Como muitos, estou espectante sobre os resultados das gigantescas movimentações populares no Brasil, movimentações que, tal como seria de esperar, já começam a ser aproveitadas pela extrema direita, com o fim de colocar em causa a própria democracia. Antes de dizer seja o que for sobre o assunto... é minha obrigação esclarecer os leitores de um facto: o meu interesse pelo presente e pelo futuro político (ou pessoal) da dona Dilma Rousseff é tão “modesto” quanto parece ser o seu interesse ou apreço por Portugal e pelos portugueses.
Dito isto, quero deixar registo de um trabalho de um qualquer “faz-de-conta-que-é-jornalista” que, no jornal do Belmiro de Azevedo, me informou de que Dilma “foi de encontro” às reivindicações dos brasileiros.
Espero que não tenha sido um embate tão violento quanto o da polícia que ela própria lançou contra alguns dos manifestantes.
Na verdade, visto o vídeo em que a “socialista” Dilma, para além da divulgação da grossa lista de promessas atrapalhadas, parece descobrir, ao fim de todo este tempo, que apesar das riquezas incontáveis do Brasil, essas estão na mão de meia dúzia de “endocolonialistas” (para usar um termo do Mia Couto), ou seja, uma mão cheia de brasileiros podres de ricos, que enriquecemexactamente em cima do facto de alimentarem castas sucessivas de políticos corruptos. Gente sem vergonha que lucra com a miséria dos seus concidadãos, com a falta de transportes dignos, com a falta de saúde pública digna do nome, com professores e médicos humilhados diariamente pelos salários de miséria. Gente sem vergonha, que espera estar “feita na vida”, bastando-lhe para isso eternizar a corrupção impune e a grosseira alienação da bola, do carnaval, das seitas religiosas ultra reaccionárias, etc., etc.
Na verdade, talvez a explicação para esta tão tardia e abrupta “descoberta” de Dilma, resida no facto de ela continuar (haja pachorra!) a referir-se a si própria como “Presidenta”... que como todos bem sabemos... é uma coisa que, pura e simplesmente, não existe!



