
O respeito e admiração profunda por todos os que lutaram por uma Angola independente e livre, pensando exclusivamente no bem do povo angolano e esquecendo o conteúdo dos seus bolsos, com sacrifício, por vezes, da própria vida, gente que eu gosto de ver representada na querida figura de Agostinho Neto e tantos outros que o acompanharam ou antecederam... até chegar à mítica Nzinga Mbandi Ngola, mais conhecida por Rainha Ginga, é o tipo de respeito que me mantém “obrigado” a algumas coisas, mas que me impede outras.
Obriga, por exemplo, a que fique feliz por cada avanço de um país que se viu impedido de ter uma vida normal, durante anos e anos de uma guerra particularmente violenta, guerra com muitos culpados, mas infelizmente, infinitamente mais vítimas.
Impede, por exemplo, que eu tente compreender a fabulosa fortuna e vida faustosa de José Eduardo dos Santos (e família), a quem não se conhece outro “emprego” que o de Presidente da República, ou o verdadeiramente feérico talento empreendedor da sua filha Isabel, por cujas mãos parecem ter que passar todos os negócios que são feitos com Angola, sejam eles públicos ou privados, projectos industriais, agrícolas, bancos, etc, e que estão a transformá-la em dona de metade do seu país (mais uma já interessante fatia do nosso).
Sobre democracia, eleições e assuntos afins, embora tenha, obviamente, opiniões, não ando por aí (nem por aqui) a espalhá-las, já que o meu conhecimento da realidade política angolana concreta não é suficiente para tal atrevimento... e sobre problemas tão sérios, sempre detestei “conversas de café”.
Tanto tempo perdido! Grande país que Angola poderia ter sido... e seguramente será! Assim o povo angolano acerte o seu passo com o futuro e com as estradas que levam para lá.




