quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

TVI - Nem se dão ao trabalho de disfarçar




Atormentado pela angústia de não saber se a jornalista/cronista Fernanda Câncio já teria, ou não, aceite o convite do novo canal TVI 24, para integrar o painel de comentadores do tal programa de que aqui falei... fui informar-me. O resultado é assombroso!

Primeiro, para meu descânsio, a Fernanda já aceitou.

Segundo, descobri que o pessoal da TVI 24 não tem parado um instante. Se o pluralismo de ideias, de que falei antes, já era brilhante, então agora o que se avizinha é de encandear qualquer mortal.

A saber:

Mais um programa de debate sobre assuntos na ordem do dia. “Debatedores”, Augusto Santos Silva & Morais Sarmento.

Um frente-a-frente, certamente sobre assuntos económicos. Economistas em “confronto”, Pina Moura & Braga de Macedo.

Programa de comentário sobre temas quentes da semana. Comentadores, Vasco Pulido Valente, Vital Moreira & Rui Ramos. Sobre este último (historiador), dado ser, penso eu, menos conhecido, direi que é um daqueles neo-cons, neoliberais, ou lá como raio se chamam, carregados de diplomas e atascados em conservadorismo do mais reaccionário, agressivo e trauliteiro (penso eu, mais uma vez).

E pronto. Perante o esplendor da cultura democrática e pluralismo político e de ideias que emana desta programação projectada pelo novo caneiro da TVI, só me resta retirar tudo o que disse sobre a falta de vergonha dos programadores, arrepender-me muitíssimo e penitenciar-me assaz.

Nesse sentido, fui ali a casa de um vizinho que é da “Opus Dei” e tem sempre um cilício a mais para emprestar, cilício que como se pode ver pela fotografia, já tenho posto no braço... e bem apertado.

Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa!

Salazar teria batido a bota muitos anos mais cedo... se o ridículo matasse!





Por mim, não vale a pena discutirem muito. Basta-me saber (vi alguns pedaços...) que a dita série é muito fraquinha.

Sobre aspectos bem mais sérios, como a já recorrente lavagem histórica e, pela enésima vez, a patética tentativa de humanização do ditador e assassino, a minha “opinião” é que podem enfiar a série em vários sítios, sendo que nenhum deles é o horário nobre da televisão. Entre outras coisas, porque não estou nada, mas é que mesmo nada interessado em saber que António de Oliveira Salazar era um garanhão compulsivo que saltava para a cueca a tudo o que se mexesse e usasse saias... e isto não é, nem deixa de ser, uma insinuação sobre os seus colegas de seminário, ou o seu grande e querido amigo especial Manuel Gonçalves Cerejeira, que chegaria a Cardeal.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

“E se alguns se deixarem comprar? Será que conseguimos dividi-los?”




Não vale a pena entrar em muitos pormenores sobre as novas ideias do Ministério da Educação, apresentadas pelo injustificável secretário Pedreira. Para isso existem os links para a imprensa.

O que quero mesmo é apreciar assim no geral a grandiosa visão deste governo e da Marilu sobre o que é uma relação com os professores, baseada na dignidade. A saber, para quem atingir umas quantas vezes as classificações de “excelente” e “muito bom”, mesmo dando de barato o facto de estas classificações não se poderem atingir apenas pelo mérito, já que existem quotas, quem, como dizia, por mérito, sorte... e principalmente por ter obedecido à ministra, alinhando nesta avaliação, atingir estas classificações, em dois anos consecutivos, ou intercalados e blá, blá, blá... terá direito a um vencimento e meio, nuns casos, ou um vencimento, noutros como suborno, perdão... como prémio pela sua “excelência”.

Já que neste Governo a vergonha não existe e pelos vistos, pelo menos se considerarmos os milhões que são enterrados na banca para salvar corruptos, bandidos, ou simples incompetentes, afinal o Estado tem dinheiro a rodos, porque não criar mais alguns “incentivos”? 
Apenas como exemplo:

1. Um chequezinho de 250€ a cada professor(a) que consiga provar não ter participado nas manifestações contra a política da ministra.

2. Um chequezinho de 500€ a cada professor(a) que consiga provar que foi trabalhar em dia de greve.

3. Um vale de compras de 50€ a cada funcionário público que lamba as botas do chefe diariamente.

4. Um vale de compras, mas de 100€ mais uma entrada para o cinema, desde que seja no Freeport, para cada funcionário que tenha sobre a secretária a fotografia de Sua Excelência o Presidente do Conselho.

Experimentem... vão ver que haverá muitos candidatos. Há gente para tudo!...

Pablo Picasso - o que é uma imagem?




Numa das minhas costumeiras andanças pela net em busca de imagens para comentar, ou que ilustrem o que quero dizer, detive-me algum tempo "em casa" de Pablo Picasso, saboreei o seu génio, surripiei-lhe a “Guernica”, que já aqui publiquei e fiquei absolutamente espantado a olhar para este magnífico auto-retrato, uma obra da sua juventude.

E o que é que este auto-retrato de Pablo Picasso tem de extraordinário? Então não estão a ver? O jovem Picasso via-se a si próprio como... um jovem Álvaro Cunhal!

Olha que ele há coisas!...

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Atrevimento saudável - "Arestas de Vento"




No Pinhal Novo, ali junto a Palmela, há uma rádio local. É a “Popular FM”.

