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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Banco Santander – Um repentino “surto” de xenofobia


É uma estória de Natal extremamente curta... já que as canalhices têm, por vezes, enredos muito simples:
Paulo Ribeiro trabalha numa sucateira, deram-lhe um cheque de cento e poucos euros e como o banco ficava em caminho, decidiu levantar o dinheiro.
Decisão “errada”!!!
A indumentária de trabalhador de uma sucateira, mais o muito provável cheiro que condiz com os materiais envolvidos, estão fora do código de “fardamento e perfume” do Banco Santander desta freguesia de Braga.
Logo... rua com o cliente! Atende-se o indesejável no passeio e nem se lhe permite sequer o acesso ao livro de reclamações... ainda por cima, era facilmente confundível com um romeno!!!
O “Espírito de Natal”, tão presente em toda a parte, por estes dias... assume, por vezes, formas muito, mas mesmo muito, muito estranhas!
Mas isto é agora, na quadra natalícia. No resto do ano este "espírito" não passa de simples xenofobia e do célebre “racismo” contra os aparentemente pobres, por parte dos lacaios do dinheiro, arvorados em guardiões da “higiene social” nos templos do “deus capital”.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Cavaco Silva – De cortar a respiração!



Ontem, num escusado, descuidado e muito infeliz movimento de zapping, apanhei com o “pastel de belém” a desejar-me «um ano de 2013 tão bom quanto possível»... mas isso não foi o pior.
O pior foi que só mesmo quando aquilo chegou ao cabo e aos votos finais da cavacal criatura, é que a dona Maria disse umas coisas quaisquer que agora não me recordo... mas que, na altura, foram um grande alívio.
É que até aí, a senhora estava para ali, prantada ao lado dele, sem expressão e abanando a cabeça ao ritmo das palavras do estrupício... e pensava eu:
Querem ver que a senhora está doente e o Cavaco teve que trazer para a mensagem de Natal a versão em porcelana que costuma andar na janela de trás do carro oficial a abanar a cabecinha a cada solavanco da viatura para grande divertimento da pequenada que passa nos outros carros e diz para as mães olha mamã uma boneca que abana a cabeça como os cãezinhos de louça da avó! – pensei eu tão aflito que até me esqueci de fazer a pontuação ao pensamento.
Agora que já passou o susto... obrigado e igualmente, senhor Presidente!


domingo, 25 de dezembro de 2011

Quando um homem quiser...


Tinha razão o Ary... com aquela coisa de o natal ser quando um homem quiser. O amor não escolhe horas convenientes nem datas marcadas. A qualquer momento pode nascer a luz da libertação nos olhos de um oprimido. Sem aviso, qualquer criança pode resolver sorrir. Em qualquer lugar. Mesmo no meio de um holocausto...
Hoje é domingo, dia de música aqui na casa, portanto vamos a isto.
Não quero esquivar-me às músicas de natal, até porque gosto muito de uma carrada delas... mas apetece-me reouvir esta belíssima cantiga, parte da banda sonora do filme “A vida é bela”, onde no meio do terror, da barbárie e da morte, também pôde nascer uma luz e a esperança de redenção... mesmo que apenas à força de coragem disfarçada de fantasia, à força de amor, de um simples sorriso.
Como pormenor digno de registo, a canção é cantada pela coautora da letra, a cantora israelita Noa, logo, conterrânea do famoso Jesus, o menino judeu cujo nascimento hoje se festeja. No vídeo, aparece misturada com imagens do filme, povoado de pessoas que, embora não podendo ser os seus avós (de origem iemenita), poderiam muito bem ser os avós de muitos dos seus amigos... os avós judeus então massacrados pela monstruosidade do nazismo.
Bom domingo!
“A vida é bela” – Noa
(Nicola Piovani /Noa e Gil Dor)



domingo, 26 de dezembro de 2010

Rescaldo – Razão tinha o Sebastião da Gama...





          Quando eu nasci
          Quando eu nasci
          Ficou tudo como estava
          Nem homens cortaram veias
          Nem o sol escureceu
          Nem houve estrelas a mais
          Somente
          Esquecida das dores
          A minha mãe sorriu e agradeceu

          Quando eu nasci
          Não houve nada de novo
          Senão eu

          As nuvens não se espantaram
          Não enlouqueceu ninguém...

          Pra que o dia fosse enorme
          Bastava
          Toda a ternura que olhava
          Nos olhos de minha mãe

                Sebastião da Gama




Adenda: Como toda a gente terá reparado, este poema foi escrito por Sebastião da Gama e não José Régio, como durante umas horas "pareceu". O dia não foi dado a grande atenção ou concentração...  espero que o post que estava aqui preparado, sobre o José Régio, não vá sair, quando sair, com uma fotografia do Sebastião da Gama...  esperemos para ver!
Entretanto, as minhas desculpas aos leitores, ao Régio e ao Sebastião da Gama! Como bem disse uma leitora (identificada) a idade não perdoa. :-)))

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Maria – Um (outro) conto de Natal


(Gustav Klimt - "Mother and child")

O seu nome é Maria. É mãe de cinco crianças. Trabalhava na cantina de uma escola... foi despedida! 

Na cantina escolar onde trabalhava a Maria, o destino dos restos de comida é o lixo... e a Maria pensou que poderia levar alguns desses restos para casa, para dar aos filhos, numa tentativa de remediar, mesmo que só um pouco, o ordenado miserável. Enganou-se! Para a “Eurest”, a empresa privada que, com o dinheiro dos nossos impostos, lucra com o negócio de muitas cantinas escolares, para além desta de Vila Nova de Gaia, isso é intolerável e motivo para despedimento

Se os meus amigos e amigas se derem ao trabalho de ler a notícia do CM, verão que este nem é sequer um caso isolado; a empresa tem por norma ser implacável com as funcionárias, mesmo que estas se limitem a ter a “ousadia” de guardar umas sobras do seu próprio almoço, no cacifo... para quando chegarem a casa, já tarde. 

Lembra, e bem, o presidente do Sindicato da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restauração e Similares, que a “Eurest” faz parte da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), associação que promove a campanha “Direito à Alimentação”, campanha em que aparece, alegre e mediaticamente, ao lado do Presidente e candidato a “Represidente”, Cavaco Silva, nas suas ações de campanha eleitoral à custa dos pobres… dos quais descobriu, subitamente e por estes dias, ser extensamente amigo. 

É natal! Tempo em que alguns sentimentos nobres são vergonhosamente obrigados a conviver com a mais abjecta hipocrisia. 

«Glória a Deus nas Alturas, paz na Terra, aos homens de boa vontade». 
(Evangelho Segundo S. Lucas, capítulo dois, versículo catorze)