Alguns intelectuais caem por vezes na armadilha de pensar que a cor da pele e/ou as misturas étnicas, ou de raças, como se dizia dantes, tem alguma influência, seja para o mal, seja para o bem, no comportamento intelectual, social e político das pessoas resultantes dessa miscigenação, ou com determinado tipo de epiderme. Mesmo na sua forma mais benigna e pretensamente elogiosa, isso não passa de racismo! Racismo algumas vezes “pela positiva”... mas racismo!
Muitos dos adoradores de Obama estão neste grupo. Não conseguem apontar a Obama, para além dos belos discursos e de algumas intenções apenas anunciadas, um conjunto de obras que justifiquem a “adoração”, mas adoram-no pela maneira como fala, pelo simbolismo do negro na Casa Branca, o simbolismo dos escravos americanos, muitas vezes por simples descargo de consciência, etc., etc.
O “cantautor” brasileiro Caetano Veloso é, infelizmente, um desses. Para além da necessidade que teve de comparar Marina Silva, a sua candidata preferida à corrida presidencial, a Obama, pela cultura, pela habilidade para falar e pelo facto de ser mestiça, não resistiu à sobranceira tentação de classificar o ex operário, sindicalista e actual Presidente, Lula da Silva, como analfabeto e “cafona”, um brasileirismo que quer dizer piroso, ou parolo.
Se ao menos Caetano Veloso e a casta de “intelectuais” que como ele, sofrem desta espécie de hipertrofia do ego, soubessem o quanto eles próprios podem ser analfabetos, cafonas e ridiculamente pretensiosos...










