quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Reforma Agrária - 35 anos



Não se deixem enganar pelo silenciamento imposto pelos donos da comunicação social e pelo silêncio acobardado das suas redacções. A sessão comemorativa dos 35 anos da Reforma Agrária, anunciada para Montemor-o-Novo, ontem, realizou-se mesmo. Eu sei. Estive lá e não estive desacompanhado. A sala, que é grande, foi muito pequena. Os mais curiosos podem saber mais pormenores, aqui.

Nenhuma nacionalização de empresas ou bancos teve uma reacção tão pronta e feroz do capital e seus representantes, como o avanço dos trabalhadores agrícolas do Alentejo e Ribatejo para os campos. Era um sonho antigo, uma luta começada muito tempo antes da Revolução de Abril. Para além dos milhares de alentejanos e ribatejanos que viram a sua vida transformada para melhor, com a conquista da terra, também os muitos outros portugueses que visitaram e viram com os seus próprios olhos a realidade da Reforma Agrária, nunca engoliram as patranhas, calúnias e ataques criminosos, desenhados e financiados pela CIA e postos em prática pelo seu mais fiel representante em Portugal, Mário Soares e pelo idiota útil para a execução do crime, António Barreto.

O silenciamento e as continuadas mentiras não apagam o sangue que foi derramado lutando pelo trabalho, pelo pão, pela Reforma Agrária, nem alteram a cristalina verdade: aquela página da História do nosso país foi a única em que se viu um Alentejo (e parte do Ribatejo) sem desemprego, sem diminuição de população, com progresso económico e social, com mais produção... com mais felicidade.

Tendo estado ao serviço de quem esteve (e está) é natural que o calhordas Barreto continue a afirmar que a destruição da Reforma Agrária foi «o acto político de que mais se orgulha»... mesmo que toda a gente veja, se quiser ver, um Alentejo novamente ao abandono, novamente coberto de áreas de lazer para grupos de amigos de latifundiários e em parte vendido a espanhóis, que aproveitando os poucos investimentos públicos feitos na região, vêm cá fazer uma espécie de “agricultura furtiva”, intensiva, que certamente encherá alguns bolsos, mas que a médio prazo acabará com a vida e qualidade dos terrenos.

É preciso voltar a falar da terra. É preciso voltar a discutir a posse e uso da terra. É preciso repensar e refazer uma Reforma Agrária!

Mudar de vida



Enquanto o Partido Socialista reúne intensamente em repetidas iniciativas voltadas para dentro de si próprio, enquanto os seus históricos vão dizendo (com visível incómodo) que não há suspeitas nem nada para explicar por parte do primeiro-ministro, ou que há suspeitas... «mas não não foi acusado de nada que precise de ser explicado», como diz Almeida Santos, a realidade, demonstrando uma grande “insensibilidade”, não tem um pingo de compaixão.

Cá fora, na vida real, as suspeitas adensam-se, os braços do “polvo” crescem, cabeças de “boys” já rolam. José Sócrates, quando devia esclarecer e sossegar o país sobre tudo o que se está a passar com a sua imagem, a sua credibilidade e, portanto, também a do Governo, escolheu dar prioridade ao partido, marcando para 15 dias mais encontros, reuniões, conversas e manifestações, do que tinha tido em todo o ano anterior.

É evidente que Sócrates tem o direito de se dizer afirmar alheio a toda esta estória da TVI e da PT, de negar tudo, caso por caso, notícia por notícia, escuta por escuta, recuando até às casinhas monstruosas da Guarda. Está mesmo no direito de jurar a pés juntos que sabe falar inglês e é mesmo engenheiro a sério...

Infelizmente para o PS, de pouco adiantará. Quando alguém, mesmo que por acidente, permite que lhe cubram a camisa de nódoas, o facto de se tapar aqui e ali, de saltar muito, de correr desesperadamente de um lado para o outro, apenas impede as pessoas de verem as nódoas com nitidez, mas apenas durante algum tempo. Fatalmente, algum dia vai ter que parar... e vestir uma camisa lavada. Estou certo de que tem mais do que uma...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Por uma questão de higiene



Quando se constrói um blog é na esperança de que alguém o veja. Que alguém aprecie as receitas culinárias, admire as fotografias, partilhe os desabafos íntimos, ouça as músicas, sinta a poesia, leia os textos. Depois queremos mais. Se escrevemos textos que veiculam opiniões, opções, críticas, desejamos que quem nos lê reaja, que interaja. Que aplauda, que corrija, que discorde, mesmo que o faça rijamente... mas que diga alguma coisa, que não fique indiferente. Abrimos a caixa de comentários de par em par e ficamos à espera. Com sorte, cumprem-se os nossos desejos.

