segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Fugir para a frente da batalha é fugir... ou atacar?



No dia de ontem, três de Janeiro, apenas há umas horas e mais cinquenta anos, para ser exacto, um punhado de homens que há muito tinha decidido não deixar o seu futuro nem o do país nas mão dos tiranos, fugiu do Forte de Peniche.

Foi uma inspiração que muito animou a luta dos que levariam a sua resistência até Abril e a luta até hoje. Foi uma violenta pancada no fascismo, que nunca mais se recompôs. Arrastou-se por mais catorze anos até se render, vergonhosamente, perante a ameaça do desassombro, alguns canos de espingardas, muitos cânticos, uma avalanche de flores e um mar de gente.

Numa altura em que os “decoradores e paisagistas” da história, ao serviço do capital, se encarregam de branquear, alindar, quando não mesmo arrancar, as páginas que nos falam da tristeza em que vivemos, dos crimes que suportámos e da miséria social, moral e cultural que até hoje nos tolhe como alcatrão nas asas, é importante, é imperioso não esquecer.

A escritora Eugénia Cunhal, irmã de Álvaro Cunhal, um dos fugitivos, dá-nos uma visão que não é a mais lida. A experiência vivida à época pela família, amigos... e por ela, cautelosamente, mas sem regatear a solidariedade, com receios, mas sem regatear a determinação.

É uma entrevista em três partes, que podem ser lidas aqui, aqui e aqui.

9 comentários:

Maria disse...

É uma excelente entrevista, com a naturalidade e sensibilidade a que Eugénia já nos habituou.
E hoje lá estava ela, cansada mas feliz, com o olhar doce como o mel...

Abreijos

Daniel disse...

Que me desculpem a Eugénia, o Álvaro Cunhal, todos os outros e tu, Samuel, mas hoje quero deixar aqui apenas uma homenagem a outra heroína, aquela jovem de 26 anos que morreu atropelada quando tentava ajudar as vítimas de mais um acidente numa estrada portuguesa.

Graciete Rietsch disse...

Sem querer ofende ninguém pergunto
Onde estava Deus?

Anónimo disse...

E assim se combateu o Fascismo.

São disse...

Gsotei de ouvir Júlio e acompanhantes e só lamento que em Portugal a RTP faça tudo menos serviço público!!

Quanto à efeméride também a assinalei, porque é indispensável conservar a memória.


Desejo-lhe um bom 2010, com algum tempo para deixar os seus apreciados comentários lá em casa, rrss

Carlos Machado Acabado disse...

Samuel:

Saúdo-te hoje de forma especial por nos proporcionares o ensejo de relembrarmos [e celebrarmos]colectivamente o heroísmo de uns quantos de nós que nunca desistiram nem se renderam perante a ameaça ignominiosa da Besta e, no limite, a oportunidade de recordá-los simbolicamente na figura e no Exemplo inesquecíveis de Álvaro Cunhal, juntamente com Vasco Gonçalves, umas das figuras mais estupidamente maltratadas e mais tragicamente injustiçadas da nossa História colectiva recente---duas perdas irreparáveis que nunca ultrapassaremos nem superaremos.
É preciso, no entanto, dizer que com Homens como estes que se evadiram de Peniche ou como aquele outro que o País não soube merecer é sempre de VIDA, não de morte que se trata---sendo que VIDA [e dignidade e coerência e inimitável verticalidade pessoal e cívica] é sempre aquilo que, a propósito deles, estamos realmente a falar!

samuel disse...

Maria:
Imagino o mundo de recordações que ia naquela cabeça... as conversas com o irmão...
Grandes figuras!!!

Daniel:
Mais uma das coisas que nem com boa vontade têm explicação...

Graciete:
A ajudar na recolha de assinaturas pelo referendo contra o casamento de pessoas do mesmo sexo...

Estafermococus:
Com eficácia!

São:
Recebido o “toque”... ☺ ☺

Carlos Machado Acabado:
E esse é um património que tanto nos invejam!


Abraços gerais!

Fernando Samuel disse...

É fugir... para dar mais força à luta...

Um abraço.

Cloreto de Sódio disse...

Durante muitos anos, passei alguns dias naquela zona. Fui ao Forte, durante vários anos, com os meus filhos, para que vissem o espaço onde homens corajosos se bateram pela liberdade. A história de Álvaro Cunhal era sempre a primeira a ser contada. Espero que tenha valido a pena tanta coragem. Desculpa este pessimismo manhoso, mas hoje foi mesmo um dia diferente.
Abraço.