Nada de extraordinário, poderíamos pensar, dada a verdadeira floresta de rádios locais que existem por esse país fora. O que é que me faz falar desta, em particular? É a ousadia que os detentores da antena demonstram, ao terem na sua programação um programa que vai para o ar aos Sábados, entre as 16 e as 19 horas, intitulado “Arestas de Vento”, criado, produzido e realizado com um saudável atrevimento pelo Ricardo Cardoso, primorosamente assistido (na técnica e não só) pela Céu Campos.

Porque é que lhes chamo “atrevidos”? Porque numa altura em que o que está a dar é não fazer ondas e deixar-se ir com a corrente, este casal de radialistas teima em andar exactamente contra a corrente, fazendo deste seu “Arestas de Vento” um momento de cultura, de lucidez, de resistência, de polémica (quando tem que ser), passando a música que, para dizer o mínimo, não está na moda e ocupando as duas horas do programa com uma grande entrevista a pessoas da sua escolha e simpatia. Assim de memória, nos últimos tempos, são exemplo desse “atrevimento” as entrevistas a Pedro Namora, Fernando Tordo, eu próprio e neste Sábado que passou, o escritor, resistente antifascista, dirigente do PCP e director do Jornal Avante!, José Casanova.

Foi uma grande entrevista! Ouvi-a em gravação, ontem, entre a uma e as três da madrugada. Não me alargo mais nos elogios, porque tanto o entrevistado como o entrevistador, falaram de mim, em termos que me deixam muito honrado e sobretudo, porque a “banda sonora” que foi acompanhando a entrevista, foi quase exclusivamente composta de canções minhas, sendo a única excepção uma pérola rara, a “Roseira Brava”, cantada como fado tradicional na voz do saudoso amigo José Labaredas, homem do Couço, da cultura, da gastronomia, da amizade sem "truques" e sobretudo, um grande ser humano.

Para saberem exactamente do que estou a falar, este link levar-vos-á até à página do blogue “Arestas de Vento” onde estão as gravações do programa (chegando lá, basta clicar no "play"). Este outro link, é da página principal do blogue, onde o Ricardo, entre outras coisas, publica algumas das reacções de ouvintes do seu programa.

Votos de continuação do bom trabalho, para a Céu Campos e o Ricardo Cardoso... e parabéns!

Esquerda!!! Voooooolvêr!!!




Depois de devidamente ocupado parte do território da direita e saqueadas as tulhas onde esta guardava as suas políticas, políticas essas que o PS tem usado e abusado (sobretudo, abusado), chegou a altura de Sócrates e os seus propagandistas se lembrarem de que alguns militantes do seu partido ainda têm ideias, sonhos, projectos de esquerda e que os seus corações ainda estão tocados pelo espírito de Abril.

Assim, passada a fase das baboseiras genéricas, tipo “nós é que somos o partido popular da esquerda moderada”, Sócrates decidiu passar ao ataque, arranjando “bandeiras” concretas para jurar as suas convicções de esquerda “mesmo à séria”.

Até aqui tudo bem. Se o homem já enganou tantos milhares de portugueses, porque é que não há-de tentar voltar a enganar, mesmo os militantes e simpatizantes do seu próprio partido, sobretudo aqueles que já estão desiludidos, desconfiados, ou mesmo perdidos? O que é patético é que as “bandeiras de esquerda” que conseguiu inventar, assim de repente e a ver pelas suas mais recentes intervenções públicas, limitam-se a pouco mais que a regionalização e o casamento dos homossexuais, tanto homens como mulheres.

Sua Excelência o Presidente do Conselho, lá sabe!... De qualquer maneira acho que é minha obrigação chamar a sua Excelentíssima atenção para duas ou três coisas.

1. Neste momento, dada a situação económica e social que se vive no país, o povo português sente-se tão motivado e mobilizado para discutir a regionalização, como para se descalçar e desatar aos pontapés a paralelepípedos da estrada.

2. Uma grande parte dos homossexuais, tanto gays como lésbicas, já são casados, quase todos pela Igreja, têm filharada a perder de vista... só que para disfarçar, eles, os gays, casaram-se com mulheres e elas, as lésbicas, casaram-se com homens. Alguns e algumas (não vá alguém suspeitar de alguma coisa), são mesmo quem mais bate no peito e pede castigos divinos para “esses desviados”, ou “doentes”, como lhes chama o Cardeal Patriarca.

3. Dos restantes gays e lésbicas, os assumidos, que obviamente têm todo o direito a casar-se, divorciar-se, amigar-se, juntar-se, o que quiserem, sem que matilhas de beatas e “mal resolvidos” venha apontar-lhes o dedo e dizer-lhes o que devem ou não devem fazer das suas vidas privadas, quero crer que muitos, neste momento e repito, dada a situação económica e social em que estamos, para a qual Vossa Excelência largamente contribuiu, estão muito mais interessados em serem homossexuais com empregos e futuro, mesmo continuando solteiros por mais uns tempos, do que casados e desempregados. Prioridades... tá a ver?

Mas continue a esforçar-se, senhor Primeiro Ministro! Vai ver que mesmo sem o sentir nem pensar, um dia destes consegue dizer alguma coisa realmente de esquerda...

domingo, 8 de fevereiro de 2009

A grande onda




Adoraria ser capaz de escrever algo de interessante, ou pelo menos inteligível, sobre a imponente força deste mar, da fragilidade patética dos barcos e da coragem dos homens, que tanto se vêem nos quadros deste pintor japonês, Katsushika Hokusai (1760-1849), como é o caso deste (talvez o mais famoso), “A grande onda”... mas não sai nada. Fico apenas a olhar, feito tolo!