quinta-feira, 4 de junho de 2009

De viagem



Hoje, uma boa parte do dia será passada dentro do carro, viajando em regime de “meia tensão”, para fazer a ligação Montemor-o-Novo/Braga, onde espero estar à noite, ao ar livre, cantando canções completamente “desadequadas” para o centro de uma cidade como é a nossa “Cidade dos Arcebispos”.

Felizmente, espero ter muita, muita gente em frente do palco a assistir, mas é quase certo que não haverá arcebispos.

Sabendo, como todos sabemos, a “raça” daquela gente, será coisa para aquecer o coração e ouvir-se alto e bom som.

Ficha técnica: Cúmplice nas cantigas, a grande Luísa Basto.

Pretexto para ir a Braga: Gosto de marcar encontros com a Ilda Figueiredo em locais muito bonitos.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

MEP - Outras campanhas, outros mundos





Embora o fundamentalismo “pró vida” de Laurinda Alves, candidata europeia do MEP (Movimento Esperança Portugal), seja um dos tipos de reaccionarice que mais me irrita, sobretudo pela arrogância que implica a imposição de normas e conceitos religiosos ou morais a quem não está minimamente interessado (nem necessitado) deles, acharei sempre que quem, como ela, suportou durante algum tempo aquela abantesma do Miguel Sousa Tavares, merece uma condecoração e que tê-lo, a seguir, posto com dono, merece outra.

Fora isso, a sua campanha lá segue, não se sabe bem para quê, com o apoio do catolicismo militante de direita de Roberto Carneiro, do catolicismo militante que pelo menos antes era “tipo” de esquerda, de Catalina Pestana... e resmas de rapazes e raparigas, contentes por terem chegado à idade de votar, contentes por poderem votar “na Laurinda” e contentíssimos por nada nem ninguém lhes poder tirar aquele ar de escuteiros e escuteiras betas.

Será que votar na Laurinda conta como “boa acção do dia”? Será que também são obrigados a ajudar a Laurinda a atravessar as ruas... e já agora o Roberto Carneiro e a Catalina Pestana, o que faria muito mais sentido?

O MEP de Laurinda Alves tem uma frase de campanha que diz “Melhor é possível!”

Não podia estar mais certa! É exactamente por isso que praticamente ninguém irá votar no MEP.

Sócrates - avalanche de pedras...





A campanha do PS para o Parlamento Europeu lá vai avançando, apesar da penosa participação do seu cabeça de lista. Este, à falta de uma ideia, insiste na pedestre associação da roubalheira no BPN ao PSD como um todo. Teimoso como uma mula, insiste em desafiar o PSD para se “distanciar” do caso BPN, esquecendo-se, como bem lembra “O Tempo das Cerejas”, da tarefa hercúlea que teria o seu PS, se alguém resolvesse desafiá-lo para se “distanciar” igualmente dos seus “podres”, desde a fundação do partido até ao Freeport, passando pela EMAUDIO, Aeroporto de Macau e o seu Melancia, etc, etc, etc, ad nausea.

Em desespero de causa, com menos de uma semana de campanha pela frente, o “charlatão-mor”, também conhecido por Josezito, ou para os mais íntimos, Senhor Presidente do Conselho, falho de coisas que possa inaugurar com pompa, na circunstância inaugura “primeiras pedras”. Às dezenas. De tudo o que pode e mais o que lhe vem à cabeça.

No Turcifal, para além de um Centro de Dia, foi a primeira pedra de uma Creche, mas que afinal eram doze, só que não estavam ali... e portanto aquela pedra valia pelas doze, que serão construídas a tempo de serem inauguradas em outro qualquer aperto eleitoral ou de outra natureza. Em Carnide, foi a primeira pedra do Centro Social, mas por um secretario. Em Ourique, a primeira pedra de uma Unidade de Cuidados Continuados. Na Guarda, lançou a primeira pedra... da obra de ampliação do Hospital. Isto tudo enquanto o diabo mal consegue soletrar d-e-m-a-g-o-g-i-a, quanto mais esfregar um olho decentemente.

