quinta-feira, 15 de abril de 2010

PEC – Claro que há quem goste...



Sobre as medidas constantes do PEC já muito se escreveu e há-de ainda escrever. Sobre a mais que justa luta contra o PEC, apenas sabemos que está no princípio e será longa, travada palmo a palmo, dia a dia, por todos aqueles que acreditam ser possível outro caminho, outra vida, outra política.

Claro que, como acontece sempre nestas coisas, há quem goste do PEC. Banqueiros, grandes capitalistas, grandes empresários e, sabemos agora, embora exija medidas ainda mais duras, a Comissão Europeia, garbosamente dirigida pelo nosso conhecido moço de recados desses grandes capitalistas, empresários e banqueiros europeus e mundiais.

E é tudo. Por agora não tenho mais nada a dizer sobre o PEC, a não ser deixar aqui este singelo texto sobre o quanto Durão Barroso gosta do PEC... e uma fotografia do dito, com cara de quem acabou de se sentar mesmo em cima dele.

Eu não sou religioso; mas se fosse...



Há dias assim. Fiquei a saber pelas vias do costume, que «a Direcção Nacional da PSP estabeleceu números mínimos de multas, detenções, viaturas a bloquear e a rebocar, operações Stop, entre outras actividades, que devem ser atingidos pelos comandos de todo o País». A dita Direcção Nacional acha que é a uma maneira aceitável de aferir a eficácia operacional dos diversos serviços. Como seria de esperar, os polícias, que são os que vão estar na rua enfrentando a desconfiança dos cidadãos sobre se estão ou não a esforçar-se por preencher os mínimos, estão contra.

Pessoalmente, acho esta directiva tão aparvalhada que não quero fazer grandes comentários. Nem quero rir demais, nem escandalizar-me exageradamente, nem gozar com os senhores que devem ser todos, pelo menos, Generais. Mas olha que francamente…

Apenas me ocorre, em legítima defesa, andar menos de automóvel sempre que se aproximar o fim do mês e os polícias estiverem sob pressão para encher as “folhas de obra”.

Eu não sou religioso; mas se fosse, passaria a rezar todos os dias para que quem manda no Instituto de Medicina Legal não decrete uma medida igual a esta… senão, onde é que os pobres funcionários das morgues irão buscar “material” nos meses em que a coisa esteja mais parada? O que é que serão obrigados a fazer? Hein?!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Presunção de inocência



Os investigadores e acusadores públicos do caso “Taguspark” afirmam-se convencidos de que Luís Figo foi comprado para participar na campanha de José Sócrates. Apesar disso, apoiados no extraordinário conceito ainda em vigor, segundo o qual a corrupção, desde que não envolva dinheiros públicos, é uma actividade tolerável e dado acreditarem que Figo não conhecia a origem dos 750 mil euros, decidiram não acusar o ex futebolista. A bem da verdade, as “convicções” movidas a dinheiro são uma coisa mais ou menos natural para o atleta, sendo até de admirar que, à imagem do que já antes fez com dois clubes de futebol, não tenha apoiado também o PPD-PSD, ao mesmo tempo.

Quanto ao pequeno (mas caro!) “boy” do PS, Rui Pedro Soares, mais os seus comparsas, a acusação é clara. Houve utilização de dinheiros públicos para a compra ilícita dos favores de Figo... pelo menos. Sentarão os estimados traseiros no banco dos réus.

Mesmo dispensando a “água benta”, não me importo de tomar uma grande dose de “presunção”, em três goladas:

1. Presumo que Luís Figo é mesmo ingénuo.

2. Presumo que Rui Pedro Soares & Amigos são inocentes, até prova em contrário.

3. Presumo que ainda exista quem ache normal que José Sócrates e a sua máquina de campanha eleitoral não tivessem conhecimento de nada disto e que uma estória deste calibre, tal como as anteriores, também não o vai manchar.

E pronto! Por hoje, esgotei quase toda a minha dose de “presunção de inocência”.

Solte-se o beijo!


(Gustav Klimt - "O beijo")

Felizmente, de vez em quando, há especialistas que publicam estudos sobre coisas realmente importantes. É o caso da psicóloga Rute Reizinho, que nos brinda com uma bem recheada lista de maravilhas produzidas por um simples beijo.

Podem consultar a notícia aqui. Entretanto, os nossos políticos e as suas misérias, que esperem um pouco. Vou sair da frente do computador e “tratar-me” da depressão, aumentar a auto-estima, etc., etc., etc...

Até mais logo!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Sócrates e escutas - Falta de coragem...



Contra a vontade de uns, certamente com o aplauso de outros, para desespero de Marinho Pinto, o veemente representante daqueles que perdem as estribeiras sempre que se menciona o nome de Sócrates sem ser para o elogiar ou bajular... e perante a indiferença de muitos, a notícia aí está: as gravações das escutas que envolveriam (ou não) José Sócrates, digamos... numas coisas, vão finalmente ser destruídas.

