domingo, 15 de março de 2009

"Prima donna"







Pergunto eu:

Quanta arrogância é necessária para dizer, mais uma vez, que não se deixa impressionar com os números das manifestações?

Quanta canalhice política é necessária para vir declarar que os sindicatos deviam “fazer assim ou assado” e não se deixarem influenciar pelo PCP e BE? Claro que para o PM seria preferível que todos os sindicatos estivessem na UGT, dirigidos por aquele verdadeiro “génio revolucionário” que é o (dirigente do PS) sr. João Proença... ou no limite, deixarem-se influenciar pelos discursos e conferências motivacionais de Belmiro de Azevedo ou da seita do Compromisso Portugal.

Quanta vaidade (a roçar a doença) é necessária para achar que uma manifestação daquela dimensão, tem como objectivo primeiro... o “insulto pessoal”?

Embora a alentejana Florbela Espanca não mereça o que me parece ser uma grave "despromoção", aparecendo aqui ligada a José Sócrates, mesmo assim, aqui fica um dos seus sonetos bem a propósito:


Vaidade

Sonho que sou a poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho... E não sou nada!...

(Florbela Espanca)

Libertango


Hoje é um bom dia para ouvir mais uma vez o “Libertango”, desse grande argentino que foi Astor Piazzolla.

Gosto muito de ouvir o Piazzolla “temperado” pela sensibilidade de outros músicos. Hoje tocou a vez a Richard Galliano, que como podem ver, além de acordeonista é “doido”, pelo menos a julgar pela maneira como toca.

Bom domingo!



“Libertango” – Richard Galliano
(Astor Piazzolla)

sábado, 14 de março de 2009

Prémios, prémios...



Talvez embalados pela aproximação da Primavera, os prémios blogosféricos começam a chegar em verdadeiras revoadas.

Pela mão do “O Espírito do Tai Chi” e do “Outros Olhares” (não, não me tinha esquecido!), já há alguns dias e nos últimos dois dia, pela mão da “BlueVelvet” e do “O Cheiro da Ilha”, chegou-me aqui esta mão cheia de "incentivos", alguns dos quais em duplicado, daí que nem especifique de onde veio cada um.

Obrigado pela simpatia!

Os visitantes habituais já conhecem os cantos à casa e sabem, portanto, que todos estes prémios são também vossos. Sirvam-se. E para acompanhar bebe-se o quê?

CGTP - Mais de 200.000 na rua







Desde há umas tantas manifestações para cá, principalmente as muito grandes, algumas mesmo, gigantescas, por estranho que possa parecer, as autoridades policiais deixaram de contestar o número de participantes... só que também não os confirmam!

Vindo de forças policiais sempre tão prontas a dar como “oficiais” números de participantes em manifestações de menor dimensão ou greves, disparatadamente inferiores aos que as organizações reivindicam, que diabo se passará com estas recentes mega manifestações?

Será que é mais fácil “martelar” os números de eventos que não dão tanto nas vistas, ou que é mesmo impossível “ver”, quando se trata, por exemplo, de greves nacionais?

Será que a partir de “certas e determinadas” quantidades, as autoridades já não conseguem contar mais pelos dedos?

Será que têm ordens "superiores" para não admitirem oficialmente que estiveram mais de 200.000 pessoas na rua?

Tantas perguntas...

Macacos "sábios"



Mais uma vez recorro a uma imagem dos célebres 3 macacos “sábios”, que não ouvem, não vêem e não falam, desta vez para dizer que um governo que a cada intervenção de um deputado da oposição parlamentar, entrevista ou artigo de opinião contra a sua política, mudasse de rumo, serviria de muito pouco, ou mesmo nada, ao país.

Em contrapartida, para que diabo serve um governo que, num patético exagero de teimosia, autismo, arrogância e tiques de autoritarismo, não ouve ninguém, não vê ninguém, não fala com ninguém?

O lamentável cromo em que se tornou o ministro Vieira da Silva, foi o primeiro a vir “desvalorizar” a manifestação da CGTP, tendo como único comentário à sua extraordinária dimensão... a convicção de que “o seu Código do Trabalho é melhor para os trabalhadores, a sua prioridade é o emprego e que não existem alternativas para as políticas do governo”.

Outros se somarão a este verdadeiro refrão de “cantigueca pimba” em que se transformaram as réplicas do governo deste PS.

A manifestação foi um mar de gente, um mar de empenho numa vida melhor, um mar de vontade de lutar por ela! A manifestação foi impressionante!

Sócrates não tardará a vir afirmar que não se deixa impressionar por manifestações.

Felizmente, há meios para lhes varrer a arrogância das ventas. Uma delas, a mais pacífica e ao alcance de todos, é nas urnas de voto.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Assim como que uma espécie de sondagem









Uma única coisa joga, neste momento, a favor de Manuel Alegre, o facto de aqueles que dentro do PS o ofendem publicamente e não escondem que gostariam de o expulsar do partido, serem criaturas tão equívocas como a nódoa José Lello ou o caceteiro Carlos Candal.

Porque não o deixam em paz, para que ele possa, como alguém disse com graça, às segundas, quartas e sextas ser da situação, às terças e quintas ser revolucionário e estar com os pobres e o povo... e aos sábados e domingos ir caçar e pescar com os seus amigos ricos e monárquicos?

De qualquer maneira, quem como eu, já esteja farto até à medula óssea, desta novela dos amuos do deputado que é, mas não sabe se vai ser, a menos que falem com ele, e se demarquem disto, ou lhe puxem o lustro àquilo, ou lhe peçam muito, e agarrem-me senão eu vou embora, et cetera, et cetera, até à náusea... ponha o dedo no ar!

quinta-feira, 12 de março de 2009

Vozes ao alto, vozes ao alto...



O Coro da Academia dos Amadores de Música, durante décadas conhecido simplesmente como o Coro do Lopes Graça, foi sempre um enorme gerador de emoções e de coragem. As suas “Canções Heróicas”, apontadas tanto ao nosso pensamento como ao coração, fizeram mais pela ideia de Abril, antes ou depois de este ter acontecido, do que muitos discursos. Um “Acordai”, uma “Ronda”, “Livre”, “Não fiques para trás ó companheiro”, foram e são um combustível que faz avançar, não desistir e têm um lugar especial em cada uma das nossas memórias.

Se ela estivesse na fotografia de cima, seria ainda uma menina. Na segunda imagem, muito mais recente, em que o coro é dirigido pelo “discípulo” do Lopes Graça, José Robert, era já uma “veterana” do grupo (a quinta a contar da esquerda).

Voz doce, solista de muitos dos poucos solos que havia para cantar, longos cabelos lisos cujo negro brilhante foi registando o passar dos anos, em volta de um rosto redondo onde o sorriso era o centro de tudo.

Foi sempre o mais caloroso abraço de boas vindas de todas as vezes que as minhas canções se cruzaram com o “seu” coro... e foram muitas.

Era a Celeste Amorim. Deixou-nos há poucas horas. Para a família, amigos e companheiros do Coro do Lopes Graça, um forte abraço!