O que eu desejava para o “Cantigueiro” está a fazer o seu caminho. Os leitores diários nunca pararam de aumentar. Mesmo que sejam algo resistentes a ir à caixa de comentários deixar um sinal da sua passagem, os poucos que o fazem, embora sejam uma percentagem muito pequena das várias centenas de leitores e visitantes que já passam aqui todos os dias, raramente me deixam “pendurado” sem uma reacção ao que escrevo.

Aquilo de que nunca estamos à espera é de que, aproveitando a porta escancarada, comecem também a aparecer, disfarçados de “discordantes”, personagens abjectas, sem uma ideia para propor ou discutir, que se limitam a insultar quem está, como é o caso deste último auto intitulado “Domingueiro” (de quem só não apago os comentários que aqui deixou para que este texto faça sentido) ainda por cima, recorrendo a um tipo de linguagem porca com a qual toda a vida convivi mal.

Ainda pensei repetir o conselho que às vezes dou: que os leitores andem pela caixa de comentários com muita atenção, contornando os tais “comentadores”, tal como nos relvados dos jardins se evitam as bostas dos cães.

Ainda pensei perguntar a esses energúmenos se, a dar-se o caso de eu atirar um pau para longe, jurando não querer o pau para nada, eles iriam a correr atrás dele... não voltando mais.

Não adianta. Creio que a única solução razoável e prática é mesmo activar a moderação de comentários que, felizmente, o blog permite.

Assim, para além de desafiar os leitores (aqueles que concordam com o que escrevo, aqueles que acham que ainda é pouco, aqueles que discordam...) a continuarem por aqui, gostaria mesmo que aumentassem o número de comentários, quanto mais não seja para que fique claro que não será por não aplaudir o que eu escrevo que alguém terá uma opinião barrada.

O limite será mesmo a ordinarice, os insultos a outros comentadores, posições fascistas, xenófobas, racistas, etc.

Esses, passam a ficar do lado de fora da porta, que é o seu lugar. A partir deste post, os vossos comentários não ficarão visíveis imediatamente, como até agora, mas sim logo que eu os leia (o que tanto pode demorar uns minutos, como algumas horas...), para decidir quais os “domingueiros” que ficam na rua a ruminar o seu próprio esterco.

Peço desculpa pela falta de paciência e pelo possível incómodo. Grande abraço!

A constância do Constâncio compensa constantemente...





O capitalismo e particularmente muitas das suas instituições financeiras, com os bancos à frente, apanharam recentemente um susto feio. Nada que a falta de vergonha na cara e a insensibilidade social que caracterizam o sistema não tenha já praticamente resolvido.

Os de sempre, mais uma vez perderam empregos, perderam as casas por que trabalharam durante anos a fio, perderam economias de uma vida inteira... em muitos casos, perderam mesmo a esperança. Os (realmente) grandes tubarões e os especuladores sem escrúpulos fizeram dinheiro como nunca.

Nesta “retoma” dos lucros gigantescos, dos ordenados e prémios obscenos, dos negócios escuros, da lavagem de dinheiro, do crime económico organizado, da fuga generalizada aos impostos, a banca e demais jogadores desta economia de casino europeia, precisavam de relançar as suas actividades sem esbarrar em grandes obstáculos. Precisavam de um Banco Central Europeu com um responsável pela supervisão dos mercados financeiros que fosse, digamos... fofo. Não podiam deixar de “adquirir” o Dr. Vítor Constâncio, tais foram as provas que deu, enquanto supervisor atento e implacável para com as bandalheiras que recentemente se passaram em bancos portugueses.

