sábado, 7 de novembro de 2009

Caetano Veloso – Ó prá pose profunda, refinada e culta...



Alguns intelectuais caem por vezes na armadilha de pensar que a cor da pele e/ou as misturas étnicas, ou de raças, como se dizia dantes, tem alguma influência, seja para o mal, seja para o bem, no comportamento intelectual, social e político das pessoas resultantes dessa miscigenação, ou com determinado tipo de epiderme. Mesmo na sua forma mais benigna e pretensamente elogiosa, isso não passa de racismo! Racismo algumas vezes “pela positiva”... mas racismo!

Muitos dos adoradores de Obama estão neste grupo. Não conseguem apontar a Obama, para além dos belos discursos e de algumas intenções apenas anunciadas, um conjunto de obras que justifiquem a “adoração”, mas adoram-no pela maneira como fala, pelo simbolismo do negro na Casa Branca, o simbolismo dos escravos americanos, muitas vezes por simples descargo de consciência, etc., etc.

O “cantautor” brasileiro Caetano Veloso é, infelizmente, um desses. Para além da necessidade que teve de comparar Marina Silva, a sua candidata preferida à corrida presidencial, a Obama, pela cultura, pela habilidade para falar e pelo facto de ser mestiça, não resistiu à sobranceira tentação de classificar o ex operário, sindicalista e actual Presidente, Lula da Silva, como analfabeto e “cafona”, um brasileirismo que quer dizer piroso, ou parolo.

Se ao menos Caetano Veloso e a casta de “intelectuais” que como ele, sofrem desta espécie de hipertrofia do ego, soubessem o quanto eles próprios podem ser analfabetos, cafonas e ridiculamente pretensiosos...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Paulo Bento – Não havia necessidade...



Os clubes de futebol transformaram-se em empresas. Trata-se de um simples expediente para melhor gerir o negócio, ser cotado em bolsa, etc., tudo coisas de utilidade mais do que discutível e, sobretudo, com efeitos sobre o espírito de clube e o próprio desporto, que ainda estão por apurar.

Um dos clubes que terá levado essa “empresarite” mais longe, em gestões anteriores à actual, foi o Sporting Clube de Portugal. Agora, com adeptos zangados uns com os outros, confundindo clubismo com agressividade, com os “funcionários/jogadores” desinteressados e desmotivados, com os dirigentes desorientados, espetando farpas uns nos outros... a fava calhou a Paulo Bento. Duvido muito que o problema fosse ele... mesmo admitindo que poderá não ser a solução.

Mas isto sou eu a falar... ainda por cima de futebol, de que não entendo bulhufas.

De qualquer maneira, Paulo bento e o SCP, sem querer, obviamente, prestaram momentaneamente um grande serviço a Sócrates e ao seu Governo “remodelado a fazer de novo”. Qual Programa do Governo, qual Parlamento, qual país!... Assim que ponho a ponta do nariz na rua, só ouço falar do Sporting.

Silva Lopes – O regresso da múmia





Silva Lopes, uma múmia que em vida foi ministro das finanças de Soares, portanto, a ver pelos resultados, uma competência!, foi também governador do Banco de Portugal. A somar aos trabalhos de figuração em filmes sobre o antigo Egipto, é utilizado também para dar umas opiniões na televisão, de tantos em tantos meses.

O mecanismo que lhe introduziram para passar as gravações é, no entanto, bastante limitado. Praticamente não faz mais do que repetir que na situação actual (dá para qualquer situação) não é possível aumentar os salários aos trabalhadores, que os aumentos salariais são "fabricas de desemprego", blá, blá, blá. Sabendo-se que o homem recebe fartos milhares de euros todos os meses, por mor de uns biscates que vai fazendo e das numerosas reformas que lhe pagam dos vários “empregos” por onde passou, uns durante anos, outros apenas uns meses, outros praticamente só para dizer “bom dia!”, a coisa compreende-se. O dinheiro não pode chegar para tudo...

E pronto. Depois cala-se. As declarações, mais uma vez, dão uns títulos de jornais, uns minutos de rádio e televisão... e voltam a colocá-lo no sarcófago.

