quinta-feira, 5 de março de 2009

Não acredito em bruxas... pero que las hay, las hay!








Ao que julgo saber, o Ministério Público, o próprio Procurador Geral da República e a direcção da Polícia Judiciária, pediram uma reunião com Cavaco Silva, com carácter de urgência, para tentarem “arrancar-lhe” mais pormenores sobre aquela fantástica técnica de investigação da polícia alemã, que classifica os casos que não consegue entender como... bruxaria.

Não querendo de forma alguma desfazer nos métodos nacionais, já imaginaram o despacho que seria, uma técnica assim, varrendo as gavetas e secretárias das nossas polícias de investigação e dos tribunais?

Ainda por cima, a fazer fé no (lamentável) ar sério com que Cavaco Silva disse aquilo, a coisa deve ser mesmo científica!...

Haja saúde!

A nódoa





Todos estamos lembrados do tempo em que, assim do nada, caíram sobre várias pessoas mais ou menos famosas, acusações e suspeitas de práticas sexuais envolvendo crianças e jovens, então à guarda (incompetente e irresponsável) da Casa Pia.

Num rocambolesco processo em que as vítimas têm estado sempre a um passo de se transformarem em acusados, continua a apenas se vislumbrar um culpado e uma data de pessoas “de consciência tranquila”, como estão quase sempre todos os acusados de seja o que for neste país. Nesta altura do julgamento já todos percebemos que o único culpado é aquela patética personagem conhecida por “Bibi”, que obviamente, saia da Casa Pia com uma carrinha cheia de miúdos, repetidamente, ao longo de meses e meses e mais meses, para os entregar... a ninguém!

O pior de tudo foi que no calor do entusiasmo das primeiras acusações feitas pelas vítimas, acabaram envolvidas algumas figuras gradas do PS, tendo o caso mergulhado imediatamente na obscuridade de uma negra “cabala”, que passou a servir para explicar tudo e nada.

Entretanto, paralelamente, ia ganhando volume o caudal de acontecimentos que acabariam numa verdadeira enxurrada de lama, constituída por um curso alegadamente mal tirado, casas alegadamente horrorosas com projectos alegadamente meio martelados, licenciamentos de “fripór” alegadamente mal concedidos, seguidos de compras de andares alegadamente bem comprados demais... tudo acompanhado de “tios, primos, mães e restante família, feliz Natal, adeus até ao meu regresso”, como se fosse um “aerograma” vindo duma zona de guerra... e tendo como destinatário José Sócrates.

Mais escuridão! Desta vez trata-se de uma “campanha negra”.

Tudo isto vai sendo acompanhado por lixo, muito e fétido lixo, que sai dos gabinetes de grandes empresas e bancos, um constante fumo de corrupção que paira no ar e que, pelos menos aparentemente, o poder já nem faz de conta que quer combater.

E assim está a nossa situação. O cruzamento de uma negra “cabala” e de uma “campanha negra”, com tanto esterco e fumo, tinha que dar nisto: uma tremenda nódoa! Que a bem ou a mal há-de sair!

Adenda: Não fiquem em cuidado por mim! Estou apenas num dia em que, ao contrário do poeta, me achei menos pachorrento.

quarta-feira, 4 de março de 2009

“Out of captivity” – o verniz que estala



Entre a primeira e a segunda fotografia a História deu já algumas curvas e Ingrid Betancourt (ainda bem para ela) readquiriu as suas.

Por alguma razão que deve poder ser assacada a uma qualquer falha no meu cérebro, nunca gostei da senhora, arranjando mesmo alguns motivos para isso. A saber:

- Sempre achei que a operação de campanha eleitoral em que ela acabou feita refém das FARC, foi, sabendo ela das condições no terreno e tendo sido sobejamente avisada para não a realizar, um acto perfeitamente arrogante e, no limite, uma provocação. Acredito que ela estaria convencida de que, a acontecer algum incidente, seria sempre coisa de uns dias ou mesmo horas, que só contribuiria para lhe dar trunfos para se fazer eleger como presidente da república da Colômbia.

- Quanto mais campanhas do tipo “liberdade para Ingrid” se iam fazendo pelo mundo, mais me irritava a constatação do facto de qualquer um dos prisioneiros de guerra das FARC, fosse funcionário de uma qualquer empresa norte-americana, ou um simples polícia semi analfabeto do narco-fascista Álvaro Uribe, não ter a menor chance, perante o mediatismo de uma filha da altíssima burguesia colombiana, entretanto casada com um diplomata francês e cuja família conduzia as suas muito endinheiradas campanhas a partir de Paris.

- Finalmente, quando a senhora foi libertada, na sequência de uma muito mal contada “operação de salvamento”, não me foi possível ignorar a forma como a “libertada” teve algumas palavras para os seus “companheiros” de cativeiro que haviam ficado para trás, “esquecendo-se” totalmente, enquanto vítima e ex-candidata presidencial, dos milhares de vítimas, entre assassinados e ainda prisioneiros, do regime criminoso do seu ex-adversário Uribe... agora o seu “ídolo”.

