Até ontem à hora de jantar, estava convencido de que o elemento mais inútil das nossas forças de segurança, seria o agente (pessoa decerto extremamente sensível, possuidora de um refinado gosto e magnífico praticante da arte da decoração de interiores) que incansavelmente percorre o país, de esquadra em esquadra, pondo ordem nos diversos materiais que as ditas forças da ordem vão apreendendo aos marginais, materiais esses que aparecem nas fotografias, mais “arranjadinhos” do que nas fotos de casamentos. Ainda não vi nenhuma fotografia dessas com os fatinhos Armani, os sapatos da Prada, colecção de canetas de ouro, “bugigangas” da Cartier, quadros de grandes pintores, Bentleys, Ferraris, etc, etc, na posse de alguns figurões da nossa praça... mas não perco a esperança.
Como ia dizendo, este, que eu pensava ser o tal elemento mais inútil das nossas forças de segurança, foi agora ultrapassado de forma contundente, por outra figura, a crer no que os polícias dizem, alguém de uma “instância superior”, que tem como função, inventar as desculpas estúpidas que os agentes têm que dar aos cidadãos, sempre que não conseguem desarrincar uma explicação inteligente para justificar as suas acções.
Eu esclareço. Estava mui descansado a ver um dos telejornais, quando passa uma peça mostrando um grande grupo de jornalistas, a não fazer nada, nem de bom nem de mau, em franca cavaqueira uns com os outros no passeio público da via pública, em frente às instalações do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), esperando novidades dos interrogatórios a gente envolvida no caso FRIPÓR.
Parece que a certa altura, os polícias lá de dentro terão dito qualquer coisa bem fundamentada como “os senhores não podem estar aí!” e como os jornalistas, certamente, não perceberam muito bem, foi imediatamente chamada uma carrinha da Força de Intervenção Rápida da PSP, cheia de fortes, intervenientes e rápidos agentes da PSP, que informaram os “senhores jornalistas”, num discurso já entrecortado de vários “está bem?” bastante crispados, que por razões de segurança (não entendi se os jornalistas estavam em risco ou se eram a ameaça), ia ser feito um “perímetro” da dita segurança... e os “senhores jornalistas terão que funcionar fora dele! Está bem?!!!”
- Desculpe... essa ordem vem de onde?
- Instâncias Superiores!
E pronto! A coisa lá prosseguiu, com os repórteres fora do “perímetro”... e dezenas de transeuntes, que continuaram pacatamente a fazer o seu caminho, ostensivamente por dentro do sagrado “perímetro”, de que nem chegaram a ter conhecimento.
Temos um país inquietantemente polvilhado de idiotas, que para nossa desgraça logo foram arranjar emprego (e em grande número) exactamente nas “instâncias superiores”.





