quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Stuart Carvalhais – E viva a cultura!



Não, não vale a pena ir a correr fazer petições online nem abaixo-assinados. O mal está feito! O crime ocorreu há poucos dias na Alameda Conde de Almeida Araújo, em Queluz, concelho de Sintra. A casa de Stuart Carvalhais foi demolida. Li a estória num blogue e depois fui confirmar na comunicação social. Desgraçadamente, dos órgãos de comunicação social de dimensão nacional, apenas a TSF e o Correio da Manhã deram alguma atenção ao acontecimento. Honra lhes seja feita!

Stuart Carvalhais (1887-1961) foi um pintor, desenhador, ilustrador e pioneiro da banda desenhada em Portugal. Os seus excelentes trabalhos, muitas vezes habitados pelo humor, podem encontrar-se em inúmeras páginas de jornais da época, cartazes de teatro, cinema e publicidade, capas de livros, etc.

A população da zona, foi surpreendida pela demolição da casa. Um candidato da CDU à Junta de Freguesia, Manuel Guedelhas, que se juntou à indignação dos vizinhos, disse saber há muito tempo que o imóvel tinha sido vendido em hasta pública a um qualquer empreiteiro, sem que a Câmara de Sintra tivesse accionado o seu direito de preferência, mas pensava, mesmo assim, que a Câmara de Fernando Seara “tivesse feito alguma coisa”. Pelos vistos fez... ignorou!

Que diabo! Mesmo sabendo que a casa não tinha a importância de uma casa de Cristiano Ronaldo, ou de uma velha glória do Benfica (aí, Fernando Seara ter-se-ia mexido!), o que as pessoas mais dadas às coisas da cultura pretendiam não era assim tão extraordinário quanto isso... queriam simplesmente que a casa fosse recuperada e transformada num museu do artista, porra!

Mas pensando bem... porque haveria a casa de Stuart Carvalhais ser preservada, se há bem pouco tempo, nem a casa de Campo de Ourique, em Lisboa, onde viveu e morreu Almeida Garrett, grande figura em que os nossos chamados socialistas tanto gostam de se "pendurar", resistiu ao camartelo, para dar lugar a um muitíssimo mais culto condomínio de luxo, propriedade, imagine-se, do injustificável ex-ministro da economia do PS, Manuel Pinho?

Triste país, que todos os dias encontra uma nova maneira de faltar aos respeito aos seus cidadãos!

(Capa de Stuart Carvalhais para a primeira edição do romance, de 1928)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

"Operação Face Oculta" - Nada como ser claro!




O doutor Pedro Teixeira, advogado do empresário ovarense e self-made-man José Manuel Godinho, uma espécie “tuga” de Rei Midas, mas ao contrário, que transforma em lixo tudo aquilo em que toca, em representação do seu mediático cliente declarou aos microfones das televisões que «Existem determinadas notícias que não correspondem à verdade. Logo que estivermos em condições de o fazer, vamos prestar determinados esclarecimentos. Na altura própria.»

Esta é a versão já compactada pelos jornais, pois na versão original (que ouvi), ainda conseguiu dizer algures pelo meio disto, que “vamos proceder a determinadas diligências…”

O homem até poderá não ser um grande advogado e ainda por cima ter um cliente mais inconveniente do que uma perna partida, mas cáspite! É determinado!

Adenda: Todo este post foi um mal disfarçado pretexto para poder usar a fantástica palavra “cáspite”.

PPD-PSD – Assim até José Sócrates parece pensar alguma coisa!



O militante do PPD-PSD Miguel Relvas, ao que se diz, braço direito dessa espécie de manequim (fora de uso) da Rua dos Fanqueiros, que é o grande neoliberal Passos Coelho, crónico pretendente a líder do partido, esteve na noite que passou a debater umas coisas na SIC, com Luís Fazenda, do BE, sendo que o BE aqui não vem ao caso.

Vi apenas um flash do debate, num rápido zapping, mas tive o azar suficiente de perceber que o brilhante neoliberal (presumo que também seja), sobre a questão da pesada suspeita de corrupção que pesa sobre Armando Vara e todos os envolvidos na “Operação face oculta”, para além das banalidades do costume, tipo “é preciso que se investigue até ao fim”, seguido da banalizada “presunção de inocência”, etc., a única coisa que conseguiu arrancar do fundo da alma foi a enorme descoberta de que mais uma vez fica provado que o grande problema é existir “Estado a mais” e, por consequência, a existência destas grandes empresas onde o Estado tem influência, ou de que é mesmo o principal ou até único accionista, empresas onde, segundo ele, muito mais facilmente se dão estes “alegados” casos de corrupção.