Onde quer que encontre uma caixa com uma colher de cimento ainda fresco onde enfiar uma primeira pedra, desde que haja testemunhas, ele não hesitará!

Ao contrário do que seria de esperar, a única reflexão que me ocorre é, digamos, de ordem bíblica (João 8:7):
A ver pelo à-vontade com que o homem lança as primeiras pedras, de facto, ou é um perfeito inconsciente, ou então, na verdade vos digo que nunca pecou!

terça-feira, 2 de junho de 2009

Entrevistas fofas





A RTP2 tem um programa de entrevistas com um nome bastante pateta, que é o “Diga lá excelência!”. Ontem, naquilo que se pode bem chamar um acidente nocturno, vi o dito cujo. O convidado era o Coordenador da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa, António Chora. A entrevista, chamemos-lhe assim, foi feita eu dueto por Lurdes Ferreira, jornalista do Público e por Ana Carrilho, da Rádio Renascença.

As duas, durante quarenta e cinco minutos, deram colinho, aconchego e pistas, muitas pistas ao sindicalista do BE, para ele brilhar, para nos explicar os carros da empresa, dizer-nos que ali as “lutas sindicais” são assim como que bastante originais, pois “Não há tradição política nos trabalhadores da Autoeuropa” (palavras de Chora), coisa que, evidentemente, ainda ninguém tinha percebido, mas que algumas largas centenas deles estão a adquirir, infelizmente, de forma violenta (palavras minhas), ao serem “dispensados” em números que nem o implacável “negociador” sabe minimamente quais serão.

Voltando à entrevista propriamente dita, a jornalista que verdadeiramente me deslumbrou foi a Ana Carrilho da RR, que ao que parece, é especialista em fazer uma espécie de perguntas/comentários/respostas que seriam o sonho de qualquer entrevistado. Atentem na transcrição (a minha pachorra!) de uma dessas “perguntas”, uma verdadeira pérola:

“Tem sido muito criticado, nomeadamente pelos comunistas, por ser demasiado contemporizador, por ter uma relação, digamos, cordial e uma postura dialogante com as diversas administrações da Autoeuropa. Isso, digamos, é uma adaptação a esta cultura empresarial Volkswagen, ou digamos, que é fruto da sua longa experiência sindical e negociadora, portanto, aprendeu muito, já viu muita coisa e portanto, tenta acima de tudo, ahhhhm, salvaguardar os postos de trabalho dos trabalhadores, em vez de às vezes, ahhhm, pedir o impossível?”

Independentemente de ser um pouquinho comprida, ter muitos “portantos”, muitos “digamos” e alguns “ahhhhs”, é ou não é uma... digamos, portanto, ahhhm... uma pergunta extraordinária?

No resto da entrevista, lá lhe foram abrindo veredas para ele se queixar muito dos comunistas que o atacam assaz, até ele ganhar coragem (e desfaçatez!) para quase no final, proferir a afirmação da noite, segundo a qual, muitos dos sindicalistas ligados ao PCP, têm ordens para radicalizar as lutas até ao impossível, exactamente para levar os trabalhadores para becos sem saída que acabam, invariavelmente, com umas bandeiras negras, umas imagens para a televisão, mais uma empresa fechada e umas centenas de trabalhadores no desemprego, o que, segundo a teoria de António Chora, é exactamente o objectivo que serve a estratégia política dos comunistas. Acrescenta ainda que, muitas vezes, são os próprios patrões a apoiar esses sindicalistas comunistas, pois a radicalização permite-lhes com maior facilidade, encerrar e deslocalizar as empresas.

O país positivo






A única coisa que poderá justificar uma frase deste calibre é mesmo o facto de ter saído da cabeça do próximo deputado europeu do PS, frase que só não é grave, dada a total irrelevância da figura e das ideias que vai “espremendo”.

