
Sua Excelência o Presidente do Conselho, já se pronunciou sobre a manifestação da CGTP que reuniu em Lisboa gente muitíssimo “duvidosa”, motivada por intenções inconfessáveis, ao som de palavras de ordem indesculpáveis. Mais de 200.000, para ser claro.
Pergunto eu:
Quanta arrogância é necessária para dizer, mais uma vez, que não se deixa impressionar com os números das manifestações?
Quanta canalhice política é necessária para vir declarar que os sindicatos deviam “fazer assim ou assado” e não se deixarem influenciar pelo PCP e BE? Claro que para o PM seria preferível que todos os sindicatos estivessem na UGT, dirigidos por aquele verdadeiro “génio revolucionário” que é o (dirigente do PS) sr. João Proença... ou no limite, deixarem-se influenciar pelos discursos e conferências motivacionais de Belmiro de Azevedo ou da seita do Compromisso Portugal.
Quanta vaidade (a roçar a doença) é necessária para achar que uma manifestação daquela dimensão, tem como objectivo primeiro... o “insulto pessoal”?
Embora a alentejana Florbela Espanca não mereça o que me parece ser uma grave "despromoção", aparecendo aqui ligada a José Sócrates, mesmo assim, aqui fica um dos seus sonetos bem a propósito:
Vaidade
Sonho que sou a poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!
Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!
Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada!
E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho... E não sou nada!...
(Florbela Espanca)




