segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O ego


Segundo o dicionário em linha da “Priberam”, trânsfuga (do latim transfuga, -ae), quer dizer:
1. Pessoa que deserta e passa para o inimigo. = Desertor
2. Pessoa que passa para o partido contrário, que renega o seu credo, abandona os seus deveres.

A História está coalhada de casos de pessoas que fizeram tudo isto pelas razões mais erradas... mas igualmente por pessoas carregadas de boas razões para o terem feito. Pessoas que visaram apenas interesses egoístas e venais, outras que procuraram acertar o passo com a História e com as suas convicções (ainda que mudadas).
Posto isto, devo dizer que o Partido Socialista tem, na minha singela opinião, um azar colossal com muitos dos trânsfugas que tem acolhido no seu redil, sendo ocioso ficar para aqui a publicar uma lista... o que, para atalhar caminho, nos leva ao caso de hoje: o presidente da Câmara Municipal de Loures, Carlos Teixeira.
Já teve aqui direito a um reparo, há uns tempos, pela pertinácia com que decidiu fazer-se rodear de membros da família, dentro da autarquia. Neste momento não sei em quanto irá já o número de filhos e filhas, primos, afilhadas, cunhados, genros, namoradas dos filhos, irmãos ou irmãs, que fazem companhia à presidencial esposa nos quadros autárquicos... mas deve ser respeitável. Para além de ser uma alegria para o feliz edil, que deve continuar a admitir que a coisa «pode parecer mal, mas não lhe pesa na consciência», como então afirmou.
Ora o que é que pode faltar a um presidente que goza de algum reconhecimento por trabalho feito (segundo a reportagem), para além do consolo de ter o seu “ambiente de trabalho” sempre cheio de família? Exactamente! Ter, ainda enquanto presidente da Câmara em funções, uma nova avenida com o seu estimado nome: “Avenida Carlos Teixeira”.
Pronto, pronto... eu sei que pelo facto de o homem assinar a aprovação do seu próprio nome para a nova avenida de acesso ao Hospital de Loures, não está a fazer mal a ninguém. Quer dizer... faria!... Faria a si mesmo, se o ridículo matasse. Só que, como bem sabemos, não mata.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Beleza em estado puro


É um erro trágico pensar que a grande arte é apenas aquela que se pode ver enchendo as salas dos museus mais famosos. Que a beleza habita apenas os rostos que desfilam em passarelas da moda, envergando roupas requintadas, ou protagonizando filmes de Hollywood. Que a “música séria” é apenas aquela que nos venderam como tal.
É fatal pensar que o nosso método, aquele de que nos socorremos para abordar os nossos problemas - ainda que seja simplesmente como tocar uma vulgar guitarra - é o melhor.
É triste ganhar a soberba de pensar que já vimos tudo aquilo que é interessante.
A realidade encarrega-se de, a cada esquina da vida, nos dar essa lição.
Bom domingo!
Botswana Music Guitar – Ronnie


sábado, 14 de janeiro de 2012

A coisa escapou-se-lhe...




Custa-me sempre muito chamar-lhe José Gomes Ferreira... mas que fazer? O rapazola chama-se mesmo assim... paciência!
Lá estava ele, mais uma vez, pela milionésima vez, lamentoso, lamentando o lamentável facto de, perfeitamente a “despropósito”, no seu entender, já que todos os países da Zona Euro em apuros económico-financeiros, estão mais ou menos a cumprir as exigências que lhes são feitas pelos “mercados” e as troikas... vir a Standard & Poor’s cortar os ratings de uma mão cheia de países... e todos de uma vez.
Resultados imediatos e visíveis: uma neura generalizada nas várias bolsas nacionais, quedas nas cotações, Portugal considerado “lixo”... uma imediata subida do Dólar face ao Euro. O circo do costume.
E então, se foi o circo do costume, para que é que nos falas nisso? – perguntam vocês.
Porque hoje, ou foi da minha vista, ou repentinamente viu-se no estúdio da SIC uma luz branca e muito forte que desceu sobre o analista, acompanhada de cânticos celestiais... e o subitamente "iluminado" José Gomes Ferreira, como que tendo uma epifania... declarou:
- Isto já não são Finanças, isto já não é Economia... isto é Geopolítica!
A esta hora deve andar, pressuroso, à procura de uma bota que possa lamber, para se penitenciar por este pecadilho de linguagem contra o Império.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A verdadeira nata dos economistas...


