sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Juizinho, ou levas no focinho!





“Porte-se com juizinho!” Este deslize histérico de José Sócrates perante uma Assembleia de deputados eleitos com votos absolutamente tão legítimos quanto aqueles que o elegeram a ele próprio, fez-me lembrar o famoso “Tá quietinho, ou levas no focinho!” dos Trabalhadores do Comércio, o "saudoso" grupo de rock bem humorado e bem portuense dos anos oitenta. Só que, os Trabalhadores do Comércio tinham graça, enquanto que o alegado engenheiro chefe do governo, para além de não ter graça, não tem nem dimensão académica, nem profissional, nem política, nem humana, para mandar seja quem for “ter juizinho”.

Pergunto-me quantos dos correligionários desta aberração política, mesmo os que estão de atalaia aos blogues para rosnar a todos os que ousem beliscar “sua excelência o presidente do conselho”, não sentirão já uma grande vergonha...

Há “males” que vêm por bem!





Os “homossexuais nunca entrarão no reino dos céus”! Pelo menos é o que afirma o cardeal Javier Lozano Barragan, ex-presidente do Pontifício Conselho para a Pastoral no Campo da Saúde. Também afirma que “a SIDA é uma patologia do espírito”… entre outras afirmações.

Para uma boa parte dos homossexuais, assim como para a grande maioria dos habitantes do planeta, ser “proibido” de ir para o paraíso dos católicos é tão grave como ser impedido de caçar gambozinos, ou exercer qualquer outra actividade igualmente fantástica. Mesmo assim, nunca é um espectáculo bonito ver estes “seres” que misteriosamente a Igreja Católica escolhe para seus dirigentes, comportarem-se desta maneira abjecta para com os seus semelhantes.

Passado o primeiro choque, a primeira irritação, a ofensa da discriminação e do estigma, a verdade é que os homossexuais, mesmo os católicos, devem ficar satisfeitos. Pelo menos, muitos dos homossexuais que conheço, que ao longo de séculos têm dado à humanidade algumas das coisas mais belas do seu património e mesmo os outros, que anonimamente, apenas tentam ser felizes, não merecem realmente ir para um “paraíso” onde se arriscariam, diariamente, a ter encontros com bestas do calibre deste cardeal Javier Lozano Barragan.

Parafraseando um certo partido português, “Sim, outro paraíso é possível!”

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Desculpem qualquer coisinha...



Pode acontecer, embora seja muito raro! Sempre que os militares cometem um “erro”, quase nunca são os responsáveis pelo dito erro que morrem, mas sim as pessoas inocentes que tiveram a infelicidade de se atravessarem no seu caminho. Um “erro” destes voltou a acontecer no Afeganistão, envolvendo militares alemães e dezenas de vítimas mortais, homens, mulheres e crianças, que seguiam numa coluna de transportes que nada tinha que ver com “insurreição”, “Al-Qaeda”, ou qualquer fenómeno similar.

A frieza da reacção dos oficiais alemães envolvidos em mais este “acidente” bastante parecido com um crime de guerra, lembrou, infelizmente, outras guerras. Não se lhes viu um pingo de remorso. Já aos seus chefes militares, ao fazerem ainda pior, isto é, tentarem ocultar o sucedido, insistindo que tinham atacado uma coluna militar, o caso valeu-lhes o afastamento dos respectivos cargos. Valeu também um público pedido de desculpas da Chanceler alemã Angela Merkel, o que não remediando coisa nenhuma, pelo menos fica-lhe bem.

Vem isto a propósito do facto de Merkel, na sua qualidade de (grande) aliada de Barack Obama na guerra do Afeganistão, ter sido informada das intenções de “mudança” de estratégia militar do Presidente dos EUA, ainda antes do discurso em que ele fez o seu anúncio público. Se atendermos a que logo após ter sido eleito, Barack Obama já tinha aumentado o número de efectivos militares empenhados naquele conflito em mais de 20.000 soldados, ficamos com uma ideia da variedade de soluções de que a Casa Branca dispõe para resolver o problema... mesmo incluindo a “compra” de um presidente Afegão e dos corruptos que o rodeiam.

Vamos ter, portanto, entre soldados dos EUA e dos seus aliados, um aumento de tropas no Afeganistão, que poderá chegar quase aos 40.000 efectivos. Segundo Obama, os cerca de 100.000 soldados que passarão assim a estar naquele país, começarão a retirar em 2012... “dependendo das condições no terreno”, o que quer dizer, basicamente, coisa nenhuma.

Permitindo-me acabar com um toque de ironia demagógica, diria que isto é tendo ele recebido o Nobel da Paz!... Nem quero imaginar o que o homem faria se lhe tivessem dado o Nobel da Guerra!!!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Até à última peça!



O primeiro dia da "Campanha de Promoções de Natal" foi um sucesso retumbante!

Adenda: Este post não passa de uma espécie de "reversão", pela via do humor, da dramática situação do pequeno comércio local, em que praticamente todas as lojas estão vazias de clientes. Na maior parte dos casos que vejo, andando a pé pela cidade, nem consigo entender como resistem de portas abertas...

