuma das hipóteses beliscará no que quer que seja o prévio acordo de submissão com a “troika”.


terça-feira, 15 de março de 2011

Governo PS/Sócrates – A irresistível atração pelos buracos...


Vamos ser claros! Se uns tantos reformados e pensionistas, com pensões de 200 euros (ou menos) se deixarem morrer por não terem dinheiro para medicamentos, por se alimentarem mal, por abandono... ou simplesmente de tristeza, a verdade nua e crua é que o Regime de Sócrates poupa uma pipa de massa em cuidados de saúde e pensões.
Já se os turistas habituais, mais os exércitos que aí vêm, afugentados pelos conflitos na Líbia, Tunísia, Marrocos, sei lá... começarem a achar que o golfe em Portugal está algo “carote” com esta coisa do IVA a 23 por cento, rumando a outras paragens e relvados, aí sim, o país terá prejuízos incalculáveis.
Nada que o sentido profundamente “socialista e humano” do Regime de Sócrates não resolva. Sensível à choradeira dos grandes operadores turísticos, o Governo resolve baixar o IVA para as atividades ligadas ao golfe para 6 por cento.
Para compensar, rouba o que pode às pensões e reformas... e àquelas tão baixas que já não têm por onde roubar, congela-as, independentemente do aumento generalizado do custo de vida. Alguém tem que entrar com o dinheiro, não é?
Como quase todas as tragédias têm o seu lado de farsa, se a baixa de preços de artigos de golfe se estender às bolas com que o dito se joga, a vida dos jogadores das equipas visitantes do estádio do Dragão vai ser um inferno. Vão chover por ali bolas de golfe como granizo... tudo a bem do negócio, do turismo e do verdadeiro “desporto”.
Somos governados por psicopatas!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Sócrates – Agitar... e já está!


«Nós não queremos já investir naqueles sectores que competem apenas com base nos baixos salários. Nós queremos investir naqueles sectores que garantem a todos os portugueses um maior valor acrescentado, que garantem à nossa economia um aumento do nosso Produto Interno Bruto, mas que garantam a todos os portugueses melhores salários e melhores condições de vida. É esta a linha política e económica de um partido à altura das suas responsabilidades, como é o Partido Socialista» (José Sócrates).
Ora aí temos o “novo” Sócrates, numa fantástica manifestação de “socialismo instantâneo”, seguindo a grande tradição dos pudins “Royal” e “Boca Doce”!
De qualquer forma a culpa foi inteiramente minha, que não aprendo a estar quieto com o controlo da televisão! A verdade é que este vício acabou por me fazer “pisar” declarações de Sócrates, por mais do que uma vez durante o fim de semana... que depois dão uma trabalheira a limpar.
Para além da transcrição com que comecei, ainda podem ver-se, espalhadas pelos jornais várias, outras pérolas, como referências ao «partido que mais tem defendido os portugueses», ou que «nunca sacrificou os interesses do país», ficamos a conhecer o denodado combate de Sócrates às «ameaças de crise política e às especulações sobre instabilidade que têm surgido frequentemente pelos partidos de direita», com os quais, curiosamente, o PS tem andado coligado constantemente nas últimas décadas.
Ficamos ainda a saber que, desta vez, o PS deixa cair a regionalização... por falta de condições. Tem sido assim desde 1976... e infelizmente não apenas quanto à regionalização: o PS, o PPD-PSD e o CDS nunca têm tido “condições” para respeitar e cumprir a Constituição!
Não fosse o facto de o primeiro-ministro estar a falar para uma plateia preenchida quase na totalidade por uns tantos socialistas (que se ficam), mais um punhado de sociais-democratas (que se ficam), uma catrefada de neoliberais (seus fãs incondicionais) e aquela grande massa amorfa de “luises amados” que estão sempre bem com quem estiver no poder (apenas enquanto estiver no poder!), mais o cortejo de “boys” agradecidos... e ninguém o salvaria de apanhar com um bom par de sapatos, vários panos encharcados, ou, pelo menos, uns bons apupos, como sempre acontece de todas as vezes em que aparece em público, mas em situações em que os seus seguranças não lhe conseguem garantir um “ambiente” cem por cento controlado.