quinta-feira, 4 de março de 2010

“Ajeitar” órgãos de comunicação social



Nota de abertura, que muito provavelmente não quererá dizer nada: a SIC abriu o telejornal das oito com as declarações de Manuela Moura Guedes; a TVI... não!

Apesar do “cavalheirismo” que mais do que uma vez lhe apontaram, Pinto Balsemão lá foi deixando aqui e ali uma “mina”, como quando se afirmou convicto de que não é possível o Governo não ter sabido da intenção da compra de parte da TVI pela PT, ou quando disse que pressões há e houve sempre, o importante é se elas conseguem obter resultados, acrescentando “inocentemente” que no caso de Sócrates, alguns resultados estão à vista. Balsemão, independentemente de se concordar ou não com ele e apesar do “mundo que nos divide”, para citar o deputado do PCP João Oliveira, passeou a sua classe durante toda a sessão, “classe” apenas altamente prejudicada pelo facto de se saber que, na verdade, está sempre a defender mais o seu negocio do que qualquer “ideia”.

Já sobre a sessão “hardcore” de Manuela Moura Guedes, que incluiu de tudo, desde granadas de estilhaços sobre a inspectora Alice da Judiciária de Setúbal, até mísseis de longo alcance sobre o Rei de Espanha, o mínimo que se pode dizer é que merece que se fique com atenção ao que se seguirá, tal é a gravidade de quase tudo o que declarou. Algumas consequências aquilo tem que ter...

Resumindo, quanto mais se vai puxando a meada deste novelo da “liberdade de expressão”, desenrolado pela Comissão de Ética da Assembleia da República, sobre os alegados planos para dominar, eliminar e abafar órgãos de comunicação social, ou pelo menos “ajeitar” alguns deles, para usar o termo que Medeiros Ferreira empregou no seu comentário, mais cresce a náusea. Quanto mais ouço e vejo, mais cresce o meu “apreço” pelas pilhas. Essas, pelo menos, têm um lado positivo!

quarta-feira, 3 de março de 2010

Agarrem-me que eu vou-me a eles!






Depois de duas edições do novo programa de entrevistas de Miguel Sousa Tavares, “Sinais de Fogo”, que teve como convidados, na primeira edição, José Sócrates e na segunda, o ex-inspector da Judiciária, caído em desgraça, Gonçalo Amaral, já podemos fazer uma ideia bastante aproximada sobre o que vai seguir-se.

Claro que não me refiro aos entrevistados, pois não sei quem serão, mas sim ao comportamento do escritor, comentador, “renovado jornalista” e entrevistador. Tomando como exemplos as duas entrevistas feita até agora e dependendo de Sousa Tavares se comportar como um cordeiro ou demonstrar uma implacável “coragem”... ficaremos a saber qual a real dimensão do poder pessoal do convidado.

Mas posso estar enganado...

Estantes inteligentes


(Pequeno “excerto” da fantástica Livraria Lello, do Porto)

Segundo ouvi num noticiário nocturno, uma das empresas portuguesas presentes na CEBIT, a célebre feira alemã de tecnologia, vai tentar fazer um brilharete e, obviamente, bons negócios, com as suas “estantes inteligentes”. A ideia por detrás deste conceito é dotar as estantes da capacidade de identificar electronicamente os objectos nelas depositados e transmitirem essa informação a uma base de dados informática, o que pode fazer maravilhas na gestão de stocks e na localização exacta e expedita de objectos em grandes espaços de armazenamento ou arquivo. Brilhante!

Só espero que os nossos cientistas não se entusiasmem em demasia, acabando por exagerar na dose de “inteligência” que vão dar às estantes... ou ainda assistiremos a revoltas, tumultos e cenas lamentáveis em bibliotecas, livrarias e mesmo casas particulares, com centenas de estantes recusando firmemente receber uma boa parte dos livros que andam por aí.

terça-feira, 2 de março de 2010

As escutas são nossas amigas



Um amigo, autarca numa autarquia pobre, confidenciou-me que as despesas que fazem constantemente com as reuniões do executivo estão a tornar-se pesadas, não só para os autarcas, que moram todos longe, como para a própria autarquia, obrigada a contratar um técnico de gravação para registar as reuniões, pagar o aluguer do material, as horas e horas que uma das funcionárias perde a fazer as transcrições, etc., etc.... tudo dinheiro que bem poderia ser usado para coisas mais importantes...

Aconselhei-o a convencer todos os membros do executivo a passarem a usar nomes de membros do governo e gestores de empresas públicas, ficarem em casa sossegados, fazerem as reuniões por telemóvel... e depois, no fim de semana, comprarem o “Sol”. As transcrições estarão lá todas. Mesmo reconhecendo que o dinheiro pago pelo jornal é dinheiro praticamente atirado ao lixo... sempre fica mais em conta.

Novas auto-estradas desbloqueadas



Aqui há uns tempos o Tribunal de Contas, presidido por Guilherme de Oliveira Martins, vetou a construção de uma boa mão-cheia de novas auto-estradas. Foi um grande aborrecimento! Toda a gente sabe que as auto-estradas estão entre as veias principais que fazem correr a seiva do regime. Já foi assim com Cavaco Silva, é assim com o igualmente social-democrata-liberal José Sócrates.