Ainda segundo o arguto e neoliberal braço direito, o povo português quer ver estas empresas bem geridas, por gestões privadas, blá, blá, blá...

Para além de nunca ter dado por esta exigência do povo e de achar bastante ridícula a forma como esta “bucha” neoliberal foi metida à força na conversa, depreendo que o senhor Relvas estaria a insinuar que nas empresas privadas não existe corrupção, ou que, a existir, é muito pouca. Mesmo admitindo que num único caso, o das empresas privadas de um só patrão, será talvez algo difícil corrompê-lo para se deixar prejudicar... fica uma dúvida tripartida sobre a real causa deste comentário do putativo futuro dirigente do PPD-PSD:

1. O senhor Relvas nunca ouviu falar dos grandes escândalos de corrupção, lobbying, espionagem industrial, etc., etc., etc., que grassam em tudo o que é empresa privada por esse mundo fora.

2. O senhor Relvas faltou à reunião em que foi distribuída a honestidade intelectual.

3. A SIC devia controlar melhor as bebidas antes de os comentadores entrarem em estúdio.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Salazar – O “despreocupado”


(Reprodução de uma página do Livro de Leitura da Primeira Classe (ainda do meu tempo de escola), onde se pode apreciar a elegância e delicada subtileza com que o tema "salazar" era introduzido nas lições)


É com este título pleno de fantasia e criatividade que o Público apresenta uma entrevista com o historiador Filipe Ribeiro de Meneses, autor do livro “Salazar - A Political Biography”.

Não querendo desfazer na trabalheira que o homem teve, durante anos, para revolver a verdadeira montureira que é a história do fascismo português, com o fim de escrever esta biografia, quero apenas deixar umas notas enquanto espectador e leitor, leigo nas artes da historiografia.

Dizer numa intervenção na televisão (como eu vi) que Salazar não tinha um poder real, sendo constantemente obrigado a negociar com as várias forças e sensibilidades dentro do regime, para logo a seguir, quase na mesma frase, afirmar que uma das especialidades do ditador era, a meio do “jogo”, mudar as regras que ele próprio tinha ditado... é, no mínimo, extraordinário. Para alguém, a meio do jogo, mudar as regras por si próprio ditadas, e conseguir levar a sua avante, é preciso ter muito poder!

Para quem passou tantos anos a estudar Salazar, a sua vida, obra, textos, etc., foi uma pena que Filipe Ribeiro de Meneses não tivesse arranjado umas horas para passar os olhos pelos livros de leitura da 1ª, 2ª, 3ª e 4ª classes da antiga instrução primária, por umas fotografias das próprias salas de aula, outras, de desfiles da “mocidade portuguesa”, mais uma vista de olhos pelas suas publicações de apoio. Só isso bastaria para evitar esta triste baboseira de achar que “Salazar nunca se preocupou com a doutrinação ideológica”.

Sei que os historiadores “à séria”, tanto os especialistas em reescrever e branquear o nosso passado fascista, como os outros, a meia dúzia de “chatos” que não vão nessa conversa, irão encarregar-se de analisar e criticar o livro.

Sei que os verdadeiros e potenciais “historiadores”, os que viveram na pele a História que aqui se pretende contar, mais uma vez ficarão à espera de uma verdadeira História do Fascismo em Portugal.

Sei ainda, que não é preciso ter conhecido Afonso Henriques (nem Don Juan) para poder falar de conquistas, nem ter viajado com Álvares Cabral para conhecer música brasileira; mas quando estes “jovens historiadores” se saem com estas “descobertas”, fico sempre com a convicção de que ter vivido (pelo menos alguma coisa) ajuda imenso.

Correlação de forças



Já perdi um pouco a noção da verdadeira dimensão do enxame de casos de corrupção, compadrio, nepotismo, roubo puro, etc, etc, que tem assolado a nossa classe empresarial, a banca e alguns políticos laranjas, rosas e azuis/amarelos.