Depois da sua libertação, Ingrid ascendeu à galeria dos quase santos, em tudo o que é comunicação social. Finalmente, parece que começa a fazer algum mau tempo no paraíso. Segundo notícias que já seguia há uns dias (estava à espera para ver quando tempo o assunto levaria a chegar cá), três dos seus companheiros de cativeiro, três estadunidenses com umas profissões altamente fantasiosas, “funcionários de uma empresa agrícola americana, encarregados de recolher dados sobre a cultura de droga”, o que deve querer dizer, depois de traduzido, serem efectivamente agentes da CIA, por qualquer razão misteriosa, resolveram escrever um livro, “Out of captivity”, onde contam os seus dias passados na selva colombiana e são bastante menos que simpáticos para a sua “colega” de cativeiro.

Arrogante, prepotente, convencida de que era dona daquilo, egoísta, incapaz de partilhar fosse o que fosse, actuando como sendo “superior” a todos os prisioneiros, controladora, levando o seu controlo sobre os outros até ao que comiam, liam, ou escreviam e colaborando com os guerrilheiros contra qualquer “companheiro” de que não gostasse.

Estes são alguns dos traços de personalidade com que os autores do livro descrevem Ingrid Betancourt, nas várias vezes que a mencionam no seu relato colectivo.

Não sei quais as reais motivações deste livro. Não sei se exactamente por causa dele, o livro que a própria Ingrid está para publicar com a sua versão dos factos vividos nos últimos anos, se irá vender ainda mais... mas sei que o já insuportável verniz da santidade começou a estalar.

terça-feira, 3 de março de 2009

O triunfo da vontade






Passei esta segunda-feira embrenhado na alquimia de juntar sons para vestir as cantigas do próximo espectáculo duma miudagem daqui, que mais tarde as pessoas farão o favor de achar que são arranjos musicais. Não estive, portanto, praticamente nada disponível para as notícias ou mexericos do dia.

As tristes novidades de Bissau reforçaram a minha convicção de que há algo de muito errado com alguns (infelizmente, muitos) guineenses, os quais, decididamente, não conseguem viver juntos e ostensivamente se odeiam e matam uns aos outros, friamente, de forma pendular.

Tirando isso, o que me foi atravessando a memória dos últimos dias, repetidamente, foi sempre e ainda aquela coisa maluca do Congresso do PS.

Mesmo admitindo a minha falta de preparação teórica e recorte de analista, aquela reunião magnífica, toda feita em volta do magnífico líder, de onde foi varrido qualquer sobressalto de uma ideia e a única imagem que se mostra, imponente, é exactamente a do querido líder, que embora fustigado de todos os lados por injúrias, calúnias, campanhas negras, maquinações, jornais e televisões hostis, incompreensões... cada uma mais injusta que a outra, em vez de sucumbir, ainda mais se agiganta e eleva o tom da oratória, proclamando a sua determinação, ânimo e vontade inabalável... foi realmente um grande espectáculo!

Não! Não quero, nem vou comparar figuras ou partidos... mas só me vem à cabeça “O triunfo da vontade”, da competentíssima Leni Riefenstahl... mas em muito mais moderno, claro! O filme da Riefenstahl era todo a preto e branco e este de Sócrates, em glorioso technicolor, onde predomina o “Azul-Obama”.

segunda-feira, 2 de março de 2009

O vira...








Embora a modéstia me aconselhe a pensar o contrário, a verdade é que existe uma ténue possibilidade de que a repetida exposição de que Vital Moreira tem “beneficiado” neste blogue, o tenha de alguma forma ajudado a ser promovido pelo “querido líder”.

A ser esse o caso, peço imensa desculpa a toda a gente!

Adenda: O homem vai longe! Aliás, havendo quem ajudasse na compra do bilhete só de ida... iria mesmo para muuuuito longe!

domingo, 1 de março de 2009

Quem nasce "azul-cueca"...







Ando a precisar de fazer mais uma renovação no stock de cuecas... ou boxers, que é mais fino.

Tivesse eu um grande sentido de humor somado à perspicácia dos nossos comentadores televisivos... e seriam todas em tons de “Azul-Obama”, seguindo a tendência dos ladinos decoradores do Congresso do PS e da sua nova página Web.

O problema é que não possui o refinado bom gosto de José Sócrates, quem quer! Aquilo nasce com a pessoa...

Obama - as escolhas


A insistência e frequência frenéticas com que a comunicação social portuguesa fala da difícil escolha do futuro ocupante português da Casa Branca, no caso, um “cão de água”, faz-me pensar que o assunto deve ser mesmo muito importante para o mundo e decisivo para o futuro do nosso país.

Assim, dentro do meu melhor espírito de ajuda, deixarei dois conselhos ao novo presidente dos EUA.

Obama, pá, se a ideia é ter um cão que seja efectivamente um companheirão para as filhotas, parceiro de brincadeiras pelos relvados da Casa Branca, precioso ajudante nas pescarias que venham a fazer em família nalguma casa de férias à beira de um dos vossos maravilhosos lagos... então o “cão de água português” é uma excelente escolha e você deve ser rigoroso na selecção, leve o tempo que levar.

Se, pelo contrario, apenas está interessado num português para lhe lamber as botas, então basta fazer um telefonema ao Bush, que tem uma razoável lista de alegres voluntários. Aliás, se o amigo se der ao trabalho de consultar a imprensa portuguesa, verificará que a lista dos portugueses interessados em lamber as botas ao Presidente dos Estados Unidos da América, desde a sua recente eleição aumentou que é uma coisa por demais.

Não precisa de agradecer... foi um prazer ajudar!