De qualquer maneira, não deixa de ser um bom exercício, imaginar o país positivo de Vital em que, por exemplo:

- Os bombeiros se fiquem pelas praias, já que dos incêndios os jornalistas falam bastante.

- Os médicos deixem de ir aos hospitais, pois se os doentes falecerem, os jornalistas não deixarão de falar nisso.

- Os polícias façam férias permanentes, pois se os assaltos aumentarem, os jornalistas (e Paulo Portas) não se cansarão de atulhar as primeiras páginas dos jornais com isso.

As variantes deste exercício são imensas. Quase tão vastas como a falta de paciência para aturar mais baboseiras deste homem que, quando decidiu queimar grande parte do seu passado, bem podia ter evitado queimar as zonas do cérebro onde o guardava, cérebro que agora tanta falta lhe faz!

O facto de dentro de pouco tempo a campanha chegar ao fim e podermos vê-lo pelas costas (ah! se fosse verdade!...) quando finalmente rumar ao Parlamento Europeu, é pequena consolação, já que, como muito bem vai dizendo a Ilda Figueiredo, as asneiras que eles forem para lá fazer, cá se pagarão!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Bem aventurada a inteligência...



Tenho a mania suicidária (pronto... não será suicidária, mas faz muito mal ao estômago) de jantar exactamente à hora dos telejornais, e a vê-los (essa é a parte indigesta). Ontem já ia passado o primeiro quarto de hora de “notícias” e nem RTP, nem SIC, nem TVI, tinham conseguido falar de outra coisa a não ser da TAÇA, que fica no Porto, de Jesualdo Ferreira, que fica igualmente no Porto... enquanto eu trincava a massada de cogumelos, da minha autoria, e pensava “E se os critérios jornalísticos e prioridades noticiosas dos nossos órgãos de informação continuarem a ser estes, o país fica na merda!”

Só que depois saí e fui ver o espectáculo que a "Associação Theatron", aqui de Montemor-o-Novo, nos oferecia. São um grupo de teatro amador, que neste espectáculo foi dirigido pela Maria João Crespo, de que ainda não conhecia nenhum trabalho e pelo Professor Vítor Guita, a alma seja do que for em que se empenhe, um ser humano estranho, que “já não se usa”, mas que muita gente daria um braço para ter como amigo. Resolveram atirar-se, de uma forma absolutamente surpreendente, a um texto de Carlos Cebola, que nos levou a um “episódio” das Invasões Francesas, em Montemor, vistas e vividas de dentro das portas da Taberna do Armando. No meio do horror da guerra, confirma-se que é sempre o povo quem paga mais caro o amor à sua terra, enquanto a burguesia e a nobreza se curvam e a realeza foge. No final da estória ficamos com o mais importante: um amor improvável e impossível, o mergulho irremediável do coração de uma aguerrida montemorense no verde fundo e inexplicável dos olhos de um jovem soldado francês, que não a matou (quando podia) e que ela acabou por matar (e não queria).

Tudo, num espectáculo musical ou teatral, sempre dependente da memória, do talento, da técnica, da inspiração do momento, da sorte (palavra que nem se pode dizer), da aceitação do público, tudo, como dizia, está sempre a um segundo ou um milímetro do fiasco e do fracasso. É exaltante assistir a estes momentos em que as “Leis de Murphy” são mandadas às malvas e tudo corre bem!

De um espectáculo assim, sai-se alimentado para mais alguns dos dias que temos pela frente. De qualquer modo, se quiserem saber mais alguma coisa sobre o dito, mas escrito por alguém que se vê logo que sabe o que está a dizer, então farão o favor de se dirigirem AQUI.

Modesto contributo







Não há pincéis que descrevam a pena que tenho dos infelizes guarda-costas e jornalistas que têm que acompanhar e suportar esta veia desportiva serôdia de Vital Moreira e a incontrolável tara do Secretário Geral do PS pelas corridas.

Agora digam-me se não seria uma bela ideia aproveitarmos estas preciosas dicas e “corrermos” com eles!