Depois da colossal exportação de pastéis de nata que se avizinha... espero que, no fim de tudo, sobrem uns tantos já bem duros e azedos, para recompensar (de preferência bem em cheio) o ministro Álvaro, pela genial ideia que irá salvar a nossa economia.
É uma nova estirpe de “doença bipolar”: intercalar a canalhice com momentos da mais profunda idiotia!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Manuela Ferreira Leite – O asco


Decorria, na SIC-N, o programa “Contracorrente”. A pivot Ana Lourenço dirigiu uma pergunta diretamente a António Barreto:
- Perante esse diagnóstico e os oitocentos milhões... ou setecentos e cinquenta milhões... não acha abominável que se discuta se alguém com setenta anos tem direito à hemodiálise ou não?
Enquanto António Barreto ficou paralisado, embasbacado, sorrindo com a cara de parvalhão que se lhe conhece... a sempre ladina Manuela Ferreira Leite meteu rapidamente a colherada:
- Tem sempre direito, se pagar!
E foi por aí fora, debitando pela enésima vez a treta liberal segundo a qual não é possível ter um Serviço Nacional de Saúde gratuito para todos, e blá, blá, blá, blá, blá, blá... o que traduzido quer dizer que o que resta de classe média ainda com algum poder de compra deve juntar-se aos mais ricos, para ajudar a engordar o chorudo negócio privado da saúde, deixando o SNS sem meios, entregue aos “pobrezinhos” e à caridade.
Acho que já gastei todos os adjetivos adequados a esta figurona do PSD... e à hora a que escrevo não está nada aberto para ir comprar mais. Mesmo assim, não posso deixar de dizer que estas declarações (pelas quais os visados, muito justamente, exigem um pedido de desculpas) deixaram no ar aquele cheiro nauseabundo que empesta tudo, que se cola à roupa, que dá volta ao estômago... como se estivéssemos a passar por Cacia, ou Vila Velha de Ródão, num daqueles dias piores.
Não vou também perder tempo a desejar que a ex-governante (que já ultrapassou os setenta anos) se veja na situação de precisar de hemodiálise... e não ter dinheiro para a pagar.
Dizer ainda que, das duas fotografias que tinha da dona Manuela em pose de “República”, estive muito inclinado a publicar a outra em que, tal como no célebre quadro de Delacroix, ela empunha a bandeira com os gloriosos seios desnudados... mas graças ao titânico esforço conjunto e capacidade persuasiva de todos os deuses do Olimpo, acabou por prevalecer o bom senso!




quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Um post egocêntrico


Hoje não escrevo nada contra, nem a favor de ninguém. Chamemos-lhe um microintervalo para alimentar o ego.
Reparei nos números do contador de visitas ao “Cantigueiro”, contador que não visitava há uns dias... e reparei que a coisa já passou o milhão de leitores. Obrigado a todos pelo interesse!
Reparei também, desta vez num outro blog, que o “Cantigueiro” foi incluído numa lista de blogues que concorrem ao título de “blog de 2011”... ou algo assim. Claro que mesmo sabendo que o critério para a minha inclusão nessa lista nada tem que ver com o facto de os promotores gostarem ou não de mim, ou do “Cantigueiro”, antes se devendo exclusivamente aos números de que falo no início... sabe sempre bem!
E pronto! Não mexerei nem mais uma palha para que se vote, ou deixe de votar, em mim, ou seja em quem for... razão porque não divulgo como se desenrola a votação, ou, sequer, o blog onde isso se passa... com um pedido de desculpas aos donos desse blog.
Seja como for, como dizia o outro... só tenho um “adjectivo”: Gostei!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Estamos a ver perfeitamente...


Talvez para compensar a indefensável “transparência” com que foram colocados os amigos do governo na nova EDP... obviamente, a pedido expresso dos acionistas, e mais uma vez, presumo, com grande insistência pela parte dos chineses... que se não podiam passar sem Catroga, muito menos dispensavam Celeste Cardona & Cia... para compensar tudo isto, como dizia, chega-nos a notícia de que o governo decidiu abrir um portal na internet, onde podemos ver o que eles estão a fazer ao dinheiro dos nossos impostos. Um portal de «proximidade, pedagogia, envolvimento e transparência», garantiu a dona Marta Sousa, coordenadora da Informação Digital do Governo.
Os meus leitores e leitoras mais “sensíveis” ao velho vernáculo, que me perdoem… mas esta súbita vontade dos nossos governantes, de nos mostrarem o que estão a fazer ao nosso dinheiro, lembrou-me, irremediavelmente, uma estória passada há muito, lá para as bandas de Montemor, onde um velho alentejano - vamos chamar-lhe “Ti Francisco” – ganhava a vida transportando toda a sorte de mercadorias na sua carripana a cair de velha e podre.
O Ti Francisco era constantemente perseguido pela GNR, que não se conformava com o estado decrépito da viatura. Um dia, em mais uma das inúmeras “inspecções” de estrada, lá foi mandado parar, desta vez por causa de um espelho retrovisor preso por um arame e meio caído.
- Ó Ti Francisco... o senhor não pode andar com o espelho dessa maneira. Assim, acabo por ter que o multar – quase que se lamentava o guarda.
- Atão e porquêi?
- Então e porquê?! Porque assim não vê nada para trás... e é um perigo...
- Vêjo tudo muito bêm...
- Ai vê? Então vamos lá apreciar isso.
Encaminhou-se para a traseira da carripana, onde começou a esbracejar... e perguntou:
- Então, Ti Francisco... o que é que eu estou a fazer?
E o Ti Francisco, sem tentar sequer olhar para trás:
- Ora!... Tá a ver se me fodi...