A dar-se o estranho caso de muitos destes cavalheiros e gentis-homens (e algumas damas) serem efectivamente culpados, acrescido do ainda mais estranho facto de serem "substancialmente" engavetados, quem terá, no pátio da penitenciária, a maioria absoluta ou relativa? Quem terá o poder lá dentro? Alguém conhece alguma sondagem?

domingo, 1 de novembro de 2009

Fidel Castro



Por estranho que possa parecer, este não é um post sobre Fidel Castro!

“Los síntomas iniciales del A H1N1 surgieron en México desde el primer trimestre del presente año y casi, simultáneamente, en Estados Unidos y Canadá. De estos se trasladó a España, uno de los primeros países de Europa adonde se extendió la epidemia.

Cuando el Presidente actual de Estados Unidos levantó las restricciones a los cubanoamericanos para los viajes a Cuba, en gran número de Estados de esa nación ya se había extendido la epidemia. De esta forma resultó que los cuatro países que más generan turismo o viajes a nuestro país por otras causas, eran aquellos en los que, en mayor grado, se había extendido la epidemia en el mundo.

Los primeros casos portadores del virus fueron viajeros procedentes del exterior. Las personas contagiadas en nuestro país eran relativamente pocas, durante meses no se produjo un solo fallecimiento. Pero a medida que el virus se extendió a todas las provincias, principalmente aquellas con un mayor número de familiares residentes en Estados Unidos, se hizo necesario adquirir nuevos equipos de análisis para el Instituto de Medicina Tropical "Pedro Kourí", y multiplicar el esfuerzo a la vez que se luchaba contra el dengue.

Se produjo así el extraño caso de que Estados Unidos, por un lado, autorizó los viajes del mayor número de personas portadores del virus y, por otro, prohíbe la adquisición de equipos y medicamentos para combatir la epidemia. No pienso, desde luego, que esa haya sido la intención del gobierno de Estados Unidos, pero es la realidad que resulta del absurdo y vergonzoso bloqueo impuesto a nuestro pueblo.”

Este é parte do texto que Fidel escreveu para a revista “Cuba Socialista”, editada pelo CC do PC de Cuba, como se pode ler AQUI.

Num país em que os jornalistas fossem dados à leitura e atreitos à honestidade, estes teriam chegado à parte em que Fidel escreve:

“Não penso, no entanto, que essa tenha sido a intenção do governo dos Estados Unidos, mas é a realidade que resulta do absurdo e vergonhoso bloqueio imposto ao nosso povo.”

O facto de a Lusa, ou o DN, ou o Sol, ou o jornal "i", ou o CM, ou o Diário IOL, entre outros, ou blogueiros que se reclamam de esquerda a escreverem o mesmo que os trauliteiros de direita, ou o rodapé das notícias da SIC, etc, etc, etc, ao contrário de outros (estrangeiros), terem ignorado esta parte do texto, tal como (alguns) a parte em que se diz que foram turistas de vários países que contribuíram involuntariamente para a entrada do vírus em Cuba, concentrando-se apenas na frase “Produziu-se assim o estranho caso de que os Estados Unidos, por um lado, autorizaram as viagens de pessoas portadoras do vírus e, por outro, proibirem a aquisição de equipamentos e medicamentos para combatermos a epidemia”, deve então ficar a dever-se à necessidade urgente de fabricar mais uma “notícia” sobre Fidel e à ânsia de encher os olhos das pessoas, que na maior parte dos casos nem lerão mais do que os títulos, com a grande parangona:

“Fidel Castro acusa Obama de introduzir gripe A em Cuba!”

Triste país! Triste jornalismo, feito por uma cáfila de incompetentes que se deixam manipular por um grupo de vendidos... e onde os “outros”, os verdadeiros jornalistas, ou estão desempregados, ou demoram uma eternidade a insurgir-se publicamente contra vergonhas como esta!

Soluções


(Sergei Rachmaninov, por Konstantin Somov - 1925)

É um facto já devidamente estabelecido neste blogue. Para além do talento, da técnica, do bom gosto e da qualidade do reportório de alguns dos artistas que passam por aqui, existe um “item” extra que me tira do sério... exactamente! É serem doidos!

- Rachmaninov tinha mãos grandes! Eu... mãos pequenas! – queixa-se o pianista Richard Hyung-Ki Joo.

O divertimento que proponho hoje é apreciar a solução do pianista para o seu problema de “mãos pequenas”, magistralmente ajudado pelo seu companheiro de aventuras musicais.

Bom domingo!

“Prelude in C sharp minor op. 3 n° 2” - Richard Hyung-ki Joo
(Sergei Rachmaninov)