Desgraçadamente, estas saídas, mesmo curtas, dão depois uma despesa enorme em sprays para purificar o ar, velas de aromas, chás para o estômago...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Cantata Pranto e Louvor



Já que estamos em maré de lançamentos de livros, porque não também um salto, desta vez a Montemor-o-Novo, para o lançamento do livro de Filipe Xinita e Manuel Gusmão, “Cantata Pranto e Louvor”, feito em memória de Casquinha e Caravela?

Casquinha e Caravela são dois símbolos da luta pela defesa da Reforma Agrária, mas acima de tudo, um ponto culminante da ofensiva de profundo ódio que se iniciou de forma organizada com o primeiro Governo de Mário Soares, apostado em garantir ao grande capital e aos seus “protectores” (e financiadores) americanos, que em Portugal não vingaria uma Reforma Agrária com a dimensão e as características da nossa, nem que para isso fosse necessário esmagar as Unidades Colectivas de Produção com toda a sorte de ataques e boicotes e, no limite, assassinar alguns dos seus trabalhadores.

Foi o que aconteceu aqui, em Montemor (Escoural), quando António Maria Casquinha e José Geraldo “Caravela” viram as suas vidas ceifadas pelas balas da GNR, em mais um serviço encomendado pelos grandes agrários e executado pelo governo de iniciativa presidencial, de que era Primeira Ministra, Maria de Lurdes Pintassilgo.

Agora ficaria aqui a contar História... mas apareçam. Os anfitriões da sessão contam melhor do que eu.

José Sócrates – A arte de não aprender nada





O meu almoço de hoje foi sendo interrompido por flashes do debate na Assembleia. José Sócrates, se mudou nalguma coisa, foi para pior. Numa das trocas de argumentos com um deputado, na ocasião, Francisco Louçã, deu-nos mais uma demonstração da sua espessa boçalidade política e pessoal:

“Vossa Excelência, durante a campanha disse querer ser Primeiro Ministro. Disse que queria uma esquerda grande... e agora cá estamos nós! Eu, aqui e Vossa Excelência... aí!”

Como a boçalidade e desrespeito da frase não lhe pareceram suficientes, ainda lhe atirou com mais uma asneira à cara, “O Governo ganhou as eleições!” (O Governo???)

Aliás, pelo que fui vendo nos tais flashes que me foi sendo possível suportar, o homem passou a maior parte do tempo numa espécie de “nha! nha! nha! nha!” com todos os deputados das oposições, cantarolando “eu ganhei e vocês perderam!”, naquele seu jeitinho algo gingado, a que por vezes só faltam mesmo umas plumas na cabeça...

Este indivíduo não tem estofo para governar coisa nenhuma! É preciso dar-lhe o tempo estritamente necessário para mostrar, mais uma vez, a sua incompetência... e pô-lo a andar!

Armando Vara – O “meteórico”



Para descanso de algumas almas e depois de algumas indirectas (que mais pareciam chutos no traseiro) por parte do seu presidente, Armando Vara lá se dignou a levantar o dito traseiro da cadeira e pedir a suspensão do tacho, perdão, do cargo de vice presidente e administrador executivo do extremamente azarado Banco Comercial Português.

Como é uma pessoa cheia de recursos, o ex bancário-ministro-banqueiro já está em contacto com um país (que quis manter o anonimato) fortemente interessado nos seus serviços como treinador da sua Equipa Olímpica... de “assalto à Vara”.

Mas para que estou eu aqui a fazer trocadilhos “secos” quando o que quero realmente é uma desculpa para publicar as fotografias de saltadores a sério? Como a miúda norte-americana de 20 anos, cheia de possibilidades de progresso, Allison Stokke, da extraordinária recordista actual, com 5,05 metros, a russa Yelena Isinbayeva e claro, o mítico Sergey Bubka, cujo disparatado recorde mundial de 6, 14 já tem 15 anos de vida.

Bons saltos! A ver se saímos desta neura...

Alison Stokke

Yelena Isinbayeva

Yelena Isinbayeva

Sergey Bubka

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A Reforma Agrária é necessária!



Eis um excelente pretexto para dar um salto até Évora e assistir ao lançamento do belo livro de António Gervásio, figura amável e da maior importância na história do que foi (e é!) a luta pela liberdade e por um justo uso e posse da terra.