("Gerónimo" - Tomás Lasansky)
Numa altura em que cerca de sessenta por cento dos norte-americanos que vieram para a rua festejar ruidosamente o assassinato de Bin Laden já se afirmam arrependidos de o ter feito... uns tantos, por rebate de consciência, os restantes por puro e simples cagaço, depois de terem tomado consciência de que aquele inútil acto de vingança não contribuiu nem contribuirá em nada para a solução da questão do terrorismo internacional, muito dele apoiado e financiado pelos próprios EUA, mais uma grada figura do regime de Obama vem tentar pôr água na fervura.
Para isso, Eric Holder, secretário de Justiça dos EUA e pelos vistos, detentor de uma lata do tamanho do Estado do Texas, declarou, candidamente que aquela operação militar «não foi uma missão de assassinato e que a rendição de Bin Laden teria sido aceite».
Mas é claro que sim!!!
...e se Gerónimo e os restantes chefes índios em vez de resistirem, tivessem pedido com boas maneiras... os famosos “peles-vermelhas” não teriam sido chacinados aos milhões. (O governo dos Estados Unidos começou a exterminar populações indígenas inteiras, em eficientes operações de limpeza étnica, a começar com a temível varíola, contaminada em roupas e lençóis, que eram distribuídos entre estas comunidades, juntamente com os inúmeros conflitos criados pelo governo norte americano, onde o “winchester” dos soldados ianques falava mais alto. Os indígenas sobreviventes eram confinados em reservas cada vez menores e impróprias ao seu modo de vida, e aqueles que impunham qualquer resistência eram sumariamente executados.)
...e se os escravos, nas plantações de algodão, tivessem bons modos, nunca teriam sido chicoteados e teriam direito a salários em troca do seu trabalho.
...e se os cidadãos de Nagasaki e Hiroxima fossem pessoas mais cordatas, nunca teriam sido derretidos pelas bombas nucleares.
...e se Martin Luther King não tivesse sonhos, poderia ter vivido muitos, muitos anos.
...e se o povo do Vietname fosse um pouco mais simpático, nunca teria conhecido o cheiro do “napalm”.
...e se Salvador Allende colaborasse... não teria sido assassinado juntamente com mais de trinta mil chilenos e substituído por Augusto Pinochet.
...e se os mexicanos fossem bem educados, andariam livremente pelo território americano que já (sempre) foi seu... e não veriam os “coitados” dos gringos a verem-se obrigados, certamente com o coração partido, a construir um muro de centenas de quilómetros para isolar o México... logo eles, que é sabido detestarem muros.
...e et cetera, et cetera, et cetera... até ao Iraque, até às Honduras, até à Líbia, até à náusea.
Mas é claro que sim, mister Eric Holder!!!