Lá vai ele, contente e principescamente pago, servir ainda melhor aqueles a quem sempre serviu. Dizem por aí os tristes do costume que isso é um «êxito da diplomacia portuguesa»... ou mesmo uma «honra para Portugal».

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

GNR – A dignidade... dos cavalos



O posto da GNR de Mértola é uma humilhação diária para os homens que ali trabalham. Ganhou o “honroso” título de pior posto do país. Ali, os homens dormem, escolhendo estrategicamente o lugar em que não caia água do tecto, água que é artisticamente aparada por baldes de plástico. Ali, os arquivos e demais papelada, têm que estar cobertos com grandes plásticos, porque como já disse, a chuva não consegue distinguir lá muito bem o que é o exterior e o interior do posto. Está em risco de ruína há vários anos. Em 2007 a Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI) ordenou o seu encerramento, por não reunir o mínimo de condições de funcionalidade. É uma vergonha! Porém nem tudo é mau, a saber:

1. A renda que o Ministério da Administração Interna paga pelas maravilhosas instalações que não quer largar é apenas de 12 euros por trimestre, o que para o Estado (a que chegámos) deve compensar largamente a hipotética perda da vida de algum dos militares a quem caia um pedaço do tecto na cabeça, enquanto dormir.

2. À cautela, desde 2008 que o esquadrão de cavalaria foi retirado dali, para local mais seguro, o que é um gesto bonito e bastante humano da parte de quem manda, já que os cavalos da GNR são, na maior parte, animais maravilhosos e muito valiosos.

Agora os militares da GNR de Mértola só têm que lutar por conseguir um Ministro da Administração Interna que tenha por eles, pelo menos, a mesma consideração que tem para com os cavalos.

José Sócrates e o “polvo”





Mesmo correndo o risco de ser mais uma vez visitado pelos sócios mais malcriados e activos da “Liga dos Pêésses Anónimos”, tenho que voltar a abordar a figura do nosso “primeiro ministro tipo engenheiro”, o qual, diga eu o que disser, já reservou um lugar na História de Portugal. Se alguma vez se elencar a performance dos governos dos últimos trinta anos, ele terá garantido o título de “coisa mais miserável que aconteceu ao país”, acumulado com o de “maior tragédia para o seu próprio partido” (Mário Soares foi ainda pior... mas está numa classe à parte). E tudo isto por coisas que realmente fez e não pelas que quase todos suspeitamos que tenha feito. Por essas, que não estão de todo provadas, o mais que poderia conseguir, seria um lugar em casa... ou na pior das hipóteses, um tempito na penitenciária... daí a azáfama que para aí anda de encobrimentos, destruições de provas, declarações desencontradas, mentiras, areia, areia...

Mesmo assim, quanto mais não seja por uma questão de organização de todos os factos históricos, para memória futura, há sempre quem, felizmente!, se dê ao trabalho de escrever sobre esta personagem textos muito acima da fasquia, como é este “O polvo”, publicado no “Autoridade Nacional”. Cheguei lá, alertado pelo “Anónimo do Séc.XXI” e depois com mais um empurrão do “5dias.net”. Dêem lá um salto. Respirem fundo, que o texto é longo, mas muito bom. No fim verão se o autor não tem toda a razão em perguntar: «E depois de fazer tudo isto às claras, ainda é preciso especular sobre o que fez às escondidas?»

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Fortes com os fracos...






O “ganita” e o “pistolas” estão a ser julgados por terem roubado (comprovadamente) um pacote de amêndoas e uma garrafa de whisky que nunca ninguém viu. Segundo o Procurador do Ministério Público, ficaram dúvidas sobre o roubo da garrafa, «mas das amêndoas temos a certeza que foram no bolso».

Em parte alguma são mencionadas armas envolvidas no audacioso golpe. Pelo roubo da garrafa invisível e do saco de amêndoas, agravados pelo empurrão à funcionária que os abordou, dado por um, e pelas ameaças, feitas pelo outro, enfrentam uma pena que pode ir até oito anos de prisão.

Como obviamente sou contra os assaltos e roubos, sejam eles de que “qualidade” forem, não me ocorre comentário algum, a não ser que tenho imensa pena de que a Justiça seja assim rápida e severa... mas quase sempre só para com os fracos. Isso, infelizmente, tem um nome bastante feio...