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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

João Cordeiro – Apenas mais um...



«Sei muito bem aquilo que posso fazer, o que não posso e o que me recuso a fazer. E – pode ter certeza – política é uma das coisas que me recuso a fazer. Não me entusiasma.»

Estas terão sido declarações do senhor João Cordeiro à “Visão”, em 2005.
O senhor João Cordeiro dirigiu, durante anos, aquele que é considerado um dos maiores lobbies da economia portuguesa, a Associação Nacional de Farmácias.
Ainda me lembro do tempo, nada distante, em que se acaso uma farmácia saísse das mão da família que a detinha havia gerações, o valor de trespasse do negócio que era anunciado, ainda que se tratasse de uma simples farmácia de bairro com três ou quatro funcionários, faria inveja a muitas médias empresas com cem ou mais trabalhadores e boas carteiras de encomendas.
À frente dessa poderosa máquina de fazer dinheiro, João Cordeiro notabilizou-se, nos últimos tempos, pelas guerras violentas que travou com o Partido Socialista. Desde Ferro Rodrigues, que lhe terá devolvido uma carta em que a Associação protestava contra a ideia da criação de farmácias sociais, pelo facto de esses “protestos” estarem alagados em insultos; passando pelas violentas trocas de galhardetes com o ministro da Saúde de Sócrates, Correia de Campos... até chegar ao próprio Sócrates a quem chamou publicamente «mentiroso e traidor»... o aguerrido Cordeiro foi dizendo do PS, dos seus ministros e dirigentes, aquilo que Maomé não ousou dizer do toucinho.
Notícia súbita... o senhor João Cordeiro é candidato à presidência da Câmara de Cascais!
Não! Não seria sequer notícia o facto de o homem aceitar um cargo político, depois de afirmar taxativamente que era uma coisa que se recusava a fazer. Isso é o pão nosso de cada dia... ainda que a “habilidade” de vir pretender, numa patética tentativa de justificar a "mudança", que o lugar de presidente de uma autarquia "não é bem política"... revele um pormenor de carácter que pode levá-lo ainda mais longe do que a anterior profissão ligada ao negócio da morte.
Não! Aquilo que realmente é notícia é o facto de o homenzinho se ter deixado convencer a ser candidato à Câmara de Cascais... exactamente pelo PS!
O que é indesculpável é que homenzinhos desta estirpe continuem, impunemente, a atirar gasolina para a fogueira onde arde a honorabilidade da nobre actividade política, no que ela encerra de sentido de serviço público, de dádiva de si aos outros. Actividade nobre que, por entre tanto fumo de corrupção, interesses e oportunismo, acaba por ter colado o rótulo sujo do “Eles são todos iguais!”... por mais injusto que isso seja para tanta gente honrada que entende a política como ela deve ser entendida, sejam autarcas ou políticos em geral que, manda a justiça e a mínima honestidade intelectual que se diga, podemos encontrar em várias áreas do espectro político-partidário e entre muita gente independente.
Isso é que é indesculpável! Quanto ao resto... é apenas mais um!

sábado, 11 de agosto de 2012

José Sócrates – Haja paciência!


Independentemente do grande gozo que me dá imaginar a enorme, funda e incontrolável azia que a divulgação do resultado desta sondagem/votação provocará em Cavaco Silva e Mário Soares, não deixa de ser algo deprimente verificar que, meses depois de um inglório abandono do cargo por parte de José Sócrates e, sobretudo, do que fez enquanto o ocupou, ainda há um universo de portugueses votantes capaz de o ir buscar à reciclagem para o declarar o "melhor primeiro-ministro de Portugal".
Claro que estamos a falar de um país onde os mesmo  "eleitores" (bom... provavelmente não exactamente os mesmos), ainda há bem pouco tempo, embora tendo uma mão cheia de opções, escolheram como “maior português” o assassino fascista de Santa Comba, António de Oliveira Salazar.
Tudo isto tem, pelo menos, uma utilidade: ajudar a explicar o atraso em que vivemos e, sobretudo, a “resistência” que muitos oferecem à mera ideia de sair dele e caminhar para o futuro.
Segundo me dizem... a paciência é revolucionária. Haja paciência!