segunda-feira, 20 de junho de 2011

Tocando Chopin


O meu filho mais novo acha que sabe fazer vídeos. Assim sendo, achou também que poderia corresponder a um desafio da Santa Casa da Misericórdia, participando num concurso de pequenos filmes/vídeos, que apelem ao voluntariado. Nas palavras da organização, o propósito dos concorrentes «deverá ser dar visibilidade à importância da atividade do voluntariado como forma de contribuir para um mundo melhor e/ou inspirares as pessoas a tornarem-se voluntárias».
Para chegar à fase final do concurso, o vídeo tem que passar por uma votação do público, coisa que se poderá fazer seguindo este link para o vídeo, de seu nome "Tocando Chopin"…  e votando. Só até à próxima segunda-feira 27.
(Por debaixo do vídeo está uma zona com duas “caixas” a preto. Na que fica mais abaixo há um link que diz “Votar neste vídeo”. Basta clicar em cima para aparecer uma indicaçãoo de que só se pode votar uma vez... e um OK. Clique em cima... e está votado)
Se, depois de verem, não gostarem… então nada feito. Eu gosto… mas claro, posso muito bem estar a ser influenciado por qualquer coisa...
Também podem ver aqui... mas para votar tem que ser lá.

Grande abraço!


Louçã e Rui Tavares – A borrasca


Longe de mim querer comentar o facto de Francisco Louçã, por causa da maciça perda de votos, já estar arrependido de não ter ido à reunião da "troika". Até porque daqui por uns dias pode bem arrepender-se de ter admitido estar arrependido... e lá começaria tudo de novo.
Não. Numa altura em que até estou a prestar maior atenção ao Bloco, primeiro porque sim e segundo, para seguir a anunciada reflexão colectiva, aquilo que me chamou a atenção foi esta borrasca que estalou entre Louçã e o deputado europeu pelo BE, o independente Rui Tavares, relacionada com uma alegada confusão de nomes dos fundadores do partido, com trocas de farpas e exigências públicas de pedido de desculpa... o que me levou a refletir sobre, pelo menos, duas coisas extraordinárias:
1. A extraordinária falta de sorte que tem o BE para escolher os independentes a quem oferece cargos políticos (claro que estou também a pensar no “Zé que fazia falta” na Câmara de Lisboa).
2. A extraordinária confusão feita à volta dos nomes dos fundadores, atendendo a que são apenas quatro, atendendo a que Louçã é um deles e atendendo a que Rui Tavares é um historiador profissional. Que diabo! Foi há tão poucos anos...

domingo, 19 de junho de 2011

Piensa en mi


Um artista que tenha a infelicidade de se chamar Ángel Agustín María Carlos Fausto Mariano Alfonso Rojas Canela del Sagrado Corazón de Jesús Lara y Aguirre del Pino… o mínimo que pode esperar é que, quando o apresentador termine de o apresentar, já haja uma boa parte do público a voltar para casa. Assim, não é de admirar que este cantor e autor mexicano, nascido em 1900, tenha optado por usar apenas o nome de Agustín Lara... nem diria propriamente como nome artístico, mas em legítima defesa. O tremendo nome não o impediu, porém, de ser autor de grandes canções como “Solamente una vez”, “Maria bonita”, ou a célebre “Granada”, que não há tenor que não adopte.
Seja como for, hoje não é destas suas canções que falo, mas sim de outra, um grande bolero que fez parte da banda sonora do filme de Pedro Almodóvar “Tacones lejanos”, nome que traduzido diretamente para o português, deu o título “Saltos altos”.
Quando no princípio dos anos noventa ouvi, à queima-roupa e sem a mínima chance de me desviar, um jornalista da televisão anunciar este filme “Tacones lejanos” como “saltos longínquos”, confesso que fiquei para ali... a rir muito – ri tudo aquilo a que tinha direito – e fiquei convencido de que nunca mais conseguiria levar a sério nada que tivesse que ver com aquele filme.
A “convicção” durou muito pouco. Durou apenas até ouvir esta canção que faz parte da banda sonora da película, escrita e composta pelo Agustín Lara e cantada de forma esmagadora pela Luz Casal. O filme, para ser sincero, tenho-o aqui numa das estantes, mas ainda nunca o vi inteiro. Esta canção, pelo contrário, desde há vinte anos que, de vez em quando e sem razão aparente, vou ouvindo uma e outra vez,  sem me cansar.
Chama-se “Piensa en mi”... e hoje, também sem razão aparente, decidi não a ouvir sozinho.
Bom domingo!
“Piensa em mi” – Luz Casal
(Agustín Lara)



sábado, 18 de junho de 2011

Habemus coelheira nova! – Haja saúde!