Desemprego



Completamente ao arrepio da propaganda de Sócrates, do seu Governo e do partido que o suporta (há mesmo quem apoie para além de suportar... ), aí temos a taxa de desemprego nos 10,2 por cento, isto segundo números de Outubro que devem, entretanto e infelizmente, ter subido. Acima da média europeia, acima da média da zona euro. A mostrar que a crise internacional não explica tudo. A mostrar a grande urgência de “medidas extraordinárias” de combate ao desemprego. A mostrar o acerto de quem exige o alargamento do acesso ao subsídio de desemprego a um maior número de desempregados, porque é justo!, porque é uma questão humanitária e de solidariedade social!, porque um tão grande número de cidadãos sem poder de compra arrasta consigo na queda a já frágil produção interna, o pequeno comércio, as pequenas empresas, a coesão e equilíbrio das famílias e das comunidades.

Uma tal divergência entre o que foi a propaganda do poder a caminho das eleições e a realidade, mostra-nos claramente que somos governados por:

Alínea A- Mentirosos compulsivos.
Alínea B- Escroques e vulgares trafulhas (bem... pelo menos alguns...).
Alínea C- Absolutos incompetentes.

Por mim, ficava com as três alíneas... mas por especial atenção para com os “seguranças pessoais” de Sócrates e do seu Governo que têm por tarefa vir aqui de vez em quando “colocar-me no meu lugar”, deixo-os escolher a alínea que mais lhes agradar... na certeza de que alguma há-de ser. Como ainda há poucas horas fui aqui apostrofado por um desses “seguranças”, enquanto estiver em convalescença não me comprometo com nenhuma das três classificações.

Felizmente, esta gente já não goza de uma maioria absoluta... embora ainda se sinta no direito de gozar connosco.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Diplo-Macia



Hoje foi um dia cheio de agitação, direi mesmo, algum frémito.

Logo de madrugada, senti o quarto estremecendo-se de emoção... e logo mais vi que era toda a casa, a cidade, o país, a Europa. Tratava-se da "aberração democrática", também conhecida por Tratado de Lisboa a entrar. Em vigor!

Horas depois, os líderes de Portugal, Espanha e alguns países da América Latina, conseguiram assumir uma “posição firme” sobre a fantochada das eleições nas Honduras, que lhes foi impingida pelos EUA... não falando dessas eleições. De uma forma que se pode considerar temerária, “condenam” o golpe de estado e reconhecem a legitimidade do Presidente Zelaya, derrubado por esse golpe... até ao fim do seu mandato... e mais blá, blá... e mais os direitos...

É a hipocrisia e a politiquice no seu melhor, no seu estado mais mole, castanho e fumegante.

Por fim, hoje é também o Dia da Restauração. Estão portanto de parabéns todos os profissionais de pastelarias, leitarias, cafés, senéques, restaurantes... e similares.

Para celebrar tudo isto estoiraram-se em poucas horas alguns milhões de euros. Abençoado dinheiro!

Democratas de fancaria



Está aberto o precedente e inaugurada uma nova etapa da tão propalada “mudança” nas políticas da Casa Branca, sob o “Efeito Obama”.

A partir de agora, sempre que os EUA idealizarem, desenharem, financiarem e garantirem apoio logístico a um golpe de estado em qualquer país da América Latina, ou em qualquer parte do mundo, em vez de esconderem ou admitirem o crime, conforme as conveniências, como faziam antes, passarão a brindar a comunidade das nações com um espectáculo idêntico ao que levaram à cena agora, nas Honduras, fazendo passar por idiotas (menos aqueles que não deixarem, claro!) os povos e dirigentes de todos os países do globo.

A partir de agora, sempre que, tal como nas Honduras, os EUA idealizarem, desenharem, financiarem e garantirem apoio logístico a um golpe de estado, para derrubar um governo legítimo que não lhes agrade e substituí-lo por um fascista qualquer, como Micheletti, ou um grupo de fantoches que tenham na mão, o modus operandi será mais ou menos este:

1. Criar, financiar e ajudar a executar o golpe, afastando o Governo ou Presidente indesejado, substituindo-o por um qualquer lacaio.

2. Declarar publicamente que “condenam” o golpe, mostrando “grande preocupação”.

3. Não fazer nada para que a legalidade seja reposta.

4. Se o Presidente legítimo deposto mostrar grande resistência e gozar de forte apoio popular, começar a insinuar que essa resistência e apoio popular é que são os culpados pela “tensão” no país.

5. Encenar umas “negociações” que não levem a nada, propondo de imediato a realização de “eleições livres” em que o Presidente legítimo não possa participar.

6. Fazer ganhar o candidato dos golpistas.

7. Apoiar publicamente o “novo presidente” e dar vivas à “democracia”.

8. Esperar que a comunidade internacional, uns por interesse, outros por pura cobardia, aceitem esta farsa como acto eleitoral.

9. “Incentivar” fortemente os indecisos a darem o seu “apoio”.


Apenas uma pergunta paira nos corredores do poder da Casa Branca:

- Será que ainda conseguimos continuar a "enganar" milhares de fazedores de opinião, por esse mundo fora?

- Yes, we can!