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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Egipto, Mubarak e Obama – A farsa está montada!


Mesmo sendo evidente e normal o facto de não ter entendido e interpretado corretamente tudo aquilo que fui vendo ao longo de quase seis décadas, a verdade é que já vi muitas coisas... por isso estava a contar as horas até que estas últimas notícias chegassem do Egipto. Finalmente, "animados" pelo discurso do ditador, afirmando ficar até Setembro e por entre negociatas com os seus "patrões", os EUA, os esperados “apoiantes” de Mubarak apareceram em cena.
Pouco lhes importa que praticamente toda a gente veja que não passam de lacaios do ditador, polícias à paisana, provocadores, criminosos soltos e pagos para o efeito... a sua missão está cumprida. Conseguiram "transformar", pelo menos para os olhos crédulos de muitos, as gigantescas e pacíficas manifestações contra o ditador em “simples” confrontos violentos entre “apoiantes” e “oposicionistas”. Com a dose certa de feridos, mortos e sangue, que fazem salivar as televisões internacionais... e na tentativa evidente de provocar uma intervenção militar que seja favorável ao regime.
Conseguiram igualmente que o cínico Obama pudesse ver finalmente justificado o seu pedido de contenção a ambas as partes... e o fim da violência, tornando assim oficial a “verdade” que estava difícil de arrancar aos manifestantes que exigem o fim da ditadura: a de que também eles são violentos.
Como já escrevi noutro local, este é um tremendo teste à capacidade de organização, mobilização e, sobretudo, à serenidade de todos aqueles que estão empenhados num futuro de liberdade para o Egipto e numa vida melhor para o seu povo.

«Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem.»
(Bertold Brecht)