E pronto! Pelo menos segundo parece... está pronta e povoada a “coelheira”. Já tem a palha e a água mudadas, há cenouras para os bem comportados, sacos e sacos de ração vêm aí a caminho, retocou-se a pintura, as redes e as portas estão arranjadas... e há espécimes novos prá engorda.
Não porque nutra um especial apreço por esta estirpe de bicharada, mas sim pelo incómodo e despesa que seria ter que começar tudo de novo, mais uma vez... espero bem que não apareça por aí nenhum surto de mixomatose.
Entretanto, o agregador de notícias do "Google", num toque de humor involuntário, ou então, de extremo rigor jornalístico, colocou a notícia com o perfil de todos os ministros do governo Passos/Portas, seguida de outras quase quatrocentas sobre o mesmo tema, na secção de... "Negócios".

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Governo Passos/Portas – E porque não optar pela experiência governativa?


Tal como já antes aconteceu com anteriores governos (e lideranças partidárias) tanto do PSD como do PS, em que os maiores craques, ideólogos, mandadores de bocas e génios em geral, ao chegar a hora de pegar no batente preferem ir cuidar da sua vidinha, parece que a história se repete na formação do governo Passos/Portas... pelo menos a fazer fé nas anunciadas “negas” do incontinente Eduardo Catroga e do interbancário Vítor Bento.
Pelo menos até ao fim do dia... ainda há esperança para Dias Loureiro e Oliveira e Costa.

Maria Vitória – Uma derrocada simbólica



Quase a fazer noventa anos, muitos dos quais à espera de um novo impulso na vida do Parque Mayer, na popular Revista à Portuguesa e na própria cultura em geral... o Teatro Maria Vitória cansou-se de esperar... e partiu.
Não partiu completamente, mas a derrocada de parte do tecto impossibilitou a abertura de pano do espetáculo que estava programado para ontem, dia 16 de Junho, deixando um punhado de artistas à procura de um espaço alternativo.
Se esta derrocada tivesse sido pensada como um golpe publicitário, ou uma espécie de “performance” para assinalar a entrada em cena do novo governo do PSD/CDS e o seu previamente anunciado desprezo pela cultura, teria sido uma ideia brilhante. Infelizmente, trata-se apenas da crua e fria realidade.
Às verbas irrisórias que são postas ao serviço da cultura, desde há muitos anos, vem agora juntar-se a ainda maior desvalorização oficial da criação cultural e da preservação do património e defesa da língua, com o anunciado fim do Ministério da Cultura.
Ao contrário dos seus antecessores, estes que agora chegam ao poder podem pelo menos gabar-se de estarem a ser perfeitamente coerentes com a sua concepção ultraliberal de cultura... que ainda há um par de dias ouvi Vasco Graça Moura, um dos caceteiros cavaquistas mais cultos do país, defender numa entrevista televisiva:
«O que tem muito público e dá dinheiro, é para ficar; aquilo que não for comercialmente viável, é para acabar... ou então, que se pague a si próprio!»
Segundo este critério miserável, muitos dos que hoje são consensualmente aceites como grandes símbolos da nossa cultura, nunca teriam chegado ao nosso conhecimento. Nunca teriam visto os seus livros editados, as suas obras musicais tocadas e gravadas, os seus quadros expostos e, sobretudo, o seu pensamento divulgado.
O que é grave é que calhordas como este Vasco Graça Moura e o seu novo primeiro-ministro, sabem muito bem que assim é. Sabem para que lado estão a tentar torcer o rumo da História... e não têm perdão, pois sabem muito bem o que fazem!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Justiça – Magistrados “Xerox”


(Georges de La Tour – “O batoteiro”)

Se, no futuro, acontecer haver sentenças iguais em vários tribunais ao mesmo tempo, com as mesmas penas aplicadas tanto a multas de estacionamento, como a assassinatos de vizinhos, ou assaltos a bancos... não se preocupem. Os magistrados não estarão bêbados nem loucos; estarão simplesmente a lembrar os belos tempos em que copiavam copiosamente nos testes que lhes dariam acesso exatamente à profissão de magistrados.
Nada de especial, portanto... pelo menos a ver pelo tipo de “sanção” imposta aos “esforçados e estudiosos” candidatos: a passagem de todos... com um 10... o que constitui, igualmente, uma decisão profundamente injusta para com aqueles (os patetas honestos) que não copiaram, para além de um enxovalho para aqueles que "se sentem".
Mais uma estória francamente inspiradora... capaz de gerar uma grande confiança no futuro da justiça portuguesa e cimentar o respeito da sociedade pelos seus juízes e demais representantes da Lei. Uma estória augurar um  ambiente, no mínimo, equívoco, para os julgamentos e investigações em que estes “magistrados” sejam acometidos por este tipo de valores ético-batoteiros.