Entretanto, ficamos a saber que depois de umas tantas alterações no modelo de negócio, propostas pelas Estradas de Portugal e da participação activa de Sócrates no processo... o Tribunal de contas já autoriza a construção das novas auto-estradas.

Parabéns à Estradas de Portugal, parabéns a Sócrates, parabéns, sobretudo, aos empreiteiros!

Agora seria uma excelente altura para alguém que saiba mesmo dos pormenores deste “negócio”, vir esclarecer o que se passou realmente... quanto mais não seja para que os mais desconfiados não fiquem a pensar que tudo não passou de um sketch teatral, um número de revista à portuguesa, uma pobre encenação de “rigor nas contas públicas”.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Ele há profissões tão, mas mesmo tão antigas!...



A luta do ser humano pela sua dignidade e pela justiça é velha de muitos séculos. Dentro dessa luta, destaca-se a luta das mulheres. Porque o “mais forte” tende a ser tirano, porque as religiões têm feito tudo menos ajudar... e por mais tudo aquilo que bem sabemos, a luta das mulheres tem sido ainda mais árdua.

Em todos os tempos e em todas as lutas houve sempre quem com um acto, com uma palavra, com um gesto, fizesse o processo retroceder, atraindo o descrédito sobre si e os seus semelhantes. É o caso da multimilionária herdeira e inútil “socialite” Paris Hilton, sempre pronta a esturrar numa festa ou numa tarde de compras aquilo que uma pessoa normal não ganha em vários anos de trabalho. Sempre pronta para ser notícia, custe o que custar.

Desta vez, segundo num recorte de secção “cor de rosa” de um jornal cheio de nódoas de café, produziu uma frase digna do seu intelecto e “profissão”:

«Todas as mulheres deviam ter quatro animais na sua vida: um vison no armário, um Jaguar na garagem, um tigre na cama... e um burro que pague tudo.»

A ver pela cadência dos seus “romances” erótico-mediáticos, o grande problema da jovem herdeira é que, mais tarde ou mais cedo, quase sempre mais cedo, todas as suas “conquistas” acabam por perceber qual o “animal” com que se envolveram.

Caudilho





Aos jornalistas que tem na sua folha de pagamentos, Alberto João Jardim costuma dirigir-se com a soberba com que os velhos senhores da terra se dirigiam aos mais pobres dos seus labregos. Aos outros jornalistas, aqueles que pressente poder não controlar, reage como um animal acossado, sempre pronto a soltar mais um insulto... a arma mais poderosa que a sua “córagem” lhe permite usar contra aqueles que não dependem do seu poderzinho regional mas absoluto.

É assim que se explica o eriçar de pelos do cachaço, sempre que, por estes dias, alguém ousou tocar no assunto do ordenamento do território, ou do melhor ou pior acerto do planeamento, estudo, localização e execução desta ou daquela obra. A indiscutível normalidade do facto de os seres humanos cometerem erros, nomeadamente contra a Natureza, erros que, no próximo acidente natural que ocorra acabam por amplificar os resultados normais desses acidentes, constitui para ele uma ofensa. A indiscutível normalidade do facto de a maioria dos seres humanos que erram, reflectirem e aprenderem com esses erros, corrigindo-os sempre que a oportunidade se apresentar, é um conceito que lhe é completamente alheio. Só assim se explica que esteja convencido de que fez tudo bem e decidido a reconstruir tudo como era, que anuncie «aqui vai ser um novo túnel», ou «aqui vai-se abrir uma nova estrada»... tendo como único estudo para apoiar essas decisões o facto de ter apontado o dedo “para lá” à frente das câmaras das televisões.

Numa reportagem televisiva foi convidado (em tom elogioso) a explicar o grande avanço dos trabalhos de “lavagem de cara” do Funchal. Quando podia ter justificado a prioridade que foi dada ao bem estar dos turistas sobre tudo o resto, quando podia ter aproveitado para fazer o elogio certo aos portugueses da Madeira, falando, por exemplo, da sua coragem, abnegação, força de trabalho, solidariedade e, em muitos casos empenho para lá do “estrito dever”, como é o caso dos trabalhadores autárquicos e outros funcionários e voluntários, que há vários dias se entregam ao trabalho praticamente sem parar, quando podia ter feito isto, como dizia, desgraçadamente, deixou escapar das traseiras do córtex cerebral onde deve ter armazenadas estas velhas “informações” caudilho-fascistas, um lacónico e arrogante: «O povo da Madeira é um povo superior!»

Não é! O povo português, incluindo o da Madeira, não é um povo superior. O povo português, incluindo o da Madeira, é tudo o que já escrevi atrás e mais o que a minha pouca arte não sabe contar, mas... na verdade nenhum povo é superior.

Há, infelizmente, povos que em períodos da sua História são dirigidos e “representados” por dirigentes inferiores... e desses sim, conhecemos muitos!

Como se não bastasse, impelido pelo vento de glória fácil que a desgraça dos outros, aliada ao seu abjecto populismo e demagogia lhe trará, já está disposto a repensar a sua permanência no governo por mais uns tempos para além de 2011. Num terramoto, isto seria o equivalente a uma violenta “réplica”.