Pffff!!! Grande coisa! Coragem, coragem, seria ficar com a colecção dos CDs e despachar José Sócrates para o lixo!

O sol e o vento já dão lucros? Privatizem-se!





Passos Coelho faz parte do imenso grupo de neoliberais que, sem um pingo de vergonha na cara, pouco tempo depois dos desastres provocados pelas suas práticas que escandalizaram até alguns dos defensores do capitalismo, assim que assentou a poeira e sem um único dos problemas da famosa “crise” realmente ultrapassado, já estão novamente ao ataque propondo exactamente as mesmas ideias e medidas que afundaram parte da economia mundial.

Aí o temos, defendendo congelamento de salários, cortes e “maior controlo” das prestações sociais (é sempre aos mesmos que vão extorquir o dinheiro!) e privatizações aos molhos. Nem a RTP e a RDP escapam!

A cada dia que passar irá gostando mais do som da própria voz, adulado pelos capachos que enquanto acharem que isso lhes serve, lhe atapetarão o caminho para o poder. Quanto tempo faltará até que recupere a fantástica ideia desse monumento do reaccionarismo delirante, o salazarista neoliberal Pedro Arroja, de privatizar, para além de toda e qualquer empresa, claro, as forças de segurança, o próprio Parlamento e, cereja no topo do bolo, a possibilidade de os pobres e trabalhadores em geral, venderem os seus votos (normalmente mal empregados ou desperdiçados) a “pessoas de bem”, como por exemplo, os seus patrões, que saibam votar “como deve ser”?

O senhor Pedro Arroja, na sua espécie de demência trágico-cómica, defendeu mesmo isto há uns tempos. Passos Coelho, com os incentivos certos, vindos do Convento do Beato e do Compromisso Portugal, entre outros, acabará por chegar lá.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Direita popular e colorida



Há muito, muito tempo, era eu uma criança... (mas chega de plagiar o José Cid) que descobriu a maneira de se livrar da Mocidade Portuguesa de Salazar. Muito simplesmente, decidi inscrever-me em tudo o que era actividade circum-escolar, com grande prioridade para o atletismo... e pronto. Adeus à fardinha idiota, aos desfiles sem sentido e à gritaria dos “direitaaaaa vooolver!!!” insuportáveis, que desta maneira só aturei por umas três vezes. Claro que fui ajudado pelo facto de, nessa altura, em Águeda, a Mocidade Portuguesa não ser propriamente a actividade ou ideia de diversão juvenil mais popular.

Vem isto a propósito da forma displicente (nalguns casos apologética) com que a generalidade dos politólogos e comentadores oficiais observam a “viragem à direita do PPD-PSD de Passos Coelho, como se isso fosse o mais natural e necessário para o país. Assim como que uma espécie de sol na eira... ou chuva no nabal.

Com a espantação própria dos parolos, aplaudem a chegada atrasada a Portugal de um discurso neoliberal – como se ele não estivesse já entre nós – depois de este ter feito por todo o mundo os estragos que se vêem. Claro que o discurso neoliberal tem sempre ouvintes receptivos. O discurso neoliberal, para ser propositadamente redutor, resume-se a pegar nas baboseiras reaccionárias que correm nas tascas, nos táxis, nos barbeiros, subúrbios de cidades, campos dominados por senhores e párocos retrógrados e em todos os meios profundamente despolitizados e ignorantes, onde foi fácil amadurecer ideias furiosamente individualistas e anti-sociais, transformadas em cartilha contestatária do sistema político e dos políticos em geral, abrilhantada pelas eternas frases feitas tipo “eu quero é o meu”, “pra quem quer trabalhar há sempre trabalho”, “cada um que se oriente”, “os políticos são todos iguais”, etc., etc., etc... e intelectualizá-las. Juntar-lhes a teoria recorrente do “Menos Estado” e a cegueira não menos recorrente da “Revisão da Constituição”, é a cereja em cima do bolo.

Um político neoliberal, como Passos Coelho, tem apenas que vestir estas “bocas” de tasca com umas roupagens de teoria económico/filosófica, exactamente como fizeram antes dele alguns “gurus” da economia e filosofia (nos quais dirá inspirar-se...) e aí vamos! Direitaaaaa vooooolver!, acompanhados pelos fantasmas de Margareth Tatcher, Pinochet, Reagan, Bush ou Tony Blair, entre outros trastes, perante o ar enlevado dos comentadores e politólogos, encantados com a “indiscutível viragem à direita do PSD”, viragem que, somada à de Sócrates, é precisamente o que está a fazer falta a Portugal. Então não é?

A imagem aí em cima não é de uma manifestação dos delegados deste Congresso do PPD-PSD. Não! É mesmo de um desfile, em Lisboa, da velha Mocidade Portuguesa de Salazar. Faz a sua diferença... mas há que ficar atento!!!